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Uau, virei guru! Ou não?

O título da matéria no Correio Popular gritava: "Gurus cobram altos cachês em palestras". Um pouco antes eu dera uma entrevista à repórter que perguntou a quantas andava o mercado de palestras, compartilhando minhas impressões de aprendiz de guru.

De repente me vejo ombro a ombro com gurus de verdade como Tom Peters, Jack Welch, Fernando Henrique e Ricardo Semler. Ombro a ombro só no jornal, porque na vida real ainda não vi os 50 mil dólares que a matéria diz que o FHC cobra para falar.

Sob o subtítulo "Palestrante já lançou cinco livros" a matéria diz que "do time de 120 gurus cadastrados na Palestrarte, Mario Persona é dos mais solicitados e está permanentemente com a agenda cheia". Dos mais solicitados eu não sei, mas que a agenda vive cheia, "that's true" (devo falar inglês se quiser ser guru). Aguarde um pouco; preciso levar o lixo para fora.

Onde eu estava? Ah, sim, agenda cheia. Lá diz que recebo em média duas solicitações de propostas por dia. "True again". No Google meu nome aparece em milhares de páginas e se você buscar por "palestrante", dentre mais de um milhão de resultados meu site aparece... bem, descubra você. É claro que isso gera muitas propostas, mas a maioria não vinga. Nem em sonho. Só se eu fosse guru de verdade.

Um dia eu chego lá. Estou até me preparando. Por exemplo, o cabelo. Guru mente a idade — para mais — e tem cabelo branco — quando tem. Com meio século de vida, estou deixando o meu ficar. Peço ao barbeiro que corte apenas os fios pretos, mas ele nem sempre consegue, talvez por ser barbeiro. Quando for guru, terei cabeleireiro particular.

Quando for guru, vou dar um jeito na barriga, no papo, nas peles. Fazer lift-botox-lipo total. É isso aí, cabelo cor prata-ancião, corpo maneco, abdome tanquinho e pele ouro-iate. Bronzeada num iate particular ancorado ao lado de um heliporto numa marina do Caribe. Um dia chego lá. Enquanto isso pego meu bronze passeando de pedalinho.

O guru deve deixar logo a modéstia de lado e ensinar "Como Mover o Monte Fuji", como faz William Poundstone, ou criar um projeto de embasbacar, como o "Wow!" de Tom Peters!, cujo nome no site termina com um ponto de exclamação. O importante é ser original, mesmo que use o velho truque editorial do título que começa com números, como "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes", de Stephen Covey ou "Os 100 Segredos das Pessoas Felizes", de David Niven.

Eu, original? Até para escrever esta crônica precisei me inspirar no artigo "If I Were A Guru", de John R. Brandt que saiu na Industry Week. Eu lia no banheiro quando, entre outras coisas, surgiu a idéia. Um guru de verdade não faria isso. Newton, humilde, confessava: "Se enxerguei um pouco mais foi por estar sentado em ombros de gigantes". Eu, na privada.

Gurus também ganham destaque na mídia. A matéria abre com a frase: "Clube restrito conta com medalhões como FHC...", mas eu estou na que vem depois: "...mas também tem espaço para pessoas não tão conhecidas". Sou eu. Stephen Covey está nas páginas amarelas da Veja. Eu, nas da lista telefônica.

Bem, uma vez a revista Exame me entrevistou. Pediu minha opinião sobre uma empresa que conseguiu vencer uma crise em seu mercado. Uma hora de conversa com o repórter e eu mal podia esperar para ler. Corri para a banca — um guru jamais faria isso — para ver se saiu. Saiu. Uma hora inteira de minha sapiência condensada no comentário: "'É de admirar que a empresa tenha se mantido de pé', diz o consultor de gestão Mario Persona."



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O Guia dos Gurus

JIMMIE BOYETT e JOSEPH BOYETT

Os autores pesquisaram as diretrizes dos 70 empreendedores mais bem-sucedidos do mundo e organizaram seus ensinamentos em tópicos que vão desde como desenvolver um projeto a exploração de novas tecnologias. Entre eles, estão Bill Gates, Soichiro Honda e David Packard.

E a gorjeta, doutor?

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