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Pirâmide à cambalhota

Prato do dia: "Pirâmide à Cambalhota". Onde? Em seu jornal. Página? Oras, em todas. Trata-se da pirâmide invertida usada na redação da notícia. Montar um jornal é como montar um quebra-cabeça. Não é nada fácil fazer textos e anúncios se encaixarem direitinho para evitar espaços em branco ou sobrar letrinhas. Aí entram os truques do ofício.

Um artifício é mexer no tipo, tamanho e espaçamento da fonte, que é a letrinha que você lê. Outro truque é o da pirâmide invertida. Hein? Pense numa pirâmide invertida. Pensou? Agora imagine ela fatiada. Imaginou?

A primeira fatia, lá em cima, é a mais larga, mais grossa, mais suculenta. Hmmm...! Contém a parte principal da notícia, o filé. Título, subtítulo e primeiro parágrafo dão o recado. Tudo o que precisa ser dito está ali. A fatia logo abaixo, menos densa, repete tudo com outras palavras e acrescenta alguma informação menos relevante. E assim vai.

À medida que você desce, a importância dos parágrafos diminui. O texto que sobra no cumezinho da pirâmide lá em baixo é perfeitamente descartável. Todos os outros, com exceção dos primeiros, também. Moral da história: o jornalista escreve a síntese da notícia logo de cara e depois vai repetindo com outras palavras o que já disse.

No português do Dicionário Houaiss isso é chamado de tautologia, "o uso de palavras diferentes para expressar uma mesma idéia". Em português de açougue isso é encher lingüiça. Não entendeu? É dizer a mesma coisa de outra maneira.

Isso serve para facilitar na hora de podar a notícia e completar o quebra-cabeça da página. Chegou notícia de última hora para encaixar? É só podar as outras de baixo para cima que não vai fazer muita diferença. E o que isso tem a ver com você?

Bem, se não quiser perder tempo lendo jornal, leia apenas o título e um ou dois parágrafos para conversa suficiente para jogar fora na roda de amigos. Mas não é só o leitor avisado que está fazendo isso.

Toda essa nova geração de Internet que escreve 'você' como 'vc', 'teclar' como 'tc' e 'demais' como 'd+' também lê assim. E acha 'blz'. Essa geração é sintética na comunicação e não vai perder tempo lendo ou ouvindo aquele lero-lero da comunicação convencional.

Pra começar, a garotada que mamou no mouse não lê como eu leio. Aprendi a ler da esquerda para a direita e de cima para baixo. Letrinha por letrinha. Só que o cérebro não funciona tão linear assim. Ele processa um montão de coisas simultaneamente, umas aqui perto da orelha esquerda, outras lá sob aquela clareira no topo, e mais um bocado logo acima da nuca. E como você acha que o garoto da geração videogame lê páginas de Internet?

Não lê. Ele faz uma varredura aleatória e alternada, como se estivesse esperando um míssil sair do canto, um buraco surgir no piso da tela ou um caça aparecer no centro. Do jeitinho que o cérebro faz em uma tela multidimensional. E daí?

Daí que se você quiser se comunicar com a nova geração vai precisar criar mensagens coloridas, sintéticas e cheias de emoção. Vai falar e escrever com o grafismo de um videogame, o minimalismo de um chat e o romantismo de um arrepio. Ou seu cliente vai clicar na voz do concorrente.

Informação não é mais importante. Há toneladas dela disponíveis por aí. Virou commodity, carne de vaca, arroz de festa. O que importa agora é o que importa. O resto é cume de pirâmide invertida.

Mas não pense que mensagem sintética seja o mesmo que mensagem mutilada. Não é. Sua síntese deve conter todas as letras para evitar algum mal-entendido.

Nem imagino a crise conjugal que uma coluna social pode ter causado com a falta de uma letrinha -- um tesinho pequenininho assim, ó. Sob a foto de uma sorridente futura mamãe que aguardava a chegada do encantador filhinho Rodrigo, vi uma legenda que dizia:

"Verônica aguardando ansiosa a chegada do encanador Rodrigo".



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O 8º Hábito: da Eficácia à Grandeza - STEPHEN R. COVEY

Hoje em dia, não basta somente ser uma pessoa ou uma organização eficaz, mas são necessárias a realização, a execução apaixonada e a contribuição significativa, em uma ordem de grandeza e dimensão diferentes.
Os sete hábitos para as pessoas altamente eficazes continuam relevantes mas Covey afirma que os novos desafios e a complexidade com que nos deparamos em nossas vidas e relacionamentos pessoais, em nossas famílias, em nossas vidas profissionais e em nossas organizações são de uma ordem de grandeza diferente e exigem uma nova atitude mental, uma nova habilidade, um novo conjunto de ferramentas... um novo hábito. Esse 8º Hábito é o de encontrar a própria voz e inspirar outros a encontrar a deles.

Há um anseio profundo, inato, quase inexprimível dentro de cada um de nós para encontrar a própria voz na vida. O propósito deste livro é dar ao leitor um mapa do caminho que o leve dessa dor e frustração à verdadeira realização, à relevância, ao significado e à contribuição no novo panorama de nossos dias - não apenas no trabalho e na organização, mas em toda sua vida. Em resumo, ele o conduzirá até encontrar sua voz. Se o leitor assim quiser, ele também o levará a um grande aumento de sua influência, qualquer que seja sua posição - inspirando outros a quem prezamos, sua equipe e sua organização a encontrarem suas vozes e aumentarem várias vezes sua eficácia, crescimento e impacto. O leitor descobrirá que essa influência e essa liderança nascem da escolha, não da posição ou do status.

O DVD que acompanha o livro inclui uma série de filmes curtos, muitos dos quais mereceram prestigiados prêmios nacionais e internacionais, e permitirão ao leitor ver, sentir e entender melhor o conteúdo do livro.
Inclui DVD


E a gorjeta, doutor?

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