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Premio Mr. Bean de Comunicacao

Acabei de instituir. E o prêmio vai para.... (rufar de tambores)... o criador da comunicação do referendo sobre o comércio de armas de fogo no Brasil. Meu faro de comunicador revela que teve o dedo do Mr. Bean naquilo. Só pode ser. Sempre desconfiei. Por que? Oras, Mr. Bean faz tudo ao contrário daquilo que reza o bom senso. Ele é britânico, não é? 

Ele é do país de "Alice Através do Espelho" de Lewis Carroll, onde tudo é invertido. Já tentou dirigir por lá? Siga pela contra-mão e ultrapasse pela direita. Se quiser comprar uma calça azul, esqueça. Só vendem azul calça, com o adjetivo antes. Até James Bond, se apresenta do fim para o começo: Bond, James Bond. E não duvido se encontrar por lá um conto de fadas que termine com a princesa morrendo e o príncipe se casando com a bruxa.

Mr. Bean deve ter sido chamado para ajudar no referendo brasileiro por sua experiência no desarmamento inverso da polícia britânica. A polícia de lá, que antes corria atrás de bandido apitando, passou a correr atrás de inocente atirando. Tudo invertido. 

A comunicação do referendo, verdadeira coronhada de dissonância cognitiva, funcionava assim. Se você quiser comprar armas, diga "Não". Ou diga "Sim", se não quiser. É que a pergunta era: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no país?" Para a não venda das armas era preciso dizer "Sim" e para a venda era preciso dizer "Não". Simples, não? Simples sim.

Pelo sim, pelo não, conhecendo que o cérebro procura sempre caminhos mais curtos, o tiro corria o risco de sair pela culatra. O correto seria dizer "Sim" ou "Não" para o comércio de armas, e não "Sim" à proibição, por ser a afirmação de uma negação. O verbo "proibir" equivale a dizer "Não" e o verbo "permitir" equivale a dizer "Sim". Ou você interpreta a placa de trânsito com um "E" cortado como "É permitido não estacionar"?

É provável que Mr. Bean tenha sugerido que disséssemos "Sim" ao "Não" e "Não" ao "Sim" depois de estudar nosso idioma e descobrir que quando queremos dizer "Sim" dizemos "Pois não", e quando não concordamos dizemos "Pois sim!". Ou porque em alguns estados tem gente que, para dizer "Não quero", diz "Quero não", afirmando antes de negar.

Mas se acha que acaba aí esse monumental imbróglio de comunicação, viu a urna eletrônica? Sim ou não? Pois é, esta seria a ordem normal, mas lá a pergunta era "Não ou Sim?". Porque o número "1" é para "Não" e o número "2" para "Sim". A ordem era a inversa de toda a comunicação na mídia, que primeiro falava da opção "Sim", a número "2", para depois falar da "Não", a número "1". Uma dica para donos de bar: se Mr. Bean fizer um número "1" para pedir cerveja, sirva a outra. É assim que funciona.

Faltou avisar se o voto em branco valia para armas brancas ou só de fogo. Tenho pavor de arma de fogo, na frente ou atrás da mira. Antes mesmo da campanha eu já estava sentado na sala do escrivão de uma delegacia esperando para devolver um velho revólver de meu pai e um punhado de balas. Se demorou? Três horas! Estavam prendendo tanta gente que não tinha ninguém para me atender.

Fiquei ali, de arma em punho e diante de um punhado de balas espalhadas pela mesa, quase arrependido de ter martelado o cano. Brincadeira. Situações assim, como atrasos de vôos ou esperas para devolver armas, têm em mim um efeito inverso. Devo ser britânico. Ao invés de sair atirando, saio criando o que vou escrever a respeito. Mark Twain aconselhava nunca irritar "quem compra tinta em barris".

O ponteiro do relógio já mirava no meio-dia quando um delegado me viu de arma em punho. Enquanto ele engatilhava uma expressão de dúvida e espanto, disparei à queima roupa o primeiro pensamento que me ocorreu:

— Estou aqui há 3 horas tentando me entregar e ninguém apareceu para me prender.
E sorri um sorriso de grande calibre, para desarmar qualquer idéia de desacato na mente da autoridade.



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