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Ele é o cara!

Hoje quero falar de alguém que eu e você conhecemos bem. O SimMas. Hein? Não conhece o SimMas? Ora, é claro que conhece! Ele é famoso, ele é o cara. Quer uma ajuda para se lembrar? É fácil descobrir se a pessoa com quem você conversa é o SimMas. Pergunte algo para ver como reage.

-- Ei, você não acha que esse seu jeito de agir é incorreto?

-- Sim, mas...

Aha! Achou. Taí o DNA do legítimo SimMas. Ele sempre começa concordando com você, mas vai logo se defendendo. "Sim, mas..." Pode esperar por longas delongas porque ele vai tentar explicar o inexplicável. O SimMas sempre tenta sair da mira, é um defensor do fraco e oprimido, assim mesmo, no singular. Defensor de si próprio.

O cara nunca assume nada, é um verdadeiro Teflon. Repele qualquer responsabilidade e se justifica de tudo, enquanto joga a culpa em todos. O pior é que ele acredita mesmo no que diz e se enche de razões.

-- Você não acha que é errado estacionar aí? A vaga é para deficientes...

-- Sim, mas, se eu não estacionar, outro estaciona. Além disso, faltam vagas neste estacionamento. E se chegarem agora uns dois ou três veículos com deficientes? Vai faltar vaga. É uma pouca vergonha um shopping como este reservar apenas uma vaga para deficientes! Falta uma política adequada neste país para os menos favorecidos. Deviam formar uma comissão...

O SimMas adora comissões, porque aí pode culpar a todos de uma "culpada" só. No fim você começa a achar que ele está com a razão, e se sente até constrangido de ter importunado alguém tão altruísta com uma bobagem assim.

Se você for chefe do SimMas, pode preparar o estômago, porque o cara dá azia em Somrisal. Ele jamais irá acatar uma ordem ou sugestão. Vai fazer do jeito dele. Vai explicar um montão, mas vai fazer do jeito que faria, com chefe ou não. Se der errado?

-- Veja só, SimMas, eu disse para você não fazer assim. Viu como deu errado?

-- Sim, mas, com a falta de apoio, queria que desse certo? E não é só você que não me apóia. Trabalho aqui sozinho, com a empresa inteira remando contra. Está faltando aqui é uma integração maior entre os departamentos. Você devia convocar uma reunião...

Quando encontro o SimMas, tremo na base. Eu sei -- tenho certeza -- de que, no final, vou sair achando que o culpado sou eu. Às vezes ele não precisa nem falar, basta ele dar aquela respirada prolongada, com som de impaciência e compaixão por minha ignorância, e está dito.

Como só existe ele e o resto das pessoas que orbitam ao seu redor, o SimMasse acha dono do Universo. Ele não é dos que pedem carona. Você tem a obrigação de dá-la. Um dia ele me intimou a levá-lo. Como a viagem seria longa, avisei do horário, porque não queria chegar atrasado ao meu destino. Passei em sua casa na hora combinada, mas ele não estava.

A família, que sabia da minha pressa, entrou em polvorosa. A mulher colocou a molecada para correr à procura do SimMas. Um dos meninos o encontrou num bar, jogando sinuca e bebendo cerveja com os amigos.

Quando, finalmente, chegou da rua, o cara deu o maior esculacho na mulher e nos filhos por não terem percebido que estava na hora da viagem e avisado antes. Nenhum deles iria viajar, mas ele culpou a todos. Prepotente que só! Ainda precisei esperar o SimMastomar banho e se aprontar.

O SimMastem parente por todo o planeta. Nos Estados Unidos tem um primo, o YesBut, que é idêntico. Outro, o SiPero, mora na Argentina e não nega a linhagem. A raça é antiga e já conseguiram traçar sua árvore genealógica até o patriarca da família. O nome dele era Adão SimMas.

Há registros que indicam que ele morava em um lugar literalmente paradisíaco, quando era recém casado. Apesar de ter sido claramente instruído pelo dono do lugar, aquele SimMas desobedeceu as ordens que recebeu. A coisa foi séria e a reprimenda certeira. Pensa que ele ouviu calado? Com a maior cara de pau, se defendeu.

-- Sim, mas, a mulher, que o senhor me deu, foi quem me convenceu a desobedecer...

Naquele dia SimMas começou colocando a culpa em Deus, e na mulher que Ele deu. E nunca mais parou de fazer isso.





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A Jornada do Escritor - CHRISTOPHER VOGLER

A Jornada do Escritor, de Christopher Vogler, busca enumerar ao leitor todas as etapas de construção de personagens e situações necessários para se escrever uma boa história. Para isso, o autor usa estruturas míticas bastante conhecidas como base para o seu roteiro de escrita. O livro é dividido em três seções. A primeira descreve cada uma das personagens que são essenciais para qualquer tipo de história. A segunda propõe estágios ou situações primárias para que a narrativa tenha boa fluência até o final. Por fim, o epílogo faz um resumo da viagem e os apêndices usam a Jornada do Escritor para analisar roteiros de filmes de sucesso como Titanic, Guerra nas estrelas e Pulp Fiction ? Tempo de violência.

Por mais que pareça um guia de roteiros, este livro não é como outros que se propõe a ser manuais. Porque Christopher Vogler não impõe um modelo engessado, mas propõe ao leitor que crie novos caminhos para a sua própria Jornada de Escritor. Com este objetivo, ao fim de cada capítulo há uma seção com perguntas para o pleno entendimento e aplicação dos conceitos utilizados por Vogler, a fim de que o escritor seja bem-sucedido em sua viagem que é escrever.


E a gorjeta, doutor?

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