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Feliz Nova Infancia! - Mensagem para o Ano Novo

Quer saber o que desejo para você no ano novo? Que você não cresça, não evolua e nem progrida. Desejo, mais do que tudo, que você regrida. Desejo que, no ano que se inicia, ao invés de prometer que vai perder peso, você prometa que vai perder anos de vida. Quero que volte a ser criança. 

De volta para o futuro

Dependendo do modo como você procura por uma palavra no Google, o sistema pode abrir um menu "drop down" com sugestões de busca. Quando digitei "France Telecom" o resultado foi macabro. 

Dentre as possibilidades sugeridas estavam "france telecom suicídio", "france telecom suicídios", "france telecom suicides" e "france telecom sob pressão com onda de suicídios".

Clicando num link qualquer, descobri que mais de 20 pessoas se suicidaram naquela empresa em um ano, uma fatia considerável das estatísticas francesas para suicídios em ambiente de trabalho. Quem escolhe a empresa como palco para seu ato desesperado acredita que o trabalho seja mais importante do que a própria vida.

Em uma ação inédita, a Renault francesa foi responsabilizada pelo suicídio de um funcionário. A empresa foi condenada a pagar uma indenização simbólica à família, além de garantir uma pensão privilegiada. Isso pode virar jurisprudência, como já ocorre no Brasil com questões envolvendo o assédio moral. Empresas que causam constrangimento a um funcionário podem pagar caro por isso. E suicídio?

A família do funcionário pleiteava que o caso fosse tratado como acidente de trabalho. Dependendo do tipo de atividade ou da insalubridade do ambiente, o trabalho pode efetivamente representar um risco de vida. No caso ocorrido na França, pressão e estresse foram os fatores de risco.

Qualquer um sabe que chefe ruim causa úlcera, mas nenhum chefe, por pior que seja, imagina ver seu funcionário encerrar uma discussão saindo pela janela do quinto andar. Foi o que aconteceu com o chefe do homem que se suicidou. Eu não gostaria de estar na pele de nenhum dos dois.

A onda de suicídios na França pode ser consequência da globalização. Técnicas gerenciais importadas dos disciplinados japoneses podem causar rejeição quando transplantadas em outras culturas. Cada povo reage de maneira diferente à pressão. Em que país você acha que surgiu a expressão "bon vivant"

Além disso, ao importar uma filosofia gerencial do Japão, existe o risco de se importar também o suicídio. Afinal, o Japão é quase um inventor do suicídio associado a uma causa. Muito antes dos radicais muçulmanos saírem se explodindo por aí você já tinha ouvido falar em Kamikaze e Hara-kiri.

Uma grande parcela dos suicídios no Japão tem mais a ver com a falta de trabalho do que com o excesso deste. Para um japonês é uma desonra ficar desempregado, e não raro o pai de família continua saindo e voltando para casa no horário habitual só para esconder que foi mandado embora. Isso quando volta.

Morrer do trabalho não é exatamente uma forma inteligente de resolver o problema. Se eu trabalho para viver, como posso deixar meu meio de vida se transformar em meio de morte? 

Pessoas que se matam por causa do trabalho, ou por qualquer outro motivo presente, se esquecem de que o problema, que hoje parece uma bomba atômica, no futuro pode não passar de um traque. Winston Churchill disse: "Se arranjarmos briga entre o passado e o presente, descobriremos que perdemos o futuro". Se você ler o livro de Jó, ícone do sofrimento humano, verá que muitas vezes ele quis morrer, mas nunca cogitou tirar a própria vida. Essa decisão - ele sabia - cabia a Deus.

Não há nada melhor do que o tempo para nos dar uma perspectiva real das coisas. Eu não acredito que Romeu e Julieta teriam se matado cinquenta anos depois. Uma Julieta flácida e um Romeu careca e barrigudo não seriam um motivo forte o suficiente para alguém tomar veneno.

Não são apenas as circunstâncias que mudam com o tempo. Nós mudamos e nossa maneira de encarar as coisas também. Às vezes tento imaginar o que aconteceria se eu viajasse numa máquina do tempo para me encontrar comigo no passado. Só de pensar me vem à memória uma cena do filme "A dona da história", na qual o cinquentão Antonio Fagundes diz a Marieta Severo algo mais ou menos assim: 


"Você quer mesmo que eu me divorcie de você e arranje uma menina de vinte anos que vai me deixar louco em um mês?"

O mesmo aconteceria se eu me encontrasse comigo no passado. Eu me deixaria louco. Das duas, uma: ou eu acabaria comigo, ou viajaria imediatamente de volta para o futuro. Fico com a segunda opção. O futuro é sempre um lugar melhor.


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Quando a Vida nos Machuca
Philip Yancey


O seu coração grita por Deus, por causa da agonia da perda. Você cai de joelhos sob o peso da dor insuportável. O seu sofrimento rouba a beleza e o prazer da vida, deixando a tristeza, a decepção e a dúvida.
Ó Deus, como tu permites que isso aconteça? És, de fato, tão poderoso? Será que tu te preocupas, realmente, com a minha dor? Onde estás quando mais preciso de ti?
Philip Yancey conhece bem essas perguntas. Ele as têm feito a si mesmo. Tem também experimentado que o abraço de Deus pode ser mais forte nos momentos de dor.

Você está enfrentando a dor emocional ou física? As suas dúvidas podem ser um convite à esperança - uma porta para os generosos dons divinos.


Editora: United Press
Autor: PHILIP YANCEY
ISBN: 8524302607
Origem: Nacional
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 58
Acabamento: Capa Dura
Formato: Médio





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E a gorjeta, doutor?

O seio da questao

Uma jovem leitora escreveu dizendo que admira meu trabalho. Emocionei-me, pois não é todo dia que 30% de meus leitores escrevem para expressar tal admiração. No email ela dizia: "Quero ser como você, só que com seios". O que respondi? 

Prezada M.,

Recebi seu email dizendo que quer aprender comigo e ser igual a mim, só que com seios. Neste caso tenho uma boa notícia: em minha atual pouca forma física e excesso de gordura sob a pele, considere que parte de sua meta já foi alcançada. 

Todavia, se você quiser ser também uma profissional do conhecimento, sua verdadeira meta deve estar bem acima dos seios. Não, um pouco mais. Aí ainda são os seios nasais.

Mas, deixando os seios de lado, não sou lá tudo isso que você imagina. Vi que ficou impressionada com meus textos, e eles realmente se impõem pelo volume de conhecimento. Mas devo confessar que ele é, em grande parte, postiço. Por falar nisso, o Google aqui ao meu lado pediu para lhe enviar um abraço.

Eu não seria o que sou sem as empresas implantadas no Silicon Valley, que já vi erroneamente traduzido como "Vale do Silicone". Antes da era Internet eu era apenas um aspirante a escritor catando milho numa máquina de escrever portátil. Se quisesse buscar alguma informação era preciso achar o livro e a página, o que às vezes podia levar horas.

Agora pense em você, que já nasceu no regaço do videogame, cresceu nos braços do computador pessoal e foi amamentada pela Web. Na sua idade eu só via videogame nos fliperamas e usava a rede para dormir. Distração em casa era ler, jogar palito, ou fazer palavras cruzadas, passatempo que conservo até hoje. Eu sei que os médicos indicam palavras cruzadas para quem já passou dos cinquenta, mas eu faço assim mesmo.

É claro que a formação eclética que tive e as diferentes atividades que exerci foram de grande utilidade para minha carreira atual. Se na época elas não ajudaram a ganhar dinheiro, ao menos contribuíram para a coleção de histórias que conto em minhas palestras. E você disse que é exatamente este o seu sonho: ser palestrante.

A maioria dos palestrantes que você vê por aí jamais sonhou com isso, mesmo porque há alguns anos fazer palestras não era profissão. Hoje vivo praticamente de minhas palestras e treinamentos, mas nem nos meus sonhos mais pirados eu teria pensado numa profissão assim. Agora imagine as atividades que ainda poderão surgir, com as quais você nem sonhou!

É importante você ficar atenta às possibilidades e oportunidades e, a partir daí, estabelecer um foco e se apegar a ele. Nelson Mandela me disse que deve ser assim. Não que ele tenha dito isso a mim, com quem nunca falou, mas foi basicamente a idéia que o susteve ao longo dos 27 anos em que esteve preso.

Durante todo aquele tempo ele nunca perdeu seu foco, fazendo da prisão uma universidade que ele e seus amigos chamavam de "Robben Island University". Nos livros, ele escrutinava o conhecimento; no contato com os guardas brancos, o comportamento. Foi essa soma que o deixou afiado no modo de pensar do adversário, para mais tarde negociar com seus opositores.

Além disso Mandela não só mantinha o foco e seguia à risca seu propósito de transformar suas circunstâncias em tempo de aprendizagem, como também insistia com cada prisioneiro que chegava à ilha: "Um dia teremos de dirigir este país. Vamos aproveitar o tempo aqui para nos prepararmos". 

O que ele não esperava era que, no intervalo entre sua saída da "universidade-prisão" em 1990, e sua eleição como presidente da África do Sul em 1994, Mandela ainda teria de fazer um curso de pós-graduação em "Decepções Domésticas". Sua esposa Winnie, antes companheira de uma mesma causa, havia perdido o foco. E foi com profunda tristeza que Mandela descobriu que o seio de sua esposa tinha sido dado a outro.


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Mandela: Retrato Autorizado
Mac Maharaj




Mandela: Retrato Autorizado - é a mais recente biografia realmente autorizada de Nelson Mandela, Com prefácio de Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, e introdução do Arcebispo Anglicano Emérito da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, o livro conta com 60 entrevistados em todo o mundo. São, portanto, 60 pontos de vista diferentes sobre Mandela, além de destacar as mais variadas facetas de um dos grandes homens do século 20, que promoveu a reconexão entre a justiça e a política. Mac Maharaj e Ahmed Kathrada localizaram todas essas fontes e realizaram uma pesquisa de conteúdo e fotográfica intensa que resultou em uma coletânea de imagens raras e algumas inéditas.
Amigos, familiares e pessoas que tiveram alguma ligação com Mandela no âmbito político e religioso, como Bono, vocalista da banda U2, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton e Tony Blair, primeiro-ministro inglês, deram seus depoimentos. Porém, segundo Mac Maharaj, "o que tornou este livro tão especial foi que ele não mencionou apenas os grandes nomes, permitindo que Mandela seja visto de diferentes perspectivas e experiências, sentidas particularmente".
Mandela: Retrato Autorizado se tornou um complemento da autobiografia de Nelson Mandela, "Longo Caminho para a Liberdade" (Companhia das Letras), feita com escritos produzidos durante o tempo em que ficou preso. Mac Maharaj, que passou 12 anos preso em Robben Island, lendária ilha-prisão de segurança máxima ao largo da Cidade do Cabo, com Mandela, comenta que "o livro reuniu um conteúdo tão concreto que materializou a constatação de que os fatos passados durante a transição da África democrata são exatos".
Editora: Alles Trade
Autor: MAC MAHARAJ & AHMED KATHRADA
ISBN: 9788589854153
Origem: Nacional
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 355
Acabamento: Capa Dura
Formato: Grande





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E a gorjeta, doutor?

Bom humor, mau colesterol

Ela sorriu para mim, por isso decidi levá-la para jantar. Não é sempre que a gente encontra um sorriso assim, muito menos em um supermercado. Tive sorte. Se ela não tivesse sorrido, aquele jantar não teria acontecido. 

Um sorriso faz toda a diferença, especialmente no atendimento ao cliente. Ficam excluídos desta obrigação coveiros, carcereiros e proctologistas. Porém, na grande maioria dos casos, o sorriso sempre será bem-vindo e até obrigatório.

Mas como sorrir quando é obrigação? Com a atitude mental adequada, o que você obtém quando aprende a rir de si mesmo e das circunstâncias. Sim, porque o sorrir é um gentil subproduto do rir de si mesmo, uma das técnicas utilizadas para se fazer humor.

Humor é como colesterol: tem do bom e do ruim. O pior humor, e também o mais fácil de se produzir, é o que apela para a linguagem chula, muito usada nos tempos da ditadura e da censura. O pessoal pagava para ir ao teatro rir de palavrão e chamava aquilo de cultura.

Uma variação moderna é a dos programas humorísticos de TV para a terceira idade, ricos em sexo, malícia e colesterol, mas pobres em cenários: quando não é na praça, é na sala de aula.

O humor chulo também é comum entre compositores de funk, pagode ou axé, sei lá, que gostam de brincar com cacófatos. Geralmente quem faz esse tipo de humor, e o público que o aprecia, não sabe o que é cacófato.

Subindo na escala encontramos o "humor às custas do outro", que escolhe uma vítima para debochar. Como acabo de fazer com os compositores de funk, pagode ou axé, sei lá. Esta técnica faz o humorista e sua plateia se sentirem superiores, o que pode ser muito engraçado ou não passar de um patético deboche infundado para chamar a atenção.

Foi o caso do ator Robin Williams na entrevista que deu ao David Letterman. De uma tacada só ele debochou da Oprah, da Michelle Obama e da Pátria Amada, ao comentar a vitória do Brasil para hospedar as Olimpíadas: 

“Chicago enviou a Oprah e a Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa”, insinuou Robin Williams enquanto a plateia obedecia ao sinal luminoso que dizia "LAUGH".

O humor seguinte na escala é aquele que faz do próprio humorista a vítima. Quando rio de mim mesmo, eu me fragilizo e me torno deliberadamente vulnerável. É por isso que costumo abrir minhas palestras sorrindo de forma ampla, geral e irrestrita. O público que acha graça, logo entra na minha. O público que não acha, pensa que eu sou bobo e me olha com um olhar caridoso de quem diz: "Ok, vamos dar uma chance a ele". 

É esse o humor das pessoas de bom humor, que não têm medo de se expor ao ridículo ou de rir de circunstâncias que, para outras, teria o efeito de uma TPM das bravas. Como diz o ditado, "quem ri de si seus males espanta". Tudo bem, esta é a versão para quem nem cantar sabe.

Finalmente, a forma mais inteligente, nobre e saudável de se fazer humor é quando o humorista transforma a si mesmo e a toda a plateia em vítimas. São as situações nas quais todos, sem exceção, se enxergam ridículos e acabam rindo um riso companheiro e solidário. É como se todos andassem na rua distraídos e batessem a cabeça no mesmo poste ao mesmo tempo. 

Este é o humor que desopila o fígado, alivia as tensões e une as pessoas, ao invés de separá-las. É o humor que se transforma em um sorriso duradouro e contagiante, como o sorriso com que ela sorriu para mim na seção de frios do supermercado. 

Seus olhos negros como azeitonas, sua pele de um branco que lembrava mussarela, seus cabelos dourados como queijo cheddar e lábios carnudos e vermelhos como uma fatia de salame me fizeram salivar.

A balconista me observava sorridente, enquanto eu a parabenizava por sua criatividade. Coloquei no carrinho a pizza com cara de moça que a balconista criara, e fui para casa jantar bom humor e mau colesterol.


 

Última foto da pizza feliz minutos antes de meu jantar.


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Comédia Corporativa
Max Gehringer




Coletânea de textos e artigos publicados nos últimos anos pelo escritor Max Gehringer em revistas dirigidas ao público corporativo. Num tom sempre bem humorado, Gehringer ironiza as situações em que tudo dá errado para diretores, gerentes e funcionários das empresas.
Editora: Campus
Autor: MAX GEHRINGER
ISBN: 8535205810
Origem: Nacional
Ano: 2000
Edição: 4
Número de páginas: 220
Acabamento: Brochura
Formato: Médio





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E a gorjeta, doutor?

Se todo mundo pensa assim... tou fora!

Verdade ou lenda, não sei. George Soros ou Warren Buffett? Não me lembro. Mas a história que li era de um investidor. Ou não? Bem, não importa, o que vale é a mensagem, ainda que o fato seja tão real quanto um sonho meu.

No elevador um desses investidores ouviu o ascensorista comentar: "O negócio agora é comprar ações de empresas ponto-com".

O investidor saiu do elevador e imediatamente vendeu suas ações ponto-com. "Quando até o ascensorista sabe que ações comprar, é hora de vender" -- teria dito ele. Logo depois a bolha das empresas ponto-com estourou.

Segundo Warren Buffett, "uma pesquisa de opinião pública não substitui o pensamento". Segundo eu mesmo, "se você for a Maria-Vai-Com-As-Outras vai acabar se casando com o João-Ninguém". Fuja da moda, do consenso, do lugar comum. Ele é comum demais para valer a pena estar lá.

Se quiser que sua empresa continue fazendo o que sempre fez e deu certo até aqui, trate bem quem sabe trabalhar em equipe e mantém o bonde nos trilhos. Se quiser que um dia ela deixe de ser bonde e vire trem-bala, trate melhor aquele visionário que não se encaixa no grupo.

É claro que sou suspeito em afirmar isso porque eu mesmo nunca fui muito de equipe. O único esporte que pratiquei foi natação, minha paixão desde a infância foi desenhar, meu hobby de adolescente era o aeromodelismo e o que mais faço hoje é escrever. Nada disso funciona em equipe. Então a equipe não é importante?

Claro que é. Veja a orquestra, é um trabalho de equipe. Agora tente colocar uma equipe de maestros para dirigi-la para ver se funciona. Ou peça que a orquestra toque uma composição criada em consenso pelos melhores músicos do mundo. Não existe tal partitura.

A singularidade da criatividade humana não é medida pelo IBOPE. Opinião pública é opinião média, quando não é burra. Quanto mais gente envolvida numa criação, maior o nivelamento pela média ou, o que é pior, pelo consenso que geralmente nivela por baixo.

Algumas eleições são assim e se você às vezes fica decepcionado com a democracia é porque ainda não entendeu que decisão majoritária não é sinônimo de decisão inteligente. O "chapéu pensador" do Prof. Pardal é individual.

Alguém comentou que Chuck Noland, o personagem vivido por Tom Hanks no filme "O Náufrago", consegue sair da ilha sozinho, usando apenas um pedacinho de plástico que sobrou do avião para a vela de sua jangada. Já um montão de gente da série "Lost" continua encalhada na ilha, apesar de terem metade de um avião na praia, computadores em cavernas e sabe lá mais o quê.

A série de 117 episódios vai se arrastar até maio de 2010 e eu não ficaria surpreso se, no final, apenas um conseguisse escapar. Alguém poderá argumentar que o Tom "Chuck Noland" Hanks não estava sozinho: ele tinha seu fiel amigo Wilson, a bola. Pois é, e o Wilson nunca deu um palpite.

O problema de seguir a maioria é que a maioria se contenta com pouco. A maioria sempre tem sua visão estreitada pelas necessidades prementes -- noves fora, sempre voltamos às necessidades básicas do comer, vestir e se divertir.

A visão 'holística' (use esta palavra para impressionar seus amigos), ou a 'big picture' (use esta também) é perdida quando estamos no meio da multidão. Por mais que você tente ficar na ponta dos pés, se estiver na multidão não verá o que existe lá na frente. É só quem está na periferia, fora da multidão, que enxerga longe.

Quando você abre mão de sua capacidade singular de intuir, pensar e decidir, acaba se sujeitando à maioria ("Se é para o bem de todos..."), ao consenso ("Satisfazendo gregos e troianos...") ou à sorte ("Vamos tirar no palitinho...").

Durante uma execução, decidida por uma maioria, quatro soldados repartiram as roupas do condenado em quatro partes iguais, por consenso. O que não deu para repartir foi decidido por sorteio. Saíram dali satisfeitos com alguns trapos, mas sem Jesus.


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A Estratégia do Oceano Azul
W. CHAN KIM & RENEE MAUBORGNE


O livro apresenta uma nova maneira de pensar sobre estratégia, resultando em uma criação de novos espaços (o oceano azul) e uma separação da concorrência (o oceano vermelho). Os autores estudaram 150 ganhadores e perdedores em 30 indústrias diferentes e viram que explicações tradicionais não explicavam o método dos ganhadores. O que eles acharam é que empresas que criam novos nichos, fazendo da concorrência um fator irrelevante, encontram um outro caminho para o crescimento. O livro ensina como colocar em prática essa estratégia. O livro também defende a idéia de se abandonar os "oceanos vermelhos" da "sabedoria" popular e se aventurar nos oceanos azuis da inovação. Competir fora do espaço estreito delimitado pelo mercado, parar de se concentrar na concorrência, evitar explorar tão somente a demanda atual é deixar de ficar brigando pelo osso que todos querem roer.





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E a gorjeta, doutor?

Dever comprido

Não, eu não errei o título. É "comprido" mesmo, de longo dia de trabalho e da sensação de ter cumprido com seu dever comprido. É dessa armadilha de quem trabalha por conta própria que quero falar. Mas antes um pouco de minha história para você compreender. 

Ainda estudante, fui estagiário trabalhando de graça ou com participação em projetos. Formado em arquitetura, idealismo e macrobiótica, decidi mudar o mundo começando por Alto Paraíso de Goiás. Lá ensinava no ginásio local, enquanto aprendia a fazer partos, socorrer picados de cobra e criar galinhas. Isso quando não estava rachando lenha, plantando verdura ou pilotando carroça. Aquela experiência iria me ajudar a ter uma carreira eclética, eclética e eclética.

Três anos depois voltava à minha cidade para trabalhar de arquiteto em meu próprio escritório. Parece chique e seguro ser arquiteto com escritório próprio, mas aos 27 anos e com dois filhos pequenos para criar, minha experiência com galinhas ensinou-me a não colocar todos os ovos no mesmo cesto.

Enquanto arquiteto (odeio quando alguém diz "enquanto isso" e "enquanto aquilo, mas escrevi aqui só para odiar), eu representava uma empresa de portas e janelas e outra de aquecedores solares. Na década de 80 as pessoas sabiam o que eram portas e janelas, mas falar em aquecedor solar era falar Klingon, a língua alienígena de Jornada nas Estrelas.

Mas espere, tem mais! Sim, este "Espere, tem mais!", típico dos canais que vendem inutilidades domésticas, é bem a cara de minha outra atividade: vender autoclaves caríssimas em chás de madames, popularmente conhecidas por panelas. Não os chás de madames, as autoclaves. À noite e nos finais de semana eu fazia traduções para indústrias.

A ideia de nunca colocar todos os ovos numa mesma cesta é evitar que você acabe jantando omelete. Isto serve também para quem tem emprego fixo com aposentadoria garantida... na Enterprise, trabalhando para o Comandante Kirk. Sim, porque garantia de emprego também é ficção. Você não imagina quantos quarentões me escrevem pedindo dicas de carreira. Perderam o posto de gerente, diretor e até presidente da Enterprise quando Mr. Spock indicou um sobrinho alienígena mais jovem e barato para a posição.

Quando você trabalha por conta própria é importante manter ligado o medidor de viabilidade do negócio, para descobrir qual a taxa de sucesso que seu segmento oferece na prática. Tipo assim: para tantas visitas ou contatos, você consegue fechar tantos negócios e ter um rendimento de tanto. Se esse rendimento não for suficiente, é bom arranjar outras cestas. 

Agora vem o conselho mais importante: Quando você trabalha de empregado, suar a camisa e viver ocupado pode até valer pontos, pois o salário está garantido. Mas quando trabalha por conta própria, o excesso de ocupação - seu "dever comprido" - faz você voltar para casa no fim do dia com a falsa sensação de dever cumprido. Se esteve o dia todo ocupado e voltou com nenhum ou menos dinheiro do que saiu, é melhor analisar sua atividade.

Por exemplo, se você vende sorvete a granel, o trabalho para conquistar um único cliente pode resultar na venda de uma tonelada. Mas, se vender sorvete de palito em carrinho, vai precisar trabalhar uma tonelada de clientes para ganhar a mesma coisa. O ideal é sempre descobrir como fazer mais com menos, e principalmente no lugar certo, pois você pode morar na Groenlândia e lá meu exemplo não funcionar.

Quando pequeno, meu filho não morava na Groenlândia, mas sua professora tratou com extrema frieza sua técnica de gastar menos para fazer mais, transformando um "dever comprido" em um dever mais curto. Acostumado a brincar em um computador com sistema operacional DOS, daqueles em que você usava um asterisco como "coringa" para procurar nomes de arquivos, o garoto levou a maior bronca quando a professora descobriu que as anotações em seu caderno eram mais ou menos assim:

"Em 22 de Abr* de 15*, Ped* Alv* Cab* desc* o Br*".

Lucas Persona

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Será Mesmo Que Você Nasceu Para Ser Empregado?
Maria Giuliese


É no trabalho que investimos o que temos de melhor: tempo, energia, afeto, conhecimento, experiência e esperança de crescimento. Em troca, ele nos oferece um lugar na realidade e na comunidade em que vivemos, bem como um espaço especial para nos expressarmos e evoluirmos. O trabalho, portanto, deveria ser fonte de realização e prazer.

No entanto, nos últimos anos, muitas pessoas têm se sentido infelizes no trabalho que realizam nas empresas. Por que será? Será que o sofrimento está associado apenas a fatores internos de cada ser humano? Ou será que o mundo corporativo está doente? Qual a importância e o espaço que o trabalho vem ocupando em nossas vidas?
Mariá Giuliese, neste livro, compartilha com o leitor suas descobertas e respostas, provenientes de estudos, pesquisas e anos de experiência com profissionais em transição de carreira,e oferece, uma oportunidade única para revisar caminhos e valores, promovendo mudanças e transformações em sua vida pessoal e profissional.

Editora: Gente
Autor: MARIA GIULIESE
ISBN: 9788573124330
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 232
Acabamento: Brochura
Formato: Médio





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E a gorjeta, doutor?

Detesto Olimpiadas

Nunca gostei de Olimpíadas. Mas não vá atrás de minha conversa porque quando criança eu também não gostava de palmito, jiló e quiabo. Mas cresci, e hoje adoro estas coisas, menos língua com quiabo, porque a baba me faz pensar no boi moribundo.

A biblioteca subiu no telhado

A piada é velha. Um sujeito é repreendido pelo amigo por ter enviado um email avisando da morte do gato. O dono do gato não gosta da notícia abrupta e instrui o outro a primeiro dizer que o gato subiu no telhado, depois que caiu, está passando mal etc. até morrer. Um mês depois chega um novo email: “Sua mãe subiu no telhado”.

No caso da biblioteca, porém, não é piada. E também não é qualquer biblioteca que subiu no telhado. Trata-se da biblioteca pública de Filadélfia, que Benjamin Franklin ajudou a criar. A notícia de que suas 53 instalações fechariam as portas teve, nos bibliófilos, o efeito de um incêndio de Alexandria.

Em 2006 estive em Filadélfia, mas não na biblioteca. Vi uma das lojas da Tower Records que estava liquidando para fechar. Já reparou quantas lojas de discos fecharam? E livrarias? Quando criança, minha cidade tinha 5 cinemas, hoje só tem um. A maioria das lojas de revelação de fotos morreu. Mesmo assim continuamos ouvindo música, lendo livros, vendo filmes e colecionando fotos.

O que mudou foi o modo de acessar essas coisas. A música é vendida online, as lojas de revelação vivem de fotos em camisetas, canecas e banners, as livrarias foram para a Web e o cinema agora é home theater. E a biblioteca?

Numa época quando o bibliotecário já devia ter se transformado em cibertecário, 3 mil empregos em Filadélfia estão por um fio. Na última hora uma verba estadual deu à biblioteca fôlego para permanecer mais algum tempo no telhado.

Quando no inverno da crise de 2008-2009 as bibliotecas norte-americanas ficaram cheias, muita gente achou que o interesse tivesse retornado. Engano. Profissionais liberais passaram a trabalhar nelas para economizar Internet e aquecimento em casa. Um estudo revela que mais de 71% das bibliotecas nos EUA são o único provedor de computadores e Internet grátis em suas comunidades. E 44% do interesse de seus usuários está em acessar sites de empregos.

Mas o fato de algumas bibliotecas terem subido no telhado não significa que irão cair dele. A Google não estaria investindo milhões escaneando os acervos das principais bibliotecas do mundo se o negócio estivesse morto. É preciso entender para onde caminha a humanidade.

Em 1998 eu escrevia sobre Internet, mas quando vi que a novidade ia acabar passei a escrever sobre comunicação, marketing e desenvolvimento pessoal, assuntos sem data de validade. Em 2006 inaugurei meu canal no Youtube, a TV Barbante. Hoje meu site de 900 páginas de texto gera 2,5 mil page-views diários, enquanto meus 120 vídeos geram 2,1 mil video-views. Faça as contas e você verá que vídeo atrai muito mais do que texto. A nova geração é visual e a velha está morrendo.

A princípio pensei em alugar um servidor para meus vídeos não saírem de meu domínio, mas o pipoqueiro me convenceu do contrário. Ele não fica com o carrinho no quintal, mas vai para a porta do estádio. Então fui para o estádio do Youtube. As bibliotecas que se aliaram à Google em seu projeto estão de olho no estádio.

A biblioteca tradicional oferece informações e acesso como fazia nos tempos de Benjamin Franklin. Mas lá fora o mundo vive um processo caótico de conhecimento baseado na interatividade e nos relacionamentos. Você já ouviu falar em redes sociais?

O problema é que o conceito das redes sociais é inadmissível na antiga biblioteca convencional. Pense na biblioteca de sua infância e você pensará na tia mandando calar a boca. A menos que essa cultura seja mudada, mais bibliotecas continuarão a subir no telhado. As bibliotecas precisam mesmo é de percepção.

Foi a falta de percepção que levou uma garota a entrar numa biblioteca e pedir fritas, hambúrguer e milkshake em alto e bom som. (Ok, eu sei que é outra piada velha, mas esta virou até comercial da Mercedes Benz). A bibliotecária imediatamente avisa a garota que ali é uma biblioteca. Envergonhada, a menina chega mais perto e cochicha baixinho:

- Eu quero fritas, hambúrguer e milkshake



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O Negócio dos Livros
Andre Schiffrin
O livro discute os bastidores da biblioindústria. Publicado em 21 países e agora no Brasil, O Negócio dos Livros analisa o mercado da produção editorial no mundo e trata de questões como: quem decide o que está nas prateleiras das livrarias? Como são negociados grandes acordos internacionais de compra e venda de livros e editoras?
Há quase 50 anos no mercado, Schiffrin esclarece com análises polêmicas essas e outras questões sobre os bastidores do universo editorial. O autor chama atenção para o papel que deve desempenhar o editor e alerta como é perigoso viver em uma cultura limitada de idéias e alternativas e como é fundamental manter um amplo debate em torno do que é publicado.

O AUTOR:
André Schiffrin nasceu na França, em 1935, e vive nos Estados Unidos desde 1941. Durante 30 anos foi editor da Pantheon, por onde publicou importantes autores norte-americanos, europeus e latino-americanos. Desde 1990, dirige a editora independente sem fins lucrativos The New Press, localizada em Nova York e subsidiada por diversas fundações.

Editora: Casa da Palavra
Autor: ANDRE SCHIFFRIN
ISBN: 8577340236
Origem: Nacional
Ano: 2006
Edição: 1
Número de páginas: 178
Acabamento: Brochura
Formato: Médio




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E a gorjeta, doutor?

As 110 lampadas

Não, não eram 102 dálmatas, muito embora aquele teto lembrasse a pele do cão. Eram cento e dez pontos negros no teto branco segurando cento e dez lâmpadas econômicas que não faziam economia alguma.

Eu estava na pequena agência dos correios da pequena estância hidromineral onde passava minhas férias quando pequeno. Fiz uma parada rápida ali a caminho de um cliente na cidade seguinte para matar a saudade e postar um sedex.

Aquele exagero de pontos de luz em um ambiente pouco maior que minha sala chamou minha atenção, provavelmente por ser arquiteto de formação e curioso por vocação.

O curso de arquitetura me ensinou a observar os detalhes e a pensar em 3D, coisas que me ajudam até hoje. Disso depende o pensamento estratégico em qualquer atividade que eu exerça e ainda posso ouvir meu professor dizendo:

"Prédios não têm fachada, não têm frente nem fundos, todos os lados precisam ser pensados".

Vale para qualquer negócio. A arquitetura me ensinou também a tomar o ser humano como ponto de partida e destino de todo projeto. Só faltou uma coisa no curso de arquitetura, algo que todos os cursos ficam devendo a seus alunos: ensinar a vender.

Por não ter aprendido marketing saí da faculdade com uma visão hermética, purista e elitista: só eu seria capaz de saber o que era melhor para meu cliente e pouco me importava se ele entendia ou não o valor e a razão da minha profissão. Caí no mercado com uma visão equivocada do que é ser arquiteto.

Mas se eu, que estava dentro, tinha uma visão equivocada, o que esperar de quem está fora? Pergunte a qualquer pessoa o que um arquiteto faz e, deixando de fora os que ficarão mudos, você terá um rosário de definições, algumas nem um pouco politicamente corretas.

A maioria vai concluir que arquiteto é um luxo desnecessário. Arquiteto? Pra que? Basta levar o esboço feito pela patroa em papel de pão e aquele despachante da esquina passa a limpo e ainda obtém a aprovação da planta. Nada que uma caixa de cerveja não resolva.

Mas, na real, o que é arquitetura e o que faz o arquiteto? Fiz uma busca no Google e fiquei petrificado como a definição de Goethe: "Arquitetura é música petrificada". Le Corbusier definiu a arquitetura como "o magistral, magnífico e correto jogo de volumes trazidos à luz". Lá atrás, há 2 mil anos, Marco Vitrúvio Polião, arquiteto romano, escreveu:

"A arquitetura é uma ciência, surgindo de muitas outras, e adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento é formado daqueles trabalhos que são o resultado das outras artes."

Hã? Bem, com definições assim, o que você esperava que o leigo pensasse do arquiteto? O que pouca gente percebe é que há milhares de anos o arquiteto tem deixado sua marca na história humana. Oras, quem você acha que projetava as cidades, edifícios e ambientes dos épicos que você vê no cinema? Exceto pela parte em que o arquiteto era enterrado vivo com o faraó, a profissão era das melhores e mais respeitadas da antiguidade.

E hoje? Falta ao arquiteto saber vender seu peixe; conseguir traduzir para o cliente o valor intrínseco da profissão, descortinar o benefício, o que o cliente vai ganhar com isso. Sem isso não é possível evitar a idéia equivocada que muitos têm da profissão. O homem atrás de mim na fila da agência de correios era um deles.

Depois de contar as lâmpadas para matar o tempo, comentei com ele:

- Será que aqui funcionava uma loja de lustres e aproveitaram os pontos de luz? Ou, talvez, o dono do imóvel seja um fabricante falido de bocais? Ou quem sabe um acionista da indústria de lâmpadas econômicas?

-- Nada disso -- redargüiu o homem na fila. - Isso aí só pode ser coisa de arquiteto.

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Lovemarks: o Futuro Além das Marcas
KEVIN ROBERTS


Para sobreviverem, as grandes marcas precisam criar nos consumidores uma "fidelidade além da razão". Esta é a única forma de se distinguirem dos milhões de marcas insossas. O segredo é usar Mistério, Sensualidade e Intimidade, paradigma que faz parte da construção de Lovemarks, conceito criado por Kevin Roberts, CEO mundial da Saatchi & Saatchi. Roberts prova, em Lovemarks: o Futuro Além das Marcas, ser possível construir um compromisso apaixonado entre cliente e marca, por meio daqueles três conceitos poderosos. Este livro proporciona a profissionais de marketing novas formas de pensar sobre como fixar a marca com base no mistério, sensualidade e intimidade. Roberts proporciona insights práticos sobre as formas de alavancar o poder da emoção, do respeito e do amor. Afinal, o que vem depois das marcas? Lovemarks.




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E a gorjeta, doutor?

Banana, menina, tem vitamina

Qual a diferença entre a grande mídia e a mídia nanica? Bem, uma é isenta, a outra tendenciosa. Uma é original, a outra copiadora. Uma se alimenta de fatos, a outra de bananas. Mas qual é qual, afinal?

Decida você. Não há dúvida de que uma é 'mais grande' e desculpe pelo 'mais grande'. Já que escrevo num blog, não posso ser 100% correto ou confiável. Questão de coerência.

Continuando, nem sempre o 'mais grande' é o mais inteligente. O "Asno de Buridan", por exemplo, morreu de fome. A mídia 'mais grande' ficou assim por vender melhor.

Um dentista contou que, na última aula da faculdade, o mais arcano dos mestres revelou a fórmula do sucesso:

- O dentista mais bem sucedido financeiramente não será o que tirou as melhores notas. Será o melhor vendedor.

Vender sempre foi a alma do negócio, e às vezes as almas são o negócio. Há quem compare grandes e pequenas mídias em termos de credibilidade, qualidade e compromisso. Eu comparo em termos de vitamina.

Na pequena - blogs, youtubes, podcasts - a vitamina que faz a menina crescer não é a banana, é o ego. Por falar nisso, já contei que meus vídeos da TV Barbante ultrapassaram um milhão de acessos? Pois é...

Na grande? A vitamina é o capital. E seu produto? Quem aí acha que é informação levante a mão. Errou. O produto da grande mídia são as almas leitoras, ouvintes ou telespectadoras vendidas aos anunciantes. Tem nanica, prata, ouro...

Já foi mais fácil. Hoje a bananada está debandando para a banca da Internet. Então, na falta de prata e ouro, é preciso adaptar o nível da grande mídia à nanica, que cresce nas bananeiras mais baixas.

- Peraí, e eu, qual é o meu papel? - pergunta indignado meu leitor jornalista.

Criar textos e pretextos para atrair e manter as pencas numa mesma banca. Ou quem você acha que paga seu salário. Quem consome informação? Tá brincando! Cole o ouvido na porta do departamento comercial do jornal, revista ou TV e ouça você mesmo:

"Olha o leitor de informática, quem vai querer?" "Executivos a caminho do trabalho, compre aqui na minha rádio!" "Donas de casa desesperadas? É neste canal!" E por aí vai.

- A pequena pode ser pessoal, mas a grande é imparcial. - esclarece meu leitor publicitário defendendo seu cliente.

Imparcial? Negócios nem sempre podem se dar ao luxo de serem imparciais na hora de decidir para qual brasa puxar a banana, digo, a sardinha. A pauta mantida ou caída, por exemplo, já é uma tomada de posição. Quando o negócio é vender, vale até a não-notícia:

"ESTARIA CHAVES PLANEJANDO INVADIR A AMAZÔNIA?"

Nunca viu manchete assim, perguntando? Diz o que ninguém disse para criar fuzuê e aumentar a tiragem. Ah, tem a tiragem. Sabe pra que servem aquelas campanhas do tipo "receba grátis por três meses"? Lembre-se, é de almas que o negócio vive, pagantes ou não. Quanto maior a penca, mais brilham os olhos do freguês.

Há outros truques. Exemplo? Opiniões que ajudam a atrair concessões pós-eleições. Mais? Apostas em clientes grávidos de futuros patrocínios. É aí que entra a arte de transformar empresas em notícias:

"MARIO PERSONA PLANEJA FATURAR 1 MILHÃO PLANTANDO BANANEIRAS"

Vai dizer que nunca viu uma notícia assim? Não é notícia, mas sai como se fosse, desde que a empresa que 'planeja' tenha cacife para realizar o que foi conversado atrás das bananeiras: comprar tempo e espaço de veiculação.

Nem sempre funciona. Na época da bolha pontocom vi muita promessa que embrulhava leitores acabar embrulhando carne em açougue. Isso quando o feitiço não virava contra o feiticeiro, como aconteceu com um empresário que conheci.

Na ânsia de fazer sua empresa crescer e aparecer, contratou uma assessoria de imprensa e conseguiu. Não crescer, só aparecer. Sua empresa não saiu do chão, mas o 'case' fabricado foi parar numa revista de projeção, com uma astronômica previsão de faturamento. A empresa faliu, mas a revista continuou nos salões dos cabeleireiros, até sua ex-esposa ler o tanto de vitamina que tinha em sua previsão. Não deu outra: pediu a revisão da pensão.

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Buzz: a Era do Marketing Viral
MARIAN SALZMAN, IRA MATATHIA, ANN OREILLY


Eis o modo mais barato e eficiente de colocar o nome da sua marca na boca de todos e transformar consumidores potenciais em compradores reais. O buzz, porém, não surge espontaneamente: você tem de fazê-lo acontecer. Como disseminar o buzz? Como fomentá-lo? Em Buzz, três dos mais bem-sucedidos especialistas mundiais do ramo revelam as fórmulas altamente eficazes que empregaram para provocar alarido em torno de grandes marcas como American Online, Esprit e Nintendo. Marian Salzman, Ira Matathia e Ann O´Reilly não discorrem apenas sobre teoria: mostram como o buzz marketing funciona. Conduzem o leitor, passo a passo, ao longo do processo de identificação dos Alfas e dos Abelhas, pessoas influentes que garantem a transmissão de mensagens ao público-alvo.
Os autores apresentam também técnicas que comprovadamente criam a ilusão da espontaneidade, valendo-se das redes sociais existentes para levar a sua mensagem aonde você quer que ela chegue e induzindo os consumidores a trabalhar para você. Examinando estudos de caso colhidos em campanhas de marketing bem-sucedidas para Kate Spade, Bulgari, Ford, Nokia e Apple, este guia prático conta a história oculta de como o boca-a-boca realmente funciona. Você também descobrirá quão eficazes são os anúncios de impacto, o modo como aproveitar o ímpeto de uma marca e quais os produtos ou serviços que mais se beneficiam de uma campanha de buzz. Você descobrirá diferentes tipos de buzz (inclusive o marketing viral pela internet) e aprenderá a escolher o que funcionará melhor para determinada marca ou campanha. Além disso, ao longo do livro, tomará conhecimento de técnicas inovadoras de construção de buzz para ir além do simples comentário e gerar lealdade duradoura à marca.




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E a gorjeta, doutor?

A quinta letra

"Sou gerente de comunicação do YouTube e estamos organizando um bate-papo com poucos internautas brasileiros para saber o que pensam do site, o que mais usam, e como a experiência poderia ser melhorada. Seu nome foi selecionado entre milhões de usuários..."

Minha primeira reação foi verificar se o email era verdadeiro. Afinal, ele chegou na mesma caixa postal que recebe todos os dias convites para sacar milhões de dólares de uma conta na Nigéria. O do YouTube era genuíno.

O convite era uma verdadeira aula do conceito AIDA de comunicação: Attention, Interest, Desire and Action. Ok, o acrônimo também dá certo em português, mas achei que no original ficaria mais chique.

Ao se apresentar como gerente de comunicação do YouTube, ele chamou minha ATENÇÃO, o "A" do AIDA. Ao pedir minha opinião, acertou em cheio o "I" de meu INTERESSE. Quem é que não gosta de dar opinião, falar de suas vitórias ou cicatrizes? Todo bom vendedor sabe que não vende se ficar falando de si, de seu produto ou serviço, mas interessando-se pela opinião do cliente, suas necessidades, DESEJOS... Epa! Olha o "D" aí!

Babei saliva. Afinal, meu nome tinha sido escolhido dentre milhões de usuários. MILHÕES, grande assim! Bem, até que fazia sentido, já que só meus vídeos da "TV Barbante" são vistos 2 mil vezes por dia e passaram de 1 milhão desde 2006. "O Evangelho em 3 minutos", com mil views diários, está batendo nos 300 mil com apenas 14 meses de vida.

Faltava a última letra do AIDA, que foi logo cravada com a frase: "O número de vagas é extremamente limitado e é necessário confirmar presença". Urgir por uma resposta funciona até para quem nunca viu tal verbo. O "A" de AÇÃO que faltava para eu tomar uma decisão estava bem ali. O que você teria feito em meu lugar?

Pois é, eu também não estava disposto a viajar 150 quilômetros até São Paulo só para contar o que penso do YouTube. Minha opinião podia muito bem ir por email ou vídeo, só para ficar no contexto. Antes que eu me decidisse por não ir, minha ATENÇÃO, INTERESSE, DESEJO e AÇÃO foram adrenalizados (não adianta procurar, o verbo não existe) pela quinta letra de AIDA. Também não adianta procurar.

Em comunicação, aquilo que você não diz pode ser mais potente do que toda a sua verborragia (que lembra hemorragia) ou verborréia (...). O silêncio aturde. Se você duvida é porque sua esposa nunca fez greve de palavras. Devia ter algo mais. A quinta letra, a letra que faltava, criou ansiedade em mim. As reticências eram tão instigadoras que respondi imediatamente confirmando presença. Eu teria de viajar a São Paulo de qualquer maneira para pegar um vôo para a Bahia.

No dia seguinte, vinte e poucos youtubers, jornalistas e funcionários da Google ocupavam a sala, e a soma de suas idades não chegava à minha. Quase podia adivinhar seus pensamentos quando me fitavam: "Será que já existia Internet no tempo desse dinossauro?!".

Minha suspeita se confirmou: havia sim algo mais. O bate-papo era com o próprio Chad Hurley, um dos criadores do YouTube. A reunião foi uma verdadeira Babel que ia do inglês ao portunhol, passando pelo "the book is on the table". Quando chegou a minha vez, vi que faltavam dois segundos para o encontro terminar. Dada a escassez de tempo, decidi começar pelo "A" de AIDA e chamar a atenção:

- Meu nome é Mario Persona, sou palestrante, escritor e consultor, e uso o YouTube para ganhar dinheiro.

Como eu previa, o burburinho foi geral. "Show us the money!", gritou alguém. Então, com toda a atenção cravada em mim, contei ao Chad Hurley e aos youtubers como ganho dinheiro com o YouTube.


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Você é Jovem, Velho ou Dinossauro?
Ignacio De Loyola Brandao
Como cronista do jornal O Estado de S. Paulo, Ignácio de Loyola Brandão algumas vezes usou seu espaço para provocar o leitor, questionando-o sobre coisas do passado. Você chegou a tomar Grapette? Lembra do dropes Dulcora? Sua mãe usava cera Parquetina ou Dominó? Toda essa brincadeira com coisas do passado - distante para uns e próximas para outros - é o que nós habituamos a chamar de "cultura de almanaque".
Cada vez que Loyola publicava sua coluna nesses moldes, recebia de amigos e de leitores uma infinidade de mensagens, lembrando fatos, jingles, imagens que dariam para montar tantas outras colunas com curiosidades e brincadeiras para mexer com a memória do leitor.

Como é costume do autor, todo esse material foi guardado e transformado no Você é jovem, velho ou dinossauro?, livro que a Global Editora acaba de levar às livrarias e que traz uma programação visual bem parecida ao dos antigos almanaques, publicados, no Brasil, desde o início do século passado.
O título do livro não engana: a proposta dos testes é saber se o leitor é jovem, velho ou dinossauro. O autor convida: "Descubra com este livro. Testes para saber se sua memória é uma coisa, mas suas lembranças podem ser outras, mostrando que você é mais jovem, mas também pode ser mais velho do que imagina". Ainda, segundo Loyola, "a memória tem mecanismos próprios e age segundo sua própria vontade. Lembro-me de uma coisa de uma maneira, você de outra, o terceiro de uma versão diferente. Pensamos que nos conhecemos, pensamos que temos certa idade. Este livro mostra que podemos ser mais jovens. Fatos que pareciam distantes estão perto".
Você é jovem, velho ou dinossauro? é um almanaque de pequenas recordações guardadas no fundo da nossa memória e que, de repente, com muita alegria nos deparamos com elas.
Daqui a algum tempo, a geração que está nascendo agora irá dizer que iPod, MP3, laptop, link, webcam, câmera digital, celular com internet, palmtop são coisas do passado e quando eles estiverem fazendo essa afirmação outros almanaques estarão aparecendo - ou não -, mas terão sempre a intenção dos almanaques de hoje que é de divertir e ter muito assunto para não deixar a conversa acabar.
Editora: Global
Autor: IGNACIO DE LOYOLA BRANDAO
ISBN: 9788526012905
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 176
Acabamento: Brochura
Formato: Médio



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E a gorjeta, doutor?

Sou tecnobrega

Veja você, eu era tecnobrega e não sabia! Não sabe o que é tecnobrega? Trata-se de uma grande sacada para a produção, promoção, venda e distribuição de conteúdo artístico e intelectual. Coisa de Brazil com “z” na literatura lá fora.

Junte tecnologia, pirataria, mau gosto e criatividade, bata com muito ritmo, e o tecnobrega está pronto pra inglês ver. O modelo de negócio é citado no livro “Free - O futuro dos preços”, por Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired e também autor de “A Cauda Longa”. A versão em áudio do livro “Free” é... FREE!

A idéia não é nova. Há dez anos escrevi sobre o que aprendi com Kevin Kelly, co-fundador da Wired, que também entrevistei na época. Funciona assim: quanto mais rara a coisa é, mais cara. Por outro lado, quanto mais abundante, mais o seu preço tende a zero. ZERO! Respire fundo e você vai entender.

Quando alguns artistas paraenses perceberam que o atual modelo de distribuição de música estava no bico do corvo, decidiram inovar. No passado o artista só ganhava quando tirava a viola do saco, porém a tecnologia permitiu que ele e a viola ficassem em casa, enquanto a música viajava e faturava no som gravado.

E foi nesse céu de brigadeiro que a indústria fonográfica voou enquanto a tecnologia de gravação e distribuição estava restrita a quem podia pagar por ela. Mas alegria de rico também dura pouco, e a abundância tecnológica fez esse custo tender para... ZERO!

Isso mesmo, não custa nada para o carinha copiar a música e passar para trocentos amigos na Internet. A mesma tecnologia que mandou o artista enfiar a viola no saco e ficar em casa, avisou que agora é hora de cair na estrada, como no tempo dos menestréis. É mudar ou morrer.

Tecnobrega é a alternativa viável para os novos tempos. O músico grava seu som num estúdio caseiro ou alugado e entrega o CD para o camelô piratear à vontade. Ok, foi resolvida a questão da gravação e distribuição a preço de banana, mas o que o artista ganha com isso? Nada, mas fica conhecido.

O dinheiro vem das apresentações ao vivo, que também são gravadas em DVDs e CDs e entregues... isso mesmo, ao camelô. A cada volta da roda o artista é mais valorizado e mais solicitado, e pode cobrar mais pelo show. Alguém gravou um vídeo e colocou no Youtube? Maravilha! Tem carinha pirateando o som adoidado na rede? Melhor ainda para o artista tecnobrega!

Sem querer querendo, descobri que também sou tecnobrega. Não toco e nem canto, mas escrevo, e há mais de dez anos incentivo a cópia livre e descarada de minhas crônicas. Meus textos também viram locuções caseiras em vídeo e áudio, além de alguns de meus livros já estarem disponíveis para download. FREE! Onde eu ganho? Na venda de meu trabalho ao vivo e em cores em palestras e treinamentos.

- Alô? Mario Persona? Recebi de um amigo um [texto, vídeo, áudio] de sua autoria. Você pode vir à minha empresa falar sobre aquele assunto?
 
É claro que vou. Só em 2008 enviei 535 propostas a solicitações assim sem fazer um único “cold call”, que é quando o vendedor toma a iniciativa de ligar ou visitar um possível comprador. Este número não inclui solicitações de curiosos, mas só de empresas realmente interessadas, e equivale a enviar uma proposta e meia por dia. Obviamente só envio as propostas inteiras.

Se fechei todas? Nem em sonho. Mas se considerar que não gastei um centavo com propaganda e a promoção foi feita no camelódromo web, posso me considerar um tecnobrega de carteirinha. Porém as semelhanças terminam aí. No mais, que me perdoem os amantes do gênero, eu ainda acho a música tecnobrega cara.

Para saber mais:
“Tecnobrega: O Pará reiventando o negócio da música” - Livro grátis para download.
“Free - The radical future of prices” - Audiobook grátis em inglês do livro de mesmo nome (veja no "Criado Mudo" abaixo a versão vendida). 
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Free: Grátis - O Futuro dos Preços
Chris Anderson
Com a maestria que lhe é peculiar, Anderson volta à cena com este livro único e inspirador, onde o leitor encontrará em texto embasado a tendência de zerar custos trazida pela era digital.

Anderson afirma com veemência que estamos entrando numa era em que a economia pode ser construída em torno do conceito de "gratuito" e como isso afetará a vida das pessoas. Segundo ele, a ideia partiu de um dos capítulos de A Cauda Longa, que trata da economia da abundância. Ele acabou percebendo que nunca havia acontecido de toda uma economia ser construída em torno do gratuito e resolveu, então, mostrar como as pessoas fazem dinheiro e quais são as implicações disso.

O futuro, segundo ele, reserva surpresas inimagináveis até bem pouco tempo para os negócios.


Autor do best seller A Cauda Longa, sucesso de crítica e de público, Anderson é conhecido e reconhecido pela mídia brasileira e um nome de grande representatividade no campo do pensamento futurista, da gestão e da inovação.

Editora: Campus
Autor: CHRIS ANDERSON
ISBN: 9788535230680
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 288
Acabamento: Brochura
Formato: Médio 



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E a gorjeta, doutor?

Tres reais

O táxi que me levava ao aeroporto era dirigido pela tartaruga em pessoa. Não que o motorista fosse lento. Não era. Apelidei-o de 'tartaruga' só por ser enrugado e vivido.

E também por lembrar a tartaruga da fábula de Esopo, "A lebre e a tartaruga", recontada por La Fontaine, onde não é a autoconfiança que vence, mas a perseverança que vem do reconhecimento das próprias limitações. O motorista era assim. Velho e calejado de erros que não se preocupava em esconder.

De vez em quando faz bem encontrar alguém consciente de suas próprias falhas, de seus limites, e que não acredita tanto assim em si mesmo. Não, você não vai ouvir de mim a frase "acredite em si mesmo". Acreditar mesmo, só em Deus, que não pode falhar.

Todas as vezes que me empolguei e acreditei em mim mesmo descobri depois que eu estava mentindo para mim com o objetivo de me manipular. Acha estranho? Quando você se vir frente a frente consigo mesmo vai entender.

Depois de uma certa idade a gente começa a aprender o que é o ser humano -- e mais particularmente o 'eu humano'. Começa a entender que covardia, miopia, orgulho e mentira são acessórios que vêm de fábrica, prontos para usar. Qualquer pessoa tem potencial para falhar.

O problema é que tentamos nos convencer de que não falhamos e -- já que em todo crime sobra um corpo -- passamos a nos explicar e a procurar alguém para culpar, na tentativa de tirarmos o corpo fora.

Quando vira hábito passamos a vida procurando alguém pior para podermos nos comparar. Então o que bebe explica que não toma drogas, o viciado avisa que não rouba e o ladrão diz que não mata. Vai me dizer que você nunca se explicou assim?

Um pouco antes de entrar no táxi eu tinha trocado alguns minutos de prosa com alguém com o mesmo número de anos daquele motorista, mas que enxergava um mundo onde todos erravam, menos ele. Não que o motorista pensasse o contrário ou achasse todo mundo bom, menos ele. Na verdade ele não nutria ilusões acerca de pessoa alguma, ele incluso.

Ex-policial, contou do tempo em que era mandado participar, à paisana, de manifestações. Seu papel era distribuir bombinhas para assustar os cavalos da polícia e instigar manifestantes pacíficos a ficarem violentos. O objetivo? Fazer o pau comer para justificar o cassetete amplo, geral e irrestrito. Evidentemente ele saía antes.

Em outras ocasiões infiltrava-se em reuniões de manifestantes para descobrir quem estava patrocinando, só para descobrir o próprio governo por trás da manifestação daquele bando de manipulados que acreditava fazer oposição.

E foi depois de confessar que cumpria ordens das mais imorais, que contou ter transportado, no dia anterior, um passageiro costumeiro naquele trajeto até o aeroporto. Quando o passageiro -- um advogado do tipo lebre, apressado e autoconfiante -- reclamou da corrupção, o calejado motorista retrucou que corruptos todos somos.

Do alto de seus 26 anos de idade, o pequeno doutor se defendeu afirmando ser incorruptível, de reputação ilibada, lisura profissional imaculada, lhaneza no trato, e mais uma dúzia de adjetivos que mais se atribui quem menos tem.

Antes que o motorista pudesse explicar por que considerava todos -- inclusive a si próprio -- corruptíveis, tinham chegado ao destino. Depois de receber pela corrida, o motorista entregou ao advogado um cartão com uma sugestão:

-- Ao invés de chamar a Central de Rádio-Taxi, da próxima vez ligue direto para mim que vai economizar três reais, que é o que a central está levando nesta corrida. A gente faz o negócio por fora e a Central nem precisa saber.

-- Ótimo, vou fazer isso -- respondeu o advogado interessado -- É sempre bom economizar algum.
-- Bem, agora que já o convenci a chutar a Central para escanteio, como eu estava dizendo, que todos somos corruptos não resta dúvida. O que varia é o preço. No seu caso, três reais. Tá muito barato, doutor.




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E a gorjeta, doutor?

Ter ou não ter, eis a questão.

"Mario, suas dicas de gestão me impressionam muito pela clareza e coesão. Mas, se você tem um conhecimento tão vasto sobre teorias empresariais, por que você não é um multimilionário?"

Sua pergunta é instigante, mas o que será que quis dizer por "multimilionário"? Seria alguém com uma fortuna medida em milhões de um dólar que não seja o do Zimbábue? Se for, eu realmente não pertenço ao clube. Mas se quis dizer simplesmente "rico", então sou rico. Mas quão rico sou?

É difícil definir quão rico alguém é. Quando perguntaram a John D. Rockefeller quanto dinheiro era suficiente, ele respondeu "mais um pouco". Quando perguntei à minha mãe o que ela gostaria que eu fosse quando crescesse, ela respondeu que preferia um filho balconista e feliz a um dono de indústria infeliz. Desde então procuro ser rico como um balconista feliz.

Em uma sociedade onde você é medido pelo que possui, pouca gente já parou para questionar se o dinheiro é a melhor régua para se medir o sucesso. Apesar de tantas celebridades que entram e saem das clínicas de reabilitação, continuamos a associar riqueza material à realização pessoal e profissional.

Uma pesquisa feita com os 400 mais ricos da lista da revista Forbes revelou que o índice de satisfação dos magnatas era o mesmo encontrado entre o povo Inuite da Groenlândia e os Masai do Quênia. Ambos vivem muito bem sem eletricidade e água encanada.

Eu sei que este meu papo está mais para desculpa de incompetente, e que você, se fosse curto e grosso, estaria querendo dizer simplesmente “Mario, walk the talk!”, como dizem os ianques. Mas você foi educado a ponto de rogar que eu não interpretasse sua pergunta como provocação. Então vou ser sincero: não sou multimilionário simplesmente por não enxergar razão para navegar para um Norte que não está em minha bússola. Além de, obviamente, gostar do porto atual.

Interprete isto como falta de ambição ou de perfil empreendedor, mas não é. Inventores, artistas e escritores empreendem o tempo todo, mas poucos fazem isso de olho no milhão. O que os move não é a ganância de ter, mas o prazer de ser e fazer. É neste clube que você vai me encontrar.

Mas não pense que pessoas assim têm motivos mais nobres e altruístas do que os do clube do milhão. Não têm. O orgulho de ser e o desejo utilitarista de fazer são tão egocêntricos e gananciosos quanto o apetite de possuir. No fundo tudo não passa de uma forma de justificarmos nossa existência e utilidade no mundo e na sociedade. O “mais um pouco” do Rockefeller também se aplica ao ser e fazer.

O problema é que estas coisas jamais levam à saciedade, já que o vazio que tentamos preencher com elas é do tamanho de Deus. Mas vou deixar estes assuntos mais estratosféricos para você acompanhar em meu blog www.3minutos.net.

Enquanto isso, para dar uma resposta objetiva à questão que levantou, vou traduzir sua pergunta assim: "Como é que uma pessoa que ensina a empreender não se tornou um grande empreendedor?"

John Nelson Darby responderia que “os olhos enxergam muito além do que os pés conseguem alcançar”. Isso mesmo. Pode apostar que muitos dos grandes autores e professores de gestão quebrariam a cara se tentassem administrar um negócio. Mas seus pupilos provavelmente não. Por que? Pela mesma razão que Pelé não é o melhor técnico de futebol do mundo e os melhores técnicos do mundo nunca foram Pelé.

Se um dia você me encontrar multimilionário foi por ter tropeçado num bilhete de loteria, e não por apostar nela ou num grande negócio. As duas coisas não estão em minha agenda. Meu prazer está em escrever e ensinar aquilo que consigo enxergar "sentado nos ombros de gigantes”, como diria Isaac Newton.

O comercial que vi na CNN talvez consiga traduzir melhor o que sinto. A cena mostra um garotinho e seu pai caminhando de mãos dadas e o menino dizendo ao pai que, quando crescer, quer ser professor. Mas o pai tenta convencê-lo a seguir outra carreira.

- Você não prefere ser médico? Médicos são mais admirados e respeitados, além de ganharem muito mais.

- Mas não são os professores que ensinam os médicos? - argumenta o garoto encerrando a conversa.

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Manual do Empreendedor - Jerônimo Mendes
Este livro é indispensável para todo empreendedor ou candidato a futuro empreendedor que deseja entender, fazer parte e ainda prosperar no universo extremamente competitivo dos negócios. Trata-se de um guia que expõe aos empreendedores, empresários e seus respectivos colaboradores as premissas básicas e avançadas desse fenômeno chamado empreendedorismo. Abrange desde os conceitos relacionados ao tema, os primeiros passos para quem deseja empreender, a necessidade de se construir uma visão e uma missão de negócio, as fases do processo empreendedor e o principal desafio a ser enfrentado a partir do momento em que o empreendimento "decola", o de equilibrar a vida pessoal e profissional.




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