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Uma palavra so

Um frio percorreu minha espinha ao receber nos braços aquele volume peso-pena. Peso e pena foram também os sentimentos que se aninharam em meu peito enquanto meu cérebro parava de funcionar, como não devia estar funcionando quando tomei aquela decisão.

A idéia da adoção havia brotado nos inescrutáveis recônditos da fé e do coração, um universo à parte da razão. Teria feito a coisa certa? Agora já não importava. O que recebia não era um vasilhame retornável, mas um ser humano nem um pouco descartável.

Olhei para aqueles quatro anos de criança acondicionados num corpinho esquálido que não aparentava mais do que um ou dois. Pedro não falava e os médicos apostavam que nunca seria capaz de falar. Tampouco seria capaz de andar ou coordenar seus movimentos com precisão. Pedro sofria de paralisia cerebral.

Suas deficiências lhe impediam de se comunicar e os únicos estímulos que chegavam ao seu cérebro vinham dos quatro sentidos que restavam, pois também nascera cego. Sua chegada em 1986 foi um marco em meu processo de aprendizado de comunicação. Sim, seria eu quem iria aprender a me comunicar.

Quem acredita ter algo a comunicar deve dar o primeiro passo, que é aprender tudo sobre o alvo de sua comunicação. Comunicação nada mais é do que comunicar uma ação, ou fazer com que nosso interlocutor interprete e responda a um estímulo. Porém, para obter essa resposta é preciso desenvolver uma percepção capaz de interpretar corretamente o outro, o que não se faz sem envolvimento e dedicação.

O primeiro passo no desenvolvimento da percepção é abrir mão dos preconceitos e filtros que vamos ganhando à medida que os anos passam. É preciso rever nossa capacidade de perceber o mundo exterior e interagir com ele. Os estímulos que acontecem ao nosso redor -- luz, sons, cores, texturas -- não passam de estímulos. Os efeitos reais dependem de como os recebemos, interpretamos e reagimos a eles.

Postura, expressões, entonação, gestos, olhares -- tudo isso também comunica e têm um peso enorme no sucesso de uma conexão que crie uma freqüência comum aos interlocutores. Essa freqüência comum, ou rapport, permite criar uma relação de sincronismo e equilíbrio na comunicação entre duas pessoas com diferentes capacidades de recepção e interpretação de estímulos. Algo como fazer um telégrafo se comunicar com um celular.

Quando me encontrei diante do desafio de me comunicar com uma criança com múltiplas lesões precisei entender que diferenças nem sempre são deficiências. Para quem nasceu de um jeito, diferente é o outro. Provavelmente era essa a impressão que meu recém chegado filho tinha de sua nova família. Vivíamos em mundos diferentes e seria preciso construir, pouco a pouco, a ponte da comunicação entre nós.

Eu precisava descobrir como fazer essa conexão e me comunicar com uma criança que durante três anos fora privada de qualquer estímulo, presa a uma cama de maus tratos em um barraco qualquer. Nos mais de vinte anos que se passaram desde então Pedro tem sido meu melhor professor de comunicação, embora até hoje ele só tenha aprendido a falar uma palavra. E não fui eu quem ensinou.

Não se iluda que uma boa comunicação possa ser garantida por fórmulas de sucesso ou títulos acadêmicos. São seres humanos que se comunicam e nessa área nem tudo é aprendido nas universidades. Criatividade, imaginação e intuição são habilidades naturais que fazem parte do processo, como aprendi com o que aconteceu com meu filho no aprendizado da única palavra de seu vocabulário.

Embora profissionais especializados tenham tentado, a única pessoa que conseguiu lhe ensinar essa única palavra foi dona Ângela, uma faxineira que trabalhou em casa por alguns meses. Ela nunca soube o significado da palavra rapport, jamais cursou uma faculdade e mal sabia o português, mas foi capaz de abrir caminho para uma comunicação falada de mão dupla, ainda que limitada a um único verbo.

Seu método foi tão simples e ingênuo quanto deve ser qualquer método que busque encantar as pessoas. Ela simplesmente frisava muito bem que iria "cantar", e começava:

"Atirei um pau no gato-tô, mas o gato-tô...".

Pedro ficava extasiado, batia palmas, gritava, gargalhava e sacudia o corpo para frente e para trás, como sempre faz quando está alegre.

A palavra "cantar" ficou de tal forma impressa em sua mente com tintas de amor, carinho e afeição, que até hoje ele é capaz de pedir para alguém cantar usando uma forma só sua: "antá". Por isso em casa, se você ouvir alguém cantando "Atirei um pau no gato-tô...", isso só pode significar uma coisa: Pedro falou.



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E a gorjeta, doutor?

Segunda mae

From: "Zig Zoing" - zig.zoing@outerspacemail.com
To: contato@mariopersona.com.br
Subject: Welcome!
Date: Fri, 08 May 2007 17:33:11 -0500

Prezado Mario,

Você não me conhece, mas não terá dificuldade para ler este e-mail. Está em inglês que, por ser um idioma universal, é falado aqui também. Moro no planeta que vocês acabam de descobrir, o qual batizaram de Gliese 581c.

Ficamos muito entusiasmados com a descoberta e com os planos de virem morar aqui. É uma grande honra chamarem nosso planeta de “Nova Terra”. Podem vir, pois espaço é o que não falta.

Soubemos que chamam o planeta de vocês carinhosamente de “Mãe Terra”, portanto não há melhor ocasião do que o “Dia das Mães” daí para este primeiro contato. Queremos que façam com nossa mãe o mesmo que fizeram com a de vocês.

Mal podemos esperar para desfrutar de todos os avanços que introduziram na Terra. Transformaram um planeta primitivo e selvagem em um exemplo de civilização. Vocês são, com certeza, os seres mais avançados do universo.

Queremos que nos ensinem a mudar a cor de nosso planeta, como fizeram com a Terra. Pelo telescópio dá para ver que o resultado ficou super chique: céus em vários tons de cinza, rios que vão do vermelho ao turquesa e praias negras como petróleo. Como conseguem cobrir seus rios de espuma e pintar os pássaros marinhos da mesma cor que pintaram as praias?

A técnica de demolição de velhos edifícios também nos impressiona. É verdade que um homem apenas é capaz de demolir um edifício inteiro? Pelo jeito nem sempre um homem só resolve, não é mesmo? Soube que às vezes usam aviões para demolir prédios. A renovação urbana também é nossa prioridade.

Genial mesmo é aquela idéia de acabar com o gelo. Imagine que maravilha um mundo sem gelo, sem neve e sem inverno -- um mundo-verão! Adorei o nome do projeto: “Aquecimento Global”. Vocês criaram o projeto depois do desastre causado por um iceberg àquele navio... como era mesmo o nome? Titanic?

Esquentar um planeta inteiro deve dar um trabalho danado, não é mesmo? Tenho certeza de que irá compensar e mal podemos esperar para fazerem o mesmo aqui. A vida é melhor e mais saudável em um planeta-verão. Deve ser uma maravilha ter praias cheias o ano inteiro. Soube que já estão até produzindo ondas gigantescas para incrementar a prática do surfe.

Pelo telescópio dá para ver que construíram enormes ventiladores em torres instaladas na terra e no mar. É para refrescar os dias mais quentes? Pelo jeito estão funcionando bem, pois aumentou bastante o número daquelas lindas espirais brancas de vento que enxergamos daqui.

De todos os benefícios, nenhum supera o controle de pestes e ervas daninhas. Foi uma boa idéia eliminar as florestas, que escondem animais ferozes e répteis peçonhentos. Dá para ver que o projeto está quase concluído. Como conseguem acabar com tantos peixes perigosos de uma só vez? Esperamos que tragam essa tecnologia também.

Seu pessoal deve estar bastante otimista com a idéia de colonizar outro planeta e repetir aqui o sucesso que alcançaram na Terra. Já deu para perceber que vocês são empreendedores e tenho certeza de que logo transformarão nosso planeta em uma “Segunda Terra”, literalmente falando. E depois, quais os planos para o futuro?

Bem, pelo que tenho observado, vocês irão ajudar nosso planeta e depois partirão em busca de uma “Terceira Terra”, “Quarta Terra” e assim por diante. Vocês são competentes em tudo o que fazem. Outro dia encontrei na Internet uma passagem de um antigo livro daí que já previa essa tremenda capacidade de vocês:

“O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. E disse o Senhor: Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer”.

Uau! Nada poderá impedir! Cara, acho que para vocês nem o céu é o limite, não é mesmo? O que posso dizer? Venham logo e já podem ir chamando nosso planeta de segunda mãe.

Atenciosamente,

Zig Zoing
zig.zoing@outerspacemail.com




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E a gorjeta, doutor?

O bebado e a equilibrista

Quando eu e outros participantes de um evento em Brasília fomos deixados no hotel, o check-in se deu em duas etapas. Primeiro o gerente distribuiu a tradicional ficha para preencher e depois um menu, enquanto anotava a escolha de cada um. Ingênuo, fiquei surpreso ao não encontrar peixes, massas, ou saladas naquele menu. Só carne.

Quando optei pelo jejum, tomei uma gelada do gerente e dos outros. Naquela época, turismo sexual era prática rotineira em grandes hotéis. Na recepção do hotel onde agora escrevo esta crônica há um aviso informando que a empresa é solidária com as medidas do governo de combate ao turismo sexual e à pedofilia. As coisas estão mudando. Sim, só na casquinha, mas estão.

Quando adolescente, fumar era, para os meninos, uma forma de afirmar a masculinidade. Para as meninas, o delicado bastonete equilibrado entre os dedos de uma mão levantada, o cotovelo apoiado no pulso da outra, e as argolas de fumaça fugindo de lábios de batom, formavam uma sensual imagem da sofisticação.

As páginas da “Seleções do Reader’s Digest” mostravam casais em trajes de gala fumando ao lado de uma limusine. Eram assim as propagandas e era perfeitamente natural uma revista dirigida à família promover o fumo.

Aí o cowboy teve câncer e o governo transformou a propaganda do tabaco em fumaça. No início as agências protestaram, os publicitários protestaram, os artistas protestaram. Com razão, pois o dinheiro iria secar e cada um queria defender o seu.

As agências tentaram ainda associar o risco de fumar ao risco gostoso dos esportes radicais, mas não durou. “Veja!”, diziam os anúncios para o subconsciente, “Eu também corro risco de morrer e estou ótimo!”. Hoje equilibristas e artistas olham em redor antes de acender. Vai que tem um papparazzi... Na defesa da imagem, vale até se abster.

Bebida e artista sempre andaram de mãos dadas, só que isso também parece que pode acabar. Com as estatísticas galopantes de crianças e adolescentes alcoólatras, no futuro é improvável que uma famosa rebole de copo na mão, se quiser evitar tomar uma gelada do público. Falsa moral? Não, olho no capital.

Por que você acha que grandes empresas investem em educação, saúde e empreendedorismo? Porque gente burra, doente e pobre não compra. Os jovens empreendedores serão os endinheirados de amanhã, com saúde para viver e comprar por cem anos e educação para querer produtos mais sofisticados. E caros.

Quando o governo decide banir o fumo ou mandar os artistas do bar de volta para a novela, está pensando em economizar com doenças respiratórias, cirroses e acidentes de trânsito. Quando dá as boas vindas à proliferação da religião e redução da promiscuidade, está de olho na conta do coquetel anti-HIV.

Se você acha que já viu tudo, aguarde para ver a gelada que vão tomar os atores de filmes explosivos de ação. Se não digitalizarem logo o fogo e a fumaça, Tom Cruise vai ter uma missão impossível para preservar sua imagem. É que hoje, na Califórnia, Hollywood já aparece em segundo lugar entre as indústrias que mais contribuem para o aquecimento global. Só perde para as refinarias de petróleo.

Antigamente algumas empreiteiras, nas obras que exigiam acampamentos de trabalhadores, mantinham um cafetão na folha de pagamento. Obviamente o cara tinha outro nome e função, algo como “responsável pela aquisição de válvulas de escape para peões”. Era também quem comprava e instalava lâmpadas vermelhas.

Para os peões de luxo -- executivos e clientes em grandes feiras e convenções -- a coisa não era diferente. A programação incluía casas noturnas e aqueles menus que não têm peixes, massas ou saladas. Isso está mudando.

Os stakeholders -- literalmente aqueles que seguram as estacas para manter a barraca em pé -- não querem ver sua marca no jornal de amanhã. Seria o maior barraco seu patrocinado morrer do coração debaixo de uma garota de programa ou ser preso com uma adolescente.

Imagem é dinheiro, e o mundo continuará assim: moralista quando interessar, e investindo em mísseis quando for para lucrar. Enquanto isso, equilibristas inteligentes deixarão de lado as garrafas e ficarão longe do bêbado, antes que seus stakeholders chutem o pau de sua barraca.

E não só eles, mas qualquer profissional que estiver preocupado com sua imagem evitará até mesmo aquela clássica limpeza de nariz no elevador. Lá dentro tem uma câmera e aqui fora tem um YouTube.



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E a gorjeta, doutor?

Yes, nos temos cana.

O Tio Sam veio aqui, chupou cana, escovou os dentes e assoviou de contente. Se antes o vizinho era o Canadá, agora vizinho é qualquer país onde cana dá. O Brasil se alvoroçou, Zé Carioca sambou e Carmem Miranda cantou: “Yes, nós temos cana!” O petróleo virou vilão.

E quem vai dizer que não? Monteiro Lobato quis defender o petróleo e pegou seis meses de cana. Mal sabia ele que um dia o país deixaria de lado “O Petróleo é Nosso” e adotaria o lema “Cana Para Todos”. A Polícia Federal já adotou e veja no que deu. Os canadólares apareceram mais rápido que os petrodólares.

Tirando os morros do Rio, onde a cana é difícil de pegar, a monocultura vai tomar de assalto nosso território. O Brasil vai ficar um verde só, do Oiapoque ao Chuí. Os ambientalistas que nos vigiam pelo Google Maps vão pensar que reflorestamos a nação. Mal sabem eles que o país do carnaval virou um canavial.

No interior de São Paulo, onde moro, “canaviar” é substantivo caipirês, mas aposto que vai virar verbo. Aqui está tudo canaviado. Se canaviar afeta a biodiversidade? Que biodiversidade? Aqui mel tem gosto de melado, teta de vaca dá garapa e passarinho voa em zigue-zague depois que bebe água que passarinho não bebia.

No resto do país tem gente preocupada porque o João vai canaviar a lavoura do feijão. Geralmente quem se preocupa não está na pele do João. Se estivesse, também iria para onde aponta o lucro imediato, pois é assim que funciona a economia. Nosso comportamento é ditado pela demanda.

Existe demanda por drogas, caça-níqueis e produtos piratas? Então a cana vai correr solta, enquanto cresce a indústria de seguros, blindagem e vigilância. Há demanda por combustível verde? Então a cana vai crescer solta, enquanto crescem as pesquisas, equipamentos e serviços de minimização do impacto ambiental.

Somos assim, vivemos correndo atrás do prejuízo porque buscamos satisfação imediata. O ser humano tem olhos na frente do crânio, como o felino predador e a ave de rapina. É essa sua natureza e vocação, daí viver remendando sua saga destrutiva.

Quem ainda acredita na evolução humana experimente ficar quinze minutos na Linha Vermelha no Rio meditando pela paz mundial. Em 1980 o Papa desfilou aqui em um papamóvel com carroceria anti-chuva. Em 2007 o papamóvel de 10 milhões de reais resiste a granadas e tiros de metralhadora e fuzil. O que evolui não é o homem, mas a tecnologia que nos mata e também garante nossa sobrevivência.

Sim, é inevitável que a cana substitua o arroz, o feijão e o bife, enquanto o álcool sobe no ranking das exportações, hoje encimado pelo minério, soja e brasileiros mandando dólares do exterior. O minério não é renovável e a soja dá também nos EUA. O jeito vai ser exportar álcool e brasileiros, não no mesmo vôo.

Não seremos os únicos em busca de alternativa. O Dubai sabe que seu petróleo tem data para terminar e corre para o turismo, enquanto o Bahrain corre para as corridas e outros esportes. Nós, quando a coisa aperta, corremos para a cana.

Mas o que será da vaca quando os pastos forem canaviados? Se depender dos relatórios da ONU, a vaca vai pro brejo. Vacas flatulentas são grandes vilãs do aquecimento global. Do escapamento que trazem sob o rabo saem mais poluentes que todas as emissões de carros e fábricas do mundo.

Complicou para os ativistas de botequim, que preferiam protestar contra a cana sem abrir mão do espetinho de carne e do provolone com cerveja. A cerveja fica, mas já tem gente correndo atrás de avestruz para substituir a vaca, o que não é tarefa fácil. Além disso, avestruz não dá leite.

A cana não corre e é mais flexível. Já inventaram até cana geneticamente modificada para canaviar pântanos e desertos. Não demora e a cana vai parar na mamadeira. Se os argentinos conseguiram criar vacas transgênicas que produzem insulina humana, e o nordeste já faz carne do bagaço do caju, o que nos impede de inventar um alambique leiteiro?

Tenho certeza de que os pesquisadores brasileiros encontrarão mais de 51 maneiras de utilizar a cana e os bebês do futuro já nascerão “flex”. Para quem a cana é uma ameaça, o jeito é encarar e mudar, não tentar evitar o inevitável. Até Monteiro Lobato, petrolista convicto, acabou desenvolvendo uma paixão secreta pela cana. Sua biografia revela que o escritor não saía de casa sem um belo pedaço de rapadura escondido no bolso do paletó.



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E a gorjeta, doutor?

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