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Meu pai, o Opala e eu

Um Chevrolet Opala zerinho, rosé-metálico, duas portas, rodas tala-larga, que causava sensação por onde passava. Foi o carro que meu pai comprou logo que tirei minha carteira de motorista. Não era para mim, era para ele. O carro dos seus sonhos.

Discriminacao

O que será que eu disse para desencadear aquela reação? Terá sido meu comentário sobre a falta de qualificação para o emprego de boa parte dos brasileiros? Não sei. O que sei é que a jovem não titubeou.

Carreiras mutantes

O que você diria de um jovem que deseja fazer uma faculdade na área de tecnologia da informação, uma especialização em marketing, e tentar a sorte na China? Perfeitamente normal se esse jovem não fosse eu.

Dor e prazer

O cérebro é incrível. Ele esquece a dor, mas não o prazer. Quero dizer, você até se lembra que sentiu dor, mas não volta a senti-la só de lembrar. O prazer sim. Se não fosse assim, cada mãe só teria um parto e ninguém teria irmãos.

Preco, valor e significado

Não sou de criar caso, mas alguém resolveu criar um caso comigo. Já tinham me avisado, mas foi só na quinta ou sexta livraria que encontrei o caso criado. Ele ocupava quatro das 472 páginas do livro "Google Marketing". Virei caso em jargão corporativo: "Case Mario Persona".

Flexibilidade feminina

A mulher sentada ao meu lado na sala de embarque do aeroporto não era apenas belíssima. Ela estava cosmeticamente perfeita.

Desapareci!

Você já quis ser invisível? Eu também. A primeira vez foi quando um menino prometeu me esperar no portão da escola para bater em mim. Nem comi o lanche, achando que podia sair de perfil sem ser visto. Naquela época teria sido bom, mas agora está sendo um pesadelo. Outro dia descobri que estava invisível.

Quanto tempo o tempo tem?

A escala no Rio de Janeiro promete ser rápida. Os passageiros que saem, saem rápido, e os que entram, entram depressa. De repente, um sinal de alerta. Uma agitação em meu ventre revela mais um passageiro querendo desembarcar.

Eu matei Tiradentes

Eu matei Tiradentes. Mas não leve isso como uma confissão tardia, por medo ou covardia. Não fui eu quem o prendeu, condenou ou deu o nó no laço. Eu só fabriquei a corda, por sinal, de primeiríssima qualidade.

Papagaios tambem falam

Papagaios falam. Aprendem a repetir palavras, frases e até a cantar e contar piadas. Há quem acredite que eles saibam ler, só porque tiram bilhetinhos da gaveta do realejo. Mas duvido que você peça conselhos ao bichinho.

A carreira mais importante do mundo



https://youtu.be/N9AZ9G8z20Q

De vez em quando algum jovem me pergunta sobre qual carreira seguir. É uma preocupação importante, mas como avaliar uma carreira? Se pudesse voltar no tempo, eu escolheria a carreira mais importante do mundo. Para começar, a escolha não seria baseada em salário. Antes de discordar, pegue uma lista de milionários e verá que a maioria continua trabalhando, apesar de suas fortunas. Eles teriam se aposentado há muito tempo, se trabalhassem apenas por dinheiro.

Alterego virtual

A família inteira correu para o computador, quando uma voz nada familiar invadiu o mezanino da casa onde morávamos. Estávamos em 1997 e eu acabara de fazer minha primeira conexão de voz usando um programinha paleolítico que veio num disquete de revista. Naquele tempo os programas de Internet eram baixados das bancas.

Minha historia no Youtube

Você confiaria sua empresa nas mãos de uma adolescente de 15 anos? Você a usaria para atender seus clientes, trabalhando 24x7 sem direito a férias? E um menino de 5 anos, você usaria para promover seus serviços? Eu uso um menino. E uma adolescente também.

E o streaming levou...

"Lost" é uma ilha cercada de piratas por todos os lados, e seus produtores sabem disso. Para evitar que o episódio final da série caísse na mídia paralela, decidiram transmitir o programa para outros países, além dos EUA. Não adiantou.

Um avatar no meu quintal

Juntando os comentários na Web sobre o ativismo ecológico de James Cameron na Amazônia, a mensagem de quem reclama é uma só: O cara não tem nada que se intrometer no meio-ambiente daqui. Será?

Foi assim...

Sou um contador de histórias. "Causos", histórias e analogias são os habitantes de minha mente, o combustível de minha pena, e a atração de minhas palestras. Quando comecei a escrever e falar assim, eu tinha dois objetivos. O primeiro era ajudar aqueles que tinham sido atingidos em cheio pelo fenômeno Internet, e não tiveram tempo de anotar a placa.

Minha bicicleta high-tech

Quando vi pela primeira vez aquele tudo-em-um do iPhone, fiquei com um pé atrás. Será que me acostumo com esse negócio de cineminha e telefone no mesmo aparelho? Se tem uma coisa que detesto é telefone tocando no meio do filme. Você já correu atender um telefone que tocou no filme da TV? Eu também.

Humor liquido

Todas as noites repito um mesmo ritual de ervas e sangue da terra. Nada macabro ou vampiresco. Meu ritual resume-se a um prato de salada e um cálice de vinho, que Plínio chamava de "sangue da terra" e Eurípides dizia servir "para acalmar as fadigas". É minha recarga de bateria no fim do dia.

Cliente de cliente

É fácil um cliente meu me transformar em cliente seu. Se você duvida, experimente me contratar. Deve ser influência de minha mãe, que me ensinou a ser grato ao Banco do Brasil que contratava meu pai. O banco garantia o salário que permitia pagarmos nossas contas e contrair outras.

Cerebro liquido

O médico disse que meu cérebro é 80% água. Será que é por isso que meus pensamentos fluem em um turbilhão de idéias geradas por ondas cerebrais? Pode ser. Ele disse que não preciso andar com tampões nos ouvidos, porque não existe perigo de vazar.

O peru de dona Gertrudes

Não consigo dormir. E quem consegue? Culpa do efeito borboleta. Aquele que diz que o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um tornado no Texas. Se os terroristas ouvirem isso vão querer se mudar para cá e criar borboletas.

Mas faz sentido, principalmente se você pensar que os gases liberados na atmosfera pelo seu carro podem derreter o gelo do Ártico por causa do tal efeito estufa. E é por isso que não consigo dormir. Estou me sentindo estufado e temo causar uma catástrofe em algum ponto do planeta.

Está tudo interligado, tudo interconectado. Vivo num imenso condomínio mundial. Se seguro o elevador, meu vizinho de cima pode perder o emprego. Se compro tênis no camelô, estimulo o trabalho escravo no oriente. Se compro diamante, patrocino o genocídio na África Central. Sou mais um responsável por todos e todos por um, num planeta com mais de 6 bilhões de mosqueteiros.

Sofro ao saber que alguém na Rússia vai ficar sem hamburger porque alguém no Brasil se esqueceu de vacinar a vaca. Preocupo-me quando um frango espirra no Vietnã e uma andorinha sozinha vai fazer verão na Romênia levando o vírus.

Será que é o excesso de informação que faz isso comigo? Deve ser. Antigamente eu só sabia do que acontecia com meus primos e minha tia. Meu mundo cresceu com a abundância de informação e eu também. No meu caso é o efeito estufa, como já disse. Esse excesso de informação que me bombardeia diuturnamente tem lá o seu lado bom para um cronista como eu. Dependo de fragmentos do cotidiano para escrever e meu e-mail traz todos os dias um caminhão de matéria prima.

É claro que junto vem muito lixo, mas também recebo casos que posso reciclar, como o de dona Gertrudes - o nome eu inventei - que pode ser real, lenda ou trote, não sei. O que sei é que, se existir, ela é tão ou mais preocupada do que eu. Por isso decidi escrever minha versão reciclada da história de autor desconhecido que circula na Internet, para dar a ela um sentido mais educacional.

Politicamente correta, socialmente correta, ecologicamente correta, seja-lá-o-que-for correta, assim é dona Gertrudes. Só para você ter uma idéia, em sua cozinha há 4 cestinhos de lixo para materiais recicláveis, um de cada cor: Vermelho para plásticos, amarelo para metais, azul para papel e verde para vidro.

E na garagem tem mais: preto para madeira, laranja para resíduos perigosos, branco para materiais hospitalares, marrom para orgânicos e cinza para não-recicláveis. Você acredita que a mulher tem até um cesto de lixo roxo? É para as velhas radiografias, que ela acha que são radioativas.

Quando não está caminhando ou usando sua bicicleta ou o transporte público, seu carro queima álcool, cinco vezes menos poluente que a gasolina. Sua impressora até aprendeu a ler, de tanto ela imprimir do outro lado, e quando vai ao supermercado, leva sua própria sacola para reduzir o consumo de sacos plásticos. A menina do caixa, boba, acha graça.

Refrigerante em garrafa PET? Nem pensar. Só suco de fruta. As lâmpadas da casa ela já trocou pelas econômicas, só toma banho frio e rapidinho, e ai do filho que deixar algum eletrodoméstico ligado na tomada com aquela luzinha em estado de espera. Será que preciso dizer que ela escova os dentes com a torneira da pia fechada e usa a água suja da máquina de lavar roupa para lavar o quintal?

Carne de vaca não come mais, por causa dos 25% do efeito estufa causados pelo escapamento do animal. Sua dieta de alimentos orgânicos e integrais só abre a porteira para peixes e aves. E quando a mulher viaja para o campo, leva um saco de sementes de árvores e arbustos para espalhar. Mais verde do que dona Gertrudes, só o seu Garcez, o marido, que sofre um pouco do fígado. Até parou de fumar para ver se resolve.

Toda essa preocupação deu aos filhos a idéia de aprontarem com o peru da ceia de Ano Novo. Justo com o peru, que Dona Gertrudes criou só com alimentação natural, massageou usando técnicas de Do-In e tentou, sem sucesso, fazer a ave aprender Yoga. Até homeopatia ela usou quando o peru andou esquisito.

Dizem - mas não acreditei - que antes da execução ela usou acupuntura para anestesiar o peru e amaciar a carne. Na minha opinião o que ela usou mesmo foi a velha cachaça, como se fazia antigamente, despejada em um funil goela abaixo. Depois, temperou naturalmente com sal não-refinado, vinagre de maçã e ervas orgânicas, e colocou a ave no forno.

Foi só virar as costas e os filhos tiraram o peru do forno, esvaziaram a ave de seu recheio e enfiaram no lugar um franguinho, o menor que encontraram no supermercado. Tapado o orifício com farofa para disfarçar, devolveram o peru ao forno.

À noite, cercada pela família, a orgulhosa dona Gertrudes meteu a faca na ave e foi destrinchando, enquanto se gabava de suas preocupações ecológicas e sociais no preparo. Ao descobrir o franguinho assado no interior da ave, gritou de comoção e horror antes de desmaiar:

- Meu Deus! Assei uma perua grávida!

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Liderança Sustentável: Desenvolvendo Gestores da Aprendizagem
ANDY HARGREAVES e DEAN FINK
Em Liderança sustentável, Andy Hargreaves e Dean Fink abordam um dos aspectos mais importantes e freqüentemente negligenciados da liderança: a sustentabilidade. Escrito prioritariamente para gestores escolares, mas de interesse para todas as áreas de gestão, este livro propõe de forma original e convincente sete princípios para liderança sustentável, caracterizados pela Profundidade da aprendizagem; Durabilidade do impacto a longo prazo, através de boa administração da sucessão; Amplitude de influência, onde a liderança se torna uma responsabilidade distribuída; Justiça, garantindo benefícios a todos os alunos; Diversidade, que substitui a padronização; Engenhosidade, que conserva e renova a energia dos líderes sem esgotá-los; e Conservação, que se baseia no melhor do passado para criar um futuro ainda melhor.



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E a gorjeta, doutor?

A aguia e a coruja

Meus filhos, quando pequenos, eram as crianças mais lindas do mundo. Agora, muitos anos depois, descubro que a história se repete: meu neto é o mais lindo do mundo. Não concorda?!

Nem deveria. Se você for pai ou mãe irá querer para seus filhos o primeiro lugar no podium. Se for avô, irá rebaixar meu neto, porque você sempre escolherá o referencial que for melhor para você. Em negócios não é diferente, e é aí que mora o perigo.

Muita gente quebra a cara por achar que vai conseguir vender para os outros aquilo que venderia para si. Mergulhou de cabeça no mercado sem perceber a tendência que todo ser humano tem de se considerar o umbigo do Universo.

Aí decide fabricar aquilo que mais gosta, abrir uma loja no ponto mais perto de casa e só contratar quem torcer pelo mesmo time. Se tiver sorte, vai encontrar gente do mesmo gosto para comprar. Se não tiver, vai achar que é a crise, só para manter intacto o seu critério de auto-referência.

Se desejo atingir algum público, minhas preferências devem ficar guardadas para mim, caso não encontrem eco no mercado. No mais, eu devo mesmo é analisar as preferências do público que pretendo atingir e virar camaleão.

Não estou falando de abrir mão de suas convicções pessoais. Se fosse assim eu iria sugerir que você partisse para o tráfico, que dá mais dinheiro do que aquela lojinha de bijuterias que pretende abrir.

Suas convicções pessoais devem continuar norteando suas ações, mas pode ser que descubra ser bom negócio abrir uma butique de "Alta Costura de 1,99" perto da rodoviária. Aí, se você sentir náusea só de olhar para os modelitos, contrate uma gerente à altura e saia de perto.

Não basta conhecer seus clientes para atendê-los do jeito que eles gostam; é preciso ter pessoas adequadas a eles e motivá-las com estímulos igualmente adequados. Se no Brasil você motiva seus vendedores dando a eles um nadinha de fixo e uma comissão generosa, no Japão precisa fazer o inverso ou ninguém vende.

O brasileiro é mais individualista, seu desejo é de se sobressair. O japonês é mais coletivista, seu desejo é que a equipe se sobressaia. Ele não se sente bem se deixar seus colegas para trás. Talvez seja por isso que seus carros de Fórmula 1 sejam pilotados por estrangeiros.

Até na hora de promover seus produtos é preciso levar em conta o referencial dos clientes. Se os seus clientes forem borracharias no Afeganistão e você enviar folhinhas com mulheres com o rosto descoberto, podem acabar confiscadas pela censura local.

Mas, para uma clientela de indígenas sul-americanos, as mais desnudas modelos poderão parecer tão vestidas quanto uma freira se tiverem um cordãozinho de palha em torno da cintura. As referências mudam de acordo com os povos e as culturas, daí o perigo de você se nortear por seus próprios referenciais.

O clássico dos clássicos em termos do perigo da auto-referência é a fábula da águia e da coruja, de onde vem a expressão "mãe coruja". Dona Coruja, ao encontrar Dona Águia em plena temporada de caça, suplicou:

- Dona Águia, já que somos amigas, rogo-lhe que não coma meus filhotes.

- Certamente - respondeu a águia - nossa amizade me impede de fazê-lo. Mas como os reconhecerei se nem mesmo sei onde fica o seu ninho?

- Ora, Dona Águia, é fácil. Eles são os filhotes mais lindos da floresta!

Assim, para não correr riscos de arranhar sua amizade com Dona Coruja, Dona Águia procurou comer apenas os filhotes mais feios que encontrou: um par de criaturas horrorosas com grandes olhos arregalados enfiados numa toca em uma velha árvore.

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Governança Ambiental Global: Opções & Oportunidades
DANIEL C. ESTY e MARIA H. IVANOVA

Quem decide as questões que afetam o meio ambiente? Que critérios norteiam essas decisões? Como são representados os interesses das comunidades e dos ecossistemas envolvidos? Foram essas indagações que deram origem ao conceito de governança ambiental e a todo o debate atual sobre o uso e a gestão dos recurosos naturais.

Os ensaios desta coletânea reúnem importantes peças desse debate num só volume, abordando questões essenciais de maneira acessível e sugerindo caminhos viáveis para uma participação efetiva de governos, organizações não-governamentais, empresas e indivíduos. É mais uma iniciativa do Senac São Paulo em apoio às ações voltadas para o desenvolvimento sustentável e sustentado.






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E a gorjeta, doutor?

Feliz Humor Novo!

Não importa quais os seus planos para o novo ano, não vou repetir o "Feliz Ano Novo" que você já recebeu de montão. O que desejo a você de verdade é um "Feliz Humor Novo". Porque se tudo aquilo que você planejou para o novo ano der errado, tem uma coisa que ainda pode dar certo: o humor.

Você não ri quando vê o Gordo levar uma torta do Magro na cara? Ou quando o Gato se arrebenta na hora de pegar o Rato? Oras, lembre-se do quanto você riu dos dois ladrões de "Esqueceram de mim"! E eles só se lascaram, não foi?

Entendeu agora por que desejo a você um "Feliz Humor Novo"? É porque o bom humor é algo que depende mais de você do que dos outros ou das circunstâncias. E é uma das coisas que mais influenciam os outros e faz com que gostem de você.

Se há uma coisa que me tira do sério são pessoas que saem do sério por qualquer coisa. E quando digo que saem do sério, não é por ficarem risonhas e divertidas, muito pelo contrário. Nessa nossa misteriosa língua portuguesa, na qual "pois não" quer dizer "sim" e "pois sim" quer dizer "não", sair do sério significa ficar mais sério ainda.

Sair do sério significa perder o senso de humor, que é outra palavra que pode significar mais de uma coisa. Além do humor ser a capacidade de rir da piada sem precisar que o outro explique, e um estado de espírito alternativo para encarar os reveses da vida, humor é também o nome dado a alguns fluidos secretados pelo corpo, como a bile.

Quer dizer que quando vem aquele gosto amargo na boca, isso é humor? Pois é, eu também não entendi. Mas até que faz sentido, se você pensar que existe também o mau humor, que está para o bom humor assim como o mau colesterol está para o bom colesterol.

Só que aí as coisas funcionam ao contrário. Geralmente o mau colesterol você ganha quando está de bom humor, depois de comer aquela bela picanha bem gorda e tirar uma soneca de três horas na rede. E o bom colesterol? Troque a picanha por um suco de alfafa e vá malhar durante três horas. Depois tente sorrir.

Mas, independente do que você come, o bom humor pode ter o papel de um bom colesterol. Pessoas bem humoradas são mais ativas, felizes e positivas. Atacam menos o fígado — delas e dos outros — e não precisam tomar antidepressivo. Pelo menos essa é minha opinião, mas se você discordar e achar minha teoria uma piada, então ria. Também vai funcionar.

Geralmente o humor exige uma vítima que nos faça sentir superiores. Sou palestrante e sei que o público mais difícil é aquele formado por pessoas muito sofisticadas, porque elas só riem se puderem se sentir superiores ou se acharem o palestrante um perfeito idiota. Nas minhas palestras elas sempre riem.

O humor ajuda em meu trabalho de escritor e palestrante por permitir criar situações que ajudam a assimilar a mensagem. Alguém já disse que fazer rir é uma excelente estratégia de ensino, por isso quando meus alunos estão rindo, eu aproveito as bocas abertas e enfio a informação diretamente em seus cérebros.

É fácil entender o poder do humor no aprendizado. Você seria capaz de repetir um texto que leu apenas uma vez há dez anos? Provavelmente não, a menos que seja uma piada. Você se lembra dela, inteirinha, do jeitinho que leu, não é mesmo? Então pode acrescentar ao seu dicionário mais um significado para a palavra humor: adesivo cerebral.

Sempre fiz uso do humor em minhas aulas. Às vezes eu brincava até enquanto os alunos faziam prova, para aliviar a tensão. Foi o que aconteceu um dia, quando eu disse brincando que os cientistas descobriram que o cabelo do topo de nossa cabeça arrepia quando a gente faz o que é proibido. Para minha surpresa vários alunos passaram a mão na cabeça.



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O Melhor Conselho Sobre Investimentos que eu Já Recebi
LIZ CLAMAN
Neste livro a autora reúne o que chamou de inestimável sabedoria financeira que encontrou em Warren Buffett, Jim Cramer, Suze Orman, Steve Forbes e dezenas de outros especialistas financeiros. E se eles, ou outros especialistas tão famosos quanto, lhe contassem seus maiores segredos de investimentos - os segredos restritos apenas aqueles que convivem em seus círculos de amizade? Pela primeira vez e com suas próprias palavras, os mais bem-sucedidos investidores e administradores resumiram suas estratégias de investimentos em pontos fundamentais, divulgando o que eles acreditam ser o conselho mais importante sobre investimentos que poderiam anunciar. O livro traz ainda depoimentos de brasileiros como Roberto Irineu Marinho, Mauricio Botelho, Roberto Setubal e Emílio Odebrecht.




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E a gorjeta, doutor?

Camoes, go home!

Esta pode ser a última vez que falo com você. Por que? Porque vai cair meu link. Nem Internet eu vou poder usar e ninguém mais vai ter endereço de e-mail. Eu não vou mandar e você não vai receber. Depois que o estrangeirismo virar contravenção, nem trabalhar eu vou poder.

E como poderia trabalhar com marketing? Meus clientes jamais iriam entender uma propaganda politicamente correta que anunciasse: "Fazemos planejamento de mercancia". Por falar nisso, vou correr fazer backup dos serviços que já fiz, porque daqui a alguns dias o backup não vai mais funcionar.

O projeto anti-estrangeirismo volta e meia volta. O autor é o deputado Aldo Rebelo do PCdoB, a quem eu gostaria de perguntar se "Partido Comunista" é mesmo do Brasil. Sabe o que vai acontecer? Nadinha. As pessoas vão continuar dizendo "Ok" porque é mais fácil do que dizer "Está bem".

Se os primeiros habitantes desta terra tivessem se protegido dos estrangeirismos eu estaria escrevendo em tupi, macro-jê ou num dialeto qualquer desses troncos lingüísticos nativos. Nada do português yankee que aportou aqui há meros 500 anos. Seríamos obrigados a devolver a língua de Camões, a qual Pero Vaz de Caminha usou para selar sua famosa carta.

Não existe idioma original. Tirando as línguas que surgiram na Convenção de Babel, todo idioma é uma colcha de retalhos emprestados, cortados, tingidos e costurados. O folklore que nossos avós falaram virou folclore, e nossos netos vão aprender na escola a conjugar os verbos deletar e zipar. Pode escrever, é assim que funciona. O estrangeirismo de hoje será o português de amanhã.

Idiomas são dinâmicos, impossíveis de serem mantidos intactos numa redoma. A verdade é que a palavra ou expressão que comunicar melhor uma idéia vai prevalecer, seja ela em português ou sânscrito. Não sei onde ouvi que existe uma lei que diz que a tendência dos sistemas complexos é ficarem mais simples. Não é a lei do Aldo Rebelo, é outra. Por isso hoje falamos "você" em lugar de "vossa mercê".

Quem traduz sabe que o inglês é um idioma mais curto. Uma tradução para o português ganha uns 10% a mais de letrinhas, e é por isso que as palavras inglesas mais enxutas acabam emplacando. E nem elas a gente perdoa. Quando o goal inglês desembarcou aqui nós o transformamos no gol português.

Se você for um náufrago numa ilha deserta e tiver cocos para escrever apenas três letras na praia, o que vai escrever, SOC ou SOS? Não, "SOS" não é abreviatura de "Sou O Sobrevivente", mas de "Save Our Souls". O idioma não é um fim em si mesmo, mas uma ferramenta à disposição da comunicação. Peças conservadas em museus são belas, mas nada práticas.

Mas, se mesmo assim a tal lei pegar, o jeito é correr tirar xerox de todos os seus documentos. Depois o garoto da copiadora não vai entender se você pedir cópias reprográficas. É provável ainda que as cópias voltem a ser à mão, pois as copiadoras eletrônicas deixarão de funcionar quando proibirem o chip e o software.

Sorte de quem acabou de fazer um leasing, porque não vai precisar mais pagar, e o call center não vai ligar cobrando porque também não vai existir. Azar de quem recebe hollerith ou comprou um fax, porque não vai funcionar. Máquinas fotográficas? De agora em diante virão sem zoom e sem flash, mas no camelô talvez encontre alguma feita no Paraguai já legalizada, com zum e fléche. Os computadores virão sem modem e vamos voltar a usar calça social. Nada de jeans.

Mas não pense que isso é implicação do governo só com a língua inglesa. Não é. Acabou a happy hour em restaurante de sushi. E nem pense em pizza como opção, porque não vai ter. Não me pergunte como as coisas vão acabar em Brasília. O bom é que agora a gente vai se livrar dos cantores de karaokê, mas também acabou o banho de ofurô.

Bem, pode ser que permitam aportuguesar as palavras, como já fizemos com o sanduíche. Mas não sei se quem gosta de rock vai trocar por roque, pop por pópi e hip-hop por ripirrópi. Ou se os saudosistas aceitarão traduzir big band para banda grande, fox-trot para trote de raposa e querer ouvir "Os Besouros" e "As Pedras Rolantes" em seu iPod. Xi! iPod pode? Talvez o reencontro do "Dirigível Conduzido" nem venha para o Brasil. Estão suspensos todos os shows.

As mulheres também serão grandes prejudicadas. Ficará difícil encontrar blush, rímmel, shampoo, ou laqué spray. E ninguém mais vai usar soutien ou bikini, nem vestir tailleur ou prêt-à-porter. As mais medrosas vão evitar o computador nacional com medo do rato, e aquela receita de strogonoff da sogra vai virar picadinho. Sem champignon, nem sobremesa com chantilly.

Os deputados que aprovaram a tal lei provavelmente não mediram suas conseqüências. Quem viaja a Brasília sabe que os vôos mais cheios são os que chegam lá nas terças e os que saem de lá nas quintas. Se já leva esse tempão para visitarem suas bases, agora as excelências vão demorar ainda mais, pois serão obrigadas a ir de carro. Ninguém vai conseguir fazer check-in.

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1001 (Mil e Um) Estrangeirismos
JOSE DE NICOLA, ERNANI TERRA e LORENA MENON
Com o sucesso de 1001 Dúvidas de Português, os autores Ernani Terra e José De Nicola, que há mais de vinte anos lecionam e publicam diversas obras voltadas ao ensino da língua portuguesa, se juntaram à autora Lorena Menón, todos estudiosos do universo lingüístico, para selecionar 1001 estrangeirismos de uso cotidiano no Brasil que consideram os mais recorrentes na língua portuguesa.
Os estrangeirismos sempre estiveram presentes na língua portuguesa. A maior ou menor intensidade da presença estrangeira na língua vernácula vincula-se a diferentes influências, sejam econômicas, tecnológicas ou culturais. Esses termos ou expressões se incorporam à realidade lingüística sem a menor cerimônia, nos mais diversos espaços: da ciência, da tecnologia, da diplomacia, dos esportes, da culinária, da moda, etc. Muitos desses estrangeirismos passam a integrar a língua que se aprende em casa, na rua, no trabalho. Língua falada, língua viva. Outros, simplesmente passam: não vão além da efemeridade do modismo.
Neste livro, os autores apresentam 1001 verbetes, em ordem alfabética, que acabam por remeter a cerca de 3000 termos e expressões corriqueiros nas mais variadas situações de nosso cotidiano: de expressões latinas tradicionais no campo jurídico aos termos mais recentes da Era da internet.





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E a gorjeta, doutor?

iPod compulsorio

Esta noite quase não dormi. Cinco vezes na madrugada fui acordado por uma Saveiro preta, placa... hummm... deixa pra lá... com uma caçamba cheia de alto-falantes atrás e uma cabeça vazia ao volante. Era mais um iPod gigante e compulsório, fazendo os moradores do bairro correrem velozes e furiosos fechar suas janelas.

Além de acordar o quarteirão, o iPodmóvel acordava também os alarmes dos carros, o que ampliava o ruído já insanamente amplificado. Será que a criança não tinha fones de ouvido? Hummm... talvez não tenha encontrado um para o tamanho de sua cabeça. No catálogo da Barbie, talvez...

Quando falta atenção, talento ou capacidade, o caminho mais curto é comprar algo que supra essa carência. Governos criam impostos compulsórios para compensar a má versação dos impostos convencionais - alguém aí falou em CPMF? Serial-killers compram armas para matar compulsoriamente quem não quer morrer. Crianças se debatem no chão e, depois que crescem, compram Saveiros para transformá-las em iPods compulsórios e chamar atenção.

Mas o que é mesmo compulsório? Meu "Orélho", versão informal do outro, diz que "compulsório é tudo aquilo que é socado garganta adentro", como se faz com aguardente em peru de Natal e ração em ganso de "foie gras", aquele fígado doente e cirrótico de passar no pão.

Há também os mercados fechados e compulsórios para proteger a falta de competitividade ou vender inutilidades. Eu ainda tenho um kit de primeiros socorros em meu carro, e você? E existem até sociedades reservadas, para garantir a sobrevivência da incompetência, tipo eu só compro de você e você só compra de mim.

O problema do compulsório é que é transitório, nunca dá resultado, e só agrada alguns poucos, no meu caso, só um: o "DJ de Saveiro" carente de platéia.

Você se lembra da reserva compulsória do mercado de informática no Brasil? Enquanto outros países importavam e recebiam transferência de tecnologia para criar uma base industrial, aqui o contrabando e a maquiagem "nacional" corriam soltos. Você deve se lembrar, foi no tempo em que nossas carroças eram protegidas da ameaça dos automóveis importados.

O fenômeno que hoje se chama China só ocorreu porque os chineses decidiram abrir os olhos e uma fresta no isolamento, que tinha por pretexto proteger seu mercado, seu comunismo e sua sociedade. Outros países da Ásia vieram atrás, e agora até o Vietnã desponta como segundo produtor mundial de café, deixando o café brasileiro mais amargo de se comprar, um problemão para mim, que hoje devo tomar umas dez xícaras para trabalhar. É que o baixo custo vietnamita puxou os preços globais para o seu terreiro.

Mas nenhuma abertura nas reservas, barreiras e fronteiras sacudiu tanto o mundo quanto a União Européia. Não foi fácil. Ou era o Pierre querendo proteger seus queijos e vinhos, ou o Giovanni endurecendo na hora de abrir mão do grano duro, ou o Fritz se recusando a engolir qualquer cerveja que não fosse fabricada segundo a receita compulsória alemã: água, lúpulo, malte, fermento e só.

Agora que a casa caiu nos EUA, a Europa ficou ainda mais forte e sua moeda promete substituir a hegemonia do dólar no mercado mundial. Barreiras visíveis desaparecem, algumas mudam de mãos, mas outras invisíveis são levantadas. Hoje a Europa já manda na indústria norte-americana, que fabrica segundo as normas européias, mais rígidas, para poder vender na União Européia sem precisar fabricar duas vezes, uma para lá, outra para cá.

Eu me lembro de ter levado bronca na Europa por causa da rigidez de suas leis. Uma, por só ter reduzido a marcha, sem parar, em uma esquina de duas estradinhas com visibilidade de quilômetros. Lá as placas "PARE" são feitas para você parar. Outra, por ter buzinado na Inglaterra, algo que você não faz nem que a rainha corra o risco de ser atropelada. Lá a lei do silêncio é rigorosa.

Espero sinceramente que essa lei um dia chegue aqui para eu poder dormir. Se não chegar e continuar aceitável que qualquer um produza seu som compulsório nas madrugadas, até eu vou aderir. Não, eu não pretendo comprar uma Saveiro "tunada" e nem perder meu tempo zanzando por aí de madrugada. Vou "tunar" a sacada de meu apartamento: iluminar com neon, regar as plantas com nitro e enchê-la de alto-falantes ligados a um microfone em meu criado-mudo. O som? Nem rock, nem axé, nem hip-hop. Eu ronco!


http://www.youtube.com/watch?v=R9AQPwcKeRo

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The Natural Step: a História de uma Revolução Silenciosa
KARL-HENRIK ROBERT


The Natural Step é o impressionante relato de uma revolução silenciosa, iniciada na Suécia e hoje espalhando-se pelo mundo todo. É uma revolução que influenciou inúmeras pessoas, governos, universidades e empresas no sentido de levarem a sério o destino da Terra e as suas atividades. Para o universo corporativo especialmente, o assunto também tem a ver com as novas condições para ser bem-sucedido no mercado do século XXI, em que a sustentabilidade social e ecológica rapidamente dita as regras do jogo. Esta é a história de uma nova maneira de ver as coisas, uma maneira mais eficaz de dialogar para chegar a um mundo sustentável, e do homem que está por trás de uma das mais promissoras organizações dos nossos tempos.



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E a gorjeta, doutor?

Velho e bom atendimento

O PROCON na Babilônia tratava com rigor os oftalmologistas que falhassem no atendimento ao cliente. Aparentemente o código de defesa do consumidor vigente lá não era na base do "olho por olho", e sim do "olho por mão". 

"Se um médico trata alguém de uma grave ferida com a lanceta de bronze e o mata ou lhe abre uma incisão com a lanceta de bronze e o olho fica perdido, se lhe deverão cortar as mãos", escreveu Hamurabi há 3.700 anos.

Todo oftalmologista sabe que não deve cobrar o olho da cara, pois na melhor das hipóteses só ganhará duas vezes. O deus nórdico Odin foi quem inventou a expressão, ao pagar um olho por um gole de sabedoria do poço de Mimir. A partir daí ele passou a perguntar de antemão o preço das consultas.

Mas o que nem todo oftalmologista sabe é que talvez precise procurar uma fonoaudióloga. Você sabia que o tom de voz de um cirurgião durante as consultas de rotina pode determinar se ele será processado ou não em caso de erro médico? Esta é a conclusão de um estudo denominado "Surgeons' tone of voice: A clue to malpractice history", publicado em 2002 na revista "Surgery".

E não é só a entonação que pode entornar um atendimento. Ao ministrar um treinamento para profissionais de saúde descobri que havia quase um consenso entre os participantes daquilo que gostamos e odiamos em um atendimento ao cliente. A coisa é tão antiga que até Hamurabi já sabia.

A genial crônica de Max Gehringer em um de seus programas na Rádio CBN revela que muita novidade tem milênios de idade. Max começa dando dicas supostamente de um guru moderno e termina revelando que elas foram tiradas do livro de Eclesiastes, na Bíblia. O mesmo que diz que "o que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: 'Veja! Isto é novo!'? Não! Já existiu há muito tempo; bem antes da nossa época" (Ec 1:9, 10).

Até o iPad? Sim, mesmo o iPad. Quero dizer, pelo menos o conceito do tablete já era usado na antiga Babilônia. A diferença é que os tabletes de então eram de argila, a escrita era cuneiforme e para salvar o que escreveu você precisava levar ao forno. Mas não precisava de bateria. O que Steve Jobs fez foi transformar isso numa experiência moderna de satisfação.

Hoje, sem saber que eu viajaria no tempo, decidi pesquisar um bom filtro de água para minha cozinha. Fui parar no www.metaefficient.com, um site que se intitula "Guia Para Coisas Altamente Eficientes". Seus autores fazem testes para determinar os produtos mais eficientes em termos de energia, toxidez, custo-benefício e durabilidade.

Qual você acha que foi o filtro eficiente que o site sugeriu? Um filtro de argila da marca "Stefani" fabricado no Brasil.

Fui excepcionalmente atendido numa loja onde fui comprar o filtro. Em questão de segundos a vendedora digitou meus dados, emitiu o pedido e indicou para eu pagar no caixa. Enquanto ela me atendia, os outros vendedores pareciam passar em câmera lenta. Mas depois de um bom atendimento veio o gargalo no pagamento para mostrar que não basta um elo ser eficiente. O que importa é toda a corrente.

Havia duas filas. A fila que tinha só uma senhora aguardando era para aposentados e gestantes, e a senhora estava mais para a primeira categoria do que para a segunda, enquanto eu não me qualificava em nenhuma delas. Só me restava pegar a outra fila. Num sincronismo perfeito, um dos cantores da dupla "Victor e Léo" - não me pergunte qual - que cantava em um mega-show na TV de 42 polegadas ao lado, adivinhou meus pensamentos.

O Victor - ou o Léo, não me pergunte - fez uma pausa e, olhando para a platéia, exclamou: "Nossa! Quanta gente!" Parecia até que ele podia enxergar a fila que eu estava para pegar.

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Uma luta pela vida
Lia Persona


Em uma "Luta pela Vida" Lia Persona compartilha suas emoções e memórias como irmã e enfermeira de seu irmão adotivo portador de paralisia cerebral. A autora intercala seu passado com seu presente; história com realidade; a luta de seu irmão pela vida, com a luta de seus pacientes por suas vidas.

Concorrendo com mais de 650 obras inscritas, esse romance baseado em fatos reais, foi vencedor do Concurso Literário Anjos de Branco e escolhido por uma comissão formada pelos escritores Antonio Olinto, José Louzeiro e Arnaldo Niskier da Academia Brasileira de Letras. A primeira edição de "Uma Luta pela Vida" foi publicada como parte da Coleção Anjos de Branco que inclui os autores Antonio Olinto, José Louzeiro, Helena Parente Cunha, Carlos Nejar, Arnaldo Niskier, Marcos Santarrita, Patch Adams e Maureen Mylander.
Lia persona é enfermeira formada pela Unicamp e atualmente reside com seu marido e seu filho nos Estados Unidos.
Editoras: Clube de Autores, Createspace e AGBook
Ano: 2010
Edição: 2
Número de páginas: 220
Acabamento: Brochura
Formato: Médio




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E a gorjeta, doutor?

Meu carro sumiu!

Não ligo para carro, não leio revista especializada e não sou apaixonado pelo meu. É claro que ele facilita minha vida e passo horas sentado ali, mas seria isso motivo para paixão? Meu vaso sanitário também facilita minha vida, passo horas sentado ali, e até gosto de ler quando estou nele. Mas não revistas sobre privadas.

Eu achava que esse desinteresse por carros fosse coisa só minha, mas tem mais gente assim. Há alguns meses, na busca por um carro novo, o vendedor de uma concessionária ficou surpreso quando não me interessei em fazer um test-drive. Tinha rodas, portanto devia andar. Dispensei até a abertura do capô. Eu tinha certeza que o motor estava lá. Tem gente que pede para abrir, mas se colocarem ali um aspirador de pó a maioria não vai notar a diferença.

O vendedor contou que profissionais de criação, publicitários e artistas são assim, costumam não ligar para motor, câmbio, transmissão... Concentram-se no projeto, na funcionalidade e no conjunto estético da obra. Bem, o vendedor não falou bonito assim, eu inventei. Mas foi o que ele quis dizer.

Fazia sentido, pois saí dali sem comprar aquele modelo por falha no projeto. Os retrovisores externos eram grandes e fixos. Não escamoteavam, só quebravam, e no planeta onde habito há uma espécie chamada motoboy.

Apesar de não ligar para carro, meu coração disparou quando o manobrista do hotel anunciou com cara de espanto: 

- Senhor, seu carro sumiu! 

Escutar isso a 300 quilômetros de casa não é o que um cliente espera. No meu caso, nem tanto pelo carro, mas pelo tempo que iria perder com polícia, seguradora e acidez estomacal. As recepcionistas me encaravam petrificadas. Pareciam esperar pela minha explosão, como é normal quando o hotel deixa roubarem seu carro.

Resisti. Sou do tipo que acredita que tudo tem uma razão de ser. Estaria eu sendo poupado de algum acidente? Seria aquilo para eu aprender a ser paciente? Ou só para ter assunto para esta crônica? Não sei.
Também resisti à tentação de comentar o problema com as pessoas ao redor, como muitos adoram fazer. Já passou por isso? O cara se vira para você na fila e repete tudo o que você ouviu ele dizer para a balconista. Ele espera que você faça cara de simpatizante, como se isso fosse resolver alguma coisa.

Isso acontece no intervalo, quando a balconista desaparece dizendo que vai chamar a pessoa responsável. Pura técnica para esvaziar fígados. O cara vai contar a mesma história duzentas vezes, e cada balconista vai chamar outra até ele ficar afônico.

Por isso aguardei em silêncio. Teria o meu carro sido roubado na frente do hotel na noite anterior? Era possível. Cheguei tarde e entreguei a chave no balcão. Ou foi surrupiado da garagem? Era o que tentavam descobrir, mas erraram ao me envolver na busca.

O cliente não precisa saber o que acontece nos bastidores. Já pensou um restaurante com transmissão direta da cozinha? "Senhora, neste momento estamos lavando a alface de sua salada. Já providenciamos a remoção das lesmas e lagartas. A salada aguarda apenas o Zezinho voltar do banheiro para ser montada..." 

Em minhas palestras, me tranqüiliza saber que o público não conhece os detalhes de minha apresentação. Portanto nunca vai saber se eu esqueci de dizer algo, se o tempo não deu para falar tudo, ou se vesti a cueca no avesso. Eles não sabem, eu não digo.

Bastidores são lugares reservados para os problemas. O cliente jamais deve ser levado ali. O que importa é o que acontece no palco. E no palco eu era interrogado mais uma vez: 

- Marca do carro? 
- Peugeot.
- Cor?
- Prata 

- Placa? 
- Cinza com letras pretas.

Achando que aquilo seria a solução para o problema, o manobrista levou-me até a garagem para que eu não visse o carro com meus próprios olhos.

Realmente não estava lá, mas não precisava ter me levado. Como também não precisava dizer que meu carro tinha sumido. O atendimento devia guardar silêncio sobre o problema até serem esgotadas todas as possibilidades de solução.

Mais tarde, enquanto dirigia meu carro de volta para casa, fiquei ponderando sobre o assunto. O silêncio é uma ferramenta poderosa. No atendimento pode evitar entornar o caldo que ainda não está no ponto. Na oratória ele é usado na forma de pausas para realçar o que está sendo dito. Numa crônica como esta, cria um suspense e deixa o leitor morrendo de vontade de saber onde estava meu carro.


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O Excepcional Atendimento ao Cliente
LISA FORD, DAVID MCNAIR, BILL PERRY


O livro O Excepcional Atendimento ao Cliente é ferramenta essencial para profissionais que desejem criar um serviço de atendimento que realmente exceda as expectativas dos clientes. Combinando a vasta experiência acumulada, os autores do livro ajudarão os leitores a proporcionar o melhor serviço de atendimento aos clientes de suas organizações. Ao ler o livro O Excepcional Atendimento ao Cliente os leitores saberão como:
. construir uma forte equipe de atendimento
. utilizar a tecnologia para melhorar o atendimento aos clientes
. realizar planejamento eficaz
. buscar o feedback dos clientes
. lidar com clientes exigentes
. recuperar clientes desapontados
. abordar assuntos delicados com o cliente
. realizar atendimento telefônico eficaz
. manter canais de comunicação com os clientes
. tornar-se bom ouvinte
. superar as expectativas dos clientes
. transmitir as primeiras e as últimas impressões positivas aos clientes
. manter atitudes positivas durante todo o dia
. usar palavras adequadas para cobrir falhas do sistema de atendimento
. medir a satisfação dos clientes
. capacitar profissionais para tomarem decisões imediatas
. recrutar e contratar atendentes
. treinar os profissionais de atendimento

Trata-se de avançado e completo guia, contendo dezenas de casos, situações de atendimento, depoimentos, dados estatísticos sobre atendimento a clientes, além de exercícios individuais e em grupo, que farão a sua empresa exceder no serviço de atendimento aos clientes.



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E a gorjeta, doutor?

Ingratidao

A cena ontem era de cortar o coração. Era meia-noite e chovia. Encolhida, dormindo no parapeito do terraço de meu apartamento, havia uma pombinha. A princípio fiquei preocupado. Teria sido o seu vôo também cancelado?

Mas logo pensei no pior e imediatamente rabisquei num quadro mental as probabilidades de contágio:

Gripe aviária, dermatite, criptococose, histoplasmose, ornitose, salmonelose... Estava a ponto de enxotá-la, mas, como não sou o Dr. House, apaguei o quadro mental e decidi deixá-la dormir em paz.

Receber guarida na noite fria e chuvosa do desemprego é uma experiência que ninguém esquece. Ou não deveria esquecer. Mas para alguns é fácil esquecer as portas em que bateu ou levou, as solas que gastou e os currículos que enviou. São pessoas que, uma vez abrigadas num novo emprego, se despem da gratidão e passam a cuspir no chão.

Uma coisa eu aprendi com minha mãe: nunca cuspa no prato em que você comeu, e muito menos naquele onde ainda está comendo. Ser grato pela empresa que lhe deu guarida é uma atitude extremamente louvável.

Ah, sim, você pode até argumentar que a empresa não lhe fez nenhum favor, que os empresários exploram os empregados, que o capitalismo é vil, e blá-blá-blá. Tudo bem, então deixe a barba crescer e vá morar em Cuba.

Ou vire empreendedor se quiser chegar a patrão. Hmmmm.... mas você já deve saber que reclamar de quem empreende é sempre mais fácil do que empreender, não é mesmo? Tive um chefe que sabiamente lembrava os descontentes da equipe que "a porta da rua é a serventia da casa".
Mas bem que naquela noite fria e chuvosa do desemprego você estava disposto a qualquer coisa para conseguir comprar o leite das crianças, não é mesmo?

Meu pai trabalhou a vida toda em um banco e minha mãe nos ensinava -- a mim e às minhas irmãs -- que devíamos ser gratos por isso. Tínhamos casa para morar, carro para viajar, empréstimos para saldar e muitos outros benefícios.

Depois de crescidos, todos nós abrimos conta no mesmo banco como forma de ajudar a empresa. Ok, pode rir à vontade, mas se minha mãe ainda estivesse aqui você ia escutar. Ah, e como!

Não gosto de gente que fala mal da empresa onde trabalha, dentro ou fora dela. Um dia um aluno perguntou se eu sabia de um emprego, pois disse que a empresa onde trabalhava estava uma droga. Respondi que não poderia indicá-lo, pois como eu iria saber se a empresa não tinha ficado uma droga depois de ele entrar lá? Ele captou a mensagem.

Já passei pela experiência de procurar emprego, de achar emprego e de perder emprego. Hoje já não preciso me preocupar em procurar ou perder, pois trabalho para mim mesmo. Mas -- que isto fique apenas entre eu e você -- já faltou isso aqui para eu colocar a mim mesmo no olho da rua. Sim, e não foi uma vez, foram várias! Não é fácil ter alguém como eu trabalhando para mim.

Mas, embora eu não precise de emprego, preciso de clientes, e é por isso que sou grato a Deus por cada um deles. Torço por sua prosperidade, aplaudo seus sucessos e até compro seus produtos. Há anos só compro café solúvel da empresa que um dia contratou meus serviços. Se o café é bom? Oras, é o melhor que existe! Foi minha mãe quem me ensinou a fazer assim.

Ela dizia para eu procurar deixar sempre boas lembranças por onde eu passasse. Descobri depois que isso fazia parte da sabedoria militar das antigas guerras: "Nunca destrua as pontes; você pode precisar voltar por elas".

Talvez seja por isso que também já senti o gostinho de ser chamado de volta a uma empresa da qual tinha pedido demissão, e não foi por eu ter me esquecido de dar a descarga. Sou grato a todas as empresas por onde passei e aos clientes que atendi e continuo atendendo, e você deve fazer o mesmo.

Evite a todo custo um sentimento de ingratidão. Criaturas ingratas deixam atrás de si um rastro de maus fluídos, e não estou falando no sentido esotérico da palavra. Estou simplesmente me referindo ao que encontrei hoje de manhã no parapeito de meu terraço. Pomba ingrata!


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Pergunte ao Max
MAX GEHRINGER


O livro Pergunte ao Max - Max Gehringer responde a 164 dúvidas sobre carreira, lançado pela Editora Globo, apresenta uma compilação dos melhores textos publicados pelo colunista - no mesmo formato de "pergunta-e-resposta" consagrado em Época e acompanhados de um tão divertido quanto oportuno Dicionário Atualizado de Carreira.
Com a objetividade de sempre, e o humor mais afiado do que nunca, Gehringer nos oferece sua visão de observador atento (e por vezes crítico inclemente) do dia-a-dia no lado de dentro dos portões das empresas. Conhecimento de causa não lhe falta: de office-boy a presidente, o autor passou por todos os degraus da escala hierárquica corporativa, vivência da qual freqüentemente extrai casos para ilustrar suas argumentações.
Comunicador nato, Gehringer produz textos em que o didatismo, a a graça e o uso de referências inusitadas se completam, ampliando a clareza e a eficiência da mensagem. Por exemplo, ao explicar as diferenças entre os termos coaching, counselling e mentoring (todos em voga no jargão das empresas), o consultor recorre à origem das palavras, cita Homero, Aristóteles, filmes de bangue-bangue e até O Poderoso Chefão - e cumpre sua tarefa com brilho. Impagável é a interpretação de Gehringer para o termo "noções de inglês", tão utilizado por candidatos a um emprego: "Para quem avalia um currículo, ´noções de inglês´ significa ´preciso aprender inglês´", dispara o consultor, na resposta a uma leitora insegura quanto a seus conhecimentos em língua estrangeira.
Além de escrever para a imprensa, Gehringer é comentarista da Rádio CBN e, desde abril, apresenta o quadro "Emprego de A a Z", a bordo do programa dominical Fantástico, por meio do qual tem disseminado a consultoria de carreira para todos os públicos, em todo o país. Autor de vários títulos (entre eles, O Melhor de Max Gehringer na CBN, também da Editora Globo), o consultor reúne em sua mais nova obra tudo o que você sempre quis saber sobre emprego e carreira, mas não tinha a quem perguntar.



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E a gorjeta, doutor?

Operacao "Persona"

Entro em um site de notícias e lá diz que a "Operação Persona" da Polícia Federal prendeu gente de montão. Imagine o susto deste homônimo, que mora em Limeira, ao ler ainda que tinha laranjas envolvidos na história! Eu, hein? Prisão eu prefiro a de ventre.

Não sei no que isso vai dar, mas ao contrário do que acontecia no passado, hoje nem sempre o nome ou a posição livram a cara do cidadão. No meu tempo de menino bastava um "Você sabe com quem está falando?" para o assunto morrer ali. O nome resolvia a parada.

Todavia, em marketing o nome ainda resolve, e as marcas que o digam. O nome de um produto, marca ou até operação precisa ser muito bem pensado para evitar confusão. Minha empresa tem meu nome, mas poderia não ter se eu fosse o fundador da Toyota. É que Sakichi Toyoda achou melhor trocar o "d" pelo "t" antes de virar carro. Sim, uma letra faz a diferença. Uma garçonete nos EUA está processando o bar que prometeu dar um Toyota para quem vendesse mais. Ela vendeu e descobriu que foi enganada. O prêmio era um "toy Yoda", uma miniatura do Mestre Yoda de "Star Wars".



Às vezes pode ser importante manter o nome do fundador, mesmo que isso exija um esforço extra para ensinar aos consumidores a pronúncia correta. O "Café Kühl", tradicional marca que costumo comprar em minha cidade, fez assim. No passado a empresa imprimia, sob o nome da marca, a frase "Diga Kil".

Quando explicar não resolve, a empresa pode até decidir não lançar o produto. Na década de 70 o Ford Pinto, que quer dizer "cavalo malhado" nos EUA, deixou de vir para o Brasil por motivos óbvios. Mandaram para cá o Maverick, o "cavalo rebelde".

Se você quiser uma Mitsubishi "Pajero" em alguns países de língua hispânica, terá de se contentar com uma Mitsubishi "Montero". A empresa achou melhor se livrar da palavra pajero que na gíria de alguns desses países significa masturbador. Pela mesma razão o Buick "Lacrosse" virou "Allure" quando foi para o Canadá, e demorou para alguns motoristas brasileiros pararem de levar a mal quando alguém anunciava que a "Besta" estava chegando. Nomes podem confundir.

Há também marcas que ajudam no sucesso de uma empresa ou produto. Você provavelmente nem olharia para um Walkman da marca "Tokyo Telecommunications Engineering Corporation", mas compraria um da marca "Sony", o nome moderno da empresa.

A marca também pode fazer a empresa decolar ou não. A Kiwi Airlines foi à falência dois anos depois de sair do ovo. Quase não deu tempo de seus aviões levantarem poeira, no máximo um cisco. Alguém poderá dizer que o problema foi de má administração, mas eu não botaria fé em uma companhia aérea com o nome de um pássaro que voa tanto quanto o fruto homônimo. Ou seja, do galho ao chão.

Dependendo da atividade, até pessoas precisam mudar de nome para fazer sucesso. Você se arriscaria na carreira de cantora se fosse uma garota portuguesa chamada Maria Antonia Sampaio Rosa? Se cantasse bem, talvez pudesse emplacar alguns fados numa obscura cantina de Lisboa, mas jamais conquistaria milhões de ouvintes como Mia Rose conquistou.

Isso mesmo, é a própria Maria Antonia, uma garota de 18 anos, dona do segundo canal mais assinado do YouTube e um dos 25 mais vistos: 27 milhões de exposições. A menina nasceu com talento, mas sem um bom nome, o que é fácil de resolver. O contrário é que não. Como fez Maria Antonia, é comum artistas assumirem literalmente uma segunda persona, ainda que seja só no nome. 

Você perderia tempo de ir ao cinema para assistir um filme com Allen Konigsberg, Archibald Leech, Cherilyn Shakisian, Tom Mapother, Bernie Schwartz, Margaret Hyra, Frances Gumm, Issur Danielovitch e Maurice Micklewhite? Provavelmente não.

Mas para assistir uma superprodução reunindo Woody Allen, Gary Grant, Cher, Tom Cruise, Tony Curtis, Meg Ryan, Judy Garland, Kirk Douglas e Michael Caine você certamente compraria ingresso antecipado.





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Idéias que Colam: por que Algumas Idéias Pegam e Outras Não
CHIP HEATH e DAN HEATH


Todo mundo tem idéias a transmitir. De CEOs de grande empresas a mães que se dedicam à educação de seus filhos: um novo produto a ser lançado no mercado ou valores que está tentando ensinar a seus filhos. Mas é extremamente difícil influenciar e transformar a forma de agir e pensar das pessoas. Mas o que faz com que algumas idéias "peguem" e outras não? Como aumentar as chances de ter idéias que valem a pena? Neste livro os renomados educadores, Chip e Dan Heath, abordam questões intrigantes sobre o que faz uma idéia repercutir e, além disso, permanecer no imaginário das pessoas. Provocativo, esclarecedor e surpreendentemente engraçado, este livro mostra os princípios essenciais de idéias vencedoras.





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E a gorjeta, doutor?

Leu o livro? Vi.

Assim como o disco há muito não gira na vitrola, o livro convencional pode virar página virada. No atual andar da carruagem eletrônica, logo deixaremos de ler em papel para ler e-papel. Mas não se preocupe. O livro impresso, que você gosta de tocar, folhear e cheirar, continuará existindo. Como aconteceu com o disco de vinil.

Ele continuou girando mesmo depois da invenção da fita cassete. E esta ainda girou um bocado com o CD ao lado. Agora o CD convive com os iPods e iPobres de MP3. Exceto no meu carro. Troquei o tocador de CDs por um tocador de cartões de memória.

No Natal de 2009 o e-reader Kindle foi o presente mais presenteado do site da Amazon. No mesmo período a empresa vendeu mais e-books para serem lidos no mesmo Kindle, do que livros impressos no mesmo papel. A coisa está mudando mesmo.

Talvez você não esteja entre os mais saudosistas, que gostam de cheirar cola, tinta e papel. Seu argumento é mais racional, tipo "o Kindle é caro". Sim, ele custa hoje nos EUA o mesmo que uns 25 livros de papel, e a Amazon vende o livro digital por quase o preço do impresso.

Mas, apesar de eu e você não sabermos ler o chinês, o chinês sabe ler essa tendência e não vai demorar para você encontrar um e-reader na caixa de sucrilhos. De graça, contanto que você não se importe de ter uma animação do personagem da marca virando a página para você.

O e-reader tem um imenso potencial como plataforma promocional. Os e-books poderão ser baixados a preço irrisório ou até de graça, patrocinados por alguma marca. É claro que entre um capítulo e outro o fabricante irá inserir um comercial em texto, áudio ou vídeo.

Quer mais? Que tal ler um romance ambientado na Itália enquanto escuta o Andrea Bocelli? Já pensou se a página que descreve os apaixonados na praia vier com som de ondas e gaivotas? O autor poderia economizar toda a tinta que gasta para descrever os sons de cada cenário.

Agora aguente, pois quando começo a viajar na maionese, tentar me impedir é debalde. Feche os olhos e deixe que o e-reader leia para você na voz de seu artista predileto. O futuro do livro é voltar à sua essência de contador de histórias. Aperte o botão "Fast-Forward" e seu e-reader do futuro irá interpretar o texto como o seu cérebro hoje faz.

Quando você pensa no livro que leu, não é do texto que você se lembra, mas das imagens e sensações que o seu cérebro criou em sua tela mental. Acaso não é a mesma coisa que o seu videogame faz? Ele lê um texto - a linguagem de programação - e cria as cenas. O e-reader de amanhã transformará um mero texto em uma história visual tão realista quanto "Avatar".

Impossível? Não creio. O problema é que avaliamos as coisas por nossos paradigmas atuais. As novas gerações podem pensar de um modo muito diferente. Imagine a Dona Escolástica, com as mãos ressecadas de giz, tentando ler para seus alunos no Kindle que ganhou do bisneto. 

- Péssimo! - comenta ela. - Muito pior do que o livro impresso! 

Aí o aluno todo emo, que nunca leu um livro impresso na vida, lê algumas linhas através de uma fresta de seu cabelo, e exclama:

- Meu! Que maneiro! Muito melhor que a tela de meu notebook! 

A velha geração compara com o papel, a nova com a tela. O que é interessante para a Dona Escolástica pode não interessar meu neto de dois anos, e vice-versa.

Outro dia, em um zoológico dos EUA, o garoto esteve frente a frente com dois ursos enormes. Apenas alguns milímetros de vidro à prova de balas separavam a criança das garras dos animais, em um ambiente que custou milhares de dólares para entreter grandes e pequenos.

Ao contrário dos adultos, meu neto ficou o tempo todo olhando para um ventilador que girava preguiçosamente no teto do lugar.


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E a gorjeta, doutor?

Little Brother is Watching You!

Quando Eric Arthur Blair, que nunca foi primeiro ministro, escreveu "1984" sob o pseudônimo de George Orwell, ele não imaginou que o "Big Brother" acabaria virando reality show.

No livro, o bordão "Big Brother is Watching You" oprimia o povo através das onipresentes teletelas bidirecionais do regime totalitário. Em 1949, quando o livro saiu, a TV já existia, mas a ideia de vir com câmera era novidade e causava pavor. Hoje ficaríamos apavorados por saber que ela vinha sem controle remoto.

Se você me perguntar se tenho medo de um regime totalitário vigiando seus cidadãos, minha resposta é não. O que me apavora é um regime totalitário cujos cidadãos vigiem uns aos outros. Se George tivesse conhecido a Internet, a frase do terror teria sido “Little Brother is Watching You!”.

Governos totalitários surgem com o apoio do povo. Foi assim com Stalin, Hitler, Mussolini, Salazar, Tito, Saddam, Fidel... Enquanto o povo estiver unido, o ditador jamais será vencido. O ditador é apenas a personificação de anseios coletivos.

Quando o Rei Davi cometeu um pecado e Deus deixou que ele escolhesse seu castigo, sua resposta foi: “Prefiro cair nas mãos do Senhor, pois é grande a sua misericórdia, e não nas mãos dos homens. O povo é sempre mais implacável. 

Na mesma Bíblia o profeta Daniel sonha com uma estátua de diferentes metais. Do mais macio ao mais resistente - ouro, prata, bronze e ferro - eles representam sucessivamente cinco reinos históricos. O quinto, e mais terrível, é uma mistura de ferro e barro - poder e humanidade. 

A Internet deu poder ao povo, que agora está equipado para massacrar. Se você duvida, veja o que aconteceu com Boris Casoy. Na última noite do ano ele fez um comentário ofensivo aos garis em "off", sem saber que estava em "on". Horas depois o vídeo batia recordes de audiência no Youtube, enquanto milhares de blogs preparavam a corda para o âncora do telejornal. 

Ninguém nunca pensou em boicotar o programa do Chaves ou pedir a demissão do Kiko por gritar “Gentalha! Gentalha!”. Mas com o Boris é diferente. Ele não é um mero apresentador de telejornal. Ele é um juiz da notícia, armado do bordão "Isto é uma vergonha!". No gramado há 22 jogadores que cometem toda sorte de erros, mas é a cabeça do juiz que o povo quer.

Há um certo prazer ao flagrarmos um delito, pois isso oblitera nossas próprias faltas. Quando esse prazer vem em uníssono ocorre o linchamento, que tanto pode ser de uma estudante de saia curta, como de um jornalista numa saia justa. É o efeito "estouro da boiada", conhecido até dos investidores. Empresas inteiras já foram linchadas assim.

Em um mundo de 6 bilhões de "Little Brothers", sem nenhuma ideia na cabeça e com uma Internet na mão, a intifada moderna agora apedreja via Twitter. O cenário está perfeito para a ascensão do ditador que souber manipular uma turba de consciências mortas.

Aliás, "Consciências Mortas" é o título do filme que marcou demais minha mente adolescente e me ensinou a ficar longe das turbas. Estrelado por Henry Fonda, conta a história real de um linchamento injusto. Não vou contar mais, pois a Cristine Martin faz isso muito bem em seu blog "Rato de Biblioteca".

Voltando ao Boris, que atire o primeiro Twitter quem nunca fez um comentário ofensivo contra sexo, etnia ou condição social. Se fez em "off", saiba que na era do celular e da Internet seus comentários são sempre em "on".

No primeiro dia do ano, enquanto o Boris amargava a ressaca de seu comentário, eu saboreava a deliciosa paelha que meu cunhado preparou. Quebrando o silêncio que sempre acompanha a primeira garfada de uma iguaria, minha irmã comentou: 

- Parece que o polvo precisava cozinhar mais.

- O importante é que o polvo esteja unido - comentei eu.

O mais distraído dos comensais fez a pergunta-escada que eu esperava, e eu, o mais infame dos humoristas, expliquei: 

- Porque o polvo unido jamais será vencido. 

Todos olharam para mim e pude sentir o que sente um condenado antes de ser linchado.


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DVD Consciências Mortas
Henry Fonda * William A. Wellman



Quando um rancheiro é dado como morto por ladrões de gado, o povo de Ox-Bow decide fazer justiça com as próprias mãos e linchar os supostos assassinos. Henry Fonda interpreta um andarilho que tenta defendê-los nesse provocativo filme, considerado por muitos como o melhor western de Henry Fonda.

Dirigido por William Wellman e co-estrelado por Dana Andrews, Mary Beth Hughes e Anthony Quinn, Consciências Mortas é uma incessante busca por justiça, um filme que venceu a barreira do tempo e é aclamado como um dos melhores momentos de Hollywood.
Estúdio: Classic Line (Fox)
Título Original: The Ox-Bow Incident
Elenco: HENRY FONDA
Direção: WILLIAM A. WELLMAN
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Espanhol, Português
Idiomas / Sistema de som: Inglês - Mono
Formato de tela: FullScreen





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