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Alterego virtual

A família inteira correu para o computador, quando uma voz nada familiar invadiu o mezanino da casa onde morávamos. Estávamos em 1997 e eu acabara de fazer minha primeira conexão de voz usando um programinha paleolítico que veio num disquete de revista. Naquele tempo os programas de Internet eram baixados das bancas.


A conexão estava por um fio e qualquer solavanco era capaz de derrubá-la. Quando caía, era preciso ficar discando para o provedor de Internet até conseguir linha e ouvir o teré-té-té do modem, cuja embalagem dizia ser “High Speed”.

- Hello? - arrisquei, sem saber com que língua o outro teclava.

- Hi, how are you? - respondeu a voz alienígena dando início a um papo furado que iria durar mais de uma hora.

Dez anos depois interagir online com pessoas de outros lugares tinha virado lugar comum. Então alguém inventou uma mescla de game "Wolfenstein 3D" com shopping, clube de campo e danceteria e batizou aquilo de O "Second Life". O serviço prometia a possibilidade de você ser uma pessoa diferente em um outro mundo, enquanto interagia com pessoas que não eram o que diziam ser neste mundo. Em 2007 decidi experimentar a tal da segunda vida.

Digitei www.secondlife.com e tentei criar meu Avatar - era assim que chamavam o bonequinho mal acabado que devia ser a segunda via de mim. Logo descobri que não podia ser eu mesmo. Podia ser “Mario”, mas não “Persona”, já que era obrigado a escolher o sobrenome de uma lista que não tinha o meu. Tinha "Pessoa", então decidi ser “Mario Pessoa”. Num mundo virtual em inglês eu virei português!

Mesmo assim fui barrado. Alguém tinha escolhido ser eu antes de mim. Voltei para as opções de sobrenome e encontrei um muito estranho: “Falta”. Na falta da opção de usar meu próprio nome e sobrenome, digitei “Achei” no campo do nome e escolhi “Falta” por sobrenome. Beleza, no "Second Life" eu sou o “Achei Falta”. Nem preciso dizer que o nome estava disponível.

Clica aqui, clica ali, e no campo da data de nascimento, o exemplo dado era “1980”. Será que nascidos em 1955 eram velhos demais para brincarem ali? Fiz de conta que não entendi e escolhi um Avatar nada parecido comigo, por absoluta falta de modelos velhos e barrigudos. Eram todos jovens e sarados.

Cliquei que li o contrato que não li, e baixei 30Mb de programa... só para receber um aviso de que minha placa de vídeo era incompatível! Para quem nasceu em 1955 e tem uma placa de vídeo igual à minha, pelo jeito a opção é assistir desenho animado em parede de caverna. Depois dos sem-terra e sem-teto, descobri que havia os sem-second-life. Eu era um deles.

Achei que não valia a pena investir numa segunda placa só para ter uma segunda vida, então comecei a pesquisar sobre como seria viver naquele mundo do faz-de-conta. Seus mais de cinco milhões de habitantes na época podiam comprar, vender, dançar e viver lá como nunca conseguiram aqui. Seria uma opção para os frustrados? Os mais empolgados podiam até pagar aqui, em dinheiro real, por terrenos virtuais comprados lá, onde não existe IPTU.

Considerando que consegui criar meu Avatar, mas não consegui entrar naquele mundo virtual, uma coisa me preocupa: Onde andará meu segundo eu? E mais: Como posso ser eu se não posso estar onde estou? Será que virei uma alma penada num limbo virtual? Agora vem a notícia de que o "Second Life" demitiu 30% de sua equipe. Talvez fosse a chance de eu me encontrar comigo aqui fora, mas descobri que só demitiram personagens reais, nenhum virtual. Três anos depois o “Achei Falta” deve sentir muita falta de mim. Ou não.

Para matar a fome de interatividade virtual vou quebrando o galho com o Skype, tataraneto daquele programinha que fez a família inteira ficar grudada no micro numa noite qualquer de 1997. Naquela experiência eletrizante, eu e meu interlocutor não passávamos de nicknames, mas o papo rolou legal. A coisa só perdeu a graça quando fiz a pergunta que deveria ter feito logo de início, antes de passar mais de uma hora conversando em inglês:

- Where are you from?

- São José dos Campos - respondeu ele.

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Personal Branding: Construindo sua Marca Pessoal
Arthur Bender



A última vez que você fez uma visita ao supermercado, parou para observar a quantidade de produtos que são ofertados para cada categoria? Com quantas marcas de refrigerante você se deparou? E pastas de dente, quantos tipos diferentes estavam presentes na gôndola?


No mundo profissional o cenário é muito parecido. Milhares de pessoas disputam cargos e posições interessantes em empresas, e a maioria oferece os mesmos atributos: formação superior, duas línguas, especialização, experiência etc. Como se diferenciar nesse cenário tão competitivo?

Em Personal Branding: Construindo sua Marca Pessoal, o premiado publicitário Arthur Bender propõe uma discussão importante sobre a criação da sua marca pessoal. Com comparações práticas às regras do marketing, mostra que é possível a qualquer pessoa criar e fortalecer a sua marca pessoal, e tornar-se único em um mercado tão competitivo. Basta saber onde você quer chegar.



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E a gorjeta, doutor?

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