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Meu carro sumiu!

Não ligo para carro, não leio revista especializada e não sou apaixonado pelo meu. É claro que ele facilita minha vida e passo horas sentado ali, mas seria isso motivo para paixão? Meu vaso sanitário também facilita minha vida, passo horas sentado ali, e até gosto de ler quando estou nele. Mas não revistas sobre privadas.

Eu achava que esse desinteresse por carros fosse coisa só minha, mas tem mais gente assim. Há alguns meses, na busca por um carro novo, o vendedor de uma concessionária ficou surpreso quando não me interessei em fazer um test-drive. Tinha rodas, portanto devia andar. Dispensei até a abertura do capô. Eu tinha certeza que o motor estava lá. Tem gente que pede para abrir, mas se colocarem ali um aspirador de pó a maioria não vai notar a diferença.

O vendedor contou que profissionais de criação, publicitários e artistas são assim, costumam não ligar para motor, câmbio, transmissão... Concentram-se no projeto, na funcionalidade e no conjunto estético da obra. Bem, o vendedor não falou bonito assim, eu inventei. Mas foi o que ele quis dizer.

Fazia sentido, pois saí dali sem comprar aquele modelo por falha no projeto. Os retrovisores externos eram grandes e fixos. Não escamoteavam, só quebravam, e no planeta onde habito há uma espécie chamada motoboy.

Apesar de não ligar para carro, meu coração disparou quando o manobrista do hotel anunciou com cara de espanto: 

- Senhor, seu carro sumiu! 

Escutar isso a 300 quilômetros de casa não é o que um cliente espera. No meu caso, nem tanto pelo carro, mas pelo tempo que iria perder com polícia, seguradora e acidez estomacal. As recepcionistas me encaravam petrificadas. Pareciam esperar pela minha explosão, como é normal quando o hotel deixa roubarem seu carro.

Resisti. Sou do tipo que acredita que tudo tem uma razão de ser. Estaria eu sendo poupado de algum acidente? Seria aquilo para eu aprender a ser paciente? Ou só para ter assunto para esta crônica? Não sei.
Também resisti à tentação de comentar o problema com as pessoas ao redor, como muitos adoram fazer. Já passou por isso? O cara se vira para você na fila e repete tudo o que você ouviu ele dizer para a balconista. Ele espera que você faça cara de simpatizante, como se isso fosse resolver alguma coisa.

Isso acontece no intervalo, quando a balconista desaparece dizendo que vai chamar a pessoa responsável. Pura técnica para esvaziar fígados. O cara vai contar a mesma história duzentas vezes, e cada balconista vai chamar outra até ele ficar afônico.

Por isso aguardei em silêncio. Teria o meu carro sido roubado na frente do hotel na noite anterior? Era possível. Cheguei tarde e entreguei a chave no balcão. Ou foi surrupiado da garagem? Era o que tentavam descobrir, mas erraram ao me envolver na busca.

O cliente não precisa saber o que acontece nos bastidores. Já pensou um restaurante com transmissão direta da cozinha? "Senhora, neste momento estamos lavando a alface de sua salada. Já providenciamos a remoção das lesmas e lagartas. A salada aguarda apenas o Zezinho voltar do banheiro para ser montada..." 

Em minhas palestras, me tranqüiliza saber que o público não conhece os detalhes de minha apresentação. Portanto nunca vai saber se eu esqueci de dizer algo, se o tempo não deu para falar tudo, ou se vesti a cueca no avesso. Eles não sabem, eu não digo.

Bastidores são lugares reservados para os problemas. O cliente jamais deve ser levado ali. O que importa é o que acontece no palco. E no palco eu era interrogado mais uma vez: 

- Marca do carro? 
- Peugeot.
- Cor?
- Prata 

- Placa? 
- Cinza com letras pretas.

Achando que aquilo seria a solução para o problema, o manobrista levou-me até a garagem para que eu não visse o carro com meus próprios olhos.

Realmente não estava lá, mas não precisava ter me levado. Como também não precisava dizer que meu carro tinha sumido. O atendimento devia guardar silêncio sobre o problema até serem esgotadas todas as possibilidades de solução.

Mais tarde, enquanto dirigia meu carro de volta para casa, fiquei ponderando sobre o assunto. O silêncio é uma ferramenta poderosa. No atendimento pode evitar entornar o caldo que ainda não está no ponto. Na oratória ele é usado na forma de pausas para realçar o que está sendo dito. Numa crônica como esta, cria um suspense e deixa o leitor morrendo de vontade de saber onde estava meu carro.


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O Excepcional Atendimento ao Cliente
LISA FORD, DAVID MCNAIR, BILL PERRY


O livro O Excepcional Atendimento ao Cliente é ferramenta essencial para profissionais que desejem criar um serviço de atendimento que realmente exceda as expectativas dos clientes. Combinando a vasta experiência acumulada, os autores do livro ajudarão os leitores a proporcionar o melhor serviço de atendimento aos clientes de suas organizações. Ao ler o livro O Excepcional Atendimento ao Cliente os leitores saberão como:
. construir uma forte equipe de atendimento
. utilizar a tecnologia para melhorar o atendimento aos clientes
. realizar planejamento eficaz
. buscar o feedback dos clientes
. lidar com clientes exigentes
. recuperar clientes desapontados
. abordar assuntos delicados com o cliente
. realizar atendimento telefônico eficaz
. manter canais de comunicação com os clientes
. tornar-se bom ouvinte
. superar as expectativas dos clientes
. transmitir as primeiras e as últimas impressões positivas aos clientes
. manter atitudes positivas durante todo o dia
. usar palavras adequadas para cobrir falhas do sistema de atendimento
. medir a satisfação dos clientes
. capacitar profissionais para tomarem decisões imediatas
. recrutar e contratar atendentes
. treinar os profissionais de atendimento

Trata-se de avançado e completo guia, contendo dezenas de casos, situações de atendimento, depoimentos, dados estatísticos sobre atendimento a clientes, além de exercícios individuais e em grupo, que farão a sua empresa exceder no serviço de atendimento aos clientes.



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E a gorjeta, doutor?

Ingratidao

A cena ontem era de cortar o coração. Era meia-noite e chovia. Encolhida, dormindo no parapeito do terraço de meu apartamento, havia uma pombinha. A princípio fiquei preocupado. Teria sido o seu vôo também cancelado?

Mas logo pensei no pior e imediatamente rabisquei num quadro mental as probabilidades de contágio:

Gripe aviária, dermatite, criptococose, histoplasmose, ornitose, salmonelose... Estava a ponto de enxotá-la, mas, como não sou o Dr. House, apaguei o quadro mental e decidi deixá-la dormir em paz.

Receber guarida na noite fria e chuvosa do desemprego é uma experiência que ninguém esquece. Ou não deveria esquecer. Mas para alguns é fácil esquecer as portas em que bateu ou levou, as solas que gastou e os currículos que enviou. São pessoas que, uma vez abrigadas num novo emprego, se despem da gratidão e passam a cuspir no chão.

Uma coisa eu aprendi com minha mãe: nunca cuspa no prato em que você comeu, e muito menos naquele onde ainda está comendo. Ser grato pela empresa que lhe deu guarida é uma atitude extremamente louvável.

Ah, sim, você pode até argumentar que a empresa não lhe fez nenhum favor, que os empresários exploram os empregados, que o capitalismo é vil, e blá-blá-blá. Tudo bem, então deixe a barba crescer e vá morar em Cuba.

Ou vire empreendedor se quiser chegar a patrão. Hmmmm.... mas você já deve saber que reclamar de quem empreende é sempre mais fácil do que empreender, não é mesmo? Tive um chefe que sabiamente lembrava os descontentes da equipe que "a porta da rua é a serventia da casa".
Mas bem que naquela noite fria e chuvosa do desemprego você estava disposto a qualquer coisa para conseguir comprar o leite das crianças, não é mesmo?

Meu pai trabalhou a vida toda em um banco e minha mãe nos ensinava -- a mim e às minhas irmãs -- que devíamos ser gratos por isso. Tínhamos casa para morar, carro para viajar, empréstimos para saldar e muitos outros benefícios.

Depois de crescidos, todos nós abrimos conta no mesmo banco como forma de ajudar a empresa. Ok, pode rir à vontade, mas se minha mãe ainda estivesse aqui você ia escutar. Ah, e como!

Não gosto de gente que fala mal da empresa onde trabalha, dentro ou fora dela. Um dia um aluno perguntou se eu sabia de um emprego, pois disse que a empresa onde trabalhava estava uma droga. Respondi que não poderia indicá-lo, pois como eu iria saber se a empresa não tinha ficado uma droga depois de ele entrar lá? Ele captou a mensagem.

Já passei pela experiência de procurar emprego, de achar emprego e de perder emprego. Hoje já não preciso me preocupar em procurar ou perder, pois trabalho para mim mesmo. Mas -- que isto fique apenas entre eu e você -- já faltou isso aqui para eu colocar a mim mesmo no olho da rua. Sim, e não foi uma vez, foram várias! Não é fácil ter alguém como eu trabalhando para mim.

Mas, embora eu não precise de emprego, preciso de clientes, e é por isso que sou grato a Deus por cada um deles. Torço por sua prosperidade, aplaudo seus sucessos e até compro seus produtos. Há anos só compro café solúvel da empresa que um dia contratou meus serviços. Se o café é bom? Oras, é o melhor que existe! Foi minha mãe quem me ensinou a fazer assim.

Ela dizia para eu procurar deixar sempre boas lembranças por onde eu passasse. Descobri depois que isso fazia parte da sabedoria militar das antigas guerras: "Nunca destrua as pontes; você pode precisar voltar por elas".

Talvez seja por isso que também já senti o gostinho de ser chamado de volta a uma empresa da qual tinha pedido demissão, e não foi por eu ter me esquecido de dar a descarga. Sou grato a todas as empresas por onde passei e aos clientes que atendi e continuo atendendo, e você deve fazer o mesmo.

Evite a todo custo um sentimento de ingratidão. Criaturas ingratas deixam atrás de si um rastro de maus fluídos, e não estou falando no sentido esotérico da palavra. Estou simplesmente me referindo ao que encontrei hoje de manhã no parapeito de meu terraço. Pomba ingrata!


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Pergunte ao Max
MAX GEHRINGER


O livro Pergunte ao Max - Max Gehringer responde a 164 dúvidas sobre carreira, lançado pela Editora Globo, apresenta uma compilação dos melhores textos publicados pelo colunista - no mesmo formato de "pergunta-e-resposta" consagrado em Época e acompanhados de um tão divertido quanto oportuno Dicionário Atualizado de Carreira.
Com a objetividade de sempre, e o humor mais afiado do que nunca, Gehringer nos oferece sua visão de observador atento (e por vezes crítico inclemente) do dia-a-dia no lado de dentro dos portões das empresas. Conhecimento de causa não lhe falta: de office-boy a presidente, o autor passou por todos os degraus da escala hierárquica corporativa, vivência da qual freqüentemente extrai casos para ilustrar suas argumentações.
Comunicador nato, Gehringer produz textos em que o didatismo, a a graça e o uso de referências inusitadas se completam, ampliando a clareza e a eficiência da mensagem. Por exemplo, ao explicar as diferenças entre os termos coaching, counselling e mentoring (todos em voga no jargão das empresas), o consultor recorre à origem das palavras, cita Homero, Aristóteles, filmes de bangue-bangue e até O Poderoso Chefão - e cumpre sua tarefa com brilho. Impagável é a interpretação de Gehringer para o termo "noções de inglês", tão utilizado por candidatos a um emprego: "Para quem avalia um currículo, ´noções de inglês´ significa ´preciso aprender inglês´", dispara o consultor, na resposta a uma leitora insegura quanto a seus conhecimentos em língua estrangeira.
Além de escrever para a imprensa, Gehringer é comentarista da Rádio CBN e, desde abril, apresenta o quadro "Emprego de A a Z", a bordo do programa dominical Fantástico, por meio do qual tem disseminado a consultoria de carreira para todos os públicos, em todo o país. Autor de vários títulos (entre eles, O Melhor de Max Gehringer na CBN, também da Editora Globo), o consultor reúne em sua mais nova obra tudo o que você sempre quis saber sobre emprego e carreira, mas não tinha a quem perguntar.



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E a gorjeta, doutor?

Operacao "Persona"

Entro em um site de notícias e lá diz que a "Operação Persona" da Polícia Federal prendeu gente de montão. Imagine o susto deste homônimo, que mora em Limeira, ao ler ainda que tinha laranjas envolvidos na história! Eu, hein? Prisão eu prefiro a de ventre.

Não sei no que isso vai dar, mas ao contrário do que acontecia no passado, hoje nem sempre o nome ou a posição livram a cara do cidadão. No meu tempo de menino bastava um "Você sabe com quem está falando?" para o assunto morrer ali. O nome resolvia a parada.

Todavia, em marketing o nome ainda resolve, e as marcas que o digam. O nome de um produto, marca ou até operação precisa ser muito bem pensado para evitar confusão. Minha empresa tem meu nome, mas poderia não ter se eu fosse o fundador da Toyota. É que Sakichi Toyoda achou melhor trocar o "d" pelo "t" antes de virar carro. Sim, uma letra faz a diferença. Uma garçonete nos EUA está processando o bar que prometeu dar um Toyota para quem vendesse mais. Ela vendeu e descobriu que foi enganada. O prêmio era um "toy Yoda", uma miniatura do Mestre Yoda de "Star Wars".



Às vezes pode ser importante manter o nome do fundador, mesmo que isso exija um esforço extra para ensinar aos consumidores a pronúncia correta. O "Café Kühl", tradicional marca que costumo comprar em minha cidade, fez assim. No passado a empresa imprimia, sob o nome da marca, a frase "Diga Kil".

Quando explicar não resolve, a empresa pode até decidir não lançar o produto. Na década de 70 o Ford Pinto, que quer dizer "cavalo malhado" nos EUA, deixou de vir para o Brasil por motivos óbvios. Mandaram para cá o Maverick, o "cavalo rebelde".

Se você quiser uma Mitsubishi "Pajero" em alguns países de língua hispânica, terá de se contentar com uma Mitsubishi "Montero". A empresa achou melhor se livrar da palavra pajero que na gíria de alguns desses países significa masturbador. Pela mesma razão o Buick "Lacrosse" virou "Allure" quando foi para o Canadá, e demorou para alguns motoristas brasileiros pararem de levar a mal quando alguém anunciava que a "Besta" estava chegando. Nomes podem confundir.

Há também marcas que ajudam no sucesso de uma empresa ou produto. Você provavelmente nem olharia para um Walkman da marca "Tokyo Telecommunications Engineering Corporation", mas compraria um da marca "Sony", o nome moderno da empresa.

A marca também pode fazer a empresa decolar ou não. A Kiwi Airlines foi à falência dois anos depois de sair do ovo. Quase não deu tempo de seus aviões levantarem poeira, no máximo um cisco. Alguém poderá dizer que o problema foi de má administração, mas eu não botaria fé em uma companhia aérea com o nome de um pássaro que voa tanto quanto o fruto homônimo. Ou seja, do galho ao chão.

Dependendo da atividade, até pessoas precisam mudar de nome para fazer sucesso. Você se arriscaria na carreira de cantora se fosse uma garota portuguesa chamada Maria Antonia Sampaio Rosa? Se cantasse bem, talvez pudesse emplacar alguns fados numa obscura cantina de Lisboa, mas jamais conquistaria milhões de ouvintes como Mia Rose conquistou.

Isso mesmo, é a própria Maria Antonia, uma garota de 18 anos, dona do segundo canal mais assinado do YouTube e um dos 25 mais vistos: 27 milhões de exposições. A menina nasceu com talento, mas sem um bom nome, o que é fácil de resolver. O contrário é que não. Como fez Maria Antonia, é comum artistas assumirem literalmente uma segunda persona, ainda que seja só no nome. 

Você perderia tempo de ir ao cinema para assistir um filme com Allen Konigsberg, Archibald Leech, Cherilyn Shakisian, Tom Mapother, Bernie Schwartz, Margaret Hyra, Frances Gumm, Issur Danielovitch e Maurice Micklewhite? Provavelmente não.

Mas para assistir uma superprodução reunindo Woody Allen, Gary Grant, Cher, Tom Cruise, Tony Curtis, Meg Ryan, Judy Garland, Kirk Douglas e Michael Caine você certamente compraria ingresso antecipado.





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Idéias que Colam: por que Algumas Idéias Pegam e Outras Não
CHIP HEATH e DAN HEATH


Todo mundo tem idéias a transmitir. De CEOs de grande empresas a mães que se dedicam à educação de seus filhos: um novo produto a ser lançado no mercado ou valores que está tentando ensinar a seus filhos. Mas é extremamente difícil influenciar e transformar a forma de agir e pensar das pessoas. Mas o que faz com que algumas idéias "peguem" e outras não? Como aumentar as chances de ter idéias que valem a pena? Neste livro os renomados educadores, Chip e Dan Heath, abordam questões intrigantes sobre o que faz uma idéia repercutir e, além disso, permanecer no imaginário das pessoas. Provocativo, esclarecedor e surpreendentemente engraçado, este livro mostra os princípios essenciais de idéias vencedoras.





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E a gorjeta, doutor?

Leu o livro? Vi.

Assim como o disco há muito não gira na vitrola, o livro convencional pode virar página virada. No atual andar da carruagem eletrônica, logo deixaremos de ler em papel para ler e-papel. Mas não se preocupe. O livro impresso, que você gosta de tocar, folhear e cheirar, continuará existindo. Como aconteceu com o disco de vinil.

Ele continuou girando mesmo depois da invenção da fita cassete. E esta ainda girou um bocado com o CD ao lado. Agora o CD convive com os iPods e iPobres de MP3. Exceto no meu carro. Troquei o tocador de CDs por um tocador de cartões de memória.

No Natal de 2009 o e-reader Kindle foi o presente mais presenteado do site da Amazon. No mesmo período a empresa vendeu mais e-books para serem lidos no mesmo Kindle, do que livros impressos no mesmo papel. A coisa está mudando mesmo.

Talvez você não esteja entre os mais saudosistas, que gostam de cheirar cola, tinta e papel. Seu argumento é mais racional, tipo "o Kindle é caro". Sim, ele custa hoje nos EUA o mesmo que uns 25 livros de papel, e a Amazon vende o livro digital por quase o preço do impresso.

Mas, apesar de eu e você não sabermos ler o chinês, o chinês sabe ler essa tendência e não vai demorar para você encontrar um e-reader na caixa de sucrilhos. De graça, contanto que você não se importe de ter uma animação do personagem da marca virando a página para você.

O e-reader tem um imenso potencial como plataforma promocional. Os e-books poderão ser baixados a preço irrisório ou até de graça, patrocinados por alguma marca. É claro que entre um capítulo e outro o fabricante irá inserir um comercial em texto, áudio ou vídeo.

Quer mais? Que tal ler um romance ambientado na Itália enquanto escuta o Andrea Bocelli? Já pensou se a página que descreve os apaixonados na praia vier com som de ondas e gaivotas? O autor poderia economizar toda a tinta que gasta para descrever os sons de cada cenário.

Agora aguente, pois quando começo a viajar na maionese, tentar me impedir é debalde. Feche os olhos e deixe que o e-reader leia para você na voz de seu artista predileto. O futuro do livro é voltar à sua essência de contador de histórias. Aperte o botão "Fast-Forward" e seu e-reader do futuro irá interpretar o texto como o seu cérebro hoje faz.

Quando você pensa no livro que leu, não é do texto que você se lembra, mas das imagens e sensações que o seu cérebro criou em sua tela mental. Acaso não é a mesma coisa que o seu videogame faz? Ele lê um texto - a linguagem de programação - e cria as cenas. O e-reader de amanhã transformará um mero texto em uma história visual tão realista quanto "Avatar".

Impossível? Não creio. O problema é que avaliamos as coisas por nossos paradigmas atuais. As novas gerações podem pensar de um modo muito diferente. Imagine a Dona Escolástica, com as mãos ressecadas de giz, tentando ler para seus alunos no Kindle que ganhou do bisneto. 

- Péssimo! - comenta ela. - Muito pior do que o livro impresso! 

Aí o aluno todo emo, que nunca leu um livro impresso na vida, lê algumas linhas através de uma fresta de seu cabelo, e exclama:

- Meu! Que maneiro! Muito melhor que a tela de meu notebook! 

A velha geração compara com o papel, a nova com a tela. O que é interessante para a Dona Escolástica pode não interessar meu neto de dois anos, e vice-versa.

Outro dia, em um zoológico dos EUA, o garoto esteve frente a frente com dois ursos enormes. Apenas alguns milímetros de vidro à prova de balas separavam a criança das garras dos animais, em um ambiente que custou milhares de dólares para entreter grandes e pequenos.

Ao contrário dos adultos, meu neto ficou o tempo todo olhando para um ventilador que girava preguiçosamente no teto do lugar.


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E a gorjeta, doutor?

Little Brother is Watching You!

Quando Eric Arthur Blair, que nunca foi primeiro ministro, escreveu "1984" sob o pseudônimo de George Orwell, ele não imaginou que o "Big Brother" acabaria virando reality show.

No livro, o bordão "Big Brother is Watching You" oprimia o povo através das onipresentes teletelas bidirecionais do regime totalitário. Em 1949, quando o livro saiu, a TV já existia, mas a ideia de vir com câmera era novidade e causava pavor. Hoje ficaríamos apavorados por saber que ela vinha sem controle remoto.

Se você me perguntar se tenho medo de um regime totalitário vigiando seus cidadãos, minha resposta é não. O que me apavora é um regime totalitário cujos cidadãos vigiem uns aos outros. Se George tivesse conhecido a Internet, a frase do terror teria sido “Little Brother is Watching You!”.

Governos totalitários surgem com o apoio do povo. Foi assim com Stalin, Hitler, Mussolini, Salazar, Tito, Saddam, Fidel... Enquanto o povo estiver unido, o ditador jamais será vencido. O ditador é apenas a personificação de anseios coletivos.

Quando o Rei Davi cometeu um pecado e Deus deixou que ele escolhesse seu castigo, sua resposta foi: “Prefiro cair nas mãos do Senhor, pois é grande a sua misericórdia, e não nas mãos dos homens. O povo é sempre mais implacável. 

Na mesma Bíblia o profeta Daniel sonha com uma estátua de diferentes metais. Do mais macio ao mais resistente - ouro, prata, bronze e ferro - eles representam sucessivamente cinco reinos históricos. O quinto, e mais terrível, é uma mistura de ferro e barro - poder e humanidade. 

A Internet deu poder ao povo, que agora está equipado para massacrar. Se você duvida, veja o que aconteceu com Boris Casoy. Na última noite do ano ele fez um comentário ofensivo aos garis em "off", sem saber que estava em "on". Horas depois o vídeo batia recordes de audiência no Youtube, enquanto milhares de blogs preparavam a corda para o âncora do telejornal. 

Ninguém nunca pensou em boicotar o programa do Chaves ou pedir a demissão do Kiko por gritar “Gentalha! Gentalha!”. Mas com o Boris é diferente. Ele não é um mero apresentador de telejornal. Ele é um juiz da notícia, armado do bordão "Isto é uma vergonha!". No gramado há 22 jogadores que cometem toda sorte de erros, mas é a cabeça do juiz que o povo quer.

Há um certo prazer ao flagrarmos um delito, pois isso oblitera nossas próprias faltas. Quando esse prazer vem em uníssono ocorre o linchamento, que tanto pode ser de uma estudante de saia curta, como de um jornalista numa saia justa. É o efeito "estouro da boiada", conhecido até dos investidores. Empresas inteiras já foram linchadas assim.

Em um mundo de 6 bilhões de "Little Brothers", sem nenhuma ideia na cabeça e com uma Internet na mão, a intifada moderna agora apedreja via Twitter. O cenário está perfeito para a ascensão do ditador que souber manipular uma turba de consciências mortas.

Aliás, "Consciências Mortas" é o título do filme que marcou demais minha mente adolescente e me ensinou a ficar longe das turbas. Estrelado por Henry Fonda, conta a história real de um linchamento injusto. Não vou contar mais, pois a Cristine Martin faz isso muito bem em seu blog "Rato de Biblioteca".

Voltando ao Boris, que atire o primeiro Twitter quem nunca fez um comentário ofensivo contra sexo, etnia ou condição social. Se fez em "off", saiba que na era do celular e da Internet seus comentários são sempre em "on".

No primeiro dia do ano, enquanto o Boris amargava a ressaca de seu comentário, eu saboreava a deliciosa paelha que meu cunhado preparou. Quebrando o silêncio que sempre acompanha a primeira garfada de uma iguaria, minha irmã comentou: 

- Parece que o polvo precisava cozinhar mais.

- O importante é que o polvo esteja unido - comentei eu.

O mais distraído dos comensais fez a pergunta-escada que eu esperava, e eu, o mais infame dos humoristas, expliquei: 

- Porque o polvo unido jamais será vencido. 

Todos olharam para mim e pude sentir o que sente um condenado antes de ser linchado.


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DVD Consciências Mortas
Henry Fonda * William A. Wellman



Quando um rancheiro é dado como morto por ladrões de gado, o povo de Ox-Bow decide fazer justiça com as próprias mãos e linchar os supostos assassinos. Henry Fonda interpreta um andarilho que tenta defendê-los nesse provocativo filme, considerado por muitos como o melhor western de Henry Fonda.

Dirigido por William Wellman e co-estrelado por Dana Andrews, Mary Beth Hughes e Anthony Quinn, Consciências Mortas é uma incessante busca por justiça, um filme que venceu a barreira do tempo e é aclamado como um dos melhores momentos de Hollywood.
Estúdio: Classic Line (Fox)
Título Original: The Ox-Bow Incident
Elenco: HENRY FONDA
Direção: WILLIAM A. WELLMAN
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Espanhol, Português
Idiomas / Sistema de som: Inglês - Mono
Formato de tela: FullScreen





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