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A aguia e a coruja

Meus filhos, quando pequenos, eram as crianças mais lindas do mundo. Agora, muitos anos depois, descubro que a história se repete: meu neto é o mais lindo do mundo. Não concorda?!

Nem deveria. Se você for pai ou mãe irá querer para seus filhos o primeiro lugar no podium. Se for avô, irá rebaixar meu neto, porque você sempre escolherá o referencial que for melhor para você. Em negócios não é diferente, e é aí que mora o perigo.

Muita gente quebra a cara por achar que vai conseguir vender para os outros aquilo que venderia para si. Mergulhou de cabeça no mercado sem perceber a tendência que todo ser humano tem de se considerar o umbigo do Universo.

Aí decide fabricar aquilo que mais gosta, abrir uma loja no ponto mais perto de casa e só contratar quem torcer pelo mesmo time. Se tiver sorte, vai encontrar gente do mesmo gosto para comprar. Se não tiver, vai achar que é a crise, só para manter intacto o seu critério de auto-referência.

Se desejo atingir algum público, minhas preferências devem ficar guardadas para mim, caso não encontrem eco no mercado. No mais, eu devo mesmo é analisar as preferências do público que pretendo atingir e virar camaleão.

Não estou falando de abrir mão de suas convicções pessoais. Se fosse assim eu iria sugerir que você partisse para o tráfico, que dá mais dinheiro do que aquela lojinha de bijuterias que pretende abrir.

Suas convicções pessoais devem continuar norteando suas ações, mas pode ser que descubra ser bom negócio abrir uma butique de "Alta Costura de 1,99" perto da rodoviária. Aí, se você sentir náusea só de olhar para os modelitos, contrate uma gerente à altura e saia de perto.

Não basta conhecer seus clientes para atendê-los do jeito que eles gostam; é preciso ter pessoas adequadas a eles e motivá-las com estímulos igualmente adequados. Se no Brasil você motiva seus vendedores dando a eles um nadinha de fixo e uma comissão generosa, no Japão precisa fazer o inverso ou ninguém vende.

O brasileiro é mais individualista, seu desejo é de se sobressair. O japonês é mais coletivista, seu desejo é que a equipe se sobressaia. Ele não se sente bem se deixar seus colegas para trás. Talvez seja por isso que seus carros de Fórmula 1 sejam pilotados por estrangeiros.

Até na hora de promover seus produtos é preciso levar em conta o referencial dos clientes. Se os seus clientes forem borracharias no Afeganistão e você enviar folhinhas com mulheres com o rosto descoberto, podem acabar confiscadas pela censura local.

Mas, para uma clientela de indígenas sul-americanos, as mais desnudas modelos poderão parecer tão vestidas quanto uma freira se tiverem um cordãozinho de palha em torno da cintura. As referências mudam de acordo com os povos e as culturas, daí o perigo de você se nortear por seus próprios referenciais.

O clássico dos clássicos em termos do perigo da auto-referência é a fábula da águia e da coruja, de onde vem a expressão "mãe coruja". Dona Coruja, ao encontrar Dona Águia em plena temporada de caça, suplicou:

- Dona Águia, já que somos amigas, rogo-lhe que não coma meus filhotes.

- Certamente - respondeu a águia - nossa amizade me impede de fazê-lo. Mas como os reconhecerei se nem mesmo sei onde fica o seu ninho?

- Ora, Dona Águia, é fácil. Eles são os filhotes mais lindos da floresta!

Assim, para não correr riscos de arranhar sua amizade com Dona Coruja, Dona Águia procurou comer apenas os filhotes mais feios que encontrou: um par de criaturas horrorosas com grandes olhos arregalados enfiados numa toca em uma velha árvore.

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Governança Ambiental Global: Opções & Oportunidades
DANIEL C. ESTY e MARIA H. IVANOVA

Quem decide as questões que afetam o meio ambiente? Que critérios norteiam essas decisões? Como são representados os interesses das comunidades e dos ecossistemas envolvidos? Foram essas indagações que deram origem ao conceito de governança ambiental e a todo o debate atual sobre o uso e a gestão dos recurosos naturais.

Os ensaios desta coletânea reúnem importantes peças desse debate num só volume, abordando questões essenciais de maneira acessível e sugerindo caminhos viáveis para uma participação efetiva de governos, organizações não-governamentais, empresas e indivíduos. É mais uma iniciativa do Senac São Paulo em apoio às ações voltadas para o desenvolvimento sustentável e sustentado.






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E a gorjeta, doutor?

Feliz Humor Novo!

Não importa quais os seus planos para o novo ano, não vou repetir o "Feliz Ano Novo" que você já recebeu de montão. O que desejo a você de verdade é um "Feliz Humor Novo". Porque se tudo aquilo que você planejou para o novo ano der errado, tem uma coisa que ainda pode dar certo: o humor.

Você não ri quando vê o Gordo levar uma torta do Magro na cara? Ou quando o Gato se arrebenta na hora de pegar o Rato? Oras, lembre-se do quanto você riu dos dois ladrões de "Esqueceram de mim"! E eles só se lascaram, não foi?

Entendeu agora por que desejo a você um "Feliz Humor Novo"? É porque o bom humor é algo que depende mais de você do que dos outros ou das circunstâncias. E é uma das coisas que mais influenciam os outros e faz com que gostem de você.

Se há uma coisa que me tira do sério são pessoas que saem do sério por qualquer coisa. E quando digo que saem do sério, não é por ficarem risonhas e divertidas, muito pelo contrário. Nessa nossa misteriosa língua portuguesa, na qual "pois não" quer dizer "sim" e "pois sim" quer dizer "não", sair do sério significa ficar mais sério ainda.

Sair do sério significa perder o senso de humor, que é outra palavra que pode significar mais de uma coisa. Além do humor ser a capacidade de rir da piada sem precisar que o outro explique, e um estado de espírito alternativo para encarar os reveses da vida, humor é também o nome dado a alguns fluidos secretados pelo corpo, como a bile.

Quer dizer que quando vem aquele gosto amargo na boca, isso é humor? Pois é, eu também não entendi. Mas até que faz sentido, se você pensar que existe também o mau humor, que está para o bom humor assim como o mau colesterol está para o bom colesterol.

Só que aí as coisas funcionam ao contrário. Geralmente o mau colesterol você ganha quando está de bom humor, depois de comer aquela bela picanha bem gorda e tirar uma soneca de três horas na rede. E o bom colesterol? Troque a picanha por um suco de alfafa e vá malhar durante três horas. Depois tente sorrir.

Mas, independente do que você come, o bom humor pode ter o papel de um bom colesterol. Pessoas bem humoradas são mais ativas, felizes e positivas. Atacam menos o fígado — delas e dos outros — e não precisam tomar antidepressivo. Pelo menos essa é minha opinião, mas se você discordar e achar minha teoria uma piada, então ria. Também vai funcionar.

Geralmente o humor exige uma vítima que nos faça sentir superiores. Sou palestrante e sei que o público mais difícil é aquele formado por pessoas muito sofisticadas, porque elas só riem se puderem se sentir superiores ou se acharem o palestrante um perfeito idiota. Nas minhas palestras elas sempre riem.

O humor ajuda em meu trabalho de escritor e palestrante por permitir criar situações que ajudam a assimilar a mensagem. Alguém já disse que fazer rir é uma excelente estratégia de ensino, por isso quando meus alunos estão rindo, eu aproveito as bocas abertas e enfio a informação diretamente em seus cérebros.

É fácil entender o poder do humor no aprendizado. Você seria capaz de repetir um texto que leu apenas uma vez há dez anos? Provavelmente não, a menos que seja uma piada. Você se lembra dela, inteirinha, do jeitinho que leu, não é mesmo? Então pode acrescentar ao seu dicionário mais um significado para a palavra humor: adesivo cerebral.

Sempre fiz uso do humor em minhas aulas. Às vezes eu brincava até enquanto os alunos faziam prova, para aliviar a tensão. Foi o que aconteceu um dia, quando eu disse brincando que os cientistas descobriram que o cabelo do topo de nossa cabeça arrepia quando a gente faz o que é proibido. Para minha surpresa vários alunos passaram a mão na cabeça.



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O Melhor Conselho Sobre Investimentos que eu Já Recebi
LIZ CLAMAN
Neste livro a autora reúne o que chamou de inestimável sabedoria financeira que encontrou em Warren Buffett, Jim Cramer, Suze Orman, Steve Forbes e dezenas de outros especialistas financeiros. E se eles, ou outros especialistas tão famosos quanto, lhe contassem seus maiores segredos de investimentos - os segredos restritos apenas aqueles que convivem em seus círculos de amizade? Pela primeira vez e com suas próprias palavras, os mais bem-sucedidos investidores e administradores resumiram suas estratégias de investimentos em pontos fundamentais, divulgando o que eles acreditam ser o conselho mais importante sobre investimentos que poderiam anunciar. O livro traz ainda depoimentos de brasileiros como Roberto Irineu Marinho, Mauricio Botelho, Roberto Setubal e Emílio Odebrecht.




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E a gorjeta, doutor?

Camoes, go home!

Esta pode ser a última vez que falo com você. Por que? Porque vai cair meu link. Nem Internet eu vou poder usar e ninguém mais vai ter endereço de e-mail. Eu não vou mandar e você não vai receber. Depois que o estrangeirismo virar contravenção, nem trabalhar eu vou poder.

E como poderia trabalhar com marketing? Meus clientes jamais iriam entender uma propaganda politicamente correta que anunciasse: "Fazemos planejamento de mercancia". Por falar nisso, vou correr fazer backup dos serviços que já fiz, porque daqui a alguns dias o backup não vai mais funcionar.

O projeto anti-estrangeirismo volta e meia volta. O autor é o deputado Aldo Rebelo do PCdoB, a quem eu gostaria de perguntar se "Partido Comunista" é mesmo do Brasil. Sabe o que vai acontecer? Nadinha. As pessoas vão continuar dizendo "Ok" porque é mais fácil do que dizer "Está bem".

Se os primeiros habitantes desta terra tivessem se protegido dos estrangeirismos eu estaria escrevendo em tupi, macro-jê ou num dialeto qualquer desses troncos lingüísticos nativos. Nada do português yankee que aportou aqui há meros 500 anos. Seríamos obrigados a devolver a língua de Camões, a qual Pero Vaz de Caminha usou para selar sua famosa carta.

Não existe idioma original. Tirando as línguas que surgiram na Convenção de Babel, todo idioma é uma colcha de retalhos emprestados, cortados, tingidos e costurados. O folklore que nossos avós falaram virou folclore, e nossos netos vão aprender na escola a conjugar os verbos deletar e zipar. Pode escrever, é assim que funciona. O estrangeirismo de hoje será o português de amanhã.

Idiomas são dinâmicos, impossíveis de serem mantidos intactos numa redoma. A verdade é que a palavra ou expressão que comunicar melhor uma idéia vai prevalecer, seja ela em português ou sânscrito. Não sei onde ouvi que existe uma lei que diz que a tendência dos sistemas complexos é ficarem mais simples. Não é a lei do Aldo Rebelo, é outra. Por isso hoje falamos "você" em lugar de "vossa mercê".

Quem traduz sabe que o inglês é um idioma mais curto. Uma tradução para o português ganha uns 10% a mais de letrinhas, e é por isso que as palavras inglesas mais enxutas acabam emplacando. E nem elas a gente perdoa. Quando o goal inglês desembarcou aqui nós o transformamos no gol português.

Se você for um náufrago numa ilha deserta e tiver cocos para escrever apenas três letras na praia, o que vai escrever, SOC ou SOS? Não, "SOS" não é abreviatura de "Sou O Sobrevivente", mas de "Save Our Souls". O idioma não é um fim em si mesmo, mas uma ferramenta à disposição da comunicação. Peças conservadas em museus são belas, mas nada práticas.

Mas, se mesmo assim a tal lei pegar, o jeito é correr tirar xerox de todos os seus documentos. Depois o garoto da copiadora não vai entender se você pedir cópias reprográficas. É provável ainda que as cópias voltem a ser à mão, pois as copiadoras eletrônicas deixarão de funcionar quando proibirem o chip e o software.

Sorte de quem acabou de fazer um leasing, porque não vai precisar mais pagar, e o call center não vai ligar cobrando porque também não vai existir. Azar de quem recebe hollerith ou comprou um fax, porque não vai funcionar. Máquinas fotográficas? De agora em diante virão sem zoom e sem flash, mas no camelô talvez encontre alguma feita no Paraguai já legalizada, com zum e fléche. Os computadores virão sem modem e vamos voltar a usar calça social. Nada de jeans.

Mas não pense que isso é implicação do governo só com a língua inglesa. Não é. Acabou a happy hour em restaurante de sushi. E nem pense em pizza como opção, porque não vai ter. Não me pergunte como as coisas vão acabar em Brasília. O bom é que agora a gente vai se livrar dos cantores de karaokê, mas também acabou o banho de ofurô.

Bem, pode ser que permitam aportuguesar as palavras, como já fizemos com o sanduíche. Mas não sei se quem gosta de rock vai trocar por roque, pop por pópi e hip-hop por ripirrópi. Ou se os saudosistas aceitarão traduzir big band para banda grande, fox-trot para trote de raposa e querer ouvir "Os Besouros" e "As Pedras Rolantes" em seu iPod. Xi! iPod pode? Talvez o reencontro do "Dirigível Conduzido" nem venha para o Brasil. Estão suspensos todos os shows.

As mulheres também serão grandes prejudicadas. Ficará difícil encontrar blush, rímmel, shampoo, ou laqué spray. E ninguém mais vai usar soutien ou bikini, nem vestir tailleur ou prêt-à-porter. As mais medrosas vão evitar o computador nacional com medo do rato, e aquela receita de strogonoff da sogra vai virar picadinho. Sem champignon, nem sobremesa com chantilly.

Os deputados que aprovaram a tal lei provavelmente não mediram suas conseqüências. Quem viaja a Brasília sabe que os vôos mais cheios são os que chegam lá nas terças e os que saem de lá nas quintas. Se já leva esse tempão para visitarem suas bases, agora as excelências vão demorar ainda mais, pois serão obrigadas a ir de carro. Ninguém vai conseguir fazer check-in.

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1001 (Mil e Um) Estrangeirismos
JOSE DE NICOLA, ERNANI TERRA e LORENA MENON
Com o sucesso de 1001 Dúvidas de Português, os autores Ernani Terra e José De Nicola, que há mais de vinte anos lecionam e publicam diversas obras voltadas ao ensino da língua portuguesa, se juntaram à autora Lorena Menón, todos estudiosos do universo lingüístico, para selecionar 1001 estrangeirismos de uso cotidiano no Brasil que consideram os mais recorrentes na língua portuguesa.
Os estrangeirismos sempre estiveram presentes na língua portuguesa. A maior ou menor intensidade da presença estrangeira na língua vernácula vincula-se a diferentes influências, sejam econômicas, tecnológicas ou culturais. Esses termos ou expressões se incorporam à realidade lingüística sem a menor cerimônia, nos mais diversos espaços: da ciência, da tecnologia, da diplomacia, dos esportes, da culinária, da moda, etc. Muitos desses estrangeirismos passam a integrar a língua que se aprende em casa, na rua, no trabalho. Língua falada, língua viva. Outros, simplesmente passam: não vão além da efemeridade do modismo.
Neste livro, os autores apresentam 1001 verbetes, em ordem alfabética, que acabam por remeter a cerca de 3000 termos e expressões corriqueiros nas mais variadas situações de nosso cotidiano: de expressões latinas tradicionais no campo jurídico aos termos mais recentes da Era da internet.





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E a gorjeta, doutor?

iPod compulsorio

Esta noite quase não dormi. Cinco vezes na madrugada fui acordado por uma Saveiro preta, placa... hummm... deixa pra lá... com uma caçamba cheia de alto-falantes atrás e uma cabeça vazia ao volante. Era mais um iPod gigante e compulsório, fazendo os moradores do bairro correrem velozes e furiosos fechar suas janelas.

Além de acordar o quarteirão, o iPodmóvel acordava também os alarmes dos carros, o que ampliava o ruído já insanamente amplificado. Será que a criança não tinha fones de ouvido? Hummm... talvez não tenha encontrado um para o tamanho de sua cabeça. No catálogo da Barbie, talvez...

Quando falta atenção, talento ou capacidade, o caminho mais curto é comprar algo que supra essa carência. Governos criam impostos compulsórios para compensar a má versação dos impostos convencionais - alguém aí falou em CPMF? Serial-killers compram armas para matar compulsoriamente quem não quer morrer. Crianças se debatem no chão e, depois que crescem, compram Saveiros para transformá-las em iPods compulsórios e chamar atenção.

Mas o que é mesmo compulsório? Meu "Orélho", versão informal do outro, diz que "compulsório é tudo aquilo que é socado garganta adentro", como se faz com aguardente em peru de Natal e ração em ganso de "foie gras", aquele fígado doente e cirrótico de passar no pão.

Há também os mercados fechados e compulsórios para proteger a falta de competitividade ou vender inutilidades. Eu ainda tenho um kit de primeiros socorros em meu carro, e você? E existem até sociedades reservadas, para garantir a sobrevivência da incompetência, tipo eu só compro de você e você só compra de mim.

O problema do compulsório é que é transitório, nunca dá resultado, e só agrada alguns poucos, no meu caso, só um: o "DJ de Saveiro" carente de platéia.

Você se lembra da reserva compulsória do mercado de informática no Brasil? Enquanto outros países importavam e recebiam transferência de tecnologia para criar uma base industrial, aqui o contrabando e a maquiagem "nacional" corriam soltos. Você deve se lembrar, foi no tempo em que nossas carroças eram protegidas da ameaça dos automóveis importados.

O fenômeno que hoje se chama China só ocorreu porque os chineses decidiram abrir os olhos e uma fresta no isolamento, que tinha por pretexto proteger seu mercado, seu comunismo e sua sociedade. Outros países da Ásia vieram atrás, e agora até o Vietnã desponta como segundo produtor mundial de café, deixando o café brasileiro mais amargo de se comprar, um problemão para mim, que hoje devo tomar umas dez xícaras para trabalhar. É que o baixo custo vietnamita puxou os preços globais para o seu terreiro.

Mas nenhuma abertura nas reservas, barreiras e fronteiras sacudiu tanto o mundo quanto a União Européia. Não foi fácil. Ou era o Pierre querendo proteger seus queijos e vinhos, ou o Giovanni endurecendo na hora de abrir mão do grano duro, ou o Fritz se recusando a engolir qualquer cerveja que não fosse fabricada segundo a receita compulsória alemã: água, lúpulo, malte, fermento e só.

Agora que a casa caiu nos EUA, a Europa ficou ainda mais forte e sua moeda promete substituir a hegemonia do dólar no mercado mundial. Barreiras visíveis desaparecem, algumas mudam de mãos, mas outras invisíveis são levantadas. Hoje a Europa já manda na indústria norte-americana, que fabrica segundo as normas européias, mais rígidas, para poder vender na União Européia sem precisar fabricar duas vezes, uma para lá, outra para cá.

Eu me lembro de ter levado bronca na Europa por causa da rigidez de suas leis. Uma, por só ter reduzido a marcha, sem parar, em uma esquina de duas estradinhas com visibilidade de quilômetros. Lá as placas "PARE" são feitas para você parar. Outra, por ter buzinado na Inglaterra, algo que você não faz nem que a rainha corra o risco de ser atropelada. Lá a lei do silêncio é rigorosa.

Espero sinceramente que essa lei um dia chegue aqui para eu poder dormir. Se não chegar e continuar aceitável que qualquer um produza seu som compulsório nas madrugadas, até eu vou aderir. Não, eu não pretendo comprar uma Saveiro "tunada" e nem perder meu tempo zanzando por aí de madrugada. Vou "tunar" a sacada de meu apartamento: iluminar com neon, regar as plantas com nitro e enchê-la de alto-falantes ligados a um microfone em meu criado-mudo. O som? Nem rock, nem axé, nem hip-hop. Eu ronco!


http://www.youtube.com/watch?v=R9AQPwcKeRo

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The Natural Step: a História de uma Revolução Silenciosa
KARL-HENRIK ROBERT


The Natural Step é o impressionante relato de uma revolução silenciosa, iniciada na Suécia e hoje espalhando-se pelo mundo todo. É uma revolução que influenciou inúmeras pessoas, governos, universidades e empresas no sentido de levarem a sério o destino da Terra e as suas atividades. Para o universo corporativo especialmente, o assunto também tem a ver com as novas condições para ser bem-sucedido no mercado do século XXI, em que a sustentabilidade social e ecológica rapidamente dita as regras do jogo. Esta é a história de uma nova maneira de ver as coisas, uma maneira mais eficaz de dialogar para chegar a um mundo sustentável, e do homem que está por trás de uma das mais promissoras organizações dos nossos tempos.



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E a gorjeta, doutor?

Velho e bom atendimento

O PROCON na Babilônia tratava com rigor os oftalmologistas que falhassem no atendimento ao cliente. Aparentemente o código de defesa do consumidor vigente lá não era na base do "olho por olho", e sim do "olho por mão". 

"Se um médico trata alguém de uma grave ferida com a lanceta de bronze e o mata ou lhe abre uma incisão com a lanceta de bronze e o olho fica perdido, se lhe deverão cortar as mãos", escreveu Hamurabi há 3.700 anos.

Todo oftalmologista sabe que não deve cobrar o olho da cara, pois na melhor das hipóteses só ganhará duas vezes. O deus nórdico Odin foi quem inventou a expressão, ao pagar um olho por um gole de sabedoria do poço de Mimir. A partir daí ele passou a perguntar de antemão o preço das consultas.

Mas o que nem todo oftalmologista sabe é que talvez precise procurar uma fonoaudióloga. Você sabia que o tom de voz de um cirurgião durante as consultas de rotina pode determinar se ele será processado ou não em caso de erro médico? Esta é a conclusão de um estudo denominado "Surgeons' tone of voice: A clue to malpractice history", publicado em 2002 na revista "Surgery".

E não é só a entonação que pode entornar um atendimento. Ao ministrar um treinamento para profissionais de saúde descobri que havia quase um consenso entre os participantes daquilo que gostamos e odiamos em um atendimento ao cliente. A coisa é tão antiga que até Hamurabi já sabia.

A genial crônica de Max Gehringer em um de seus programas na Rádio CBN revela que muita novidade tem milênios de idade. Max começa dando dicas supostamente de um guru moderno e termina revelando que elas foram tiradas do livro de Eclesiastes, na Bíblia. O mesmo que diz que "o que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: 'Veja! Isto é novo!'? Não! Já existiu há muito tempo; bem antes da nossa época" (Ec 1:9, 10).

Até o iPad? Sim, mesmo o iPad. Quero dizer, pelo menos o conceito do tablete já era usado na antiga Babilônia. A diferença é que os tabletes de então eram de argila, a escrita era cuneiforme e para salvar o que escreveu você precisava levar ao forno. Mas não precisava de bateria. O que Steve Jobs fez foi transformar isso numa experiência moderna de satisfação.

Hoje, sem saber que eu viajaria no tempo, decidi pesquisar um bom filtro de água para minha cozinha. Fui parar no www.metaefficient.com, um site que se intitula "Guia Para Coisas Altamente Eficientes". Seus autores fazem testes para determinar os produtos mais eficientes em termos de energia, toxidez, custo-benefício e durabilidade.

Qual você acha que foi o filtro eficiente que o site sugeriu? Um filtro de argila da marca "Stefani" fabricado no Brasil.

Fui excepcionalmente atendido numa loja onde fui comprar o filtro. Em questão de segundos a vendedora digitou meus dados, emitiu o pedido e indicou para eu pagar no caixa. Enquanto ela me atendia, os outros vendedores pareciam passar em câmera lenta. Mas depois de um bom atendimento veio o gargalo no pagamento para mostrar que não basta um elo ser eficiente. O que importa é toda a corrente.

Havia duas filas. A fila que tinha só uma senhora aguardando era para aposentados e gestantes, e a senhora estava mais para a primeira categoria do que para a segunda, enquanto eu não me qualificava em nenhuma delas. Só me restava pegar a outra fila. Num sincronismo perfeito, um dos cantores da dupla "Victor e Léo" - não me pergunte qual - que cantava em um mega-show na TV de 42 polegadas ao lado, adivinhou meus pensamentos.

O Victor - ou o Léo, não me pergunte - fez uma pausa e, olhando para a platéia, exclamou: "Nossa! Quanta gente!" Parecia até que ele podia enxergar a fila que eu estava para pegar.

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Uma luta pela vida
Lia Persona


Em uma "Luta pela Vida" Lia Persona compartilha suas emoções e memórias como irmã e enfermeira de seu irmão adotivo portador de paralisia cerebral. A autora intercala seu passado com seu presente; história com realidade; a luta de seu irmão pela vida, com a luta de seus pacientes por suas vidas.

Concorrendo com mais de 650 obras inscritas, esse romance baseado em fatos reais, foi vencedor do Concurso Literário Anjos de Branco e escolhido por uma comissão formada pelos escritores Antonio Olinto, José Louzeiro e Arnaldo Niskier da Academia Brasileira de Letras. A primeira edição de "Uma Luta pela Vida" foi publicada como parte da Coleção Anjos de Branco que inclui os autores Antonio Olinto, José Louzeiro, Helena Parente Cunha, Carlos Nejar, Arnaldo Niskier, Marcos Santarrita, Patch Adams e Maureen Mylander.
Lia persona é enfermeira formada pela Unicamp e atualmente reside com seu marido e seu filho nos Estados Unidos.
Editoras: Clube de Autores, Createspace e AGBook
Ano: 2010
Edição: 2
Número de páginas: 220
Acabamento: Brochura
Formato: Médio




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