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Youtube, widescreen e pensamento bi-hemisferico

Tá todo mundo atrás de uma solução milagrosa para a crise. Quer uma idéia? Veja o Youtube. Reparou que ele esticou? Virou widescreen.

Se já era preciso ser criativo para encher de tutano aquela telinha 4:3 copiada da TV antiga, imagine encher a linguiça 16:9. Para enfrentar a crise o jeito é pensar widescreen, igual ao Youtube, colocar os dois hemisférios para trabalhar.



Já viu como todo mundo está cortando tudo? Custos, pessoal, material, cafezinho. Ok, não ia dar mesmo para continuar com toda aquela gordura. Mas onde você acha que isso vai chegar? Quando todos cortam custos, todos ficam de custos cortados. Iguais, idênticos, sem qualquer diferencial competitivo. Sim, isso já é uma big mudança, mas é uma mudança commodity, compulsória e global, que não diferencia ninguém.

A mudança que faz a diferença não é a imposta pelas circunstâncias, mas a desencadeada pela criatividade e inovação. Criatividade é a geração de novas idéias, e inovação é colocá-las em prática. O resultado é a mudança que tira você da tela estreita da mesmice e o coloca numa faixa do espectro de idéias que ninguém ainda ocupou.

Para isso você vai precisar usar o resto da tela de seu cérebro, despertar sua lateral direita, entorpecida, e pensar de modo bi hemisférico. Mono hemisféricos nós já somos, treinados que fomos por escolas que mataram a criatividade e nos transformaram em maquininhas de pensamento lógico, racional e analítico.

É na escola que a professora interrompe o vôo da nave espacial que nossa mão faz dar piruetas no ar, para explicar que aquilo não passa de uma caneta. A escola joga uma pá de cal cartesiana na fantasia colorida da infância, e somos catapultados sem piedade para o mundo cinzento dos adultos.

Na escola quem acerta na prova se dá bem. Na vida, quem erra, aprende e tenta mil vezes se dá melhor. A menos que você comece a desenvolver alguma atividade criativa nas profundezas do hemisfério direito de seu cérebro, seu destino é virar mais um Smith do Matrix, aquele com óculos de camelô e gravata do avô. São poucos os neolíderes da verdadeira revolução, a criativa.

O líder da mudança criativa é otimista, vive em busca de oportunidades. É também tolerante para com o erro porque aprende com ele. É bem humorado porque se diverte fazendo o que faz. É curioso, indagador, e não tem medo de dizer que não sabe e quer aprender. É apaixonado e se entusiasma com a facilidade de uma criança.

Esse líder adora procurar sarna pra se coçar, enfiar o nariz onde não foi chamado e grudar num problema que ninguém quis resolver. É contagiante. Você não consegue passar perto dele sem ser abordado, agarrado e persuadido pela paixão com que ele tenta vender suas idéias.

Mas você não será criativo se continuar pensando do jeito mono hemisférico que treinou na escola. E nem se cair no equívoco dessa forma de trabalho em equipe que encontra em algumas empresas.

Nas empresas quadradinhas, trabalho em equipe é tudo aquilo que visa chegar a um resultado de consenso. Tá bom, você conhece alguma obra de arte pintada por uma comissão? Arte verdadeira é aquela que a genialidade de um artista pintou e foi reconhecida como tal por um grupo de pessoas. A equipe.

Dê a lista de autores de "Senhor dos Anéis", toque uma sinfonia composta pela equipe da qual Beethoven fazia parte, ou sugira ao Hamilton tentar ser campeão outra vez levando no cockpit o pessoal do box. Entendeu agora que equipe é uma soma de talentos individuais e não a sua diluição? Que equipe é um terreno que produz ouro, não amálgama?

Infelizmente muitos líderes não vêem assim. Eles estão mais para carpinteiros que enxergam seus subordinados como pregos numa tábua. É só perceber uma cabeça saliente e ele martela até ficarem todas iguais.

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Fora de Série : Outliers - Malcolm Gladwell 

O que torna algumas pessoas capazes de atingir um sucesso tão extraordinário e peculiar a ponto de serem chamadas de "fora de série"?
Costumamos acreditar que trajetórias excepcionais, como a dos gênios que revolucionam o mundo dos negócios, das artes, das ciências e dos esportes, devem-se unicamente ao talento. Mas neste livro você verá que o universo das personalidades brilhantes esconde uma lógica muito mais fascinante e complexa do que aparenta. Baseando-se na história de celebridades como Bill Gates, os Beatles e Mozart, Malcolm Gladwell mostra que ninguém "se faz sozinho". Todos os que se destacam por uma atuação fenomenal são, invariavelmente, pessoas que se beneficiaram de oportunidades incríveis, vantagens ocultas e heranças culturais. Tiveram a chance de aprender, trabalhar duro e interagir com o mundo de uma forma singular. Esses são os indivíduos fora de série - os outliers.
Para Gladwell, mais importante do que entender como são essas pessoas é saber qual é sua cultura, a época em que nasceram, quem são seus amigos, sua família e o local de origem de seus antepassados, pois tudo isso exerce um impacto fundamental no padrão de qualidade das realizações humanas. E ele menciona a história de sua própria família como exemplo. Além disso, para se alcançar o nível de excelência em qualquer atividade são necessárias nada menos do que 10 mil horas de prática - o equivalente a três horas por dia (ou 20 horas por semana) de treinamento durante 10 anos. Aqui você saberá também de que maneira os legados culturais explicam questões interessantes, como o domínio que os asiáticos têm da matemática e o fato de o número de acidentes aéreos ser mais alto nos países onde as pessoas se encontram a uma distância muito grande do poder.

Editora: Sextante
Autor: MALCOLM GLADWELL
ISBN: 9788575424483
Origem: Nacional
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 288
Acabamento: Brochura
Formato: Médio






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E a gorjeta, doutor?

3 comentários:

  1. Obrigado Mário, ótima referência para explicar aos professores da minha faculdade, de como funciona a soma de talentos em um trabalho em que eles chamam de "equipe", hoje em dia vejo muito que envés de somar os talentos é sobrecarregado as responsabilidades só a um nos grupos... e todos se passam como estudiosos em busca de ótimas notas e na verdade, aprendem muito pouco...

    Abraços

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  2. Adorei a "pá de cal cartesiana". Identificação total com a minha trajetória. Procurei em várias ideologias a fuga. Até mesmo em ideais destrutivos. A saída aparece num momento inesperado. Estou entendendo qual o devido lugar das pérolas.

    Visitem também:
    www.betorossini.blogspot.com

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  3. magda de lima22/9/11

    Olá Persona, acho que às vezes as pessoas não aceitam idéias ou não dividem tarefas, porque, de alguma forma, acham que isso será motivo de concorrência, mesmo em setores diferentes...Que bom que este texto prova o contrário.Obrigado.

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