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Se oriente rapaz

Bem que o Gil previu. Em 1972 ele já cantava o "Oriente". Tudo bem que então ele só pensou no Japão e nem imaginou que o negócio da China seria a própria. Afinal, ela só acordou depois do sol nascer na terra do sol nascente. Agora somos nós que acordamos.


No ano em que Gil orientava para o Oriente, fui viver no mais ocidental Ocidente, numa típica família americana -- ele made in USA, ela na América Central. Apesar de não ser a China, o contato alienígena me ensinou que é importante aprender a língua.

Agora oriento os mais jovens a aprenderem chinês -- ou mandarim, se achar mais fácil. Se eu sei? Nadinha. De China sou zero à esquerda, apesar de meu primeiro radinho de infância ter sido um Mitsubishi. A Mitsubishi é japonesa? Eu avisei, sou zero à esquerda.

Mas se quiser negociar e vender na China aprenda a língua. Como assim? Vender o quê? Oras, qualquer coisa que eles ainda não vendam aqui! Ok, esqueça este argumento. Vou tentar outro.

Um país com mais de 20% da população mundial deve querer comprar alguma coisa. Mais de um bilhão de pessoas! Um mercado com gente que não acaba mais. Pílulas anticoncepcionais? Isso eles já têm.Quando as estatísticas apontavam que a cada segundo uma chinesa dava à luz uma criança, alguém sugeriu que encontrassem essa mulher e a fizessem parar. Não encontraram. Então impuseram o limite de uma gestação por casal.

Olha aí uma oportunidade de negócio: vender sofás de três lugares para essas famílias. Mas produza alguns de quatro, porque as autoridades ainda não conseguiram resolver a questão dos gêmeos.

Outra ideia? Vá vender tratamento para LER, a Lesão por Esforço Repetitivo. Se existe mercado para isso? Oras, se aqui o pessoal já sofre com um alfabeto de 23 letras imagine o que é digitar num teclado com mais de 6 mil caracteres!

Entenda, porém, que começar um negócio lá exige paciência. O povo chinês é assim. Outro dia ouvi um locutor noticiar: "O embaixador chinês demonstrou impaciência com a demora da resolução tal e tal". Esse locutor está por fora. Já viu chinês impaciente?

Por ser brasileiro, você pode até perder a paciência de vez em quando lá na China. Só não solte os cachorros e nem diga cobras e lagartos em algum restaurante chinês. O garçom pode perguntar se vai querer frito ou cozido. Minha orientação? Aprenda a língua para proteger seu paladar.

Sei disso porque me dei mal nos EUA vivendo numa família norte-americana como estudante de intercâmbio que não fez a lição de inglês em casa. Adolescente e obediente, durante um mês engoli de breakfast aquelas panquecas doces e meladas. Um mês foi o tempo que levei para aprender e dizer "I hate pancakes!".

-- Como pode detestar se comeu todo esse tempo e nunca disse nada? -- perguntou a mother de lá, em inglês curto e grosso.

A conversa morreu ali por absoluta falta de vocabulário. Comi panquecas todos os breakfasts por mais cinco meses até voltar ao Brasil. Desde então oriento quem quiser se aventurar pelo Oriente, de avião ou, como sugere o Gil, "num cargueiro do Lloyd lavando o porão": Aprenda a língua!


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Marketing Internacional - Cateora e Graham

Vivemos um período de profundas mudanças e a globalização dos mercados cresce em meio à aceitação universal do modelo democrático da livre iniciativa e das novas tecnologias de comunicação, entre elas o telefone celular e a Internet. O Marketing Internacional ganha papel fundamental neste tempo de comércio sem fronteiras e afetado por questões como equilíbrio demográfico, aquecimento global e meio ambiente, avanço das ciências biológicas, tecnologia e poderio militar, entre outros.

A obra acompanha estas transformações no marketing global, aborda seus aspectos cultural e ambiental, analisa novas oportunidades e o impacto resultante das três tendências importantes do mercado atual: a expansão dos emergentes, o crescimento do segmento de classe média e a criação dos grupos regionais. Esta edição traz novidades: enfatiza as questões da competição, as mudanças nas estruturas do mercado, a ética e a responsabilidade social, as negociações e a preparação do administrador para o Século 21.

Outras inovações são os mapas em cores, a abertura dos capítulos com uma Perspectiva Global, um exemplo real de experiências corporativas; a valorização da Internet como ferramenta (sempre que cita dados obtidos na Web aponta o endereço de origem); os novos Exemplos e Ilustrações, os boxes Atravessando Fronteiras, com questões contemporâneas que visam estimular o pensamento crítico do leitor e a Agenda do País, uma ferramenta online que permite uma completa investigação de um mercado-alvo no exterior.

Editora: LTC
Autor: PHILIP R. CATEORA & JOHN GRAHAM
ISBN: 9788521616887
Origem: Nacional
Ano: 2009




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E a gorjeta, doutor?

Um comentário:

  1. Oi Mario! Gostei e gosto muito do que escreve! Alias moro no Japao e também já morei na China e realmente ate aprendermos a língua engolimos (literalmente também) muita coisa que não queremos!

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