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O dia em que a charrete sumiu

Existe uma lei de mercado que determina que tudo o que agregar maior valor ao cliente é o que permanecerá. Maior rapidez, economia, facilidade etc. são medidos, não pelo fornecedor do produto ou serviço, mas pelo implacável mercado. Aquilo que for um estorvo no andar da carruagem do mercado simplesmente desaparecerá.

Foi assim quando os trabalhadores rurais protestaram contra a mecanização da lavoura. A mecanização ganhou a parada e expulsou o homem do campo. Ou quando muitos batedores de carimbo protestaram contra o advento do computador e dos sistemas de gestão informatizados. Também quando os cinemas protestaram contra as videolocadoras, que depois protestaram contra o video streaming via Web. E quando as lojas de revelação protestaram contra as câmeras digitais. 

As novas tecnologias colocaram até artistas em maus lenções. Músicos e cantores, que no passado foram beneficiados com a tecnologia da gravação de discos e podiam ficar em casa ganhando dinheiro sem tocar ou cantar, hoje precisam morar na estrada fazendo shows em cada parada, porque outras tecnologias minaram seus ganhos com a pirataria. E você se lembra quando um presidente que agora anda de Ferrari abriu as importações de automóveis? A indústria nacional reclamou, chorou, bateu o pé, mas a competitividade só melhorou a vida das pessoas. Deixamos as carroças e charretes e passamos a andar de automóvel.

Como enfrentar mudanças assim? Como fizeram as agências de viagens, que de tiradoras de bilhetes aéreos se transformaram em vendedoras de sonhos e experiências turísticas. Ou as lojas de um calçadão que conheci, que montaram barracas em frente às suas portas quando desistiram de tentar combater os camelôs. Criaram seus próprios camelôs para garantir um lugar ao sol da calçada. Era mudar ou morrer. 

Vi no noticiário uma manifestação de taxistas que parou o Rio e atrapalhou a vida de muitos clientes de táxi. Resultado? Só criou frustração e aumentou o desejo dos usuários de táxi por uma alternativa como o Uber. Coisas assim são um tiro no pé porque, afinal,  tudo o que agregar maior valor ao cliente é o que permanecerá. Maior rapidez, economia, facilidade etc. são medidos, não pelo fornecedor do serviço, mas pelo implacável mercado.

Eu particularmente sou fã de táxi e prefiro contratar um quando viajo a trabalho a utilizar carro alugado, até para viagens mais longas. Mas não se trata de discutir se é justo ou não, se é correto o taxista perder o investimento que fez ou não. Trata-se de entender que é assim que as coisas funcionam e procurar mudar para sobreviver. Porque o que há de ser será, é só questão de tempo. Como foi com a colheitadeira, o computador ou o comércio eletrônico, que colocou para escanteio muitos intermediários e atravessadores que ficaram obsoletos com a nova tecnologia de compras online.


Mudar foi o que fez meu avô, quando percebeu que ninguém mais iria andar de charrete com a popularização do automóvel. Ele parou de fabricar selas e arreios e passou a fabricar sandálias e sapatos, transformando sua pequena selaria em uma grande indústria. Usuários de charretes iriam desparecer porque, afinal, o carro colocava o escapamento dos gases atrás do motorista, e a charrete bem na frente do nariz dele. Ninguém mais iria querer.


Mario Persona é palestrante de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional. Seus serviços, livros, textos e entrevistas podem ser encontrados em www.mariopersona.com.br

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