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A biblioteca subiu no telhado

A piada é velha. Um sujeito é repreendido pelo amigo por ter enviado um email avisando da morte do gato. O dono do gato não gosta da notícia abrupta e instrui o outro a primeiro dizer que o gato subiu no telhado, depois que caiu, está passando mal etc. até morrer. Um mês depois chega um novo email: “Sua mãe subiu no telhado”.

No caso da biblioteca, porém, não é piada. E também não é qualquer biblioteca que subiu no telhado. Trata-se da biblioteca pública de Filadélfia, que Benjamin Franklin ajudou a criar. A notícia de que suas 53 instalações fechariam as portas teve, nos bibliófilos, o efeito de um incêndio de Alexandria.

Em 2006 estive em Filadélfia, mas não na biblioteca. Vi uma das lojas da Tower Records que estava liquidando para fechar. Já reparou quantas lojas de discos fecharam? E livrarias? Quando criança, minha cidade tinha 5 cinemas, hoje só tem um. A maioria das lojas de revelação de fotos morreu. Mesmo assim continuamos ouvindo música, lendo livros, vendo filmes e colecionando fotos.

O que mudou foi o modo de acessar essas coisas. A música é vendida online, as lojas de revelação vivem de fotos em camisetas, canecas e banners, as livrarias foram para a Web e o cinema agora é home theater. E a biblioteca?

Numa época quando o bibliotecário já devia ter se transformado em cibertecário, 3 mil empregos em Filadélfia estão por um fio. Na última hora uma verba estadual deu à biblioteca fôlego para permanecer mais algum tempo no telhado.

Quando no inverno da crise de 2008-2009 as bibliotecas norte-americanas ficaram cheias, muita gente achou que o interesse tivesse retornado. Engano. Profissionais liberais passaram a trabalhar nelas para economizar Internet e aquecimento em casa. Um estudo revela que mais de 71% das bibliotecas nos EUA são o único provedor de computadores e Internet grátis em suas comunidades. E 44% do interesse de seus usuários está em acessar sites de empregos.

Mas o fato de algumas bibliotecas terem subido no telhado não significa que irão cair dele. A Google não estaria investindo milhões escaneando os acervos das principais bibliotecas do mundo se o negócio estivesse morto. É preciso entender para onde caminha a humanidade.

Em 1998 eu escrevia sobre Internet, mas quando vi que a novidade ia acabar passei a escrever sobre comunicação, marketing e desenvolvimento pessoal, assuntos sem data de validade. Em 2006 inaugurei meu canal no Youtube, a TV Barbante. Hoje meu site de 900 páginas de texto gera 2,5 mil page-views diários, enquanto meus 120 vídeos geram 2,1 mil video-views. Faça as contas e você verá que vídeo atrai muito mais do que texto. A nova geração é visual e a velha está morrendo.

A princípio pensei em alugar um servidor para meus vídeos não saírem de meu domínio, mas o pipoqueiro me convenceu do contrário. Ele não fica com o carrinho no quintal, mas vai para a porta do estádio. Então fui para o estádio do Youtube. As bibliotecas que se aliaram à Google em seu projeto estão de olho no estádio.

A biblioteca tradicional oferece informações e acesso como fazia nos tempos de Benjamin Franklin. Mas lá fora o mundo vive um processo caótico de conhecimento baseado na interatividade e nos relacionamentos. Você já ouviu falar em redes sociais?

O problema é que o conceito das redes sociais é inadmissível na antiga biblioteca convencional. Pense na biblioteca de sua infância e você pensará na tia mandando calar a boca. A menos que essa cultura seja mudada, mais bibliotecas continuarão a subir no telhado. As bibliotecas precisam mesmo é de percepção.

Foi a falta de percepção que levou uma garota a entrar numa biblioteca e pedir fritas, hambúrguer e milkshake em alto e bom som. (Ok, eu sei que é outra piada velha, mas esta virou até comercial da Mercedes Benz). A bibliotecária imediatamente avisa a garota que ali é uma biblioteca. Envergonhada, a menina chega mais perto e cochicha baixinho:

- Eu quero fritas, hambúrguer e milkshake



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O Negócio dos Livros
Andre Schiffrin
O livro discute os bastidores da biblioindústria. Publicado em 21 países e agora no Brasil, O Negócio dos Livros analisa o mercado da produção editorial no mundo e trata de questões como: quem decide o que está nas prateleiras das livrarias? Como são negociados grandes acordos internacionais de compra e venda de livros e editoras?
Há quase 50 anos no mercado, Schiffrin esclarece com análises polêmicas essas e outras questões sobre os bastidores do universo editorial. O autor chama atenção para o papel que deve desempenhar o editor e alerta como é perigoso viver em uma cultura limitada de idéias e alternativas e como é fundamental manter um amplo debate em torno do que é publicado.

O AUTOR:
André Schiffrin nasceu na França, em 1935, e vive nos Estados Unidos desde 1941. Durante 30 anos foi editor da Pantheon, por onde publicou importantes autores norte-americanos, europeus e latino-americanos. Desde 1990, dirige a editora independente sem fins lucrativos The New Press, localizada em Nova York e subsidiada por diversas fundações.

Editora: Casa da Palavra
Autor: ANDRE SCHIFFRIN
ISBN: 8577340236
Origem: Nacional
Ano: 2006
Edição: 1
Número de páginas: 178
Acabamento: Brochura
Formato: Médio




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E a gorjeta, doutor?

As 110 lampadas

Não, não eram 102 dálmatas, muito embora aquele teto lembrasse a pele do cão. Eram cento e dez pontos negros no teto branco segurando cento e dez lâmpadas econômicas que não faziam economia alguma.

Eu estava na pequena agência dos correios da pequena estância hidromineral onde passava minhas férias quando pequeno. Fiz uma parada rápida ali a caminho de um cliente na cidade seguinte para matar a saudade e postar um sedex.

Aquele exagero de pontos de luz em um ambiente pouco maior que minha sala chamou minha atenção, provavelmente por ser arquiteto de formação e curioso por vocação.

O curso de arquitetura me ensinou a observar os detalhes e a pensar em 3D, coisas que me ajudam até hoje. Disso depende o pensamento estratégico em qualquer atividade que eu exerça e ainda posso ouvir meu professor dizendo:

"Prédios não têm fachada, não têm frente nem fundos, todos os lados precisam ser pensados".

Vale para qualquer negócio. A arquitetura me ensinou também a tomar o ser humano como ponto de partida e destino de todo projeto. Só faltou uma coisa no curso de arquitetura, algo que todos os cursos ficam devendo a seus alunos: ensinar a vender.

Por não ter aprendido marketing saí da faculdade com uma visão hermética, purista e elitista: só eu seria capaz de saber o que era melhor para meu cliente e pouco me importava se ele entendia ou não o valor e a razão da minha profissão. Caí no mercado com uma visão equivocada do que é ser arquiteto.

Mas se eu, que estava dentro, tinha uma visão equivocada, o que esperar de quem está fora? Pergunte a qualquer pessoa o que um arquiteto faz e, deixando de fora os que ficarão mudos, você terá um rosário de definições, algumas nem um pouco politicamente corretas.

A maioria vai concluir que arquiteto é um luxo desnecessário. Arquiteto? Pra que? Basta levar o esboço feito pela patroa em papel de pão e aquele despachante da esquina passa a limpo e ainda obtém a aprovação da planta. Nada que uma caixa de cerveja não resolva.

Mas, na real, o que é arquitetura e o que faz o arquiteto? Fiz uma busca no Google e fiquei petrificado como a definição de Goethe: "Arquitetura é música petrificada". Le Corbusier definiu a arquitetura como "o magistral, magnífico e correto jogo de volumes trazidos à luz". Lá atrás, há 2 mil anos, Marco Vitrúvio Polião, arquiteto romano, escreveu:

"A arquitetura é uma ciência, surgindo de muitas outras, e adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento é formado daqueles trabalhos que são o resultado das outras artes."

Hã? Bem, com definições assim, o que você esperava que o leigo pensasse do arquiteto? O que pouca gente percebe é que há milhares de anos o arquiteto tem deixado sua marca na história humana. Oras, quem você acha que projetava as cidades, edifícios e ambientes dos épicos que você vê no cinema? Exceto pela parte em que o arquiteto era enterrado vivo com o faraó, a profissão era das melhores e mais respeitadas da antiguidade.

E hoje? Falta ao arquiteto saber vender seu peixe; conseguir traduzir para o cliente o valor intrínseco da profissão, descortinar o benefício, o que o cliente vai ganhar com isso. Sem isso não é possível evitar a idéia equivocada que muitos têm da profissão. O homem atrás de mim na fila da agência de correios era um deles.

Depois de contar as lâmpadas para matar o tempo, comentei com ele:

- Será que aqui funcionava uma loja de lustres e aproveitaram os pontos de luz? Ou, talvez, o dono do imóvel seja um fabricante falido de bocais? Ou quem sabe um acionista da indústria de lâmpadas econômicas?

-- Nada disso -- redargüiu o homem na fila. - Isso aí só pode ser coisa de arquiteto.

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Lovemarks: o Futuro Além das Marcas
KEVIN ROBERTS


Para sobreviverem, as grandes marcas precisam criar nos consumidores uma "fidelidade além da razão". Esta é a única forma de se distinguirem dos milhões de marcas insossas. O segredo é usar Mistério, Sensualidade e Intimidade, paradigma que faz parte da construção de Lovemarks, conceito criado por Kevin Roberts, CEO mundial da Saatchi & Saatchi. Roberts prova, em Lovemarks: o Futuro Além das Marcas, ser possível construir um compromisso apaixonado entre cliente e marca, por meio daqueles três conceitos poderosos. Este livro proporciona a profissionais de marketing novas formas de pensar sobre como fixar a marca com base no mistério, sensualidade e intimidade. Roberts proporciona insights práticos sobre as formas de alavancar o poder da emoção, do respeito e do amor. Afinal, o que vem depois das marcas? Lovemarks.




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E a gorjeta, doutor?

Banana, menina, tem vitamina

Qual a diferença entre a grande mídia e a mídia nanica? Bem, uma é isenta, a outra tendenciosa. Uma é original, a outra copiadora. Uma se alimenta de fatos, a outra de bananas. Mas qual é qual, afinal?

Decida você. Não há dúvida de que uma é 'mais grande' e desculpe pelo 'mais grande'. Já que escrevo num blog, não posso ser 100% correto ou confiável. Questão de coerência.

Continuando, nem sempre o 'mais grande' é o mais inteligente. O "Asno de Buridan", por exemplo, morreu de fome. A mídia 'mais grande' ficou assim por vender melhor.

Um dentista contou que, na última aula da faculdade, o mais arcano dos mestres revelou a fórmula do sucesso:

- O dentista mais bem sucedido financeiramente não será o que tirou as melhores notas. Será o melhor vendedor.

Vender sempre foi a alma do negócio, e às vezes as almas são o negócio. Há quem compare grandes e pequenas mídias em termos de credibilidade, qualidade e compromisso. Eu comparo em termos de vitamina.

Na pequena - blogs, youtubes, podcasts - a vitamina que faz a menina crescer não é a banana, é o ego. Por falar nisso, já contei que meus vídeos da TV Barbante ultrapassaram um milhão de acessos? Pois é...

Na grande? A vitamina é o capital. E seu produto? Quem aí acha que é informação levante a mão. Errou. O produto da grande mídia são as almas leitoras, ouvintes ou telespectadoras vendidas aos anunciantes. Tem nanica, prata, ouro...

Já foi mais fácil. Hoje a bananada está debandando para a banca da Internet. Então, na falta de prata e ouro, é preciso adaptar o nível da grande mídia à nanica, que cresce nas bananeiras mais baixas.

- Peraí, e eu, qual é o meu papel? - pergunta indignado meu leitor jornalista.

Criar textos e pretextos para atrair e manter as pencas numa mesma banca. Ou quem você acha que paga seu salário. Quem consome informação? Tá brincando! Cole o ouvido na porta do departamento comercial do jornal, revista ou TV e ouça você mesmo:

"Olha o leitor de informática, quem vai querer?" "Executivos a caminho do trabalho, compre aqui na minha rádio!" "Donas de casa desesperadas? É neste canal!" E por aí vai.

- A pequena pode ser pessoal, mas a grande é imparcial. - esclarece meu leitor publicitário defendendo seu cliente.

Imparcial? Negócios nem sempre podem se dar ao luxo de serem imparciais na hora de decidir para qual brasa puxar a banana, digo, a sardinha. A pauta mantida ou caída, por exemplo, já é uma tomada de posição. Quando o negócio é vender, vale até a não-notícia:

"ESTARIA CHAVES PLANEJANDO INVADIR A AMAZÔNIA?"

Nunca viu manchete assim, perguntando? Diz o que ninguém disse para criar fuzuê e aumentar a tiragem. Ah, tem a tiragem. Sabe pra que servem aquelas campanhas do tipo "receba grátis por três meses"? Lembre-se, é de almas que o negócio vive, pagantes ou não. Quanto maior a penca, mais brilham os olhos do freguês.

Há outros truques. Exemplo? Opiniões que ajudam a atrair concessões pós-eleições. Mais? Apostas em clientes grávidos de futuros patrocínios. É aí que entra a arte de transformar empresas em notícias:

"MARIO PERSONA PLANEJA FATURAR 1 MILHÃO PLANTANDO BANANEIRAS"

Vai dizer que nunca viu uma notícia assim? Não é notícia, mas sai como se fosse, desde que a empresa que 'planeja' tenha cacife para realizar o que foi conversado atrás das bananeiras: comprar tempo e espaço de veiculação.

Nem sempre funciona. Na época da bolha pontocom vi muita promessa que embrulhava leitores acabar embrulhando carne em açougue. Isso quando o feitiço não virava contra o feiticeiro, como aconteceu com um empresário que conheci.

Na ânsia de fazer sua empresa crescer e aparecer, contratou uma assessoria de imprensa e conseguiu. Não crescer, só aparecer. Sua empresa não saiu do chão, mas o 'case' fabricado foi parar numa revista de projeção, com uma astronômica previsão de faturamento. A empresa faliu, mas a revista continuou nos salões dos cabeleireiros, até sua ex-esposa ler o tanto de vitamina que tinha em sua previsão. Não deu outra: pediu a revisão da pensão.

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Buzz: a Era do Marketing Viral
MARIAN SALZMAN, IRA MATATHIA, ANN OREILLY


Eis o modo mais barato e eficiente de colocar o nome da sua marca na boca de todos e transformar consumidores potenciais em compradores reais. O buzz, porém, não surge espontaneamente: você tem de fazê-lo acontecer. Como disseminar o buzz? Como fomentá-lo? Em Buzz, três dos mais bem-sucedidos especialistas mundiais do ramo revelam as fórmulas altamente eficazes que empregaram para provocar alarido em torno de grandes marcas como American Online, Esprit e Nintendo. Marian Salzman, Ira Matathia e Ann O´Reilly não discorrem apenas sobre teoria: mostram como o buzz marketing funciona. Conduzem o leitor, passo a passo, ao longo do processo de identificação dos Alfas e dos Abelhas, pessoas influentes que garantem a transmissão de mensagens ao público-alvo.
Os autores apresentam também técnicas que comprovadamente criam a ilusão da espontaneidade, valendo-se das redes sociais existentes para levar a sua mensagem aonde você quer que ela chegue e induzindo os consumidores a trabalhar para você. Examinando estudos de caso colhidos em campanhas de marketing bem-sucedidas para Kate Spade, Bulgari, Ford, Nokia e Apple, este guia prático conta a história oculta de como o boca-a-boca realmente funciona. Você também descobrirá quão eficazes são os anúncios de impacto, o modo como aproveitar o ímpeto de uma marca e quais os produtos ou serviços que mais se beneficiam de uma campanha de buzz. Você descobrirá diferentes tipos de buzz (inclusive o marketing viral pela internet) e aprenderá a escolher o que funcionará melhor para determinada marca ou campanha. Além disso, ao longo do livro, tomará conhecimento de técnicas inovadoras de construção de buzz para ir além do simples comentário e gerar lealdade duradoura à marca.




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