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Encontro voce no Starbucks da esquina

A mulher na fila do Consulado Brasileiro reclamou, quando minha filha, com o bebê no colo, foi direto ao guichê tratar do passaporte da criança. Enquanto eu cuidava de meu outro neto, apontei para a mulher o texto da Lei 10.741 de 2003 assinada pelo Lula e afixado no quadro de avisos.

A lei brasileira que determina o atendimento preferencial aos portadores de necessidades especiais, idosos, mães com bebês e gestantes. A mulher argumentou que aquilo só valia no Brasil, mas expliquei a ela que o consulado era território brasileiro.

É fácil nos deixarmos levar pela ideia de que os brasileiros precisam de uma lei assim por serem menos educados. Países mais desenvolvidos não precisam disso porque seus cidadãos são naturalmente mais gentis, não é? Não é.

A cena muda. Agora estamos em um restaurante na Broadway Ave. e combinamos que eu e o bebê esperaremos por minha filha num Starbucks ali perto, enquanto ela leva seu filho de 3 anos para uma consulta na 93rd Street.

Depois que ela saiu, paguei a conta do restaurante e manobrei o carrinho do bebê até a calçada. Olhei de um lado e do outro, mas nada de Starbucks. Lembrei-me de ter visto um a algumas quadras dali. Fui até lá e pedi o maior café que tinham, porque a espera ia ser longa.

Nenhuma mesa vaga no térreo, só no mezzanino. O Starbucks é uma espécie de abrigo dos sem-teto novaiorquinos. Só uns dois ou três tomavam café. A maioria ocupava as mesas para bater papo, ler ou navegar. Só me restava tomar meu café em pé.

Do carrinho o Mark sorria para mim seu enorme sorriso banguela. Mark aprendeu a sorrir quando nasceu e não parou mais. É só olhar para ele e ele faz questão de mostrar desde a vaga dos incisivos, até o alicerce dos futuros molares. Só fecha a boca quando percebe que não tem mais ninguém olhando, como se fosse um salva tela.

Corri para a mesa que uma mulher desocupou e preparei a mamadeira do Mark, que já dava sinais de que iria trocar o sorriso pelo choro. Nas duas outras únicas mesas do térreo, um homem trabalhava no notebook e dois jovens jogavam xadrez sob um aviso que dizia: "Preferencial para idosos, grávidas e deficientes". Seria o Starbucks território brasileiro?

Enquanto eu dava mamadeira para o Mark, chegou uma moça que não era nem idosa, nem deficiente. Não sei dizer se estava grávida, mas ela tinha o pé engessado e se apoiava em muletas. A garota plantou ao lado da mesa dos enxadristas e encarou os dois com olhar de xeque-mate.

"Oops!", disse um deles, "Vou ver se tem uma mesa vazia no mezzanino para a gente ir jogar lá". Subiu, desceu, e informou: "I'm sorry, no table". E voltou a jogar como se nada tivesse acontecido. Felizmente o homem ao lado terminou seu trabalho e desocupou a mesa. Na cidade mais rica e famosa do mundo é assim, cada um por si.

Enquanto a garota se acomodava, eu fervia de um misto de indignação e prazer. É que quando vemos outros agindo de forma errada, nos sentimos indignados e superiores, achando que nós mesmos nunca erramos. Meu sentimento não durou muito.

Fazia mais de uma hora que eu esperava por minha filha e meu café esfriou de tanto eu fingir que bebericava, só para justificar a ocupação da mesa. Minha filha demorava demais. Sem um celular para me comunicar com ela, decidi perguntar à moça do pé quebrado se tinha algum outro Starbucks por ali.

Tinha sim. Ficava no número 2498 da Broadway, bem na esquina com a 93rd Street e quase em frente ao restaurante onde tínhamos almoçado.



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Superdicas de Etiqueta
Claudia Matarazzo


Como se comportar no elevador, em uma reunião de negócios ou à mesa com um monte de talheres e taças?
Como falar em público ao celular, fazer visitas em maternidades, reclamar no restaurante?
O que fazer ao hospedar ou receber alguém em casa?
Há uma maneira certa de apresentar pessoas, fazer convites, presentear, cumprimentar?
Devo dar ou não gorjetas?

Nesta obra Claudia Matarazzo, especialista no assunto, desmitifica essa ideia de um modo bastante objetivo, mostrando que etiqueta, educação e bom-senso andam de mãos dadas em todas as situações, incluindo as aparentemente mais banais, do cotidiano. As dicas respondem a dúvidas de comportamento corriqueiras, como o que fazer com o caroço da azeitona, quantos beijos dar na hora do cumprimento, quem apresentar primeiro, como comer com a mão, o que não perguntar, quem convidar para uma festa, a maneira de se portar em um almoço de negócios, com o que presentear, que talher é apropriado para que prato, dentre muitas outras questões que podem causar embaraço a qualquer pessoa.
Depois de ler estas 60 dicas, você verá que saber portar-se de maneira adequada é a principal ferramenta para ser elegante sempre.

Esta edição já está de acordo com a nova ortografia.

# Editora: Saraiva
# Autor: CLAUDIA MATARAZZO
# ISBN: 9788502095687
# Origem: Nacional
# Ano: 2010
# Edição: 1
# Número de páginas: 136
# Acabamento: Brochura

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E a gorjeta, doutor?

4 comentários:

  1. Anônimo8/3/11

    Pois é Sr. Mário como lemos na Biblia mesmo fala sbre dias difiíceis onde os homens serão amantes de sí mesmo,egoistas,caluniadores ,desobedientes etc.abraços gosto de ouvir o evangelho em 3 minutos,esclarecedor.

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  2. Anônimo10/3/11

    MARIO,SEMPRE VOU ADMIRAR VC.SEUS TEXTOS SAO MUITO SINCERO!

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  3. Anônimo24/3/11

    As diferenças comportamentais realmente são mais fiéis a cultura, à regionalidade.
    Apenas ressalvo que segundo alguns textos publicados sobre a Starbucks, a proposta da empresa é vender uma experiência. Ela deixa claro aos clientes que estes podem usufruir do espaço sem consumir. O seriado "Friends" é um exemplo de como funciona o relacionamento da Starbucks com o cliente. Ainda não sei se a cultura brasileira está preparada para isto...

    Parabéns pelo texto!

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  4. Eu sempre disse que educação, caráter, honestidade, etc., ou o contrário de tudo isto independem de nacionalidade. Pessoas gentis e grosseiras, honestas e desonestas, etc., existem em qualquer lugar.

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