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Diversidade 'a flor da pele - Mario Persona

Cresce a diversidade no trabalho. Há duas ou três décadas eu e você temos aprendido a conviver com a diversidade cultural e étnica gerada pela globalização. Agora a moda é diversidade de idade. Depois que o IBGE aumentou a expectativa de vida da população, velho passou a ser coisa do passado. Avise os amigos do boteco que você vai chegar mais tarde para o dominó.

É claro que a previdência vai fazer a gente trabalhar mais tempo, afastando cada vez mais a cenoura da aposentadoria pendurada à frente do cavalo velho e gerando uma enorme disparidade de idade no ambiente de trabalho. Uma menina nascida hoje na França ou no Japão tem 50% de chances de viver 100 anos. Portanto, se a sua chefe for francesa ou japonesa, pode esquecer a promoção. À semelhança dos imortais da Academia, ela só sai daquela cadeira morta. E mulheres, principalmente francesas e japonesas, podem não ser o Bruce Willis, mas são duras de morrer.

Este é um problema que está tirando o sono da previdência no Brasil e no mundo. Graças aos aditivos azuis, os velhinhos estão conseguindo levantar as estatísticas dos matrimônios com amigas das netas. Como nada dura para sempre, vem aí uma legião de viúvas na faixa dos vinte que só se casaram para serem felizes pensionistas para sempre. Imagine o rombo na previdência! E se forem francesas ou japonesas? Ou reincidentes?

O abismo entre as gerações se intensifica até pela velocidade das mudanças culturais. Um jovem do século 19 não estava culturalmente muito longe do avô. As roupas eram as mesmas, as músicas eram iguais e falavam a mesma língua. Cara! Hoje, até a linguagem separa as gerações, sacou mermão? Por isso na empresa se o adolescente chamar o chefe sexagenário de "animal" corre o risco de ser demitido, se o chefe não tiver baixado e instalado um upgrade linguístico. O de GPS não serve.

A aparência, então, é um capítulo à parte. Na minha adolescência ninguém usava piercing. A gente usava um negócio chamado "espinha", mas não dava para escolher onde e elas dificilmente ficavam no mesmo lugar. Geralmente apareciam no dia em que você ia se encontrar com a musa dos seus sonhos. Tatuagem, então, só se fosse aquela cicatriz na testa, da queda do abacateiro, ou o corte do caco de vidro no pé. As espinhas nós escondíamos, mas as cicatrizes nós nos orgulhávamos de tê-las e as exibíamos como os garotos de hoje exibem tatoos, contando a razão de estarem ali, onde conseguimos, o quanto doeu e como foi caro dar pontos.

Você pergunta se eu contrataria alguém tatuado? Sim. Se gosto de tatuagem? Não. Posso gostar de tatuados, mas não de tatuagens e acredito que isso é algo que precisa ser respeitado porque existe diversidade de gostos. Acho a pele bela demais para ficar permanentemente oculta. Não pintaria uma pérola. Mas minha opinião não conta, pois sou de outra geração e nem tenho físico para a coisa. A área preferida dos garotões para tatuar são os braços, devidamente inchados com baldes de proteína. Os meus são mais finos que as coxas, portanto estou fora do padrão. Neles mal caberia uma prancha de surf de perfil, quanto mais a onda! Teria de tatuar na barriga. Ali sim, poderia ter sido bom negócio fazer quando jovem. Teria gasto pouco para tatuar uma marola e hoje estaria com um tsunami.

Além disso, hoje estou naquela idade em que hoje você tatua um ovo e amanhã ele parece omelete, tamanha a rapidez da flacidez. Porém, antes que os tatuados me odeiem e soltem os cachorros — e tem gente que tatuou até o cachorro — admito que a arte aplicada à pele tenha sua beleza, e digo isto como conhecedor de arte. Minha formação foi em arquitetura, já pintei a óleo e nos tempos de faculdade era cartunista de um jornal e também desenhava retratos a grafite para os amigos. Para quem não está na pele do tatuado, é até interessante observar as verdadeiras galerias de arte que desfilam por aí, mas dependendo de onde é a tatuagem da garota, nunca sei se posso fixar o olhar ou corro o risco de acabar com um hematoma tatuado no olho.

Mas, quer eu goste ou não, tatuagem, piercing e maquiagem definitiva formam hoje um mercado em crescimento que movimenta cada vez mais dinheiro em sua cadeia de produtos, equipamentos e serviços de furar, pintar e grampear. E remover tudo isso depois — devo chamar de pós-venda? — porque sempre tem quem se arrependa ou encontre dificuldade na hora de arranjar um namorado com o mesmo nome do anterior.

Para quem ingressa no mercado de trabalho a tatuagem pode ou não criar dificuldades. Depende da cultura da empresa, do perfil de seus clientes ou até da faixa etária de quem contrata. Embora a diversidade seja hoje sinônimo de inovação em alguns segmentos, em outros ainda existe discriminação — implícita ou explícita —, não só de arte na pele, mas de gênero, idade, aparência física, religião, ideologia etc. Por isso alguns cuidados devem ser tomados por aqueles que pretendem seguir uma carreira, e um deles é pensar se a decisão de mudar algo em sua aparência, que você achou tão importante na adolescência, poderá ser uma pedra no sapato de sua carreira quando se lançar no mercado de trabalho.

Sei de um jovem que foi precavido. Pensando no futuro, mas não querendo abrir mão do presente, só tatuou o couro cabeludo. Todo ele, a partir da linha do cabelo. Fez da cabeça uma obra de arte, expondo sua mente brilhante para pessoas e pássaros. Para aumentar a exposição, adotou até um jeito oriental de cumprimentar. Teria ele tomado algum cuidado estratégico para não ser discriminado profissionalmente quando precisasse trabalhar? Claro, ele pensou em tudo: Deixaria o cabelo crescer quando terminasse a escola e fosse pleitear uma vaga no mercado. Pensou em tudo, menos em três detalhes genéticos. Um pai e dois avós carecas.

Mario Persona é palestrante de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional. Seus serviços, livros, textos e entrevistas podem ser encontrados em www.mariopersona.com.br

© Mario Persona  - Quer publicar Mario Persona CAFE em seu blog? Não se esqueça de colocar um link apontando para www.mariopersona.com.br .

3 comentários:

  1. Encontrei-te no youtube e resolvi vim em teu encalço. Cá estou eu rindo e amando teus textos. Pronto ganhaste mais uma leitora.

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  2. Aline Nascimento3/12/17

    Maravilhoso texto! Cada vídeo que assisti aprendo mais é mais. Amooo

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