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A aguia e a coruja

Meus filhos, quando pequenos, eram as crianças mais lindas do mundo. Agora, muitos anos depois, descubro que a história se repete: meu neto é o mais lindo do mundo. Não concorda?!

Nem deveria. Se você for pai ou mãe irá querer para seus filhos o primeiro lugar no podium. Se for avô, irá rebaixar meu neto, porque você sempre escolherá o referencial que for melhor para você. Em negócios não é diferente, e é aí que mora o perigo.

Muita gente quebra a cara por achar que vai conseguir vender para os outros aquilo que venderia para si. Mergulhou de cabeça no mercado sem perceber a tendência que todo ser humano tem de se considerar o umbigo do Universo.

Aí decide fabricar aquilo que mais gosta, abrir uma loja no ponto mais perto de casa e só contratar quem torcer pelo mesmo time. Se tiver sorte, vai encontrar gente do mesmo gosto para comprar. Se não tiver, vai achar que é a crise, só para manter intacto o seu critério de auto-referência.

Se desejo atingir algum público, minhas preferências devem ficar guardadas para mim, caso não encontrem eco no mercado. No mais, eu devo mesmo é analisar as preferências do público que pretendo atingir e virar camaleão.

Não estou falando de abrir mão de suas convicções pessoais. Se fosse assim eu iria sugerir que você partisse para o tráfico, que dá mais dinheiro do que aquela lojinha de bijuterias que pretende abrir.

Suas convicções pessoais devem continuar norteando suas ações, mas pode ser que descubra ser bom negócio abrir uma butique de "Alta Costura de 1,99" perto da rodoviária. Aí, se você sentir náusea só de olhar para os modelitos, contrate uma gerente à altura e saia de perto.

Não basta conhecer seus clientes para atendê-los do jeito que eles gostam; é preciso ter pessoas adequadas a eles e motivá-las com estímulos igualmente adequados. Se no Brasil você motiva seus vendedores dando a eles um nadinha de fixo e uma comissão generosa, no Japão precisa fazer o inverso ou ninguém vende.

O brasileiro é mais individualista, seu desejo é de se sobressair. O japonês é mais coletivista, seu desejo é que a equipe se sobressaia. Ele não se sente bem se deixar seus colegas para trás. Talvez seja por isso que seus carros de Fórmula 1 sejam pilotados por estrangeiros.

Até na hora de promover seus produtos é preciso levar em conta o referencial dos clientes. Se os seus clientes forem borracharias no Afeganistão e você enviar folhinhas com mulheres com o rosto descoberto, podem acabar confiscadas pela censura local.

Mas, para uma clientela de indígenas sul-americanos, as mais desnudas modelos poderão parecer tão vestidas quanto uma freira se tiverem um cordãozinho de palha em torno da cintura. As referências mudam de acordo com os povos e as culturas, daí o perigo de você se nortear por seus próprios referenciais.

O clássico dos clássicos em termos do perigo da auto-referência é a fábula da águia e da coruja, de onde vem a expressão "mãe coruja". Dona Coruja, ao encontrar Dona Águia em plena temporada de caça, suplicou:

- Dona Águia, já que somos amigas, rogo-lhe que não coma meus filhotes.

- Certamente - respondeu a águia - nossa amizade me impede de fazê-lo. Mas como os reconhecerei se nem mesmo sei onde fica o seu ninho?

- Ora, Dona Águia, é fácil. Eles são os filhotes mais lindos da floresta!

Assim, para não correr riscos de arranhar sua amizade com Dona Coruja, Dona Águia procurou comer apenas os filhotes mais feios que encontrou: um par de criaturas horrorosas com grandes olhos arregalados enfiados numa toca em uma velha árvore.

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Governança Ambiental Global: Opções & Oportunidades
DANIEL C. ESTY e MARIA H. IVANOVA

Quem decide as questões que afetam o meio ambiente? Que critérios norteiam essas decisões? Como são representados os interesses das comunidades e dos ecossistemas envolvidos? Foram essas indagações que deram origem ao conceito de governança ambiental e a todo o debate atual sobre o uso e a gestão dos recurosos naturais.

Os ensaios desta coletânea reúnem importantes peças desse debate num só volume, abordando questões essenciais de maneira acessível e sugerindo caminhos viáveis para uma participação efetiva de governos, organizações não-governamentais, empresas e indivíduos. É mais uma iniciativa do Senac São Paulo em apoio às ações voltadas para o desenvolvimento sustentável e sustentado.






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E a gorjeta, doutor?

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