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What's up, Whatsapp?!

Se você faltou à aula de inglês e dormiu nos últimos anos, eu traduzo. "What's up" significa "Pode isso, Arnaldo?!" e "Whatsapp" é aquele programinha que precisei desinstalar. Desinstalar?! Sim, porque meu smartphone marca "Xing Ling" não dava conta dele. Devo voltar a instalá-lo quando chegar o Nexus que alguém me prometeu. Além disso, a maioria das chamadas que eu recebia era de pessoas bem intencionadas, porém que pediam para eu explicar a Bíblia de Gênesis a Apocalipse naquele tecladinho. Pode isso, Arnaldo?!

Mas não pense que sou retrógrado. Não sou. Apenas procuro usar as ferramentas que melhor me atendam, e por isso carrego os dedos no teclado do micro para me manter disponível por e-mail, Facebook, Twitter e Skype (este apenas para clientes e parentes). E se surgir outra ferramenta que me atenda, como certamente irá surgir, vou correr para ela. Afinal eu sou um dos dinossauros da Internet no Brasil e meu primeiro livro foi dedicado a ela. Como você acha que me tornei palestrante? Fazendo palestras para explicar aos empresários da antiguidade que Internet não era videogame e no futuro toda empresa iria utilizá-la. Por que você acha que hoje em minhas palestras carrego no humor? Porque naquela época me acostumei com empresários rindo de mim.

Mas a resistência ao novo continua hoje, e não é de surpreender que volta e meia o Whatsapp seja proibido por algum juiz brasileiro. Se o telefone tivesse surgido em 2009, como foi o Whatsapp, volta e meia ele deixaria de funcionar por alguma decisão judicial. Hoje ele só não funciona por decisão da operadora ou do desemprego. Mas pode apostar que tem um montão de gente por aí usando tecnologia da telefonia para praticar seus crimes. É o que mais tem. O mesmo vale para computador, automóvel e até caminhão de entregas, que não podem ser proibidos. E a lista só aumenta com a "Internet da Coisas", do inglês "Internet of Things" que invade tudo, da sonda na órbita de Júpiter à cafeteira em minha cozinha. Não me importo com a sonda, mas ai de quem proibir minha cafeteira!

Se as coisas que já fazem parte da vida moderna nunca serão proibidas de funcionar, as novidades sempre incomodarão quem chegou atrasado ao presente. Quando os primeiros orelhões foram instalados, não parava um inteiro. Os vândalos se sentiam incomodados com aquela intrusão em sua paisagem e tratavam de destruí-los. A destruição foi diminuindo à medida que as pessoas se acostumavam com aquela tecnologia, até que os próprios telefones públicos desapareceram de alguns países e foram substituídos pelo celular.

Quando surgiram os primeiros automóveis os juízes não se fizeram de rogados. Logo criaram uma lei conhecida como "Red Flag Act" ou "Lei da Bandeira Vermelha", que controlava o uso de veículos motorizados. Essa lei estipulava que o veículo deveria levar três motoristas, não exceder 6,4 quilômetros por hora nas estradas e 3,2 quilômetros por hora nas cidades. Como ainda não podiam obrigar que trafegassem de farol aceso durante o dia, pois o vento apagava o lampião, cada automóvel devia ser precedido por um homem caminhando e agitando uma bandeira vermelha para avisar o público. Em 1896, quando pedestres e cavalos já tinham se acostumado com o barulho, a lei foi suspensa e o limite de velocidade aumentado para estonteantes 22 quilômetros por hora. No Brasil a bandeira vermelha ainda existe, mas é para avisar que vem vindo manifestação com sanduba de mortadela grátis.

Novidades incomodam, mas também trazem progresso e movimentam o mercado. Hoje o mercado brasileiro de vidros para carros do Uber é bem movimentado, mas é melhor os vidraceiros não fazerem estoque. A moda dos taxistas irados vai passar e o Uber vai ficar, e aí também vai acabar, substituído por outra tecnologia. Veja lá em quantas prestações você pretende pagar o seu, porque pode virar helicóptero ou avião obsoleto em sua mão. Como assim? Bem, quem investiu pesado em fotografia aérea está vendo suas pesadas máquinas voadoras substituídas por drones que decolam da mão. Ainda que eles não façam o serviço pesado, como fotografia de altitude ou pulverização de lavoura, logo farão. Logo teremos máquinas voadoras auto pilotadas, da Google, Tesla ou outra empresa intrometida. Aí quem investiu ideia de menos e capital demais cederá seu lugar para quem investiu capital de menos e ideia demais.

Não pense que eu esteja sempre a par e passo com as novidades tecnológicas e o comportamento mais adequado a elas. Em 2008, quando nas horas vagas passei a comentar os Evangelhos em vídeos no Youtube.com/mp3minutos, cada vídeo trazia uma mensagem permitindo seu uso geral, porém proibindo sua venda ou utilização em TV, rádio e igrejas. Minha preocupação era que pastores picaretas usassem meu material para ganhar dinheiro ou comprometer minha imagem nos covis de estelionato que são seus templos e programas na mídia. Depois percebi que proibir seria como colocar cadeado em mala: ele não impede que suas coisas sejam roubadas por quem é ladrão, e só evita quem não é de cair em tentação. Liberei geral ao saber de duas pessoas que se converteram a Cristo: uma ouvindo a mensagem numa rádio, outra assistindo no DVD que comprou do camelô.

Mas não é só na tecnologia que o pensamento retrógrado "astravanca o pogresso". Sei de palestrantes que falam de inovação em suas palestras e trancam a sete chaves suas apresentações PowerPoint, ora usando apenas notebook próprio, ora certificando-se de terem sido apagadas do computador do evento. Um dia eles irão perceber que suas ideias já estavam na nuvem antes de terem sido apagadas de qualquer HD físico. E suas fotos, áudios e vídeos também, mesmo quando avisam as pessoas que é proibido fotografar, gravar e filmar. Ora, estamos no Brasil, onde a lei mais respeitada é a "Lei de Gérson". Por isso aqui os motobóis nem precisam se preocupar em perder a entrega das pizzas para os drones. As pizzarias nunca irão adotar a novidade porque o brasileiro vai achar que o que chegou com a pizza foi um brinde voador.

Mario Persona é palestrante de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional. Seus serviços, livros, textos e entrevistas podem ser encontrados em www.mariopersona.com.br

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2 comentários:

  1. Anônimo21/7/16

    Sempre achei que "what's up" significa "e ai?" Ou "o que tá rolando?"....

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    1. Do Futuro26/7/16

      Bom, tanto o significado que você mencionou quanto o apresentado no texto são válidos nos devidos contextos. Também acredito que o autor esteja ciente disso, baseado na crônica que ele escreveu da terra plana, quando o Eisenhower diz "what's up, Niki?". Mas ele provavelmente não deve ter explicado essa questão neste texto por não ser lá uma coisa muito engraçada, rsrs ^^

      Uma outra expressão equivalente a "what's up" em português, que serviria para os dois casos, seria "qual foi?".

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