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Como promover eventos

Creio que uns 90% de minha atividade em palestras, workshops, treinamentos e coaching seja em eventos in company. Quero dizer, na maioria das vezes sou contratado por empresas que desejam investir em seu pessoal contratando alguém out company. Em um mercado de solavancos, quem está dentro da garrafa nem sempre consegue ler o rótulo.

É provável que outra razão de uma menor aparição em eventos públicos esteja no fato de eu não ser um palestrante do tipo showman. As palestras-show costumam atrair um público maior e mais diversificado, daí a preferência dos promotores de eventos públicos por profissionais assim.

É claro que minhas apresentações são divertidas, conto casos engraçados e os treinamentos têm dinâmicas interessantes e interativas. Mas não sou mágico, cantor ou comediante. Não planto bananeiras e nem peço às pessoas para se abraçarem e beijarem. Há profissionais que fazem isso melhor do que eu, por isso nem me atrevo a imitá-los e nem promovo meus próprios eventos.

Mesmo assim, algumas de minhas palestras são em eventos abertos ao público, geralmente um público focado em negócios. Funciona assim: uma empresa ou profissional de eventos me contrata, promove, vende ingressos e cuida de tudo para também ganhar dinheiro com aquela ação. Nem sempre ganha. A razão? É preciso ter experiência na área de criação, organização e promoção de eventos. Muitos falham por não seguirem algumas regras simples de organização de eventos.

Não podia deixar de mencionar que muita coisa mudou na era pós-pandemia do COVID-19 ou coronavírus. Com as ordens de quarentena e distanciamento social todos os eventos públicos no Brasil e no mundo foram obrigados a parar, e não só eventos, mas até cinemas, teatros, shows, cruzeiros marítimos, parques temáticos, competições, eventos esportivos etc.

Por outro lado o mundo descobriu que pode se comunicar sem sair do lugar criando shows, eventos e entrevistas online. Para o promotor de eventos as dicas que dou aqui continuam valendo com algumas adaptações, mas a ideia básica é transformar o evento online o canal de exposição de um ou mais patrocinadores para fazer a coisa acontecer. Os eventos online seguem de perto a estratégia usada pelas empresas que patrocinam influenciadores digitais.

Agora vamos às dicas antes que você se aventure nessa difícil profissão sem estar devidamente equipado para o que irá encontrar pelo caminho:

Aprenda a passar o chapéu. Nunca tente promover um evento apenas contando com a arrecadação de ingressos. Tem muito dinheiro envolvido nos custos com local, palestrante, viagens, hotéis, alimentação, promoção, equipamento e pessoal de apoio, para você se arriscar. Procure patrocinadores que paguem por tudo isso em troca de promoção.

Promova corretamente. Ninguém saberá que seu evento irá acontecer sem promoção. Também neste caso, evite gastar e procure patrocinadores. Uma entrevista que você consiga numa rádio tem um efeito maior do que dinheiro gasto em propaganda convencional. Lembre-se de que ninguém patrocinará se você não promover o patrocinador corretamente, fazendo com que apareça. Isto não significa passar aquelas duas horas e meia de vídeo dos patrocinadores antes de uma palestra, ou dar a cada um a oportunidade de falar no palco. As pessoas que pagaram não vieram ali para isso. Respeite seu público se quiser tê-lo em eventos futuros.

Agregue valor para patrocinadores, palestrantes e público. Muita gente pensa que promover eventos é colocar um site bonitinho na Internet e esperar o telefone tocar. Pode esquecer. O palestrante de hoje já tem site bonitinho e telefone que toca. Se quiser atuar como agenciador vai ter que correr atrás, visitar empresas, vender, vender e vender.

Respeite os horários. Como palestrante em eventos abertos, sinto-me horrível quando o organizador fica adiando minha entrada para esperar por mais público pagante. Adivinha de quem o público pensa que foi o atraso? O resultado é trágico, já que o palestrante entra desacreditado e leva um bom tempo para inverter isso.

Conheça seu público. Na hora de promover, é preciso saber quem quer atingir. Se o seu evento for voltado para um público de indústria, nem perca tempo com outdoors, panfletagem ou comunicação de massa. Vá direto aos meios de comunicação segmentados ou use mala direta para aquele segmento. Não faça spam (propaganda por e-mail) pois na próxima seu remetente pode estar no filtro de e-mails de todas as pessoas que você pensa estar atingindo.

Verifique o calendário. Já participei de eventos que foram um fracasso porque o organizador não prestou atenção no calendário. Assim, um evento voltado para universitários em época de provas dificilmente conseguirá público. Ou uma palestra para profissionais de saúde que coincida com o período de um simpósio importante para aquele público dará um branco total na audiência. Já tive algumas palestras canceladas porque o promotor insistiu que conseguia público... uma semana antes do Natal!

Organize seu auditório. Em auditórios improvisados, sempre que possível disponha os assentos em semi-círculo, para que todos possam olhar diretamente para a tela de projeção ou para o palestrante. A torção do pescoço diminui o calibre das artérias que irrigam o cérebro, causando sono. Se for um treinamento com intervalos, faça seu público sentar em lugares diferentes na volta do café.

Seja claro. A iluminação sobre a audiência deve ser suave; menor sobre a tela de projeção e suficiente sobre o palestrante, para que o público veja seus gestos e expressão facial. Nunca apague todas as luzes do auditório ou aquela será a palestra que todos sonharam ouvir.

Cuidado com a contra-mão. A tela deve ficar à esquerda do palestrante (centro ou direita da audiência), para que este possa apontá-la com a mão esquerda, enquanto segura o microfone com a direita. Obviamente ele não precisará segurar o microfone se este for de lapela, a menos que sinta necessidade de segurar em alguma coisa por insegurança enquanto fala. Neste caso, é melhor mesmo que ele fique segurando a lapela.

Você sabe com quem está falando? Microfones de lapela deixam as mãos livres, porém podem prejudicar a qualidade de som quando o palestrante olha para os lados ou arruma muitas vezes a gravata. Existe ainda o perigo de ele se esquecer de desligar o microfone enquanto conversa assuntos sigilosos ou fala mal do público ainda atrás das cortinas. Se for ao banheiro com o microfone ligado...

Mestre de cerimônias. Seu objetivo é valorizar o evento, nunca roubar a atenção do foco principal. Deve fazer a apresentação do palestrante, aproveitando para dar avisos de duração da palestra, intervalos e solicitar o desligamento dos celulares. Deve reassumir no final da palestra para avisos de horários e local do intervalo (se houver) e solicitar um retorno rápido da audiência a seus lugares. Cuidado na hora de contratar o mestre de cerimônias para não pegar um muito engraçadinho e de pouco tato. Odeio quando o mestre de cerimônias cai na vulgaridade pois o público pode achar que o palestrante tem o mesmo nível.

Se tiver que dar errado, vai dar. Projetores, iluminação, microfones e equipamento de som devem estar instalados, com peças de contingência como lâmpadas e pilhas, e testados com antecedência por pessoas que entendem do assunto. Numa palestra para um auditório imenso, fiquei contando meia hora de histórias para ganhar tempo, enquanto dois técnicos desconfiguravam meu notebook só porque não sabiam que bastava teclar FN e F5 (ou outra, dependendo da marca) para jogar a imagem para o datashow.

Não querendo interromper... Deixe um copo de água à disposição do palestrante, mas nunca peça para um garçom ou recepcionista entrar no palco no meio da palestra para levar um copo. Você pode querer mostrar que sua organização é boa e atende o palestrante, mas o que estará fazendo na realidade é interromper e desviar a atenção do público e do próprio palestrante.

Energizar para não atrasar. Se houver ocasião para perguntas, isso deverá ser informado antes pelo mestre de cerimônias. Em auditórios grandes, providencie recepcionistas com microfones ou folhas de perguntas. Dê às recepcionistas alguns copos de Red Bull ou similar antes para ficarem rápidas na hora de entregar microfones ou recolher perguntas.

Hein?! Em alguns eventos o palestrante poderá utilizar recursos de som de seu próprio notebook, portanto procure saber com antecedência se ele vai precisar de amplificador e caixas de som com um cabo para conexão à saída de fone de ouvido do notebook do palestrante. Tenha alguém checando se o volume está bom e sinalizando para o palestrante, pois este geralmente está atrás das caixas ou é meio surdo como eu.

O próximo... não, antes desse... o outro... O ideal é que o palestrante faça a projeção de sua apresentação diretamente de seu notebook e para isto devem ser previstos cabos com comprimento suficiente para alcançar o datashow e o amplificador de som. É melhor assim do que ele ficar dizendo "Próximo" para algum ajudante que geralmente é o primeiro que dorme na palestra.

Hora de laser. Na impossibilidade de o palestrante fazer a mudança dos slides, deve ser providenciado um equipamento de projeção com controle remoto sem fio ou um operador que tomou bastante café (caso tenha acabado o Red Bull das recepcionistas) e seja inteligente o suficiente para a mudança dos slides. Um recurso é o palestrante usar um apontador laser e combinar previamente com o operador um local oculto do público para onde ele apontará o laser quando quiser trocar o slide.

A turma do gargarejo. As recepcionistas devem encaminhar os participantes para as primeiras fileiras. A distância ocasionada por assentos vazios entre o palestrante e a platéia prejudica bastante o sucesso da palestra e impede que haja interação. Isso também evita que o público retardatário distraia quem chegou antes ao procurar assento nas primeiras fileiras.

Som na caixa. É aconselhável que haja música ambiente antes (mais alto) e depois (mais baixo) da palestra, de preferência jazz instrumental com ritmo alegre. O ritmo vai ajudar a determinar o humor do público durante o evento. Não exagere, porém, tocando samba-enredo ou passando um vídeo tão interessante antes de começar que o público venha a pedir para o palestrante esperar acabar o filme.

Otimizando a apresentação. Ao apresentar o palestrante, o mestre de cerimônias deve ser breve, sem exagerar nos adjetivos para não criar uma falsa expectativa. Dê preferência a este modelo de texto para apresentar seu palestrante:

Convidamos hoje Mario Persona para falar sobre [ tema ]. Mario Persona é autor de vários livros e consultor de estratégias de comunicação e marketing. Mario Persona é convidado com freqüência para falar de temas ligados a negócios, marketing e desenvolvimento pessoal e profissional em empresas e universidades. Com vocês, para falar sobre [ tema ]: Mario Persona!

Agora, a dica mais importante. Para não ter o trabalho de alterar o texto acima, convide o mesmo palestrante para seu evento.



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Organização e Gestão de Eventos
JOHNNY ALLEN, WILLIAM O´TOOLE, IAN MCDONNELL e ROB HARRIS

Atualmente os eventos são mais essenciais à nossa cultura do que jamais foram. O tempo de lazer maior e a maneira mais cuidadosa de gastar levaram à proliferação de eventos públicos, celebrações e entretenimento. Os governos de hoje apóiam e promovem eventos como parte de suas estratégias para o desenvolvimento econômico, crescimento da nação e marketing de destino. As corporações adotam eventos como elementos essenciais em suas estratégias de marketing e de promoção de imagem. Os eventos transbordam dos nossos jornais e telas de televisão, ocupam muito do nosso tempo e enriquecem nossas vidas. À medida que os eventos emergem como uma indústria em causa própria. Por isso é válido considerar quais elementos caracterizam tal indústria e este é o objetivo deste livro.


E a gorjeta, doutor?

Sem palavras

A luz vermelha invadiu o palco improvisado e engoliu uma fatia de escuridão. Sob seu foco surgiu um velho televisor, ou o que restava dele. Comprada numa loja de restos eletrônicos, a velha caixa de madeira já não tinha cinescópio ou válvulas. Era oca e vazia, como a minha cabeça de então.

Por trás de uma tela de plástico rígido acostumada com o Repórter Esso a platéia viu aparecer meu rosto pintado. O resto do corpo estava semi-oculto sob o palco. Eu me contorcia, como quem está desesperado para sair da telinha por onde todos querem entrar.

Palco e platéia pertenciam à faculdade onde cursava meu primeiro ano de arquitetura. O show insano era a forma improvisada que encontramos para entregar um trabalho em grupo sobre a imprensa aprisionada pela repressão de então. Ao invés das maçantes folhas datilografadas decidimos entregar uma peça de não sei o quê.

Principiantes teatrais, pintamos uns aos outros com tinta guache escolar, sem imaginar o incômodo que aquilo traria ao secar. As caretas horríveis que fazíamos, torturados pela coceira e pelo ardume da tinta seca sob o calor holofotes, acrescentavam um toque dramático ao visual.

Torcíamos jornais para derramar um sangue de guache vermelho embebido em esponjas entre suas páginas. Fazíamos gestos atrás de um biombo de papel vegetal iluminado, criando um efeito de teatro de sombras, porém sem ensaio e sem sentido. Estripulias, danças, saltos e gritos loucos, tudo valia para manter a platéia na expectativa de que algo estava para acontecer.

Mas nada aconteceu, não tínhamos coisa alguma para fazer acontecer. Quando a luz se acendeu, vimos uma platéia equilibrando pontos de exclamação na testa. Como eles, não fazíamos idéia do significado daquilo tudo. Esperamos pelo pior.

A professora parecia embasbacada. Confessou que não tinha palavras para se expressar e gaguejou um "excelente". Mesmo assim, ainda quis a interpretação de tudo aquilo por escrito para documentar. Aí fomos nós que ficamos surpresos. Antes que a vaca fosse pintada de guache para o brejo, alguém teve a idéia de pedir se podíamos entregar no dia seguinte o não sei o quê devidamente datilografado e encadernado. Colou.

Então a professora que estava sem palavras falou. E como falou! Falou do significado que aquilo tudo tinha, explicou cada movimento nosso, cada loucura, cada grito, cada gota de suor. Até as máscaras de guache ganharam um significado que ignorávamos. Enquanto ela falava, alguém do grupo anotava.

No dia seguinte, o texto datilografado recebia um dez. Por uma incrível coincidência, nossa interpretação da peça coincidia exatamente com o que a professora pensava. Foi aí que aprendi o significado da máxima de David Ogilvy: "Comunicação não é o que você diz; é o que os outros entendem".



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Cultura-Poder-Comunicação e Imagem: Fundamentos da Nova Empresa - GAUDENCIO TORQUATO

Questões relativas a cultura, poder, comunicação e imagem fundamentam as bases da empresa moderna. Analisar essas questões, compreender e avaliar sua natureza e suas implicações no desenvolvimento organizacional são tarefas da maior importância para os profissionais que desejam estar em sintonia com a modernidade.

Cliente de estimação

– Ô, tio! Vai passando logo esse relógio aí, cara! – ordenou o assaltante apontando o "aço" para um tio que não era dele, mas de um amigo meu. O Rolex de ouro e estimação estava prestes a mudar de mão. Arriscar a vida por um relógio seria perda de tempo. A menos que...

– Por quanto você vai vender? – a voz de ousadia da vítima surpreendeu o ladrão pronto para "abrir no pé". O pivete parou, voltou-se surpreso e colocou para funcionar os poucos neurônios que o crack poupou.

– Tá com cascata, mermão? Qué juntá os pé, cara? – ameaçou o meliante, ainda na dúvida se aquilo estava acontecendo.

– Falo sério. Quanto você vai pegar no relógio? – insistiu a vítima insana na busca de um diálogo com o outro mundo. Submundo.

– Pego uns cento e vinte pila nele, cara. – exagerou em vinte o ladrãozinho.

– Pago cento e cinqüenta. – decidiu a vítima, tirando do bolso caneta e talão.

– Aceito cheque não, cara. Tá pensando que eu sou otário? Tem que ser no dinheiro. – cercou-se da segurança o vendedor, dada a impossibilidade de checar na SERASA o cadastro do cliente.

– Estou sem dinheiro. Fique tranqüilo. Anoto meu telefone atrás do cheque e você me liga se tiver problema. – finalizou a vítima enquanto escrevia com ousadia.

Nos treinamentos de negociação que faço em empresas – em especial para distribuidores e equipes de vendas corporativas – um dos destaques é a necessidade de ousadia. O tio de meu amigo arriscou-se ao negociar com o ladrão, mas não existe risco de vida quando você vende. Dependendo de que você vende, claro.

Diferente da venda rápida de varejo, uma venda entre empresas tem um ciclo mais longo. Não se vende uma vez, mas muitas vezes, o mesmo produto ou serviço para muitas pessoas que participam da cadeia decisória. Todas precisam ser persuadidas a comprar – do chão de fábrica à presidência, passando por um número variável de áreas e escalões intermediários.

Secretárias, usuários, técnicos, influenciadores, tomadores de decisão, aprovadores, compradores, palpiteiros, curiosos – dependendo da empresa você fica sem dedos para contar quanta gente participa de alguma forma na transação. Eu diria que nesse universo você encontra basicamente três perfis: o administrador, o usuário e o empreendedor. O primeiro compra economia, o segundo otimização e o terceiro lucratividade. Simples assim.

Bem, não é tão simples assim. A mensagem passada a cada um deles deve ser singular, já que precisa atender a necessidades distintas na mente de pessoas diversas. Vender é, em sua essência, prover um band-aid para o calcanhar, uma tesourinha para o pêlo no nariz ou um fio dental para o fiapo de bacalhau. Se existe um pé, a solução vendida terá que ser o par. Cabe a quem vende descobrir qual a melhor bebida para cada soluço.

Mas a venda não pára aí. Negócio fechado é negócio aberto. É o início de um relacionamento que deve durar para sempre. Isto se você criar oportunidades para seu cliente economizar, otimizar e lucrar, quando falamos de vendas corporativas. Para tanto é preciso manter o vínculo, visitar, ligar, perguntar.

Não me lembro de ter visto o ladrãozinho de relógios em algum de meus cursos, mas ele deve ter aprendido isso em algum lugar. Dias depois do assalto, o tio de meu amigo foi surpreendido por um telefonema. A voz era inconfundível. O assaltante resolvera ligar.

– Ô tio, tá lembrado? Sou o cara do Rolex. Descolei outro relógio igual àquele seu. Tá novinho. Interessa?



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Como Chegar ao Sim: a Negociação de Acordos sem Concessões

ROGER FISHER, WILLIAM L. URY e BRUCE PATTON

O livro apresenta uma estratégia segura e eficaz para fechar acordos que beneficiem todas as partes interessadas. Para tanto, é preciso focar nos interesses e não nas posições, jogar de forma transparente e não ceder às pressões. Um método direto, aplicado universalmente de negociação de disputas pessoais e profissionais sem partidarismos - e sem irritação. Como Chegar ao SIM diz como: separar as pessoas do problema; concentrar-se nos interesses e não nas posições; trabalhar junto para criar opções que satisfaçam às duas partes e obter êxito na negociação com pessoas que são mais poderosas, recusando-se a ceder às pressões ou a recorrer à truques sujos.



Medalha de pérola

O ex-bóia-fria de Cruzeiro D'Oeste está feliz. A expressão compenetrada do atleta esconde um secreto sorriso de vitória. Uma olhadela por sobre os ombros revela que seus competidores estão longe, muito longe. Passadas ritmadas vão comendo o asfalto que cobre as pegadas deixadas por Feidípedes há 2500 anos, quando correu de Maratona a Atenas para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas. E morreu.

Vanderlei Cordeiro de Lima não vem de uma batalha, mas vai ao encontro de uma. Entre ele e o Ouro no estádio de Kallimarmaro – o "melhor mármore" – há um adversário circunstancial chamado Cornelius Horan. A pista é invadida e, numa fração de segundo, aquele que corria rumo à vitória desaba no chão. É o fim.

Ninguém quer menos que a vitória. É por ela que corremos. Fomos condicionados a tirar dez nas provas, ser o mais rico, o mais feliz, o mais bonito. Ninguém quer ser vice. Vivemos de olho no Ouro. Por que será que não nos ensinaram que existe mais? Por que nunca nos falaram da Medalha de Pérola?

Freada brusca não acontece só em Atenas. Quando menos esperamos somos agarrados, contra a vontade, por circunstâncias que nos lançam ao chão. É complicado levantar e retomar o ritmo enquanto assistimos, impotentes, o Ouro e a Prata passando por nós. Quiçá na poeira vai também o Bronze e não sobra para nós nem uma Medalha de Lata.

Detesto livros de auto-ajuda que ensinam o ego a ficar gritando que você já é campeão antes do fim da competição. Na maratona da vida não existe podium intermediário. Só um no fim. Enquanto não chegar lá, nem pense que sua corrida terminou. A vida está cheia de derrotas e minha mãe sabiamente acrescenta que “se a vida na Terra fosse boa ninguém iria querer viver no Céu”. Prefiro o Livro que narra uma aparente derrota – uma morte inglória – que se transforma em linha de partida e de chegada, não de vencedores, mas de “mais que vencedores”.

A lista dos incidentes que podem ocorrer na maratona da vida é interminável. Todos experimentamos alguns dos mais comuns: a perda de alguém, uma demissão inesperada, uma doença que nos invalida ou uma falência não requerida. A derrota está à distância de uma queda da vitória, não importa sua estatura.

Eu mesmo já experimentei dessas puxadas de tapete que causam guinadas. Porém descobri depois que a carta do senhorio, avisando que o apartamento sob meus pés tinha sido vendido, seria a largada para os cem metros rasos que me separavam de um lugar melhor. Ou que o anúncio do chefe, de que os custos a serem cortados incluíam minha cabeça, serviria de vara para um salto muito maior.

Até na piscina dos casamentos fracassados eu me afoguei, depois de mais de vinte anos de um nado que parecia sincronizado. Quando pensava que bastava ser pai, precisei aprender a também ser mãe de três filhos, inclusive um especial, para conservar a doçura do quadrinho que na porta diz: "Lar Doce Lar".

Na hora da queda, de nada adianta ficar agarrado ao irlandês das circunstâncias. É preciso continuar correndo para deixá-lo para trás. Se o fracasso apenas nos derruba, é a nossa ocupação com ele que nos derrota.

Para as ostras, a adversidade vem quando literalmente entra areia. Se você se irrita com uma pedrinha no sapato, imagine a ostra, que é toda sapato. Mas a adversidade que a machuca serve de estímulo para ela deixar a zona de conforto – se é que ostra vive confortável. Seu organismo libera substâncias que transformam a adversidade em algo mais belo e resistente do que o Kallimarmaro, sem as incômodas arestas da derrota. É assim que surgem as pérolas.

No dia seguinte à maratona olímpica todos os jornais do mundo traziam a foto do vencedor na capa. Não, não estou falando do italiano que ganhou a Medalha de Ouro – qual era mesmo o seu nome? Estou falando daquele que transformou a adversidade em vitória, o perdão em exemplo e escreveu seu nome na história. O brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima que ganhou a Medalha de Pérola nas Olimpíadas de Atenas.

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Os 3 porquinhos

Era uma vez três porquinhos que viviam felizes na Floresta Encantada Ltda. Seus nomes eram Prático, Schweinchen Schlau e Cícero. Schweinchen Schlau é o Heitor na versão alemã. Decidi importá-lo para minha história fazer sentido. Ele era organizado, teórico e inflexível. Um bom administrador, porém vivendo no passado. Cícero, ao contrário, vivia no futuro. Sonhador e empreendedor, viajava pela Hellmann's Airlines. Já o Prático era... bem, ele era prático, oras! Vivia no presente.

Sagazes, os porquinhos perceberam que a tendência era a empresa livrar-se de tudo aquilo que não fizesse parte de seu core business, mandando muito mais do que três porquinhos de volta para casa. Alguns ficariam desempregados, outros terceirizados. Longe de significar uma ameaça, para eles era a realização do antigo sonho de viver sem emprego e sem patrão – iriam ser donos do próprio focinho.

Cada um saiu da empresa para se dedicar a projetos pessoais ou enfrentar novos desafios, como é costume dizer de executivos que perdem o emprego. Construíram cada um o seu home-office e, para afugentar o fantasma do desemprego, ouviam uma musiquinha em MP3 que baixaram da Internet. "Quem tem medo do Lobo Mau, Lobo Mau, Lobo Mau?".

Porém Prático logo percebeu que não era fácil tocar o próprio negócio no conforto do seu home-office de tijolos. Das oito horas diárias com direito a almoço e cafezinho que tinha no antigo emprego, passou a virar dezoito horas injetando café nas veias e colocando palitinhos nas pálpebras para o serviço ficar pronto para ontem. A tão sonhada liberdade virou pesadelo e ele acabou fazendo coro com Ataulfo Alves: "Eu era feliz e não sabia". De empregado passou a escravo.

Culpa do trabalho em casa? Não, culpa das habilidades que lhe faltavam para manter um negócio. No antigo emprego, Prático podia contar com o porquinho Cícero, sonhador e empreendedor, explorando tendências e criando novas oportunidades de negócios. Podia contar também com o suporte de Schweinchen Schlau, o organizado porquinho administrador. Só agora percebia a importância do administrador e do empreendedor trabalhando ao seu lado.

Antes, enquanto Prático executava o trabalho de rotina, eram eles que cuidavam do planejamento, desenvolviam novos produtos, compravam, vendiam, cuidavam da contabilidade, dos serviços bancários e até de providenciar que o café fosse servido e o lixo colocado na rua. Agora, adivinhe quem fazia o próprio café ou colocava o lixo na rua? Sem falar de comprar, vender, ir ao banco, manter a contabilidade em dia, atender ao telefone e buscar os leitõezinhos na escola. Prático entendeu que a expressão três em um não era marmelada.

Onde errou? Na verdade não errou, como não erra qualquer porquinho que sonhe ser dono de seu próprio negócio ou decida trabalhar em regime de home-office. A princípio Prático teve a visão e a motivação necessárias para começar, mas assim que a adrenalina secou ele voltou à rotina. Tinha que executar o trabalho e não sobrava tempo para ser, além de Prático, administrador e empreendedor. O cliente queria o serviço para ontem.

Sua empresa estava uma porcaria. O que fazer? Prático começou a pensar. Terceirizar! Foi a solução que adotaram na empresa onde trabalhou. Faria o mesmo. Contrataria fornecedores para os serviços que ele não podia, não sabia ou não queria fazer. Usando de tecnologia da informação, Prático criou uma estrutura que lhe permitisse trabalhar conectado e integrado à sua rede de fornecedores, clientes e parceiros.

Schweinchen Schlau foi o primeiro cujos serviços contratou. Confortavelmente instalado em um home-office de madeira, passou a cuidar das tarefas administrativos para Prático. Cícero foi o segundo, consultor de novas tendências de negócios, que de seu home-office de palha apontava para Prático os novos rumos e tendências. Os três tinham descoberto uma nova forma de se trabalhar.

E o Lobo Mau? Sabia que você ia perguntar. Bem, o Lobo Mau tem enviado currículos para diversas empresas, mas as portas não se abrem para ele. Deve ser por causa da idade, da falta de atualização ou por não falar inglês. Com o fôlego que tem, continua tentando. Até agora só recebeu resposta da Floresta Encantada Ltda. em um e-mail que dizia: "Lamentamos informar que o emprego que procura já não existe."

Sedativo de escorpião

– E qual é o carro dos Persona? – perguntou um dos colegas de meu filho na van que o levava à faculdade. O assunto era a marca e o modelo de cada família.
– Quantum 87 – respondeu meu filho, sem pestanejar.
– 87? – exclamaram todos gargalhando exagerados. Ninguém acreditou.

A verdade é que na época eu tinha mesmo uma Quantum decenal e nem pensava em trocar. Não que nutrisse por ela um sentimento como o do Heródoto Barbeiro pela Kombi que dirige. A mesma que ele conta que não deixaram estacionar na frente do Hotel Transamérica quando foi dar uma palestra, ou que o levou a ser confundido com o rapaz das entregas, ao chegar a uma feira do livro.

No meu caso não havia qualquer ligação sentimental, mas puro desinteresse por automóveis de qualquer espécie. O carro anda? As portas abrem e fecham? O farol acende? Então serve para mim. Se a Quantum estava velha, feia e suja, azar dos motoristas dos outros carros. De dentro do meu, eu só enxergava carros novos, bonitos e limpos.

A insistência dos filhos levou-me a trocar por um e por outro até estacionar num Santana 97. Esse eu conduzi até recentemente, quando as reclamações recomeçaram. Dos filhos e do carro. Precisava de um mais novo para as viagens constantes para ministrar palestras e treinamentos em cidades próximas ou sem vôos regulares.

Negociador veterano, coloquei a máscara de quem só está olhando e entrei numa concessionária local, dirigida por dois rapazes que foram meus alunos de marketing. O escorpião em meu bolso beliscou, para lembrar que estava ali. Não seria fácil alguém conseguir vender para mim, um inveterado e compulsivo não-comprador. Sofro da "Síndrome de Pânico de Shopping". Antes seria preciso sedar o escorpião.

Se pensa que um profissional de marketing é imune à sedução de uma venda bem feita, errou. Treino pessoas para vender, mas viro geléia quando encontro alguém que vende bem. Compro, com o sentimento de um professor que quer premiar um aluno com uma boa nota. E que nota!

– Por que eu deixaria de comprar um Astra, um Corolla ou um Honda para comprar um Focus? – testei a vendedora, citando os que já tinha pesquisado na Internet. Esperei pelo esconjuro de praxe contra a concorrência. Não veio. Aquela era uma venda ética, positiva e profissional.

– Todos são excelentes. Qualquer um deles vai deixá-lo satisfeito, mas... você vai ficar ainda mais satisfeito dirigindo um Focus.

– Nem bem o "s" terminara e eu já estava embarcado num test drive. Os heróis de minha resistência estavam sendo vencidos, um a um. Fugi para casa, para tratar das picadas do escorpião no bolso.

Mas ela ligou para saber o que achei. Gostei do modelo hatch, mais barato para o escorpião. Porém apostei que no porta-malas não caberia a cadeira de rodas de meu filho. Ufa! Achara uma desculpa para não comprar. Ela estacionou um modelo hatch na porta de casa, só para experimentar a cadeira de rodas. Ganhei a aposta, mas ela não desistiu. Novo telefonema. Se eu só visse as condições de pagamento do sedan...!

Voltei à loja. Negociei, negociei e negociei, até conseguir o que queria. Ou pelo menos ela fez eu pensar assim. A atenção de meus alunos serviu de sedativo para o escorpião. "Vai uma água, professor? Um café?" Pesou ainda na decisão um aperto de mão. Do funcionário veterano, que conheceu meu pai, perguntou da família e trocou dois minutos de prosa saudosa.

– Aceita o Santana de entrada? – indaguei, já nos últimos espasmos.
– Claro. – respondeu ela, pegando um formulário.
– Financia o resto? – eu suava.
– Até perder de vista. – estendeu-me a caneta.

Ontem meu celular tocou. Estacionei o Focus – que agora é meu e do banco – e atendi. Da concessionária perguntavam se tudo estava bem, comigo e com o carro. Lembrei-me do que ouvi lá, de meu aluno, quando elogiei o atendimento em sua loja: "Aprendemos com você, professor".

Foi aí que passei a olhar de um jeito diferente para o carro. De um jeito que inclui gente – as pessoas que me levaram até ele. Quase como o Heródoto olha para sua Kombi, mas acho que nem tanto. Numa Kombi cabe muito mais gente.

Quero ser palestrante

Por ser palestrante, é comum eu receber e-mails de pessoas pedindo dicas de como ser palestrante. É interessante, mas nem eu sei se existe um caminho muito claro para alguém se tornar palestrante. Será que existe escola? A minha escola foi a vida, as lições foram as palestras. Quando menos esperava, já era palestrante.

Fui entrevistado pelo Clube do Palestrante, criado pela palestrante Leila Navarro para reunir um pouco das pessoas e do conhecimento existente na área de palestras. O site reúne entrevistas e artigos de palestrantes como Leila Navarro, Reinaldo Passadori, Antonio Carlos Teixeira da Silva, Ana Elisa Moreira Ferreira, Max Gehringer, Waldez Ludwig, Raul Marinuzzi, Clóvis Tavares, Celso Miranda, Vanusa Santos, Luiz Carlos F. Navarro e Maria Simões.

Alguns artigos e entrevistas de palestrantes, como a minha, já estão publicadas no site; outras devem entrar nos próximo dias. Mas, apesar de minha entrevista estar ali, gostei mais da entrevista do palestrante Waldez Ludwig. Explico: o Waldez foi muito claro ao afirmar: Palestrante é educador!

Pronto, matou a cobra. É isso. A maioria dos palestrantes começa a carreira ensinando, continua ensinando e não pára mais de ensinar. Dar palestras é exatamente isso. Portanto, pessoas que não gostam de ensinar podem esquecer palestrar.

Mesmo correndo o risco de não ter sido tão direto quanto o Waldez Ludwig, vou relacionar alguns pontos que tratei em minha entrevista sobre a atividade do palestrante, na forma de tópicos:

1. Ser palestrante é conseqüência de outra carreira na qual você tenha atuado até ter algo para dizer e ensinar outros. Isto amplia o campo para virtualmente qualquer área do conhecimento.

2. A idade é relevante para quem deseja ser palestrante quando o que pretende ensinar depende de experiência e amadurecimento, coisas que só o tempo pode dar. Porém há áreas em que jovens são mais bem sucedidos como palestrantes do que pessoas mais maduras, pois os temas de suas palestras dependem mais de talento – como música, esportes, artes – do que de experiência acumulada. Quando o público também é jovem, existe uma identificação maior com um palestrante também jovem.

3. Homens e mulheres têm igualmente algo a dizer e a ensinar como palestrantes, porém existem áreas em que as mulheres são melhores palestrantes do que os homens em razão de alguns atributos que lhes são naturais. Eu jamais saberia como dar uma palestra a um público feminino sobre a experiência de ser mãe e nem teria atributos tão claros para falar sobre intuição como as mulheres têm. Mulheres também são mais comunicativas, conseguem passar maior credibilidade do que os homens e costumam ser mais honestas naquilo que dizem, além de conseguirem externar com maior facilidade suas emoções. Antes que você decida contratar só palestrantes do sexo feminino, saiba que os homens também possuem muitas qualidades. Pronto. Garanti meu trabalho.

4. É muito importante que ao contratar um palestrante você saiba exatamente o que deseja desse palestrante. Há eventos em que o público sai frustrado, não por incapacidade do palestrante, mas pela escolha errada. Há eventos que pedem alguém de conhecimento, para ensinar, e não apenas para uma palestra descontraída de entretenimento. Outros necessitam de um palestrante para entreter e divertir. Há momentos em que a empresa precisa de um palestrante que dê um tratamento de choque de motivação, alegria e positivismo. É importante que a necessidade da empresa e do momento estejam casados com o perfil e capacidade do palestrante.

Uma empresa buscava por um palestrante e me consultou para uma palestra, informando que havia outro candidato que também estavam consultando. Quando vi que o evento aconteceria em uma boate, que a palestra seria o ponto alto de uma festa noturna em que os convidados estariam bebendo descontraidamente nas mesinhas em frente ao palco, achei melhor visitar o site do outro palestrante. A página principal trazia um rapaz com um terço da minha idade, corpo sarado, camisa brilhante, calça de couro e duas modelos, uma loira e uma morena, no chão agarradas às suas pernas. Era um mágico e palestrante famoso.

Sugeri à empresa que o contratasse. Era a pessoa ideal para o tipo de evento festivo e descontraído que buscavam. Obviamente um palestrante como eu, que trabalho com conhecimento, não seria o mais adequado para interromper aquele momento de descontração com um conteúdo de conhecimento que exige concentração.

Para evitar equívocos e deixar bem claro que, embora eu seja palestrante e faça palestras descontraídas, não sou cômico, mágico ou especialista em motivação, criei um formulário para pedidos de propostas que contém 3 opções impossíveis de serem assinaladas

6. Geralmente ser palestrante é apenas uma das atividades do profissional. Palestrantes voltados para o entretenimento, como aqueles que fazem mágicas, teatro ou palestras cômicas, costumam se dedicar em tempo integral a esta atividade, mas palestrantes de conhecimento geralmente são consultores, professores e escritores, além de palestrantes.

7. É preciso que o palestrante esteja continuamente atualizado e estudando sempre para dar palestras, ou você não terá o que oferecer ao seu público. Acredito que esta deveria ser também uma preocupação de qualquer pessoa que ensina.

8. Ser humilde deveria ser a principal preocupação de um palestrante, pois o fato de as pessoas estarem ali ávidas por cada palavra que sai de sua boca pode inflar seu ego e ele achar que é o máximo. É importante entender que uma palestra é uma via de mão dupla onde o palestrante ensina e aprende. Portanto, se palestrante é ser aprendiz.

9. O palestrante cobra pelo valor que seu conhecimento ou habilidade agrega. Mas quem quiser se iniciar na atividade é bom saber que terá e deverá fazer muitas palestras de graça no início, para aprender a conviver com o público, e ao longo da carreira, para manter acesa a chama de educador. Há ainda eventos estratégicos em que a recompensa do palestrante vem na forma de uma divulgação para um determinado público que poderá comprar seus serviços em outra oportunidade.
10. Uma palestra nunca poderá ser igual à outra, a não ser palestras-show em que o objetivo de entreter pode ser igual ou maior que o de ensinar. Nunca há dois públicos iguais e o palestrante deve adequar seu conteúdo e linguagem para cada público que encontra.

11. Aparência física, poder de oratória, falar vários idiomas ou outros atributos podem ajudar na carreira de um palestrante, mas isto depende da área e do assunto abordado. Há grandes sábios que mal sabem falar ou têm uma aparência sofrível, mas que fazem grande sucesso como palestrantes pelo valor que agregam com seu conhecimento.

Finalmente, é preciso ter em mente que você pode melhorar sempre. Crescer sempre. Então, quando crescer, você poderá ser um palestrante. Eu? Ainda não passo de uma criança no assunto. Mas, nem por isso me intimido de atuar como palestrante. Quase me esquecia de dizer que o palestrante deve ser ousado.

Se quiser ler mais uma dica, é muito interessante o que o palestrante Max Gehringer respondeu a alguém que escreveu pedindo dicas de como se tornar palestrante. Você encontra o texto na Revista Época (clique aqui).

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Cultura-Poder-Comunicação e Imagem: Fundamentos da Nova Empresa - GAUDENCIO TORQUATO

Questões relativas a cultura, poder, comunicação e imagem fundamentam as bases da empresa moderna. Analisar essas questões, compreender e avaliar sua natureza e suas implicações no desenvolvimento organizacional são tarefas da maior importância para os profissionais que desejam estar em sintonia com a modernidade.

Não bebo leite de vaca

Não bebo leite de vaca. Não por não gostar, mas por me causar enxaquecas. Sou alérgico, talvez. Por um bom tempo fiquei só no café, até voltar ao antigo deleite. Só que de cabra.

Voltei ao prazer de sorver, devagarzinho, o café com leite quentinho da manhã. [Pausa para tomar um gole.] Adivinhou. Escrevo enquanto bebo meu leite quente numa manhã fria, antes que o dia acorde. Meu momento individual de secreto prazer, bebericando minha fórmula exclusiva no canto da caneca. Caneca tem canto?

A minha tem. Ganhei num estande da Continental Airlines* em um evento da HSM Management e não larguei. Ela tem borda enquadradada, com um biquinho perto do cabo. Uma sensação que é um misto de mamar na vaca com beber do bico do bule. Uso leite de cabra em pó fabricado na Bélgica e embalado com a marca Scabra numa lata que avisa que vai se chamar Caprilat. [Pausa para tomar outro gole.]

Café com leite seria de mentirinha sem um bom café. O meu é solúvel, mais cremoso. O nome no vidro preto e azul é longo: Iguaçu Premium Freeze Dried Liofilizado – processo de comida de astronauta. [Outra pausa, outro gole.] Uma colherinha de açúcar mascavo e algumas gotas de Melville, mel com própolis da Superbom, formam a pitada exótica do sabor. [Último um gole]

Terminei meu café com leite, mas não meu assunto. Pegue seu café e venha comigo para a Rússia da primeira metade do século vinte. Vamos visitar Nikolai Kondratieff, criador das ondas que o levaram à morte pelas mãos de Stalin, que enxergou na teoria uma apologia ao capitalismo. Ao observar o comportamento sócio-econômico, cultural e tecnológico do mundo, Kondratieff percebeu um padrão cíclico, explorado por outros estudiosos após sua morte.

Sopre devagar a superfície de seu café e você verá uma série de ondas como as que Kondratieff quis mostrar. Uma começou em 1800, quando o vapor costurou a indústria têxtil. Seu impacto nas pessoas foi no vestir. Cinqüenta anos depois, as estradas de ferro massificaram o transporte em massa. Começamos a viajar. [Enquanto você toma seu café.]

O século virou e a onda do consumo de uma indústria movida com eletricidade nos alcançou. Enquanto eu nascia, a indústria automotiva transformava a mobilidade individual em essencial e o século terminaria com a tecnologia criando uma aldeia global de informação, conhecimento e capital intelectual. Bom negócio? Pergunte às escolas e faculdades, que não param de abrir.

E o negócio futuro? Calma, tome mais um gole. É de cabra? Quentinho e cremoso? O que vem depois é assim. Café com leite. De cabra, cremoso, mascavo, liofilizado, individualizado com própolis e mel, degustado do canto de uma caneca exclusivamente enquadradada. Entramos na onda do bem-estar, da saúde, das academias, das trilhas ecológicas, do ironman e da ironwoman. Estamos em Atenas.

É a era da individualização exacerbada, da sociedade casulo, na qual cada um quer ser o Matrix gerador de seu Neo particular. Com sua mezinha individual e poção de deleite, composição de marcas e sabores para uma experiência só minha, cremosa e quentinha. Bebericada no canto de minha redoma enquadradada, hermética e segura, da qual me relaciono com um mundo conectado à minha caneca.

Você também deve ter sua receita particular. Nem que seja de brincadeira – é café com leite. Ajuda a extravasar seu estilo próprio, sua marca, seu blend. Pode usar o mel com própolis, o solúvel liofilizado, o leite de cabra e a caneca de borda enquadradada, tudo igual e da mesma marca, mas seja original ao menos na temperatura. Ou no bolso.

Falo das reuniões em que todos trazem aquele olhinho de asterisco branco espiando do bolso da camisa. Todos têm Montblanc. Não preciso ser caro para ser original. Para cada reunião uso uma caneta distinta e saio do lugar comum. Tenho várias, de diferentes hotéis, feiras e promoções. Posso escrever, perder e esquecer, não faz mal. Todas Bic, mas cada uma original, diferente, inesperada. Não bebo leite de vaca.

Problemas ou oportunidades?

Aquele trecho da praia é horrível – comentou o recém chegado amigo que caminhava ao meu lado. – Só tem pedras; é um problema caminhar por lá. – completou. Tinha razão. Passei pelas pedras para chegar ali. Tropecei, escorreguei, feri meus pés nos corais. A praia seria melhor sem elas. Ou não?

Escrevo da Costa do Sauípe, Bahia, onde falo sobre as melhores práticas na conquista e retenção de talentos para uma platéia de empresários de tecnologia da informação. Minha missão no Reseller Forum da IT Midia é ensinar como identificar e trazer à tona o talento potencial escondido nas pessoas.

Porém todos parecem preocupados demais com as pedras. Não as da praia, mas as que impedem o andar suave de seus negócios. Afiadas, escorregadias e assoladas pelas ondas de um mercado inconstante, são um perigo para quem já vive com a água dos impostos e juros altos batendo no queixo. Ou para quem vê o preço de seus produtos e serviços achatados como a plana areia na qual imprimo a marca de meus pés.

Antes de voltar, decidi fazer uma última caminhada pela praia, apesar do prenúncio de chuva. Sim, as pedras continuam lá, mas hoje não passei por elas com pressa. Parei para observá-las de perto. Ao invés de enxergá-las como problema, tentei descobrir alguma oportunidade. Foi o melhor da caminhada.

Descobri que em épocas remotas um vulcão deixara suas pegadas ali. Um espetáculo que ninguém viu foi preservado numa cápsula do tempo que agora se abria diante de meus olhos. Um monumento à competição ígnea entre lava, rochas e seixos que um dia disputaram aquele mercado, se amalgamando numa formação que só era bela e oportuna para olhares menos preocupados com o caminhar e mais atentos às oportunidades escondidas nas pedras das dificuldades.

Antes que nuvens escuras velassem o sol e escurecessem o mar, um imenso bloco de cristal branco piscou sua luz refletida por entre pálpebras de negra lava encimadas por cílios de corais. Rugas de seixos coloridos engastados na rocha eram testemunhas de séculos de ondas, imóveis e insensíveis aos pequenos caranguejos que sapateavam sobre sua pele pétrea e enrugada.

Enquanto as novas descobertas iam se revelando diante de meus olhos, percebi que aquele era o mais belo, rico e vibrante trecho inserido na monotonia da praia. Então outro problema surgiu: uma chuva intensa veio fustigar minha pele. Senti sua massagem vigorosa e refrescante como mais uma dificuldade que se transformava em oportunidade.

Sucumbi às recordações infantis de chuvas proibidas. A criança em mim chapinhou seus pés numa poça enquanto meu lado adulto vigiava para certificar-se de que ninguém nos observava. Um casal ao longe fugia da chuva que para eles era um problema. O mesmo problema que um dia foi visto como oportunidade pelo inventor do guarda-chuva, do limpador de pára-brisa ou da capa impermeável. Ou pelo poeta que cantou suas gotas e o artista que a imobilizou com seus pincéis.

Num movimento involuntário elevei meus olhos das pedras para o céu em busca do Artista. Um imenso arco-íris fazia a ponte entre terra e mar, envolvendo as nuvens sombrias numa aliança multicor. Eu nem precisava caminhar até seu fim para encontrar o pote de ouro. Estava bem ali onde antes só via problemas para os meus pés. Pedras escorregadias, afiadas e açoitadas pelas ondas do mar.

Desapareci!

Você já quis ser invisível? Eu também. A primeira vez foi quando um menino prometeu me esperar no portão da escola para bater em mim. Nem comi o lanche, achando que podia sair de perfil sem ser visto. Naquela época teria sido bom, mas agora está sendo um pesadelo. Ontem descobri que estou invisível.



Eu já conhecia o poder do Google, mas não imaginava que pudesse me fazer desaparecer. Ele pode, acredite. Se buscar por mim, eu sumi. Bem, se procurar por meu nome, ainda vai me achar em... deixe-me ver... tec-tec-tec... 27.200 lugares. Mas são páginas de terceiros que publicam meu nome, mas meu site está invisível. Pelo menos no Google.

Tudo começou com um e-mail que recebi ontem do Google Search Quality Team:

"Detectamos que algumas de suas páginas utilizam técnicas que infringem nossos parâmetros de qualidade. Para preservar a qualidade, removemos temporariamente essas páginas de nossos resultados. No momento as páginas mariopersona.com.br foram agendadas para remoção por um período de pelo menos 30 dias".

O que significa? Bem, significa que posso tirar 30 dias de férias, porque das 50.539 pessoas que me visitaram nos últimos 30 dias, 47.164 vieram através do Google. Se fizer uma continha verá que precisarei de 15 dias para receber o número de visitantes que recebia em um dia. Recebia, até ontem.

Vaias para o Google? Não, palmas para o Google. Se não existisse um critério assim, todas as suas buscas acabariam em sites oferecendo Viagra, emagrecedores, ou uma parceria nos 50 milhões de dólares deixados por algum ditador africano morto. Sem falar naquela seqüência de páginas eróticas que abre quando você clica em um link que não devia, e você tenta desesperadamente fechar antes que seu chefe veja. O submundo dos spammers ganharia os primeiros lugares nas buscas.

Sou tão velho na Internet, que quando comecei, se alguém dissesse "Google" ia escutar coisas do tipo "Saúde!", "Deus te crie", "Não arrota na mesa, menino!". O serviço simplesmente não existia. Os sites de busca da época eram movidos a manivela e não passavam de diretórios ou listas de links acrescentados manualmente.

Depois vieram os robôs automáticos, nem de longe tão sofisticados quanto o Google atual. Eram tão míopes que, se você quisesse ser achado e ter sua página indexada, era preciso encher seu site de palavras-chave. Ou ficaria invisível, como estou agora.

Hoje o Google é inteligente o suficiente para classificar seu site por critérios de relevância complexos e secretos, mas que certamente não se baseiam meramente nas palavras-chave como faziam os buscadores antigos.

Meu site atual tem quase dez anos, e eu mesmo o fiz aproveitando velhos códigos html e técnicas de outros sites que tinha antes. De lá para cá só acrescentei conteúdo e mudei o visual, retocando minhas fotos para parecer mais jovem. Nos bastidores tudo continuava igual, inclusive o excesso de palavras-chave. Continuava, até ontem.

Passei a madrugada fazendo uma lipoaspiração nas mais de 800 páginas de meu site para extrair toda a gordura. Depois corri avisar o Google que já fiz a lição de casa. Agora é esperar.

Longe de mim querer ludibriar o sistema. Há muito eu já tinha percebido que o excesso de palavras-chave não fazia efeito algum na colocação que minhas páginas alcançavam nas buscas. A relevância vinha mesmo do conteúdo e dos milhares de sites que publicam minhas crônicas e entrevistas, e apontam para mim. O QI, ou "quem indica", é um dos critérios do Google.

Outra coisa que descobri foi que a maioria dos visitantes são estudantes, não clientes. As principais páginas de entrada são as de entrevistas, cuja íntegra eu publico no site depois que os jornais e revistas publicam apenas uma ou duas frases minhas. Qualquer um que me visite irá perceber que não vendo Viagra, não herdei uma fortuna na Nigéria, e não consigo emagrecer nem a mim mesmo.

Se você leu até aqui com profundo interesse, anotando tim-tim por tim-tim tudo o que me deixou invisível para tentar obter o mesmo efeito, vou logo avisando: a técnica não funciona para o Imposto de Renda.

Reclamando do ensino

Costumamos reclamar do ensino, e há muito que precisa ser mudado, mas pouco falamos do orgulho acadêmico. Ele existe e fica correndo sob a pele de quem ensina (sim, eu também tenho, pois ensino). Esse orgulho é natural ao ser humano e nos coloca numa falsa posição de arautos da verdade. Parece existir uma necessidade (será de auto-afirmação?) do mestre mostrar ao aluno que existe um abismo entre ele e o aluno que o aluno precisará se esforçar muito para transpor (oras, pensaria o mestre, se eu dei duro ele deve dar também!).

O problema é que falta no ensino aquilo que já é lugar comum nos negócios: o cliente reina. Se no passado a relação indústria/comércio com o cliente era unilateral -- chamamos a isso de relação "push", onde a indústria empurra o que quer que o cliente consuma -- hoje essa relação é "pull", ou seja, o cliente determina o que ele vai querer e a indústria/comércio se comportam como o gênio da lâmpada para atendê-lo.

No ensino é assim? Nem sempre. Ainda prevalece a doutrina do 'calaboca moleque, que você não entende disso'. O problema é que, com a democratização total da informação, o mestre perdeu poder. Ele já não tem a chave dos oráculos do saber, já que esta foi parar nas mãos do Google.com, a maior universidade do mundo. O aluno pergunta ao Google e o Google responde do jeito que o aluno quer ouvir. E o mestre?
Bem, ele vai espernear e tentar se impor, mas o mercado acaba com isso em muito pouco tempo. Acabou a época do ensino ('push' ou empurrado pelo mestre goela abaixo). Estamos na época do aprendizado ('pull' ou sorvido pelo aluno na medida e com o tempero que ele quer).

Por tabela, é o fim também do ensino a distância que logo, logo terá que mudar para aprendizado a distância (tema do trabalho que pretendo desenvolver aqui, se conseguir recuperar o tempo perdido). Ninguém mais vai ensinar, mas todos vamos aprender. E o mestre?

Ora, o mestre passa a ser um facilitador, porque ele próprio não sabe mais do que o mestre Google, que mora na casa de seu aluno. É por esta razão que está ficando mais importante saber procurar informação do que confiar em quem ensina. Está ficando mais importante saber perguntar do que saber responder, porque a melhor resposta acaba sendo uma composição de respostas (ou outras perguntas) que cria, em associação com o conhecimento que eu já tenho, uma sinapse que resulta em um conhecimento novo e ímpar.

Quem conseguirá avaliar isso? O mestre? É difícil, pois na velocidade em que o aluno aprende (será que ainda é aluno?) o mestre não poderá parar de aprender (será que ele ainda é mestre?). É por isso que o aluno está ficando cada vez mais difícil de ser avaliado, já que o que se considera ideal hoje em um profissional é a pluralidade de seu conhecimento, que será única para cada contêiner.

Se vai ficando impossível avaliar o quanto o aluno sabe, uma nova forma de avaliação vai tomando lugar. É a que avalia o quanto o aluno duvida (ou tem dúvidas, ou questiona). A avaliação da inquietude do que busca o saber. Isto sim deveria ser avaliado, já que a universidade está perdendo seu papel e lugar de farol do conhecimento, perdida na pluralidade do conhecimento humano acessível na ponta dos dedos. Agora, Cabreira, como efetivamente avaliar isso, eu não sei. Nem o Google.

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