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O inventor da economia

Você toca um interruptor na parede de sua casa e uma luz fluorescente ilumina a garagem. Um controle remoto permite a você destravar a porta do carro, e com outro você aciona o motor de corrente alternada que abre a porta da garagem. Enquanto você dirige, o motor de seu carro faz funcionar um alternador que transforma energia mecânica em elétrica para recarregar a bateria. Do alto falante do rádio do carro a voz do locutor traz as últimas notícias.

Maquinas, pescadores e top models

Era uma terça-feira. O serralheiro chegou, abriu sua enorme caixa de ferramentas e foi logo justificando a quantidade de equipamentos que usaria para fazer uma instalação em minha casa:

— Sabe como é, 'doutor', quando o assunto é ferramenta eu não faço economia. Estas maquininhas me ajudam a ter mais tempo para descansar.

Fiz de conta que estava impressionado com a furadeira e o esmeril que ele exibia com orgulho.

Com a lingua nos dentes

O êxodo de profissionais que saem do Brasil para viver e trabalhar no exterior não é coisa nova. Começou no regime militar, mas naquele tempo eles eram exilados ou deportados. Hoje são expatriados. Ser expatriado é dar um passo no ar, pois não basta conhecer o idioma, as leis e o modo de vida do país destino. Há nuances culturais que podem se transformar em verdadeiras pedras no sapato, expressão que só fará sentido se a população do país não andar descalça ou de chinelos.

Encantamento

O apito do navio é de tirar o fôlego. Forte, grave, resoluto. Um momento mágico. Ser embalado por aquele gigante de aço, enquanto a cidade encolhe no horizonte, traz um misto de fragilidade e poder. Sou um príncipe e o conto de fadas agora é aqui. Será que aquilo ali é um sapatinho de cristal? A fantasia está só começando.

A Internet e a comunicacao sem papel

Quando saía para ir a uma feira de tecnologia, perguntei ao meu filho se queria que eu comprasse algum livro de informática em uma das livrarias da exposição. Respondeu que não, pois estava conseguindo bons textos de programação na própria Internet e seu notebook lhe dava a mobilidade necessária para ler em qualquer lugar. E quando ele falava em mobilidade, pode acreditar. Não era incomum vê-lo levar o notebook ao banheiro, ou ficar digitando na cama com o micro sobre a barriga.

Mamae, eu quero um Tablet!

Então você é daqueles que acham que não será feliz se não tiver um tablet, não é mesmo? Eu também sou assim. Ou era, até comprar o meu. Gosto de novas tecnologias, mas também tenho aprendido que elas podem roubar um tempo precioso se as adotarmos apenas "porque sim", sem julgar nossa real necessidade.

Parem as maquinas!

Quando eu era criança, se alguém me perguntasse qual seria o futuro do jornal eu saberia responder: o açougue. É que na época eu achava que jornal eram aquelas folhas enormes que entravam em nossa casa de duas maneiras: para meu pai ler ou embrulhando a carne.

A hora do Abreu

O tropel de trezentos cavalos ecoou pelo vale quando o pedal do acelerador sentiu o toque da espora do dono. O motor do SUV respondeu rápido e os enormes pneus obedeceram à tração nas quatro rodas, fazendo o veículo escoicear em meio a uma saraivada de pedras e barro. Pelo retrovisor já não era possível enxergar a trilha, oculta por uma cortina de fumaça.

Paixao de vender

Li em algum lugar que nas praias do mundo o número de vítimas fatais de cocos que caem de coqueiros é dez vezes maior do que o de pessoas atacadas por tubarões. No entanto aposto como você nunca viu um filme intitulado "O coco assassino!". Por que? Porque o tubarão cria emoção, o coco não.


Slow is beautiful

Quando escolhi o título estava pensando em outro parecido, o do livro "Small is Beautiful". Em 1995 o suplemento literário do The London Times colocou "Small is Beautiful" na lista dos 100 livros mais influentes do pós-guerra.

Quando a marola bate no queixo

Quando aquele homem entrou em meu escritório de arquitetura, levantei da cadeira num salto. A princípio pensei que era um empresário que vinha encomendar o projeto que tiraria meu pé da lama.

Constipacao economica

Desembarquei em Nova Iorque sentindo-me grande. Não do tipo "I'm king of the hill, top of the heap", cantado por Sinatra em "New York, New York". Grande em volume. Sabe o tal de "if I can make it there, I'll make it anywhere" da letra da música? Conversa mole. Por enquanto, nem em Nova Iorque, nem "anywhere". Estou constipado pra valer.

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