Você se lembra do Orkut? Foi o Facebook de há poucos anos e desapareceu. Então acostume-se a ver empresas e empregos desaparecerem a uma velocidade estonteante. Quem aqui já trabalhou numa loja de discos, locadora de vídeos, numa livraria, numa loja de revelação de fotos ou até como jornalista ou gráfico numa empresa de comunicação sabe de que estou falando.
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Quando a fila anda
Yes, nós temos cana
O Tio Sam veio aqui, chupou cana, escovou os dentes e assoviou de contente. Se antes o vizinho era o Canadá, agora vizinho é qualquer país onde cana dá. O Brasil se alvoroçou, Zé Carioca sambou e Carmem Miranda cantou: “Yes, nós temos cana!” O petróleo virou vilão.
O dia em que a charrete sumiu
Existe uma lei de mercado que determina que tudo o que agregar maior valor ao cliente é o que permanecerá. Maior rapidez, economia, facilidade etc. são medidos, não pelo fornecedor do produto ou serviço, mas pelo implacável mercado. Aquilo que for um estorvo no andar da carruagem do mercado simplesmente desaparecerá.
Regime para emagrecer empresas
Ninguém esperava por uma freada assim. Caminhoneiro diria que serviu para assentar a carga. Eu perguntaria se ainda há carga. A ordem é reduzir despesas nas empresas, buzinam os grandes nomes da consultoria. E cobram bem para buzinar. Como a gordura já fora eliminada na lipoaspiração de downsizings anteriores, o negócio é raspar o osso. Algo difícil de roer.
A culpa da retração não está na Somália nem no Gabão. Está na América, que engordou demais. Agora os americanos decidiram parar de comer peru e nós pagamos o pato. Como acontece em casa de madame, quando a patroa faz regime quem emagrece é a empregada. O lado positivo é que abrimos menos a geladeira e economizamos energia.
A economia é tanta que até Coca aparece pela metade no outdoor. A moda agora é beber empresa light. Eliminando calorias e mão de obra. Mas quem falou em desemprego? Não existe mais isso. Nem emprego, nem desemprego. Tudo isso acabou, depois que inventaram a economia informal.
Nas grandes corporações há cada vez menos gente trabalhando mais para produzir muito. Do lado de fora, pequenas empresas e profissionais liberais desfrutam da liberdade de poder escolher quando e onde devem trabalhar. Ou seja, sempre e em qualquer lugar.
Como é a criatividade o néctar vital à sobrevivência de quem não é operária, a colméia informal é formada quase que exclusivamente por férteis rainhas. Mandaram às favas a ilusória segurança do emprego vitalício para habitar nos favos da Internet. Ali zunem em listas de discussão, formam comunidades como a www.WideBiz.com.br, e adoçam parcerias e estratégias do tipo eu-quebro-o-seu-galho-e-você-quebra-o-meu.
Fora do guarda-sol protetor e promovedor de uma grande marca, o profissional em vôo solo descobre a importância de criar sua marca pessoal. Vira ator. Já não trabalha numa companhia de produção seriada, mas atua num filme de cada vez. O que perde em regalia ganha em desenvolvimento pessoal, pois precisará manter a imagem polida no aprendizado, se quiser brilhar.
Talvez esteja aí o segredo dos profissionais liberais que vivem motivados e são contratados para motivar. Já não se sentem meros e anônimos figurantes de uma superprodução, mas estrelas de produções mais independentes. Descobriram que o mundo dos negócios não é feito só de Julia Roberts. Também é possível vencer sendo a Bruxa de Blair.
As mulheres parecem se virar melhor neste universo paralelo. Sua natureza é de resolver problemas, não de correr atrás de títulos de CEO daqui ou doutor dali. São menos propensas a consumir títulos anabolizantes do ego para exibir uma musculatura de poder. Além disso, elas já nascem multitarefa. Conseguem executar várias atividades simultâneas com a concentração de quem parece imune a decibéis de queixas e choros infantis.
Mas talvez a maior qualidade das mulheres seja a intuição. O mundo dos negócios se assemelha cada vez mais ao caos de um lar cheio de filhos pequenos. Imprevisível como o vômito do bebê, que elas resolvem sem perder a graça. Enquanto os homens tentam se ancorar na lógica dos fatos e dos números, as mulheres usam a bússola da intuição para voar numa estratosfera de ventos caóticos. Sem perder o rumo ou o rebolado nas freadas bruscas. Porque elas ocorrem quando menos se espera.
Aconteceu com um amigo. Quando terminamos o curso de piloto privado, ele decidiu seguir carreira. Mas seu primeiro vôo como co-piloto de um bimotor de passageiros quase acaba em tragédia. Estava tão tenso que o piloto tentou distraí-lo mostrando a paisagem. Apontou para um trem que passava lá embaixo e comentou: "Olha o trem". O co-piloto não titubeou. Baixou na hora o trem de pouso da aeronave a mais de quatrocentos quilômetros por hora. Uma freada que quase levou a dentadura do último passageiro a morder a nuca do primeiro.
A culpa da retração não está na Somália nem no Gabão. Está na América, que engordou demais. Agora os americanos decidiram parar de comer peru e nós pagamos o pato. Como acontece em casa de madame, quando a patroa faz regime quem emagrece é a empregada. O lado positivo é que abrimos menos a geladeira e economizamos energia.
A economia é tanta que até Coca aparece pela metade no outdoor. A moda agora é beber empresa light. Eliminando calorias e mão de obra. Mas quem falou em desemprego? Não existe mais isso. Nem emprego, nem desemprego. Tudo isso acabou, depois que inventaram a economia informal.
Nas grandes corporações há cada vez menos gente trabalhando mais para produzir muito. Do lado de fora, pequenas empresas e profissionais liberais desfrutam da liberdade de poder escolher quando e onde devem trabalhar. Ou seja, sempre e em qualquer lugar.
Como é a criatividade o néctar vital à sobrevivência de quem não é operária, a colméia informal é formada quase que exclusivamente por férteis rainhas. Mandaram às favas a ilusória segurança do emprego vitalício para habitar nos favos da Internet. Ali zunem em listas de discussão, formam comunidades como a www.WideBiz.com.br, e adoçam parcerias e estratégias do tipo eu-quebro-o-seu-galho-e-você-quebra-o-meu.
Fora do guarda-sol protetor e promovedor de uma grande marca, o profissional em vôo solo descobre a importância de criar sua marca pessoal. Vira ator. Já não trabalha numa companhia de produção seriada, mas atua num filme de cada vez. O que perde em regalia ganha em desenvolvimento pessoal, pois precisará manter a imagem polida no aprendizado, se quiser brilhar.
Talvez esteja aí o segredo dos profissionais liberais que vivem motivados e são contratados para motivar. Já não se sentem meros e anônimos figurantes de uma superprodução, mas estrelas de produções mais independentes. Descobriram que o mundo dos negócios não é feito só de Julia Roberts. Também é possível vencer sendo a Bruxa de Blair.
As mulheres parecem se virar melhor neste universo paralelo. Sua natureza é de resolver problemas, não de correr atrás de títulos de CEO daqui ou doutor dali. São menos propensas a consumir títulos anabolizantes do ego para exibir uma musculatura de poder. Além disso, elas já nascem multitarefa. Conseguem executar várias atividades simultâneas com a concentração de quem parece imune a decibéis de queixas e choros infantis.
Mas talvez a maior qualidade das mulheres seja a intuição. O mundo dos negócios se assemelha cada vez mais ao caos de um lar cheio de filhos pequenos. Imprevisível como o vômito do bebê, que elas resolvem sem perder a graça. Enquanto os homens tentam se ancorar na lógica dos fatos e dos números, as mulheres usam a bússola da intuição para voar numa estratosfera de ventos caóticos. Sem perder o rumo ou o rebolado nas freadas bruscas. Porque elas ocorrem quando menos se espera.
Aconteceu com um amigo. Quando terminamos o curso de piloto privado, ele decidiu seguir carreira. Mas seu primeiro vôo como co-piloto de um bimotor de passageiros quase acaba em tragédia. Estava tão tenso que o piloto tentou distraí-lo mostrando a paisagem. Apontou para um trem que passava lá embaixo e comentou: "Olha o trem". O co-piloto não titubeou. Baixou na hora o trem de pouso da aeronave a mais de quatrocentos quilômetros por hora. Uma freada que quase levou a dentadura do último passageiro a morder a nuca do primeiro.
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