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Criatividade no ensino

What is this, what is that?
It’s a table, it’s a chair;
What is that Mister Payne?
It’s a big airplane.

What is that, what is this?
It’s a book, it’s a kiss;
What is that silver chain?
It’s a subway train.


Era assim que eu começava minhas aulas de inglês no Colégio Estadual Moisés Nunes Bandeira, em Alto Paraíso, Goiás. O ano? 1979. A razão de estar ali? Mudar o mundo. Era só isso que me propunha a fazer quando mal tinha completado 24 anos de vida, menos da metade dos que já colecionei até aqui.

Uma espécie de Projeto Rondon privado e acalentado fizera com que eu engavetasse um diploma de arquiteto ainda fresco — o diploma — e partisse paitrocinado para o sertão de Goiás numa Kombi repleta de tralhas e sonhos. Lá eu aprenderia que o mundo é muito grande para ser mudado, mas as pessoas não. Mesmo sendo maiores que o mundo.

Meu primeiro desafio era fazer aquela garotada — a maioria nascida e criada virgem de TV — aprender a falar Inglês. Além de soletrar Matemática, viajar de Ciências e discutir Organização Social e Política Brasileira, quando ainda era proibido colocá-la em discussão no ano em que Geisel saía e Figueiredo entrava.

Adotei um método audiovisual — eu cantava ao som de meu violão de doze cordas enquanto duas dúzias de olhos me viam gingar — após perceber que nada no mundo iria fazê-los acreditar que seria preciso aprender inglês. Se aprenderam eu não sei, mas poderia apostar que hoje, mais de vinte anos depois, deve ter algum pai ou mãe lá no meio de Goiás cantando "What is this, what is that?" para seu filho dormir.

A receita da aderência da mensagem ficava por conta dos ingredientes que inconscientemente eu usava naquele método improvisado: idealismo, bom-humor, ousadia e paixão. As notas vibrando no ar tinham o efeito de destruir barreiras e despertar o apetite da garotada pelo novo. Sim, eles cantavam juntos. E como cantavam!

Só muito tempo depois eu iria aprender o poder da criatividade na educação — na demolição dos feudos de resistência psicológica criados por nada menos que a própria educação. Pablo Picasso dizia que toda criação começa com um ato de destruição, mas é o professor vivido por Robin Williams no filme "Sociedade dos Poetas Mortos" quem pincela isso na tela e em cores. Lá os alunos da Welton Academy são incentivados a arrancar as páginas quadradas de um livro retangular e a subir nas mesas em busca de uma visão alternativa do lugar.

Em um e-book intitulado "Sly as a Fox", Mark L. Fox, que deve ser parente do título, informa que "A criatividade de uma criança diminui 90% dos 5 aos 7 anos. Aos 40 sua criatividade equivale a apenas 2% da que tinha". Se ele disse isso com base em alguma pesquisa científica ou em sua criatividade não vem ao caso aqui. O que importa saber é que a educação convencional vai entupindo nossa capacidade de criar por estimular demasiadamente a razão.

Na escola aprendemos que saber responder é mais importante do que saber perguntar. Que errar é errado, não aprendizado. Que quem copia não aprende. Que estudar é para se fazer sozinho. Que concentração é importante e a interrupção, irritante. Que devemos ser especialistas. Que tira a melhor nota quem souber escrever. Que a precisão é a deusa da educação. Só depois — muito depois — vamos descobrir que fora da redoma acadêmica as coisas nem sempre são assim.

Já que estamos falando de criatividade, não é com um mundo de dados precisos que precisamos lidar quando saímos da escola, mas com um oceano de ambigüidades. Onde somos obrigados a ser generalistas o suficiente para sobreviver às mudanças, e onde não é quem escreve bem que tira a melhor nota, mas quem fala melhor. Ou quem copia.

Espere, não arranque os cabelos ainda. Não falo da cópia copy-paste, mas da cópia que empresta o criado de alguém para ajudar a dar a primeira volta na roda de uma nova criação. Numa cena do filme "Encontrando Forrester" — aquele em que James Bond recebe a difícil missão de ser escritor — Sean "Forrester" Connery ensina seu pupilo a escapar da cela que aterroriza todo escritor: a folha em branco. O primeiro parágrafo é copiado apenas para estimular Tico e Teco a encontrarem seu próprio caminho numa aventura toda original.

Ambos — Tico e Teco — trabalham nos resultados, mas não é Tico, o advogado, o criativo. Tico mora na toca esquerda de nossos hemisférios cerebrais, e cuida de tudo o que tem razão. Ele é viciado em ordem, análise e literalidade. Seu televisor é preto e branco, seus rascunhos são grifados a régua, detesta interrupções e não sai de sua agenda nem para morrer.

Na toca ao lado mora Teco, o artista. Ele descobre o contexto, vive em emoção e é hábil na síntese. Teco não se prende a padrões e nem tem TV — o que tem é uma bolha, dentro da qual flutua enquanto assiste a tudo de sua poltrona giroscópica numa tela multidimensional com som polifônico. Teco — pode até chamá-lo de Teté se preferir — é intuitivo e faz mais de uma coisa ao mesmo tempo, todas elas novas. Não tem hora nem agenda, vê nas interrupções oportunidades e só viaja de Hellman's Airlines.

Teco, o artista, só tem um problema. Tudo o que cria e faz só sai da árvore neurológica passando pela toca de Tico, o advogado. Este é o filtro que transforma a criação de Teco em comunicação legível e inteligível para os outros Ticos e Tecos que habitam a floresta da humanidade. Muita criatividade é filtrada aí, na toca da razão, onde não há lugar para o devaneio, o sonho ou a imprecisão.

O mesmo acontece no sentido inverso. Toda informação que chega à árvore de nossos esquilos cerebrais passa primeiro pelo dr. Tico. Ele verifica tudo sentado em sua escrivaninha iluminada pela lâmpada da razão, antes de destinar o que sobrar — não muito, diga-se de passagem — aos arquivos memoriais. Enquanto isso Teco ouve música, se encanta com poesia ou mergulha nas cores de uma obra de arte. Coisas sem qualquer importância ou significado para o dr. Tico.

Numa classe habituada às rudezas da vida no campo e à falta de perspectivas que ultrapassassem seu curral e arraial, aprender inglês nada tinha de lógico ou racional. Era caso de expulsão sumária da mente, perpetrada pelo dr. Tico, por absoluta falta de lógica. Pois era aí que eu entrava em campo para driblar o doutor. Com criatividade, arte e emoção. Tudo o que vem revestido de arte, rima e compasso entra pela porta ao lado do escrutínio da razão.

Em seu livro "A Whole New Mind - Moving from the Information Age to the Conceptual Age" Dan Pink escreve: "A era do predomínio do 'hemisfério esquerdo' — e a Era da Informação que este criou — está dando lugar a um novo mundo onde as qualidades do 'hemisfério direito' — criatividade, empatia, significado — governarão". E completa: "O MFA", ou Master of Fine Arts, "é o novo MBA", ao apontar para um mundo onde as pessoas buscarão cada vez mais significado, conceitos e experiências.

É claro que eu não sabia tudo isso na minha juventude, quando cantava e dançava despreocupadamente para aquelas duas dúzias de alunos com meu violão de doze cordas preso a uma alça colorida pendurada no pescoço:

What is that, what is this?
It's a book, it's a kiss;
What is that silver chain?
It's a subway train.


Mas lá eu entendi que nem tudo podia ser só festa e que Tico e Teco precisariam trabalhar em parceria se quisessem ter uma criatividade operacional. Vi isso quando um aluno perguntou:

— Professor, o que é subway train?

Expliquei que subway train significa metrô, um trem que anda por túneis sob a terra. O silêncio que se seguiu mostrou que ainda faltava algo. Então uma aluna sincera e ousada levantou a mão. Sua pergunta me fez ver o quanto de trabalho de base eu ainda precisaria fazer naquelas mentes que nunca tinham estado em paragens abaixo daquele Alto Paraíso:

— Professor, o que é trem?



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Cultura-Poder-Comunicação e Imagem: Fundamentos da Nova Empresa - GAUDENCIO TORQUATO

Questões relativas a cultura, poder, comunicação e imagem fundamentam as bases da empresa moderna. Analisar essas questões, compreender e avaliar sua natureza e suas implicações no desenvolvimento organizacional são tarefas da maior importância para os profissionais que desejam estar em sintonia com a modernidade.


E a gorjeta, doutor?

Estamos contratando Bob Esponja

Não só Bob, mas Zeca Esponja, Maria Esponja e Dito Esponja. As empresas só deviam contratar Esponjas, porque são profissionais assim que fazem a organização brilhar. Não importa se é de bucha, borracha ou aço, desde que tenha mil e uma utilidades.

Não sei se o Bob Esponja do desenho tem algo a ver com o que vou escrever. Só o vi numa escala de um de meus vôos intercanais. Tudo o que sei é que o Bob Esponja da TV mora num abacaxi e trabalha em um fast-food submarino que deixa os clientes literalmente com água na boca.

Então esqueça o Bob da TV e vamos ficar só com o Esponja profissional. Se é amarelo como o Bob? Eu disse para esquecer o desenho, mas já que perguntou, não importa. Aliás, essa é uma das qualidades do Esponja. Pode ser de qualquer cor e conviver bem com todo mundo porque sabe respeitar a diversidade de um mundo globalizado. Quer mais?

Ele não precisa de cartilha para ser politicamente correto, e nem do IBGE para saber a porcentagem de melanina necessária para ser brasileiro. Tampouco olha com dó ou asco para portadores de necessidades especiais, pois sabe que há flores com mais ou menos pétalas, todas belas. Tenho dois filhos brancos e um negro, com diferentes números de pétalas, portanto entendo do assunto. Só não me preocupo em contar pétalas. Todas são "bem-me-quer".

De volta ao Esponja, ele tem outras qualidades. Uma é sua capacidade de absorver, principalmente na hora do aperto. Como em qualquer empresa tem a hora do aperto, do sabão e do esfregão, o Esponja se dá bem no pedaço. As circunstâncias que espremem são as mesmas que permitem ao Esponja sair crescido da adversidade. Ele é flexível, ou como diriam os eruditos de Talentos Humanos, resiliente.

Resiliência é a capacidade elástica de voltar ao estado original após sofrer uma deformação. Há quem goste de usar o termo no sentido de pessoas capazes de suportar a carga de três que foram dispensados para reduzir custos. Não é bem isso. É flexibilidade, para se adaptar rapidamente às situações, mas também é memória do estado original para conseguir voltar.

Memória do estado original é importante, para o profissional não abrir mão de seus valores essenciais. Quando, aos dezesseis anos, fui morar nos EUA via programa de intercâmbio cultural, no aeroporto perguntei à minha mãe o que ela queria que eu lhe trouxesse de presente na volta.

— O mesmo que está levando na ida — respondeu.

Antigamente o Esponja Furta-cor era bem-vindo no quadro de algumas empresas, mas hoje não. O Furta-cor — tipo tecido que muda conforme o ponto de vista — foi dispensado quando perceberam que quem furta, furta dos dois lados. Groucho Marx imitava esse tipo, quando dizia: "Tenho meus princípios. Se não gostar, tenho outros".

Como reconhecer um Esponja legítimo? Fácil, ele é o anti-herói. É frágil, flexível, cede sob pressão, se amolda, adaptando-se aos diferentes ambientes e atividades, não faz estardalhaço quando cai, é leve de levar e não gosta de sujeira. Por que não falei de conhecimento? Oras, ele sabe, mas não tudo. Está cheio de espaços vazios, ou não seria Esponja. Se souber tudo, como vai absorver o novo?

Agora, prefira o Esponja com duas texturas, uma para enfrentar a sujeira pesada e outra mais macia e suave ao toque. Tipo 2M — Motivado e Moderado. Porque se for motivado demais, pode riscar a imagem da empresa com sua inconseqüência. Moderado de menos é medroso, foge do risco. Então, aprecie a motivação com moderação.

Faltou alguma qualidade? Sim, inteligência é essencial. Falei de formação moral, agora falo de formação intelectual, capacidade de aprender, de discernir. Não é sinônimo de formação acadêmica. As melhores empresas foram criadas e são mantidas pelas pessoas mais inteligentes, não necessariamente pelas que têm mais diplomas.

Se tenho dados para afirmar isso? Bem, ouvi dizer que morre mais gente em acidentes causados por burros do que por aviões, mas acho que não é a estatística que você esperava. Basta um pouco de inteligência para entender que sem ela não há liderança.

A falta de inteligência leva à subserviência — não aquela de um serviço consciente, desinteressado e humilde, própria dos grandes líderes que lideram pelo exemplo. Falo da submissão pelega, sem caráter e medrosa, dos ratos que seguem o flautista de Hamelin até o afogamento. Que pessoas assim são exploradas, até o dito popular sabe e diz: "Enquanto existir cavalgadura São Jorge não compra motocicleta".



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O Poder da Camisa Branca®
Antonio Guerreiro Filho

Se você procura por um livro de gestão participativa e uma forma de fazer seus colaboradores vestirem a camisa, então não pode deixar de ler este livro: "O Poder da Camisa Branca® - Uma nova filosofia de gestão participativa", escrito por meu amigo Antonio Guerreiro Filho, que convidou-me para escrever o prefácio (infelizmente não fui rápido o bastante e a editora colocou um texto do próprio Guerreiro no lugar). Trata-se de um bem-sucedido caso de gestão participativa que transformou uma indústria de rodas do interior paulista em referência mundial.

Guerreiro foi um dos criadores da Fumagalli, a indústria de rodas que depois se transformou em Rockwell, depois Meritor e é atualmente Arvin-Meritor. Ele foi diretor de operações e diretor superintendente, antes de passar a viajar pelo mundo como consultor da Meritor para divulgar a Camisa Branca nas plantas desta indústria em todo o mundo.


Para quem já desconfia que nem tudo o que vem escrito em inglês é verdade, é bom conhecer uma filosofia de gestão participativa criada e implementada por brasileiros com sucesso e copiada pelo resto do mundo. O livro é da Editora Futura a organização e desenvolvimento do texto é da filha de Guerreiro, Márcia Guerreiro, editorialista do Estadão.

Camisa Branca® é marca registrada da ArvinMeritor.

E a gorjeta, doutor?

O umbigo de Adão

Adão tinha umbigo? Depende. Considerando que não nasceu de mulher, então não. Porém, considerando que foi criado pronto, como um protótipo adulto, então tinha. É simples assim. Mas alguns têm dificuldade na hora de lidar com o ambíguo de Adão. Digo, umbigo.

O Houaiss define "ambíguo" como algo que desperta dúvida, incerteza. É vago, obscuro, indefinido, admite interpretações diversas e até sentidos contrários. Algo cuja resposta pode não ser nem sim, nem não, muito pelo contrário. Entendeu? Nem vai.

Há, todavia, um lado menos nefasto da ambigüidade. Quando crianças, brincávamos de enxergar carneiros nas nuvens. Para a escola racional, não passavam de nuvens e nos mandaram parar de ver nuvens passar para prestar atenção na equação.

Hitler tinha dificuldade em lidar com a ambigüidade. Para ele nada podia ser menos do que perfeito, ao seu próprio jeito. Para deixar as coisas assim, eliminava imperfeições na marra. Na arquitetura nazista, bastava incluir uma janela na fachada esquerda, simétrica à da direita, e tudo ficava lindo.

O mesmo fez com as artes. Como não podia eliminar as nuvens, eliminou quem pintasse, escrevesse ou fizesse filmes que dessem margem a mais de uma interpretação. Tentou fazer o mesmo com as imperfeições humanas.

Das circunstâncias, Aristóteles dizia que "é provável que o improvável acontecerá". Nos negócios, então, nem se fala. Mas vou falar um pouquinho. Saber trabalhar em ambientes de incerteza e ambigüidade é vital. Nada é 100% previsível nem 100% controlável. Em tudo há risco, para tudo há de se ter intuição e criatividade.

Devemos nos adaptar às circunstâncias que não podemos mudar e administrar as que pensamos poder. Com cuidado, com as ferramentas certas para abordar as ambigüidades e o mau tempo do clima organizacional.

Costumo estimular o pensamento criativo e a tolerância para com a ambigüidade em ambientes de incerteza e risco, mas nem sempre consigo. Há quem não seja capaz de enxergar além dos padrões arraigados em seu cérebro. Foi o que ocorreu quando usei um filme em um workshop para engenheiros.

A cena de "A Lista de Schindler" mostrava o personagem na conquista de seu futuro mercado, a oficialidade nazista em um bar. Ele dá generosas gorjetas ao garçom para aproximar as dançarinas dos oficiais menores e servir bom vinho aos de alto escalão. Minha intenção era mostrar que devemos identificar e atender necessidades e desejos dos clientes, tipificadas por dinheiro, prazer e prestígio. Era minha versão light de Maslow. Um dos presentes levantou a mão.

- Não concordo que precise subornar alguém, incitar a prostituição ou embriagar o cliente para vender - disse com firmeza. Fiquei esperando que criticasse também o ambiente nazista da cena, mas pelo jeito não tinha nada contra.

Saí horrorizado só de pensar na interpretação que alguns conseguem dar ao que ensino. Pessoas que nunca brincaram de enxergar carneiros nas nuvens por só pensar com o hemisfério esquerdo da razão. Gente que só acreditará em Adão se um dia o Discovery Channel mostrar um fóssil sem umbigo.

Imediatamente lembrei de outro workshop e gelei! É que lá ensinei estratégia usando a cena da batalha de "Coração Valente". E se amanhã eu abrir o jornal e a manchete gritar: "GERENTE PROMOVE BANHO DE SANGUE EM EMPRESA"? Vou preso como mentor intelectual do crime. Eu e o Mel Gibson.



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Coração Valente (Braveheart) - CATHERINE MCCORMACK, MEL GIBSON, PATRICK MCGOOHAN, SOPHIE MARCEAU


Dirigido e estrelado por Mel Gibson, este épico narra a audaciosa saga sobre a brutal batalha pela independência da Escócia no Século XIII. Quando a esposa de William Walace (Mel Gibson) é brutalizada e assassinada pelas tropas inglesas, sua busca por vingança rapidamente transforma-se em uma apaixonada luta pela liberdade de seu país. As lendas que contam a bravura de Walace inspiram os cidadãos comuns a pegarem em armas contra os ingleses e transformam sua cruzada em uma guerra de grandes proporções. Coração Valente é um épico histórico carregado de emoções como paixão, traição e coragem, uma verdadeira conquista na história do cinema.

E a gorjeta, doutor?

Uau, virei guru! Ou não?

O título da matéria no Correio Popular gritava: "Gurus cobram altos cachês em palestras". Um pouco antes eu dera uma entrevista à repórter que perguntou a quantas andava o mercado de palestras, compartilhando minhas impressões de aprendiz de guru.

De repente me vejo ombro a ombro com gurus de verdade como Tom Peters, Jack Welch, Fernando Henrique e Ricardo Semler. Ombro a ombro só no jornal, porque na vida real ainda não vi os 50 mil dólares que a matéria diz que o FHC cobra para falar.

Sob o subtítulo "Palestrante já lançou cinco livros" a matéria diz que "do time de 120 gurus cadastrados na Palestrarte, Mario Persona é dos mais solicitados e está permanentemente com a agenda cheia". Dos mais solicitados eu não sei, mas que a agenda vive cheia, "that's true" (devo falar inglês se quiser ser guru). Aguarde um pouco; preciso levar o lixo para fora.

Onde eu estava? Ah, sim, agenda cheia. Lá diz que recebo em média duas solicitações de propostas por dia. "True again". No Google meu nome aparece em milhares de páginas e se você buscar por "palestrante", dentre mais de um milhão de resultados meu site aparece... bem, descubra você. É claro que isso gera muitas propostas, mas a maioria não vinga. Nem em sonho. Só se eu fosse guru de verdade.

Um dia eu chego lá. Estou até me preparando. Por exemplo, o cabelo. Guru mente a idade — para mais — e tem cabelo branco — quando tem. Com meio século de vida, estou deixando o meu ficar. Peço ao barbeiro que corte apenas os fios pretos, mas ele nem sempre consegue, talvez por ser barbeiro. Quando for guru, terei cabeleireiro particular.

Quando for guru, vou dar um jeito na barriga, no papo, nas peles. Fazer lift-botox-lipo total. É isso aí, cabelo cor prata-ancião, corpo maneco, abdome tanquinho e pele ouro-iate. Bronzeada num iate particular ancorado ao lado de um heliporto numa marina do Caribe. Um dia chego lá. Enquanto isso pego meu bronze passeando de pedalinho.

O guru deve deixar logo a modéstia de lado e ensinar "Como Mover o Monte Fuji", como faz William Poundstone, ou criar um projeto de embasbacar, como o "Wow!" de Tom Peters!, cujo nome no site termina com um ponto de exclamação. O importante é ser original, mesmo que use o velho truque editorial do título que começa com números, como "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes", de Stephen Covey ou "Os 100 Segredos das Pessoas Felizes", de David Niven.

Eu, original? Até para escrever esta crônica precisei me inspirar no artigo "If I Were A Guru", de John R. Brandt que saiu na Industry Week. Eu lia no banheiro quando, entre outras coisas, surgiu a idéia. Um guru de verdade não faria isso. Newton, humilde, confessava: "Se enxerguei um pouco mais foi por estar sentado em ombros de gigantes". Eu, na privada.

Gurus também ganham destaque na mídia. A matéria abre com a frase: "Clube restrito conta com medalhões como FHC...", mas eu estou na que vem depois: "...mas também tem espaço para pessoas não tão conhecidas". Sou eu. Stephen Covey está nas páginas amarelas da Veja. Eu, nas da lista telefônica.

Bem, uma vez a revista Exame me entrevistou. Pediu minha opinião sobre uma empresa que conseguiu vencer uma crise em seu mercado. Uma hora de conversa com o repórter e eu mal podia esperar para ler. Corri para a banca — um guru jamais faria isso — para ver se saiu. Saiu. Uma hora inteira de minha sapiência condensada no comentário: "'É de admirar que a empresa tenha se mantido de pé', diz o consultor de gestão Mario Persona."



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O Guia dos Gurus

JIMMIE BOYETT e JOSEPH BOYETT

Os autores pesquisaram as diretrizes dos 70 empreendedores mais bem-sucedidos do mundo e organizaram seus ensinamentos em tópicos que vão desde como desenvolver um projeto a exploração de novas tecnologias. Entre eles, estão Bill Gates, Soichiro Honda e David Packard.

E a gorjeta, doutor?

Cá, com os meus botões. Lá, aos borbotões.

Sou introvertido. Ao contrário do que você possa pensar, eu nunca sonhei com você, quase nunca vou ao cinema, não gosto de pagode e não vou a Ipanema, só gosto de chuva e não gosto de sol. E se nunca telefonei, nem para a Lígia, é porque só ligo para alguém se tiver algo para resolver. Converso cá com os meus botões, mas não me isolo.

Talvez, por ter um temperamento assim, acabei criando uma rede imensa de relacionamentos virtuais, pessoas com as quais troco figurinhas há anos sem nunca ter sentido o seu hálito. Se cá converso com os meus botões, lá converso aos borbotões. E é dessa minha rede que vem a notícia de que meu quinto livro "Marketing de Gente" aparece em quinto lugar na lista dos mais vendidos em sua categoria na FNAC. Em quarto está o Philip Kotler. Mas a minha rede de relacionamentos não pára aí.

Minha rede nacional informa ainda que a última Você S.A. menciona meu livro em uma de suas páginas, enquanto a rede que mantenho com ramificações internacionais revela que uma crônica tirada de meu livro "Receitas de Grandes Negócios" enfeita o verso do cardápio de um restaurante brasileiro em Miami. E a sua rede, o que faz por você?

Redes de relacionamentos sempre existiram, mas agora a tecnologia amplificou sua ação. Mas é claro que nada substitui o relacionamento ao vivo e em cores, conversar de perto, cotovelos na mesa, olhos nos olhos. Mas alguns cuidados precisam ser tomados, principalmente na hora de conversar com quem sofre de tiques de relacionamento.

Falo daquele que segura sua mão no começo da conversa e não larga até a hora de ir embora. Você deve conhecer alguém assim. Por favor, não diga que falei dele aqui. Mas que é chato é, ficar ali amarrado. Se a mão for daquelas úmidas e pegajosas, então...

Tem também o que fala perto e nem chupa uma pastilha para o hálito por precaução. Sabe qual é, aquele que fica com o pára-choque dele colado ao seu. De quinze em quinze segundos você dá um passo para trás e ele dá um passo para frente. Você deve conhecer alguém assim. Nem mencione que eu falei dele aqui.

Uma versão mais inquietante é aquela do que brinca com sua gravata ou com os botões de sua camisa. Conheci um cara assim, que só conversava comigo mexendo no botão de minha camisa. Acho que era uma espécie de insegurança do rapaz, que precisava segurar no botão para se sentir conectado.

Conhece? Ou será você o próprio? Se for, faz isso para se sentir seguro, para vencer a distância que o separa das pessoas, para criar um elo de contato... ou o quê exatamente? Sempre quis perguntar. Tenho ainda outra pergunta. O que pessoas como você fazem quando encontram alguém de camiseta? E mais, como teriam lidado com essa compulsão antes da invenção das calças com zíper. Quer um conselho? Apenas converse com os botões.



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100 Segredos dos Bons Relacionamentos, Os

DAVID NIVEN

Todos nós sonhamos em encontrar um grande amor e, como nos contos de fadas, viver felizes para sempre. Mas construir um relacionamento saudável é um dos maiores (e melhores) desafios da vida. Por que tantos casais apaixonados acabam se separando depois que vão morar sob o mesmo teto? Quais são os segredos para se manter um relacionamento rico e amoroso em meio às demandas do trabalho, dos filhos e dos nossos próprios sonhos e planos? Depois de analisar estudos e pesquisas científicas sobre os hábitos de namoro e casamento de milhares de pessoas, o psicólogo e cientista social David Niven reuniu dicas, conselhos e histórias para orientar todos aqueles que desejam ter uma relação sólida e feliz.
E a gorjeta, doutor?

Dulcinéia, musa minha e sua

Sobre minha mesa, dois belíssimos volumes de "Don Quixote de La Mancha", de Miguel de Cervantes Saavedra, me fitam. A edição que herdei de meu pai é de 1955, ano de meu nascimento, e traz ilustrações de Gustavo Doré. Que magia estes livros contêm? O que tornou Don Quixote um dos livros mais lidos do mundo?

Como promover eventos

Creio que uns 90% de minha atividade em palestras, workshops, treinamentos e coaching seja em eventos in company. Quero dizer, na maioria das vezes sou contratado por empresas que desejam investir em seu pessoal contratando alguém out company. Em um mercado de solavancos, quem está dentro da garrafa nem sempre consegue ler o rótulo.

É provável que outra razão de uma menor aparição em eventos públicos esteja no fato de eu não ser um palestrante do tipo showman. As palestras-show costumam atrair um público maior e mais diversificado, daí a preferência dos promotores de eventos públicos por profissionais assim.

É claro que minhas apresentações são divertidas, conto casos engraçados e os treinamentos têm dinâmicas interessantes e interativas. Mas não sou mágico, cantor ou comediante. Não planto bananeiras e nem peço às pessoas para se abraçarem e beijarem. Há profissionais que fazem isso melhor do que eu, por isso nem me atrevo a imitá-los e nem promovo meus próprios eventos.

Mesmo assim, algumas de minhas palestras são em eventos abertos ao público, geralmente um público focado em negócios. Funciona assim: uma empresa ou profissional de eventos me contrata, promove, vende ingressos e cuida de tudo para também ganhar dinheiro com aquela ação. Nem sempre ganha.

A razão? É preciso ter experiência na área de criação, organização e promoção de eventos. Muitos falham por não seguirem algumas regras simples de organização de eventos. Portanto, aqui vão algumas dicas antes que você se aventure nessa difícil profissão:

Aprenda a passar o chapéu. Nunca tente promover um evento apenas contando com a arrecadação de ingressos. Tem muito dinheiro envolvido nos custos com local, palestrante, viagens, hotéis, alimentação, promoção, equipamento e pessoal de apoio, para você se arriscar. Procure patrocinadores que paguem por tudo isso em troca de promoção.

Promova corretamente. Ninguém saberá que seu evento irá acontecer sem promoção. Também neste caso, evite gastar e procure patrocinadores. Uma entrevista que você consiga numa rádio tem um efeito maior do que dinheiro gasto em propaganda convencional. Lembre-se de que ninguém patrocinará se você não promover o patrocinador corretamente, fazendo com que apareça. Isto não significa passar aquelas duas horas e meia de vídeo dos patrocinadores antes de uma palestra, ou dar a cada um a oportunidade de falar no palco. As pessoas que pagaram não vieram ali para isso. Respeite seu público se quiser tê-lo em eventos futuros.

Agregue valor para patrocinadores, palestrantes e público. Muita gente pensa que promover eventos é colocar um site bonitinho na Internet e esperar o telefone tocar. Pode esquecer. O palestrante de hoje já tem site bonitinho e telefone que toca. Se quiser atuar como agenciador vai ter que correr atrás, visitar empresas, vender, vender e vender.

Respeite os horários. Como palestrante em eventos abertos, sinto-me horrível quando o organizador fica adiando minha entrada para esperar por mais público pagante. Adivinha de quem o público pensa que foi o atraso? O resultado é trágico, já que o palestrante entra desacreditado e leva um bom tempo para inverter isso.

Conheça seu público. Na hora de promover, é preciso saber quem quer atingir. Se o seu evento for voltado para um público de indústria, nem perca tempo com outdoors, panfletagem ou comunicação de massa. Vá direto aos meios de comunicação segmentados ou use mala direta para aquele segmento. Não faça spam (propaganda por e-mail) pois na próxima seu remetente pode estar no filtro de e-mails de todas as pessoas que você pensa estar atingindo.

Verifique o calendário. Já participei de eventos que foram um fracasso porque o organizador não prestou atenção no calendário. Assim, um evento voltado para universitários em época de provas dificilmente conseguirá público. Ou uma palestra para profissionais de saúde que coincida com o período de um simpósio importante para aquele público dará um branco total na audiência. Já tive algumas palestras canceladas porque o promotor insistiu que conseguia público... uma semana antes do Natal!

Organize seu auditório. Em auditórios improvisados, sempre que possível disponha os assentos em semi-círculo, para que todos possam olhar diretamente para a tela de projeção ou para o palestrante. A torção do pescoço diminui o calibre das artérias que irrigam o cérebro, causando sono. Se for um treinamento com intervalos, faça seu público sentar em lugares diferentes na volta do café.

Seja claro. A iluminação sobre a audiência deve ser suave; menor sobre a tela de projeção e suficiente sobre o palestrante, para que o público veja seus gestos e expressão facial. Nunca apague todas as luzes do auditório ou aquela será a palestra que todos sonharam ouvir.

Cuidado com a contra-mão. A tela deve ficar à esquerda do palestrante (centro ou direita da audiência), para que este possa apontá-la com a mão esquerda, enquanto segura o microfone com a direita. Obviamente ele não precisará segurar o microfone se este for de lapela, a menos que sinta necessidade de segurar em alguma coisa por insegurança enquanto fala. Neste caso, é melhor mesmo que ele fique segurando a lapela.

Você sabe com quem está falando? Microfones de lapela deixam as mãos livres, porém podem prejudicar a qualidade de som quando o palestrante olha para os lados ou arruma muitas vezes a gravata. Existe ainda o perigo de ele se esquecer de desligar o microfone enquanto conversa assuntos sigilosos ou fala mal do público ainda atrás das cortinas. Se for ao banheiro com o microfone ligado...

Mestre de cerimônias. Seu objetivo é valorizar o evento, nunca roubar a atenção do foco principal. Deve fazer a apresentação do palestrante, aproveitando para dar avisos de duração da palestra, intervalos e solicitar o desligamento dos celulares. Deve reassumir no final da palestra para avisos de horários e local do intervalo (se houver) e solicitar um retorno rápido da audiência a seus lugares. Cuidado na hora de contratar o mestre de cerimônias para não pegar um muito engraçadinho e de pouco tato. Odeio quando o mestre de cerimônias cai na vulgaridade pois o público pode achar que o palestrante tem o mesmo nível.

Se tiver que dar errado, vai dar. Projetores, iluminação, microfones e equipamento de som devem estar instalados, com peças de contingência como lâmpadas e pilhas, e testados com antecedência por pessoas que entendem do assunto. Numa palestra para um auditório imenso, fiquei contando meia hora de histórias para ganhar tempo, enquanto dois técnicos desconfiguravam meu notebook só porque não sabiam que bastava teclar FN e F5 (ou outra, dependendo da marca) para jogar a imagem para o datashow.

Não querendo interromper... Deixe um copo de água à disposição do palestrante, mas nunca peça para um garçom ou recepcionista entrar no palco no meio da palestra para levar um copo. Você pode querer mostrar que sua organização é boa e atende o palestrante, mas o que estará fazendo na realidade é interromper e desviar a atenção do público e do próprio palestrante.

Energizar para não atrasar. Se houver ocasião para perguntas, isso deverá ser informado antes pelo mestre de cerimônias. Em auditórios grandes, providencie recepcionistas com microfones ou folhas de perguntas. Dê às recepcionistas alguns copos de Red Bull ou similar antes para ficarem rápidas na hora de entregar microfones ou recolher perguntas.

Hein?! Em alguns eventos o palestrante poderá utilizar recursos de som de seu próprio notebook, portanto procure saber com antecedência se ele vai precisar de amplificador e caixas de som com um cabo para conexão à saída de fone de ouvido do notebook do palestrante. Tenha alguém checando se o volume está bom e sinalizando para o palestrante, pois este geralmente está atrás das caixas ou é meio surdo como eu.

O próximo... não, antes desse... o outro... O ideal é que o palestrante faça a projeção de sua apresentação diretamente de seu notebook e para isto devem ser previstos cabos com comprimento suficiente para alcançar o datashow e o amplificador de som. É melhor assim do que ele ficar dizendo "Próximo" para algum ajudante que geralmente é o primeiro que dorme na palestra.

Hora de laser. Na impossibilidade de o palestrante fazer a mudança dos slides, deve ser providenciado um equipamento de projeção com controle remoto sem fio ou um operador que tomou bastante café (caso tenha acabado o Red Bull das recepcionistas) e seja inteligente o suficiente para a mudança dos slides. Um recurso é o palestrante usar um apontador laser e combinar previamente com o operador um local oculto do público para onde ele apontará o laser quando quiser trocar o slide.

A turma do gargarejo. As recepcionistas devem encaminhar os participantes para as primeiras fileiras. A distância ocasionada por assentos vazios entre o palestrante e a platéia prejudica bastante o sucesso da palestra e impede que haja interação. Isso também evita que o público retardatário distraia quem chegou antes ao procurar assento nas primeiras fileiras.

Som na caixa. É aconselhável que haja música ambiente antes (mais alto) e depois (mais baixo) da palestra, de preferência jazz instrumental com ritmo alegre. O ritmo vai ajudar a determinar o humor do público durante o evento. Não exagere, porém, tocando samba-enredo ou passando um vídeo tão interessante antes de começar que o público venha a pedir para o palestrante esperar acabar o filme.

Otimizando a apresentação. Ao apresentar o palestrante, o mestre de cerimônias deve ser breve, sem exagerar nos adjetivos para não criar uma falsa expectativa. Dê preferência a este modelo de texto para apresentar seu palestrante:

Convidamos hoje Mario Persona para falar sobre [ tema ]. Mario Persona é autor de vários livros e consultor de estratégias de comunicação e marketing. Mario Persona é convidado com freqüência para falar de temas ligados a negócios, marketing e desenvolvimento pessoal e profissional em empresas e universidades. Com vocês, para falar sobre [ tema ]: Mario Persona!

Agora, a dica mais importante. Para não ter o trabalho de alterar o texto acima, convide o mesmo palestrante para seu evento.



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Organização e Gestão de Eventos
JOHNNY ALLEN, WILLIAM O´TOOLE, IAN MCDONNELL e ROB HARRIS

Atualmente os eventos são mais essenciais à nossa cultura do que jamais foram. O tempo de lazer maior e a maneira mais cuidadosa de gastar levaram à proliferação de eventos públicos, celebrações e entretenimento. Os governos de hoje apóiam e promovem eventos como parte de suas estratégias para o desenvolvimento econômico, crescimento da nação e marketing de destino. As corporações adotam eventos como elementos essenciais em suas estratégias de marketing e de promoção de imagem. Os eventos transbordam dos nossos jornais e telas de televisão, ocupam muito do nosso tempo e enriquecem nossas vidas. À medida que os eventos emergem como uma indústria em causa própria. Por isso é válido considerar quais elementos caracterizam tal indústria e este é o objetivo deste livro.


E a gorjeta, doutor?

Sem palavras

A luz vermelha invadiu o palco improvisado e engoliu uma fatia de escuridão. Sob seu foco surgiu um velho televisor, ou o que restava dele. Comprada numa loja de restos eletrônicos, a velha caixa de madeira já não tinha cinescópio ou válvulas. Era oca e vazia, como a minha cabeça de então.

Por trás de uma tela de plástico rígido acostumada com o Repórter Esso a platéia viu aparecer meu rosto pintado. O resto do corpo estava semi-oculto sob o palco. Eu me contorcia, como quem está desesperado para sair da telinha por onde todos querem entrar.

Palco e platéia pertenciam à faculdade onde cursava meu primeiro ano de arquitetura. O show insano era a forma improvisada que encontramos para entregar um trabalho em grupo sobre a imprensa aprisionada pela repressão de então. Ao invés das maçantes folhas datilografadas decidimos entregar uma peça de não sei o quê.

Principiantes teatrais, pintamos uns aos outros com tinta guache escolar, sem imaginar o incômodo que aquilo traria ao secar. As caretas horríveis que fazíamos, torturados pela coceira e pelo ardume da tinta seca sob o calor holofotes, acrescentavam um toque dramático ao visual.

Torcíamos jornais para derramar um sangue de guache vermelho embebido em esponjas entre suas páginas. Fazíamos gestos atrás de um biombo de papel vegetal iluminado, criando um efeito de teatro de sombras, porém sem ensaio e sem sentido. Estripulias, danças, saltos e gritos loucos, tudo valia para manter a platéia na expectativa de que algo estava para acontecer.

Mas nada aconteceu, não tínhamos coisa alguma para fazer acontecer. Quando a luz se acendeu, vimos uma platéia equilibrando pontos de exclamação na testa. Como eles, não fazíamos idéia do significado daquilo tudo. Esperamos pelo pior.

A professora parecia embasbacada. Confessou que não tinha palavras para se expressar e gaguejou um "excelente". Mesmo assim, ainda quis a interpretação de tudo aquilo por escrito para documentar. Aí fomos nós que ficamos surpresos. Antes que a vaca fosse pintada de guache para o brejo, alguém teve a idéia de pedir se podíamos entregar no dia seguinte o não sei o quê devidamente datilografado e encadernado. Colou.

Então a professora que estava sem palavras falou. E como falou! Falou do significado que aquilo tudo tinha, explicou cada movimento nosso, cada loucura, cada grito, cada gota de suor. Até as máscaras de guache ganharam um significado que ignorávamos. Enquanto ela falava, alguém do grupo anotava.

No dia seguinte, o texto datilografado recebia um dez. Por uma incrível coincidência, nossa interpretação da peça coincidia exatamente com o que a professora pensava. Foi aí que aprendi o significado da máxima de David Ogilvy: "Comunicação não é o que você diz; é o que os outros entendem".



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Cultura-Poder-Comunicação e Imagem: Fundamentos da Nova Empresa - GAUDENCIO TORQUATO

Questões relativas a cultura, poder, comunicação e imagem fundamentam as bases da empresa moderna. Analisar essas questões, compreender e avaliar sua natureza e suas implicações no desenvolvimento organizacional são tarefas da maior importância para os profissionais que desejam estar em sintonia com a modernidade.

Cliente de estimação

– Ô, tio! Vai passando logo esse relógio aí, cara! – ordenou o assaltante apontando o "aço" para um tio que não era dele, mas de um amigo meu. O Rolex de ouro e estimação estava prestes a mudar de mão. Arriscar a vida por um relógio seria perda de tempo. A menos que...

– Por quanto você vai vender? – a voz de ousadia da vítima surpreendeu o ladrão pronto para "abrir no pé". O pivete parou, voltou-se surpreso e colocou para funcionar os poucos neurônios que o crack poupou.

– Tá com cascata, mermão? Qué juntá os pé, cara? – ameaçou o meliante, ainda na dúvida se aquilo estava acontecendo.

– Falo sério. Quanto você vai pegar no relógio? – insistiu a vítima insana na busca de um diálogo com o outro mundo. Submundo.

– Pego uns cento e vinte pila nele, cara. – exagerou em vinte o ladrãozinho.

– Pago cento e cinqüenta. – decidiu a vítima, tirando do bolso caneta e talão.

– Aceito cheque não, cara. Tá pensando que eu sou otário? Tem que ser no dinheiro. – cercou-se da segurança o vendedor, dada a impossibilidade de checar na SERASA o cadastro do cliente.

– Estou sem dinheiro. Fique tranqüilo. Anoto meu telefone atrás do cheque e você me liga se tiver problema. – finalizou a vítima enquanto escrevia com ousadia.

Nos treinamentos de negociação que faço em empresas – em especial para distribuidores e equipes de vendas corporativas – um dos destaques é a necessidade de ousadia. O tio de meu amigo arriscou-se ao negociar com o ladrão, mas não existe risco de vida quando você vende. Dependendo de que você vende, claro.

Diferente da venda rápida de varejo, uma venda entre empresas tem um ciclo mais longo. Não se vende uma vez, mas muitas vezes, o mesmo produto ou serviço para muitas pessoas que participam da cadeia decisória. Todas precisam ser persuadidas a comprar – do chão de fábrica à presidência, passando por um número variável de áreas e escalões intermediários.

Secretárias, usuários, técnicos, influenciadores, tomadores de decisão, aprovadores, compradores, palpiteiros, curiosos – dependendo da empresa você fica sem dedos para contar quanta gente participa de alguma forma na transação. Eu diria que nesse universo você encontra basicamente três perfis: o administrador, o usuário e o empreendedor. O primeiro compra economia, o segundo otimização e o terceiro lucratividade. Simples assim.

Bem, não é tão simples assim. A mensagem passada a cada um deles deve ser singular, já que precisa atender a necessidades distintas na mente de pessoas diversas. Vender é, em sua essência, prover um band-aid para o calcanhar, uma tesourinha para o pêlo no nariz ou um fio dental para o fiapo de bacalhau. Se existe um pé, a solução vendida terá que ser o par. Cabe a quem vende descobrir qual a melhor bebida para cada soluço.

Mas a venda não pára aí. Negócio fechado é negócio aberto. É o início de um relacionamento que deve durar para sempre. Isto se você criar oportunidades para seu cliente economizar, otimizar e lucrar, quando falamos de vendas corporativas. Para tanto é preciso manter o vínculo, visitar, ligar, perguntar.

Não me lembro de ter visto o ladrãozinho de relógios em algum de meus cursos, mas ele deve ter aprendido isso em algum lugar. Dias depois do assalto, o tio de meu amigo foi surpreendido por um telefonema. A voz era inconfundível. O assaltante resolvera ligar.

– Ô tio, tá lembrado? Sou o cara do Rolex. Descolei outro relógio igual àquele seu. Tá novinho. Interessa?



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Como Chegar ao Sim: a Negociação de Acordos sem Concessões

ROGER FISHER, WILLIAM L. URY e BRUCE PATTON

O livro apresenta uma estratégia segura e eficaz para fechar acordos que beneficiem todas as partes interessadas. Para tanto, é preciso focar nos interesses e não nas posições, jogar de forma transparente e não ceder às pressões. Um método direto, aplicado universalmente de negociação de disputas pessoais e profissionais sem partidarismos - e sem irritação. Como Chegar ao SIM diz como: separar as pessoas do problema; concentrar-se nos interesses e não nas posições; trabalhar junto para criar opções que satisfaçam às duas partes e obter êxito na negociação com pessoas que são mais poderosas, recusando-se a ceder às pressões ou a recorrer à truques sujos.



Medalha de pérola

O ex-bóia-fria de Cruzeiro D'Oeste está feliz. A expressão compenetrada do atleta esconde um secreto sorriso de vitória. Uma olhadela por sobre os ombros revela que seus competidores estão longe, muito longe. Passadas ritmadas vão comendo o asfalto que cobre as pegadas deixadas por Feidípedes há 2500 anos, quando correu de Maratona a Atenas para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas. E morreu.

Vanderlei Cordeiro de Lima não vem de uma batalha, mas vai ao encontro de uma. Entre ele e o Ouro no estádio de Kallimarmaro – o "melhor mármore" – há um adversário circunstancial chamado Cornelius Horan. A pista é invadida e, numa fração de segundo, aquele que corria rumo à vitória desaba no chão. É o fim.

Ninguém quer menos que a vitória. É por ela que corremos. Fomos condicionados a tirar dez nas provas, ser o mais rico, o mais feliz, o mais bonito. Ninguém quer ser vice. Vivemos de olho no Ouro. Por que será que não nos ensinaram que existe mais? Por que nunca nos falaram da Medalha de Pérola?

Freada brusca não acontece só em Atenas. Quando menos esperamos somos agarrados, contra a vontade, por circunstâncias que nos lançam ao chão. É complicado levantar e retomar o ritmo enquanto assistimos, impotentes, o Ouro e a Prata passando por nós. Quiçá na poeira vai também o Bronze e não sobra para nós nem uma Medalha de Lata.

Detesto livros de auto-ajuda que ensinam o ego a ficar gritando que você já é campeão antes do fim da competição. Na maratona da vida não existe podium intermediário. Só um no fim. Enquanto não chegar lá, nem pense que sua corrida terminou. A vida está cheia de derrotas e minha mãe sabiamente acrescenta que “se a vida na Terra fosse boa ninguém iria querer viver no Céu”. Prefiro o Livro que narra uma aparente derrota – uma morte inglória – que se transforma em linha de partida e de chegada, não de vencedores, mas de “mais que vencedores”.

A lista dos incidentes que podem ocorrer na maratona da vida é interminável. Todos experimentamos alguns dos mais comuns: a perda de alguém, uma demissão inesperada, uma doença que nos invalida ou uma falência não requerida. A derrota está à distância de uma queda da vitória, não importa sua estatura.

Eu mesmo já experimentei dessas puxadas de tapete que causam guinadas. Porém descobri depois que a carta do senhorio, avisando que o apartamento sob meus pés tinha sido vendido, seria a largada para os cem metros rasos que me separavam de um lugar melhor. Ou que o anúncio do chefe, de que os custos a serem cortados incluíam minha cabeça, serviria de vara para um salto muito maior.

Até na piscina dos casamentos fracassados eu me afoguei, depois de mais de vinte anos de um nado que parecia sincronizado. Quando pensava que bastava ser pai, precisei aprender a também ser mãe de três filhos, inclusive um especial, para conservar a doçura do quadrinho que na porta diz: "Lar Doce Lar".

Na hora da queda, de nada adianta ficar agarrado ao irlandês das circunstâncias. É preciso continuar correndo para deixá-lo para trás. Se o fracasso apenas nos derruba, é a nossa ocupação com ele que nos derrota.

Para as ostras, a adversidade vem quando literalmente entra areia. Se você se irrita com uma pedrinha no sapato, imagine a ostra, que é toda sapato. Mas a adversidade que a machuca serve de estímulo para ela deixar a zona de conforto – se é que ostra vive confortável. Seu organismo libera substâncias que transformam a adversidade em algo mais belo e resistente do que o Kallimarmaro, sem as incômodas arestas da derrota. É assim que surgem as pérolas.

No dia seguinte à maratona olímpica todos os jornais do mundo traziam a foto do vencedor na capa. Não, não estou falando do italiano que ganhou a Medalha de Ouro – qual era mesmo o seu nome? Estou falando daquele que transformou a adversidade em vitória, o perdão em exemplo e escreveu seu nome na história. O brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima que ganhou a Medalha de Pérola nas Olimpíadas de Atenas.

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Os 3 porquinhos

Era uma vez três porquinhos que viviam felizes na Floresta Encantada Ltda. Seus nomes eram Prático, Schweinchen Schlau e Cícero. Schweinchen Schlau é o Heitor na versão alemã. Decidi importá-lo para minha história fazer sentido. Ele era organizado, teórico e inflexível. Um bom administrador, porém vivendo no passado. Cícero, ao contrário, vivia no futuro. Sonhador e empreendedor, viajava pela Hellmann's Airlines. Já o Prático era... bem, ele era prático, oras! Vivia no presente.

Sagazes, os porquinhos perceberam que a tendência era a empresa livrar-se de tudo aquilo que não fizesse parte de seu core business, mandando muito mais do que três porquinhos de volta para casa. Alguns ficariam desempregados, outros terceirizados. Longe de significar uma ameaça, para eles era a realização do antigo sonho de viver sem emprego e sem patrão – iriam ser donos do próprio focinho.

Cada um saiu da empresa para se dedicar a projetos pessoais ou enfrentar novos desafios, como é costume dizer de executivos que perdem o emprego. Construíram cada um o seu home-office e, para afugentar o fantasma do desemprego, ouviam uma musiquinha em MP3 que baixaram da Internet. "Quem tem medo do Lobo Mau, Lobo Mau, Lobo Mau?".

Porém Prático logo percebeu que não era fácil tocar o próprio negócio no conforto do seu home-office de tijolos. Das oito horas diárias com direito a almoço e cafezinho que tinha no antigo emprego, passou a virar dezoito horas injetando café nas veias e colocando palitinhos nas pálpebras para o serviço ficar pronto para ontem. A tão sonhada liberdade virou pesadelo e ele acabou fazendo coro com Ataulfo Alves: "Eu era feliz e não sabia". De empregado passou a escravo.

Culpa do trabalho em casa? Não, culpa das habilidades que lhe faltavam para manter um negócio. No antigo emprego, Prático podia contar com o porquinho Cícero, sonhador e empreendedor, explorando tendências e criando novas oportunidades de negócios. Podia contar também com o suporte de Schweinchen Schlau, o organizado porquinho administrador. Só agora percebia a importância do administrador e do empreendedor trabalhando ao seu lado.

Antes, enquanto Prático executava o trabalho de rotina, eram eles que cuidavam do planejamento, desenvolviam novos produtos, compravam, vendiam, cuidavam da contabilidade, dos serviços bancários e até de providenciar que o café fosse servido e o lixo colocado na rua. Agora, adivinhe quem fazia o próprio café ou colocava o lixo na rua? Sem falar de comprar, vender, ir ao banco, manter a contabilidade em dia, atender ao telefone e buscar os leitõezinhos na escola. Prático entendeu que a expressão três em um não era marmelada.

Onde errou? Na verdade não errou, como não erra qualquer porquinho que sonhe ser dono de seu próprio negócio ou decida trabalhar em regime de home-office. A princípio Prático teve a visão e a motivação necessárias para começar, mas assim que a adrenalina secou ele voltou à rotina. Tinha que executar o trabalho e não sobrava tempo para ser, além de Prático, administrador e empreendedor. O cliente queria o serviço para ontem.

Sua empresa estava uma porcaria. O que fazer? Prático começou a pensar. Terceirizar! Foi a solução que adotaram na empresa onde trabalhou. Faria o mesmo. Contrataria fornecedores para os serviços que ele não podia, não sabia ou não queria fazer. Usando de tecnologia da informação, Prático criou uma estrutura que lhe permitisse trabalhar conectado e integrado à sua rede de fornecedores, clientes e parceiros.

Schweinchen Schlau foi o primeiro cujos serviços contratou. Confortavelmente instalado em um home-office de madeira, passou a cuidar das tarefas administrativos para Prático. Cícero foi o segundo, consultor de novas tendências de negócios, que de seu home-office de palha apontava para Prático os novos rumos e tendências. Os três tinham descoberto uma nova forma de se trabalhar.

E o Lobo Mau? Sabia que você ia perguntar. Bem, o Lobo Mau tem enviado currículos para diversas empresas, mas as portas não se abrem para ele. Deve ser por causa da idade, da falta de atualização ou por não falar inglês. Com o fôlego que tem, continua tentando. Até agora só recebeu resposta da Floresta Encantada Ltda. em um e-mail que dizia: "Lamentamos informar que o emprego que procura já não existe."

Sedativo de escorpião

– E qual é o carro dos Persona? – perguntou um dos colegas de meu filho na van que o levava à faculdade. O assunto era a marca e o modelo de cada família.
– Quantum 87 – respondeu meu filho, sem pestanejar.
– 87? – exclamaram todos gargalhando exagerados. Ninguém acreditou.

A verdade é que na época eu tinha mesmo uma Quantum decenal e nem pensava em trocar. Não que nutrisse por ela um sentimento como o do Heródoto Barbeiro pela Kombi que dirige. A mesma que ele conta que não deixaram estacionar na frente do Hotel Transamérica quando foi dar uma palestra, ou que o levou a ser confundido com o rapaz das entregas, ao chegar a uma feira do livro.

No meu caso não havia qualquer ligação sentimental, mas puro desinteresse por automóveis de qualquer espécie. O carro anda? As portas abrem e fecham? O farol acende? Então serve para mim. Se a Quantum estava velha, feia e suja, azar dos motoristas dos outros carros. De dentro do meu, eu só enxergava carros novos, bonitos e limpos.

A insistência dos filhos levou-me a trocar por um e por outro até estacionar num Santana 97. Esse eu conduzi até recentemente, quando as reclamações recomeçaram. Dos filhos e do carro. Precisava de um mais novo para as viagens constantes para ministrar palestras e treinamentos em cidades próximas ou sem vôos regulares.

Negociador veterano, coloquei a máscara de quem só está olhando e entrei numa concessionária local, dirigida por dois rapazes que foram meus alunos de marketing. O escorpião em meu bolso beliscou, para lembrar que estava ali. Não seria fácil alguém conseguir vender para mim, um inveterado e compulsivo não-comprador. Sofro da "Síndrome de Pânico de Shopping". Antes seria preciso sedar o escorpião.

Se pensa que um profissional de marketing é imune à sedução de uma venda bem feita, errou. Treino pessoas para vender, mas viro geléia quando encontro alguém que vende bem. Compro, com o sentimento de um professor que quer premiar um aluno com uma boa nota. E que nota!

– Por que eu deixaria de comprar um Astra, um Corolla ou um Honda para comprar um Focus? – testei a vendedora, citando os que já tinha pesquisado na Internet. Esperei pelo esconjuro de praxe contra a concorrência. Não veio. Aquela era uma venda ética, positiva e profissional.

– Todos são excelentes. Qualquer um deles vai deixá-lo satisfeito, mas... você vai ficar ainda mais satisfeito dirigindo um Focus.

– Nem bem o "s" terminara e eu já estava embarcado num test drive. Os heróis de minha resistência estavam sendo vencidos, um a um. Fugi para casa, para tratar das picadas do escorpião no bolso.

Mas ela ligou para saber o que achei. Gostei do modelo hatch, mais barato para o escorpião. Porém apostei que no porta-malas não caberia a cadeira de rodas de meu filho. Ufa! Achara uma desculpa para não comprar. Ela estacionou um modelo hatch na porta de casa, só para experimentar a cadeira de rodas. Ganhei a aposta, mas ela não desistiu. Novo telefonema. Se eu só visse as condições de pagamento do sedan...!

Voltei à loja. Negociei, negociei e negociei, até conseguir o que queria. Ou pelo menos ela fez eu pensar assim. A atenção de meus alunos serviu de sedativo para o escorpião. "Vai uma água, professor? Um café?" Pesou ainda na decisão um aperto de mão. Do funcionário veterano, que conheceu meu pai, perguntou da família e trocou dois minutos de prosa saudosa.

– Aceita o Santana de entrada? – indaguei, já nos últimos espasmos.
– Claro. – respondeu ela, pegando um formulário.
– Financia o resto? – eu suava.
– Até perder de vista. – estendeu-me a caneta.

Ontem meu celular tocou. Estacionei o Focus – que agora é meu e do banco – e atendi. Da concessionária perguntavam se tudo estava bem, comigo e com o carro. Lembrei-me do que ouvi lá, de meu aluno, quando elogiei o atendimento em sua loja: "Aprendemos com você, professor".

Foi aí que passei a olhar de um jeito diferente para o carro. De um jeito que inclui gente – as pessoas que me levaram até ele. Quase como o Heródoto olha para sua Kombi, mas acho que nem tanto. Numa Kombi cabe muito mais gente.

Quero ser palestrante

Por ser palestrante, é comum eu receber e-mails de pessoas pedindo dicas de como ser palestrante. É interessante, mas nem eu sei se existe um caminho muito claro para alguém se tornar palestrante. Será que existe escola? A minha escola foi a vida, as lições foram as palestras. Quando menos esperava, já era palestrante.

Fui entrevistado pelo Clube do Palestrante, criado pela palestrante Leila Navarro para reunir um pouco das pessoas e do conhecimento existente na área de palestras. O site reúne entrevistas e artigos de palestrantes como Leila Navarro, Reinaldo Passadori, Antonio Carlos Teixeira da Silva, Ana Elisa Moreira Ferreira, Max Gehringer, Waldez Ludwig, Raul Marinuzzi, Clóvis Tavares, Celso Miranda, Vanusa Santos, Luiz Carlos F. Navarro e Maria Simões.

Alguns artigos e entrevistas de palestrantes, como a minha, já estão publicadas no site; outras devem entrar nos próximo dias. Mas, apesar de minha entrevista estar ali, gostei mais da entrevista do palestrante Waldez Ludwig. Explico: o Waldez foi muito claro ao afirmar: Palestrante é educador!

Pronto, matou a cobra. É isso. A maioria dos palestrantes começa a carreira ensinando, continua ensinando e não pára mais de ensinar. Dar palestras é exatamente isso. Portanto, pessoas que não gostam de ensinar podem esquecer palestrar.

Mesmo correndo o risco de não ter sido tão direto quanto o Waldez Ludwig, vou relacionar alguns pontos que tratei em minha entrevista sobre a atividade do palestrante, na forma de tópicos:

1. Ser palestrante é conseqüência de outra carreira na qual você tenha atuado até ter algo para dizer e ensinar outros. Isto amplia o campo para virtualmente qualquer área do conhecimento.

2. A idade é relevante para quem deseja ser palestrante quando o que pretende ensinar depende de experiência e amadurecimento, coisas que só o tempo pode dar. Porém há áreas em que jovens são mais bem sucedidos como palestrantes do que pessoas mais maduras, pois os temas de suas palestras dependem mais de talento – como música, esportes, artes – do que de experiência acumulada. Quando o público também é jovem, existe uma identificação maior com um palestrante também jovem.

3. Homens e mulheres têm igualmente algo a dizer e a ensinar como palestrantes, porém existem áreas em que as mulheres são melhores palestrantes do que os homens em razão de alguns atributos que lhes são naturais. Eu jamais saberia como dar uma palestra a um público feminino sobre a experiência de ser mãe e nem teria atributos tão claros para falar sobre intuição como as mulheres têm. Mulheres também são mais comunicativas, conseguem passar maior credibilidade do que os homens e costumam ser mais honestas naquilo que dizem, além de conseguirem externar com maior facilidade suas emoções. Antes que você decida contratar só palestrantes do sexo feminino, saiba que os homens também possuem muitas qualidades. Pronto. Garanti meu trabalho.

4. É muito importante que ao contratar um palestrante você saiba exatamente o que deseja desse palestrante. Há eventos em que o público sai frustrado, não por incapacidade do palestrante, mas pela escolha errada. Há eventos que pedem alguém de conhecimento, para ensinar, e não apenas para uma palestra descontraída de entretenimento. Outros necessitam de um palestrante para entreter e divertir. Há momentos em que a empresa precisa de um palestrante que dê um tratamento de choque de motivação, alegria e positivismo. É importante que a necessidade da empresa e do momento estejam casados com o perfil e capacidade do palestrante.

Uma empresa buscava por um palestrante e me consultou para uma palestra, informando que havia outro candidato que também estavam consultando. Quando vi que o evento aconteceria em uma boate, que a palestra seria o ponto alto de uma festa noturna em que os convidados estariam bebendo descontraidamente nas mesinhas em frente ao palco, achei melhor visitar o site do outro palestrante. A página principal trazia um rapaz com um terço da minha idade, corpo sarado, camisa brilhante, calça de couro e duas modelos, uma loira e uma morena, no chão agarradas às suas pernas. Era um mágico e palestrante famoso.

Sugeri à empresa que o contratasse. Era a pessoa ideal para o tipo de evento festivo e descontraído que buscavam. Obviamente um palestrante como eu, que trabalho com conhecimento, não seria o mais adequado para interromper aquele momento de descontração com um conteúdo de conhecimento que exige concentração.

Para evitar equívocos e deixar bem claro que, embora eu seja palestrante e faça palestras descontraídas, não sou cômico, mágico ou especialista em motivação, criei um formulário para pedidos de propostas que contém 3 opções impossíveis de serem assinaladas

6. Geralmente ser palestrante é apenas uma das atividades do profissional. Palestrantes voltados para o entretenimento, como aqueles que fazem mágicas, teatro ou palestras cômicas, costumam se dedicar em tempo integral a esta atividade, mas palestrantes de conhecimento geralmente são consultores, professores e escritores, além de palestrantes.

7. É preciso que o palestrante esteja continuamente atualizado e estudando sempre para dar palestras, ou você não terá o que oferecer ao seu público. Acredito que esta deveria ser também uma preocupação de qualquer pessoa que ensina.

8. Ser humilde deveria ser a principal preocupação de um palestrante, pois o fato de as pessoas estarem ali ávidas por cada palavra que sai de sua boca pode inflar seu ego e ele achar que é o máximo. É importante entender que uma palestra é uma via de mão dupla onde o palestrante ensina e aprende. Portanto, se palestrante é ser aprendiz.

9. O palestrante cobra pelo valor que seu conhecimento ou habilidade agrega. Mas quem quiser se iniciar na atividade é bom saber que terá e deverá fazer muitas palestras de graça no início, para aprender a conviver com o público, e ao longo da carreira, para manter acesa a chama de educador. Há ainda eventos estratégicos em que a recompensa do palestrante vem na forma de uma divulgação para um determinado público que poderá comprar seus serviços em outra oportunidade.
10. Uma palestra nunca poderá ser igual à outra, a não ser palestras-show em que o objetivo de entreter pode ser igual ou maior que o de ensinar. Nunca há dois públicos iguais e o palestrante deve adequar seu conteúdo e linguagem para cada público que encontra.

11. Aparência física, poder de oratória, falar vários idiomas ou outros atributos podem ajudar na carreira de um palestrante, mas isto depende da área e do assunto abordado. Há grandes sábios que mal sabem falar ou têm uma aparência sofrível, mas que fazem grande sucesso como palestrantes pelo valor que agregam com seu conhecimento.

Finalmente, é preciso ter em mente que você pode melhorar sempre. Crescer sempre. Então, quando crescer, você poderá ser um palestrante. Eu? Ainda não passo de uma criança no assunto. Mas, nem por isso me intimido de atuar como palestrante. Quase me esquecia de dizer que o palestrante deve ser ousado.

Se quiser ler mais uma dica, é muito interessante o que o palestrante Max Gehringer respondeu a alguém que escreveu pedindo dicas de como se tornar palestrante. Você encontra o texto na Revista Época (clique aqui).

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Cultura-Poder-Comunicação e Imagem: Fundamentos da Nova Empresa - GAUDENCIO TORQUATO

Questões relativas a cultura, poder, comunicação e imagem fundamentam as bases da empresa moderna. Analisar essas questões, compreender e avaliar sua natureza e suas implicações no desenvolvimento organizacional são tarefas da maior importância para os profissionais que desejam estar em sintonia com a modernidade.

Não bebo leite de vaca

Não bebo leite de vaca. Não por não gostar, mas por me causar enxaquecas. Sou alérgico, talvez. Por um bom tempo fiquei só no café, até voltar ao antigo deleite. Só que de cabra.

Voltei ao prazer de sorver, devagarzinho, o café com leite quentinho da manhã. [Pausa para tomar um gole.] Adivinhou. Escrevo enquanto bebo meu leite quente numa manhã fria, antes que o dia acorde. Meu momento individual de secreto prazer, bebericando minha fórmula exclusiva no canto da caneca. Caneca tem canto?

A minha tem. Ganhei num estande da Continental Airlines* em um evento da HSM Management e não larguei. Ela tem borda enquadradada, com um biquinho perto do cabo. Uma sensação que é um misto de mamar na vaca com beber do bico do bule. Uso leite de cabra em pó fabricado na Bélgica e embalado com a marca Scabra numa lata que avisa que vai se chamar Caprilat. [Pausa para tomar outro gole.]

Café com leite seria de mentirinha sem um bom café. O meu é solúvel, mais cremoso. O nome no vidro preto e azul é longo: Iguaçu Premium Freeze Dried Liofilizado – processo de comida de astronauta. [Outra pausa, outro gole.] Uma colherinha de açúcar mascavo e algumas gotas de Melville, mel com própolis da Superbom, formam a pitada exótica do sabor. [Último um gole]

Terminei meu café com leite, mas não meu assunto. Pegue seu café e venha comigo para a Rússia da primeira metade do século vinte. Vamos visitar Nikolai Kondratieff, criador das ondas que o levaram à morte pelas mãos de Stalin, que enxergou na teoria uma apologia ao capitalismo. Ao observar o comportamento sócio-econômico, cultural e tecnológico do mundo, Kondratieff percebeu um padrão cíclico, explorado por outros estudiosos após sua morte.

Sopre devagar a superfície de seu café e você verá uma série de ondas como as que Kondratieff quis mostrar. Uma começou em 1800, quando o vapor costurou a indústria têxtil. Seu impacto nas pessoas foi no vestir. Cinqüenta anos depois, as estradas de ferro massificaram o transporte em massa. Começamos a viajar. [Enquanto você toma seu café.]

O século virou e a onda do consumo de uma indústria movida com eletricidade nos alcançou. Enquanto eu nascia, a indústria automotiva transformava a mobilidade individual em essencial e o século terminaria com a tecnologia criando uma aldeia global de informação, conhecimento e capital intelectual. Bom negócio? Pergunte às escolas e faculdades, que não param de abrir.

E o negócio futuro? Calma, tome mais um gole. É de cabra? Quentinho e cremoso? O que vem depois é assim. Café com leite. De cabra, cremoso, mascavo, liofilizado, individualizado com própolis e mel, degustado do canto de uma caneca exclusivamente enquadradada. Entramos na onda do bem-estar, da saúde, das academias, das trilhas ecológicas, do ironman e da ironwoman. Estamos em Atenas.

É a era da individualização exacerbada, da sociedade casulo, na qual cada um quer ser o Matrix gerador de seu Neo particular. Com sua mezinha individual e poção de deleite, composição de marcas e sabores para uma experiência só minha, cremosa e quentinha. Bebericada no canto de minha redoma enquadradada, hermética e segura, da qual me relaciono com um mundo conectado à minha caneca.

Você também deve ter sua receita particular. Nem que seja de brincadeira – é café com leite. Ajuda a extravasar seu estilo próprio, sua marca, seu blend. Pode usar o mel com própolis, o solúvel liofilizado, o leite de cabra e a caneca de borda enquadradada, tudo igual e da mesma marca, mas seja original ao menos na temperatura. Ou no bolso.

Falo das reuniões em que todos trazem aquele olhinho de asterisco branco espiando do bolso da camisa. Todos têm Montblanc. Não preciso ser caro para ser original. Para cada reunião uso uma caneta distinta e saio do lugar comum. Tenho várias, de diferentes hotéis, feiras e promoções. Posso escrever, perder e esquecer, não faz mal. Todas Bic, mas cada uma original, diferente, inesperada. Não bebo leite de vaca.

Problemas ou oportunidades?

Aquele trecho da praia é horrível – comentou o recém chegado amigo que caminhava ao meu lado. – Só tem pedras; é um problema caminhar por lá. – completou. Tinha razão. Passei pelas pedras para chegar ali. Tropecei, escorreguei, feri meus pés nos corais. A praia seria melhor sem elas. Ou não?

Escrevo da Costa do Sauípe, Bahia, onde falo sobre as melhores práticas na conquista e retenção de talentos para uma platéia de empresários de tecnologia da informação. Minha missão no Reseller Forum da IT Midia é ensinar como identificar e trazer à tona o talento potencial escondido nas pessoas.

Porém todos parecem preocupados demais com as pedras. Não as da praia, mas as que impedem o andar suave de seus negócios. Afiadas, escorregadias e assoladas pelas ondas de um mercado inconstante, são um perigo para quem já vive com a água dos impostos e juros altos batendo no queixo. Ou para quem vê o preço de seus produtos e serviços achatados como a plana areia na qual imprimo a marca de meus pés.

Antes de voltar, decidi fazer uma última caminhada pela praia, apesar do prenúncio de chuva. Sim, as pedras continuam lá, mas hoje não passei por elas com pressa. Parei para observá-las de perto. Ao invés de enxergá-las como problema, tentei descobrir alguma oportunidade. Foi o melhor da caminhada.

Descobri que em épocas remotas um vulcão deixara suas pegadas ali. Um espetáculo que ninguém viu foi preservado numa cápsula do tempo que agora se abria diante de meus olhos. Um monumento à competição ígnea entre lava, rochas e seixos que um dia disputaram aquele mercado, se amalgamando numa formação que só era bela e oportuna para olhares menos preocupados com o caminhar e mais atentos às oportunidades escondidas nas pedras das dificuldades.

Antes que nuvens escuras velassem o sol e escurecessem o mar, um imenso bloco de cristal branco piscou sua luz refletida por entre pálpebras de negra lava encimadas por cílios de corais. Rugas de seixos coloridos engastados na rocha eram testemunhas de séculos de ondas, imóveis e insensíveis aos pequenos caranguejos que sapateavam sobre sua pele pétrea e enrugada.

Enquanto as novas descobertas iam se revelando diante de meus olhos, percebi que aquele era o mais belo, rico e vibrante trecho inserido na monotonia da praia. Então outro problema surgiu: uma chuva intensa veio fustigar minha pele. Senti sua massagem vigorosa e refrescante como mais uma dificuldade que se transformava em oportunidade.

Sucumbi às recordações infantis de chuvas proibidas. A criança em mim chapinhou seus pés numa poça enquanto meu lado adulto vigiava para certificar-se de que ninguém nos observava. Um casal ao longe fugia da chuva que para eles era um problema. O mesmo problema que um dia foi visto como oportunidade pelo inventor do guarda-chuva, do limpador de pára-brisa ou da capa impermeável. Ou pelo poeta que cantou suas gotas e o artista que a imobilizou com seus pincéis.

Num movimento involuntário elevei meus olhos das pedras para o céu em busca do Artista. Um imenso arco-íris fazia a ponte entre terra e mar, envolvendo as nuvens sombrias numa aliança multicor. Eu nem precisava caminhar até seu fim para encontrar o pote de ouro. Estava bem ali onde antes só via problemas para os meus pés. Pedras escorregadias, afiadas e açoitadas pelas ondas do mar.

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