06/10/09

Detesto Olimpiadas

Nunca gostei de Olimpíadas. Mas não vá atrás de minha conversa porque quando criança eu também não gostava de palmito, jiló e quiabo. Mas cresci, e hoje adoro estas coisas, menos língua com quiabo, porque a baba me faz pensar no boi moribundo.

Se eu detesto Olimpíadas, por que me emocionei tanto quando vi na TV do restaurante o anúncio da escolha do Rio para 2016? Chorei. Pouquinho, disfarçadinho, mas chorei. Não tanto quanto o Lula, e nem enxuguei as lágrimas com aquela toalhinha de hotel estrangeiro que não tem bidê. Usei o guardanapo.

Acho que foi uma conjunção de fatores que umedeceu meus olhos, começando pela garçonete. Quando perguntou que molho eu queria na salada, indaguei das opções e ela enrubesceu. Pediu desculpas por ser nova e ainda não ter decorado os nomes. E como poderia? O cardápio era em inglês e rico em gírias australianas, além de calorias, muitas calorias.

Então ela tirou a cola do bolso e foi gaguejando os nomes escritos em letras trêmulas. Achei lindo ser atendido por uma garçonete que ainda não tinha sido transformada em um script ambulante com um sorriso de plástico grudado no rosto. Pedi que ela escolhesse qual molho eu devia escolher. Ela enrubesceu de novo. De repente sentiu-se cliente.

Na hora da sobremesa arregalei os olhos, impressionado com o tamanho do doce. Os olhos dela, tão arregalados quanto os meus, pareciam dizer: “Também estou impressionada! Não é incrível?”. A menina saboreava cada momento; ela vivia na pele o prazer dos primeiros dias, do primeiro emprego e, quiçá, do primeiro atendimento. Um prazer que milhares de jovens terão quando os Jogos Olímpicos chegarem à nossa raia.

Sim, porque as Olimpíadas, que eu nunca assisto, geram empregos aos montes e movimentam milhões na construção, indústria, transportes e turismo. Não que eu goste de turismo, também odeio viajar. Mas o mundo não é movido pelas coisas que eu gosto, e eu não sou burro para remar contra essa maré. Se é que burro rema.

Ouvi dizer que quando o Guga acertou no tênis o número de praticantes do esporte no Brasil dobrou. A venda de bolinhas cresceu 142%, e a de raquetes 133%. Tente imaginar o que virá atrelado aos Jogos Olímpicos do Rio. Vai estar assim de gringo que não vem só para ver o Rio. Os que não perderem o passaporte num assalto, vão querer visitar também a floresta amazônica antes que acabe. Mais negócios e empregos para as outras regiões.

Mas não é preciso esperar 2016 para medir os efeitos das Olimpíadas nos negócios. A venda de cerveja aumentou nos bares e restaurantes frequentados pelos filósofos de botequim. Eles andavam meio sem assunto com a mesmice da invasão da embaixada brasileira em Honduras, e de repente as Olimpíadas caíram de bandeja. O tempo médio de permanência da “Irmandade do Contra” nos botequins aumentou, estimulando toda a cadeia de negócios, da cerveja ao amendoim, passando pelo salaminho e pelos garçons e garçonetes, que viram suas gorjetas engordarem.

Os botequins nunca estiveram tão animados. Quer coisa melhor do que criticar os investimentos que serão feitos no Rio? Vai ter politicagem, vai ter corrupção, vai ter poluição... Nossa! A lista é interminável! Tantos problemas graves para o país resolver e o governo pensando em Olimpíadas! Por que não gastar na educação e no combate à fome os bilhões que serão gastos com gente fazendo piruetas?

Quase sinto vontade de engrossar as fileiras dos filósofos de botequim. Se ainda fosse universitário e reacionário eu com certeza estaria ali, falando mal das Olimpíadas, do palmito, do jiló e do quiabo. Mas cresci.

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Inteligência Mercadológica
Jose Augusto Minarelli

O livro Inteligência Mercadológica nasceu da constatação de que o atual mercado de trabalho está em rápido processo de transformação, apresentando menor quantidade de empregos formais e maiores oportunidades de prestação de serviços de forma autoempresariada.

Na atividade de consultoria, como um dos pioneiros e mais requisitados profissionais em outplacement e aconselhamento de carreira, José Augusto Minarelli observa a grande dificuldade dos milhares de executivos que passam pelos escritórios de sua empresa (Lens & Minarelli Associados) em se posicionar diante dessa nova realidade.
O autor desenvolve a aplicação do conceito de Inteligência Mercadológica (I.M.) como um dos tipos de inteligência na linha dos trabalhos de Howard Gardner e Daniel Goleman (Inteligência Emocional). A Inteligência Mercadológica é a habilidade de estar atento e perceber as necessidades das pessoas, fonte inesgotável de geração de trabalho e renda, e, a partir disso, identificar oportunidades que permitam desenvolver serviços e vendas.
O livro se baseia em experiências e situações extraídas da atividade diária do escritório, trazendo inúmeros casos ilustrativos. Em seus capítulos, desenvolve o conceito do ciclo mercadológico em seis etapas, desde a pesquisa de oportunidades até a verificação de resultados, além de apresentar o exclusivo teste do Quociente de Inteligência Mercadológica (QI.M.) para avaliar o seu grau de preparo para enfrentar o mercado de trabalho atual.
O livro é dirigido a:
- profissionais em busca de trabalho ou de mudanças na carreira
- prestadores de serviços, pessoas físicas, profissionais independentes, autônomos e profissionais liberais;
- jovens profissionais recém-formados, que acabam de entrar no mercado de trabalho.

Ao concluir a leitura desta obra, sem dúvida, os profissionais estarão mais preparados para enfrentar o desafio proposto pelo economista irlandês Charles Handy ao seu filho, que estava se formando: "Procure clientes, não empregos!".
Editora: Gente
Autor: JOSE AUGUSTO MINARELLI
ISBN: 9788573125689
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 200
Acabamento: Brochura
Formato: Médio





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E a gorjeta, doutor?

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19/09/09

A biblioteca subiu no telhado

A piada é velha. Um sujeito é repreendido pelo amigo por ter enviado um email avisando da morte do gato. O dono do gato não gosta da notícia abrupta e instrui o outro a primeiro dizer que o gato subiu no telhado, depois que caiu, está passando mal etc. até morrer. Um mês depois chega um novo email: “Sua mãe subiu no telhado”.

No caso da biblioteca, porém, não é piada. E também não é qualquer biblioteca que subiu no telhado. Trata-se da biblioteca pública de Filadélfia, que Benjamin Franklin ajudou a criar. A notícia de que suas 53 instalações fechariam as portas teve, nos bibliófilos, o efeito de um incêndio de Alexandria.

Em 2006 estive em Filadélfia, mas não na biblioteca. Vi uma das lojas da Tower Records que estava liquidando para fechar. Já reparou quantas lojas de discos fecharam? E livrarias? Quando criança, minha cidade tinha 5 cinemas, hoje só tem um. A maioria das lojas de revelação de fotos morreu. Mesmo assim continuamos ouvindo música, lendo livros, vendo filmes e colecionando fotos.

O que mudou foi o modo de acessar essas coisas. A música é vendida online, as lojas de revelação vivem de fotos em camisetas, canecas e banners, as livrarias foram para a Web e o cinema agora é home theater. E a biblioteca?

Numa época quando o bibliotecário já devia ter se transformado em cibertecário, 3 mil empregos em Filadélfia estão por um fio. Na última hora uma verba estadual deu à biblioteca fôlego para permanecer mais algum tempo no telhado.

Quando no inverno da crise de 2008-2009 as bibliotecas norte-americanas ficaram cheias, muita gente achou que o interesse tivesse retornado. Engano. Profissionais liberais passaram a trabalhar nelas para economizar Internet e aquecimento em casa. Um estudo revela que mais de 71% das bibliotecas nos EUA são o único provedor de computadores e Internet grátis em suas comunidades. E 44% do interesse de seus usuários está em acessar sites de empregos.

Mas o fato de algumas bibliotecas terem subido no telhado não significa que irão cair dele. A Google não estaria investindo milhões escaneando os acervos das principais bibliotecas do mundo se o negócio estivesse morto. É preciso entender para onde caminha a humanidade.

Em 1998 eu escrevia sobre Internet, mas quando vi que a novidade ia acabar passei a escrever sobre comunicação, marketing e desenvolvimento pessoal, assuntos sem data de validade. Em 2006 inaugurei meu canal no Youtube, a TV Barbante. Hoje meu site de 900 páginas de texto gera 2,5 mil page-views diários, enquanto meus 120 vídeos geram 2,1 mil video-views. Faça as contas e você verá que vídeo atrai muito mais do que texto. A nova geração é visual e a velha está morrendo.

A princípio pensei em alugar um servidor para meus vídeos não saírem de meu domínio, mas o pipoqueiro me convenceu do contrário. Ele não fica com o carrinho no quintal, mas vai para a porta do estádio. Então fui para o estádio do Youtube. As bibliotecas que se aliaram à Google em seu projeto estão de olho no estádio.

A biblioteca tradicional oferece informações e acesso como fazia nos tempos de Benjamin Franklin. Mas lá fora o mundo vive um processo caótico de conhecimento baseado na interatividade e nos relacionamentos. Você já ouviu falar em redes sociais?

O problema é que o conceito das redes sociais é inadmissível na antiga biblioteca convencional. Pense na biblioteca de sua infância e você pensará na tia mandando calar a boca. A menos que essa cultura seja mudada, mais bibliotecas continuarão a subir no telhado. As bibliotecas precisam mesmo é de percepção.

Foi a falta de percepção que levou uma garota a entrar numa biblioteca e pedir fritas, hambúrguer e milkshake em alto e bom som. (Ok, eu sei que é outra piada velha, mas esta virou até comercial da Mercedes Benz). A bibliotecária imediatamente avisa a garota que ali é uma biblioteca. Envergonhada, a menina chega mais perto e cochicha baixinho:

- Eu quero fritas, hambúrguer e milkshake



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O Negócio dos Livros
Andre Schiffrin
O livro discute os bastidores da biblioindústria. Publicado em 21 países e agora no Brasil, O Negócio dos Livros analisa o mercado da produção editorial no mundo e trata de questões como: quem decide o que está nas prateleiras das livrarias? Como são negociados grandes acordos internacionais de compra e venda de livros e editoras?
Há quase 50 anos no mercado, Schiffrin esclarece com análises polêmicas essas e outras questões sobre os bastidores do universo editorial. O autor chama atenção para o papel que deve desempenhar o editor e alerta como é perigoso viver em uma cultura limitada de idéias e alternativas e como é fundamental manter um amplo debate em torno do que é publicado.

O AUTOR:
André Schiffrin nasceu na França, em 1935, e vive nos Estados Unidos desde 1941. Durante 30 anos foi editor da Pantheon, por onde publicou importantes autores norte-americanos, europeus e latino-americanos. Desde 1990, dirige a editora independente sem fins lucrativos The New Press, localizada em Nova York e subsidiada por diversas fundações.

Editora: Casa da Palavra
Autor: ANDRE SCHIFFRIN
ISBN: 8577340236
Origem: Nacional
Ano: 2006
Edição: 1
Número de páginas: 178
Acabamento: Brochura
Formato: Médio




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E a gorjeta, doutor?

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14/09/09

As 110 lampadas

Não, não eram 102 dálmatas, muito embora aquele teto lembrasse a pele do cão. Eram cento e dez pontos negros no teto branco segurando cento e dez lâmpadas econômicas que não faziam economia alguma.

Eu estava na pequena agência dos correios da pequena estância hidromineral onde passava minhas férias quando pequeno. Fiz uma parada rápida ali a caminho de um cliente na cidade seguinte para matar a saudade e postar um sedex.

Aquele exagero de pontos de luz em um ambiente pouco maior que minha sala chamou minha atenção, provavelmente por ser arquiteto de formação e curioso por vocação.

O curso de arquitetura me ensinou a observar os detalhes e a pensar em 3D, coisas que me ajudam até hoje. Disso depende o pensamento estratégico em qualquer atividade que eu exerça e ainda posso ouvir meu professor dizendo:

"Prédios não têm fachada, não têm frente nem fundos, todos os lados precisam ser pensados".

Vale para qualquer negócio. A arquitetura me ensinou também a tomar o ser humano como ponto de partida e destino de todo projeto. Só faltou uma coisa no curso de arquitetura, algo que todos os cursos ficam devendo a seus alunos: ensinar a vender.

Por não ter aprendido marketing saí da faculdade com uma visão hermética, purista e elitista: só eu seria capaz de saber o que era melhor para meu cliente e pouco me importava se ele entendia ou não o valor e a razão da minha profissão. Caí no mercado com uma visão equivocada do que é ser arquiteto.

Mas se eu, que estava dentro, tinha uma visão equivocada, o que esperar de quem está fora? Pergunte a qualquer pessoa o que um arquiteto faz e, deixando de fora os que ficarão mudos, você terá um rosário de definições, algumas nem um pouco politicamente corretas.

A maioria vai concluir que arquiteto é um luxo desnecessário. Arquiteto? Pra que? Basta levar o esboço feito pela patroa em papel de pão e aquele despachante da esquina passa a limpo e ainda obtém a aprovação da planta. Nada que uma caixa de cerveja não resolva.

Mas, na real, o que é arquitetura e o que faz o arquiteto? Fiz uma busca no Google e fiquei petrificado como a definição de Goethe: "Arquitetura é música petrificada". Le Corbusier definiu a arquitetura como "o magistral, magnífico e correto jogo de volumes trazidos à luz". Lá atrás, há 2 mil anos, Marco Vitrúvio Polião, arquiteto romano, escreveu:

"A arquitetura é uma ciência, surgindo de muitas outras, e adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento é formado daqueles trabalhos que são o resultado das outras artes."

Hã? Bem, com definições assim, o que você esperava que o leigo pensasse do arquiteto? O que pouca gente percebe é que há milhares de anos o arquiteto tem deixado sua marca na história humana. Oras, quem você acha que projetava as cidades, edifícios e ambientes dos épicos que você vê no cinema? Exceto pela parte em que o arquiteto era enterrado vivo com o faraó, a profissão era das melhores e mais respeitadas da antiguidade.

E hoje? Falta ao arquiteto saber vender seu peixe; conseguir traduzir para o cliente o valor intrínseco da profissão, descortinar o benefício, o que o cliente vai ganhar com isso. Sem isso não é possível evitar a idéia equivocada que muitos têm da profissão. O homem atrás de mim na fila da agência de correios era um deles.

Depois de contar as lâmpadas para matar o tempo, comentei com ele:

- Será que aqui funcionava uma loja de lustres e aproveitaram os pontos de luz? Ou, talvez, o dono do imóvel seja um fabricante falido de bocais? Ou quem sabe um acionista da indústria de lâmpadas econômicas?

-- Nada disso -- redargüiu o homem na fila. - Isso aí só pode ser coisa de arquiteto.

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Lovemarks: o Futuro Além das Marcas
KEVIN ROBERTS


Para sobreviverem, as grandes marcas precisam criar nos consumidores uma "fidelidade além da razão". Esta é a única forma de se distinguirem dos milhões de marcas insossas. O segredo é usar Mistério, Sensualidade e Intimidade, paradigma que faz parte da construção de Lovemarks, conceito criado por Kevin Roberts, CEO mundial da Saatchi & Saatchi. Roberts prova, em Lovemarks: o Futuro Além das Marcas, ser possível construir um compromisso apaixonado entre cliente e marca, por meio daqueles três conceitos poderosos. Este livro proporciona a profissionais de marketing novas formas de pensar sobre como fixar a marca com base no mistério, sensualidade e intimidade. Roberts proporciona insights práticos sobre as formas de alavancar o poder da emoção, do respeito e do amor. Afinal, o que vem depois das marcas? Lovemarks.




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09/09/09

Banana, menina, tem vitamina

Qual a diferença entre a grande mídia e a mídia nanica? Bem, uma é isenta, a outra tendenciosa. Uma é original, a outra copiadora. Uma se alimenta de fatos, a outra de bananas. Mas qual é qual, afinal?

Decida você. Não há dúvida de que uma é 'mais grande' e desculpe pelo 'mais grande'. Já que escrevo num blog, não posso ser 100% correto ou confiável. Questão de coerência.

Continuando, nem sempre o 'mais grande' é o mais inteligente. O "Asno de Buridan", por exemplo, morreu de fome. A mídia 'mais grande' ficou assim por vender melhor.

Um dentista contou que, na última aula da faculdade, o mais arcano dos mestres revelou a fórmula do sucesso:

- O dentista mais bem sucedido financeiramente não será o que tirou as melhores notas. Será o melhor vendedor.

Vender sempre foi a alma do negócio, e às vezes as almas são o negócio. Há quem compare grandes e pequenas mídias em termos de credibilidade, qualidade e compromisso. Eu comparo em termos de vitamina.

Na pequena - blogs, youtubes, podcasts - a vitamina que faz a menina crescer não é a banana, é o ego. Por falar nisso, já contei que meus vídeos da TV Barbante ultrapassaram um milhão de acessos? Pois é...

Na grande? A vitamina é o capital. E seu produto? Quem aí acha que é informação levante a mão. Errou. O produto da grande mídia são as almas leitoras, ouvintes ou telespectadoras vendidas aos anunciantes. Tem nanica, prata, ouro...

Já foi mais fácil. Hoje a bananada está debandando para a banca da Internet. Então, na falta de prata e ouro, é preciso adaptar o nível da grande mídia à nanica, que cresce nas bananeiras mais baixas.

- Peraí, e eu, qual é o meu papel? - pergunta indignado meu leitor jornalista.

Criar textos e pretextos para atrair e manter as pencas numa mesma banca. Ou quem você acha que paga seu salário. Quem consome informação? Tá brincando! Cole o ouvido na porta do comercial e ouça você mesmo:

"Olha o leitor de informática, quem vai querer?" "Executivos a caminho do trabalho, compre aqui na minha rádio!" "Donas de casa desesperadas? É neste canal!" E por aí vai.

- A pequena pode ser pessoal, mas a grande é imparcial. - esclarece meu leitor publicitário defendendo seu cliente.

Imparcial? Negócios nem sempre podem se dar ao luxo de serem imparciais na hora de decidir para qual brasa puxar a banana, digo, a sardinha. A pauta mantida ou caída, por exemplo, já é uma tomada de posição. Quando o negócio é vender, vale até a não-notícia:

"ESTARIA CHAVES PLANEJANDO INVADIR A AMAZÔNIA?"

Nunca viu manchete assim, perguntando? Diz o que ninguém disse para criar fuzuê e aumentar a tiragem. Ah, tem a tiragem. Sabe pra que servem aquelas campanhas do tipo "receba grátis por três meses"? Lembre-se, é de almas que o negócio vive, pagantes ou não. Quanto maior a penca, mais brilham os olhos do freguês.

Há outros truques. Exemplo? Opiniões que ajudam a atrair concessões pós-eleições. Mais? Apostas em clientes grávidos de futuros patrocínios. É aí que entra a arte de transformar empresas em notícias:

"MARIO PERSONA PLANEJA FATURAR 1 MILHÃO PLANTANDO BANANEIRAS"

Vai dizer que nunca viu uma notícia assim? Não é notícia, mas sai como se fosse, desde que a empresa que 'planeja' tenha cacife para realizar o que foi conversado atrás das bananeiras: comprar tempo e espaço de veiculação.

Nem sempre funciona. Na época da bolha pontocom vi muita promessa que embrulhava leitores acabar embrulhando carne em açougue. Isso quando o feitiço não virava contra o feiticeiro, como aconteceu com um empresário que conheci.

Na ânsia de fazer sua empresa crescer e aparecer, contratou uma assessoria de imprensa e conseguiu. Não crescer, só aparecer. Sua empresa não saiu do chão, mas o 'case' fabricado foi parar numa revista de projeção, com uma astronômica previsão de faturamento. A empresa faliu, mas a revista continuou nos salões dos cabeleireiros, até sua ex-esposa ler o tanto de vitamina que tinha em sua previsão. Não deu outra: pediu a revisão da pensão.

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Buzz: a Era do Marketing Viral
MARIAN SALZMAN, IRA MATATHIA, ANN OREILLY


Eis o modo mais barato e eficiente de colocar o nome da sua marca na boca de todos e transformar consumidores potenciais em compradores reais. O buzz, porém, não surge espontaneamente: você tem de fazê-lo acontecer. Como disseminar o buzz? Como fomentá-lo? Em Buzz, três dos mais bem-sucedidos especialistas mundiais do ramo revelam as fórmulas altamente eficazes que empregaram para provocar alarido em torno de grandes marcas como American Online, Esprit e Nintendo. Marian Salzman, Ira Matathia e Ann O´Reilly não discorrem apenas sobre teoria: mostram como o buzz marketing funciona. Conduzem o leitor, passo a passo, ao longo do processo de identificação dos Alfas e dos Abelhas, pessoas influentes que garantem a transmissão de mensagens ao público-alvo.
Os autores apresentam também técnicas que comprovadamente criam a ilusão da espontaneidade, valendo-se das redes sociais existentes para levar a sua mensagem aonde você quer que ela chegue e induzindo os consumidores a trabalhar para você. Examinando estudos de caso colhidos em campanhas de marketing bem-sucedidas para Kate Spade, Bulgari, Ford, Nokia e Apple, este guia prático conta a história oculta de como o boca-a-boca realmente funciona. Você também descobrirá quão eficazes são os anúncios de impacto, o modo como aproveitar o ímpeto de uma marca e quais os produtos ou serviços que mais se beneficiam de uma campanha de buzz. Você descobrirá diferentes tipos de buzz (inclusive o marketing viral pela internet) e aprenderá a escolher o que funcionará melhor para determinada marca ou campanha. Além disso, ao longo do livro, tomará conhecimento de técnicas inovadoras de construção de buzz para ir além do simples comentário e gerar lealdade duradoura à marca.




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28/08/09

A quinta letra

"Sou gerente de comunicação do YouTube e estamos organizando um bate-papo com poucos internautas brasileiros para saber o que pensam do site, o que mais usam, e como a experiência poderia ser melhorada. Seu nome foi selecionado entre milhões de usuários..."

Minha primeira reação foi verificar se o email era verdadeiro. Afinal, ele chegou na mesma caixa postal que recebe todos os dias convites para sacar milhões de dólares de uma conta na Nigéria. O do YouTube era genuíno.

O convite era uma verdadeira aula do conceito AIDA de comunicação: Attention, Interest, Desire and Action. Ok, o acrônimo também dá certo em português, mas achei que no original ficaria mais chique.

Ao se apresentar como gerente de comunicação do YouTube, ele chamou minha ATENÇÃO, o "A" do AIDA. Ao pedir minha opinião, acertou em cheio o "I" de meu INTERESSE. Quem é que não gosta de dar opinião, falar de suas vitórias ou cicatrizes? Todo bom vendedor sabe que não vende se ficar falando de si, de seu produto ou serviço, mas interessando-se pela opinião do cliente, suas necessidades, DESEJOS... Epa! Olha o "D" aí!

Babei saliva. Afinal, meu nome tinha sido escolhido dentre milhões de usuários. MILHÕES, grande assim! Bem, até que fazia sentido, já que só meus vídeos da "TV Barbante" são vistos 2 mil vezes por dia e passaram de 1 milhão desde 2006. "O Evangelho em 3 minutos", com mil views diários, está batendo nos 300 mil com apenas 14 meses de vida.

Faltava a última letra do AIDA, que foi logo cravada com a frase: "O número de vagas é extremamente limitado e é necessário confirmar presença". Urgir por uma resposta funciona até para quem nunca viu tal verbo. O "A" de AÇÃO que faltava para eu tomar uma decisão estava bem ali. O que você teria feito em meu lugar?

Pois é, eu também não estava disposto a viajar 150 quilômetros até São Paulo só para contar o que penso do YouTube. Minha opinião podia muito bem ir por email ou vídeo, só para ficar no contexto. Antes que eu me decidisse por não ir, minha ATENÇÃO, INTERESSE, DESEJO e AÇÃO foram adrenalizados (não adianta procurar, o verbo não existe) pela quinta letra de AIDA. Também não adianta procurar.

Em comunicação, aquilo que você não diz pode ser mais potente do que toda a sua verborragia (que lembra hemorragia) ou verborréia (...). O silêncio aturde. Se você duvida é porque sua esposa nunca fez greve de palavras. Devia ter algo mais. A quinta letra, a letra que faltava, criou ansiedade em mim. As reticências eram tão instigadoras que respondi imediatamente confirmando presença. Eu teria de viajar a São Paulo de qualquer maneira para pegar um vôo para a Bahia.

No dia seguinte, vinte e poucos youtubers, jornalistas e funcionários da Google ocupavam a sala, e a soma de suas idades não chegava à minha. Quase podia adivinhar seus pensamentos quando me fitavam: "Será que já existia Internet no tempo desse dinossauro?!".

Minha suspeita se confirmou: havia sim algo mais. O bate-papo era com o próprio Chad Hurley, um dos criadores do YouTube. A reunião foi uma verdadeira Babel que ia do inglês ao portunhol, passando pelo "the book is on the table". Quando chegou a minha vez, vi que faltavam dois segundos para o encontro terminar. Dada a escassez de tempo, decidi começar pelo "A" de AIDA e chamar a atenção:

- Meu nome é Mario Persona, sou palestrante, escritor e consultor, e uso o YouTube para ganhar dinheiro.

Como eu previa, o burburinho foi geral. "Show us the money!", gritou alguém. Então, com toda a atenção cravada em mim, contei ao Chad Hurley e aos youtubers como ganho dinheiro com o YouTube.


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Você é Jovem, Velho ou Dinossauro?
Ignacio De Loyola Brandao
Como cronista do jornal O Estado de S. Paulo, Ignácio de Loyola Brandão algumas vezes usou seu espaço para provocar o leitor, questionando-o sobre coisas do passado. Você chegou a tomar Grapette? Lembra do dropes Dulcora? Sua mãe usava cera Parquetina ou Dominó? Toda essa brincadeira com coisas do passado - distante para uns e próximas para outros - é o que nós habituamos a chamar de "cultura de almanaque".
Cada vez que Loyola publicava sua coluna nesses moldes, recebia de amigos e de leitores uma infinidade de mensagens, lembrando fatos, jingles, imagens que dariam para montar tantas outras colunas com curiosidades e brincadeiras para mexer com a memória do leitor.

Como é costume do autor, todo esse material foi guardado e transformado no Você é jovem, velho ou dinossauro?, livro que a Global Editora acaba de levar às livrarias e que traz uma programação visual bem parecida ao dos antigos almanaques, publicados, no Brasil, desde o início do século passado.
O título do livro não engana: a proposta dos testes é saber se o leitor é jovem, velho ou dinossauro. O autor convida: "Descubra com este livro. Testes para saber se sua memória é uma coisa, mas suas lembranças podem ser outras, mostrando que você é mais jovem, mas também pode ser mais velho do que imagina". Ainda, segundo Loyola, "a memória tem mecanismos próprios e age segundo sua própria vontade. Lembro-me de uma coisa de uma maneira, você de outra, o terceiro de uma versão diferente. Pensamos que nos conhecemos, pensamos que temos certa idade. Este livro mostra que podemos ser mais jovens. Fatos que pareciam distantes estão perto".
Você é jovem, velho ou dinossauro? é um almanaque de pequenas recordações guardadas no fundo da nossa memória e que, de repente, com muita alegria nos deparamos com elas.
Daqui a algum tempo, a geração que está nascendo agora irá dizer que iPod, MP3, laptop, link, webcam, câmera digital, celular com internet, palmtop são coisas do passado e quando eles estiverem fazendo essa afirmação outros almanaques estarão aparecendo - ou não -, mas terão sempre a intenção dos almanaques de hoje que é de divertir e ter muito assunto para não deixar a conversa acabar.
Editora: Global
Autor: IGNACIO DE LOYOLA BRANDAO
ISBN: 9788526012905
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 176
Acabamento: Brochura
Formato: Médio



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23/08/09

Sou tecnobrega

Veja você, eu era tecnobrega e não sabia! Não sabe o que é tecnobrega? Trata-se de uma grande sacada para a produção, promoção, venda e distribuição de conteúdo artístico e intelectual. Coisa de Brazil com “z” na literatura lá fora.

Junte tecnologia, pirataria, mau gosto e criatividade, bata com muito ritmo, e o tecnobrega está pronto pra inglês ver. O modelo de negócio é citado no livro “Free - O futuro dos preços”, por Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired e também autor de “A Cauda Longa”. A versão em áudio do livro “Free” é... FREE!

A idéia não é nova. Há dez anos escrevi sobre o que aprendi com Kevin Kelly, co-fundador da Wired, que também entrevistei na época. Funciona assim: quanto mais rara a coisa é, mais cara. Por outro lado, quanto mais abundante, mais o seu preço tende a zero. ZERO! Respire fundo e você vai entender.

Quando alguns artistas paraenses perceberam que o atual modelo de distribuição de música estava no bico do corvo, decidiram inovar. No passado o artista só ganhava quando tirava a viola do saco, porém a tecnologia permitiu que ele e a viola ficassem em casa, enquanto a música viajava e faturava no som gravado.

E foi nesse céu de brigadeiro que a indústria fonográfica voou enquanto a tecnologia de gravação e distribuição estava restrita a quem podia pagar por ela. Mas alegria de rico também dura pouco, e a abundância tecnológica fez esse custo tender para... ZERO!

Isso mesmo, não custa nada para o carinha copiar a música e passar para trocentos amigos na Internet. A mesma tecnologia que mandou o artista enfiar a viola no saco e ficar em casa, avisou que agora é hora de cair na estrada, como no tempo dos menestréis. É mudar ou morrer.

Tecnobrega é a alternativa viável para os novos tempos. O músico grava seu som num estúdio caseiro ou alugado e entrega o CD para o camelô piratear à vontade. Ok, foi resolvida a questão da gravação e distribuição a preço de banana, mas o que o artista ganha com isso? Nada, mas fica conhecido.

O dinheiro vem das apresentações ao vivo, que também são gravadas em DVDs e CDs e entregues... isso mesmo, ao camelô. A cada volta da roda o artista é mais valorizado e mais solicitado, e pode cobrar mais pelo show. Alguém gravou um vídeo e colocou no Youtube? Maravilha! Tem carinha pirateando o som adoidado na rede? Melhor ainda para o artista tecnobrega!

Sem querer querendo, descobri que também sou tecnobrega. Não toco e nem canto, mas escrevo, e há mais de dez anos incentivo a cópia livre e descarada de minhas crônicas. Meus textos também viram locuções caseiras em vídeo e áudio, além de alguns de meus livros já estarem disponíveis para download. FREE! Onde eu ganho? Na venda de meu trabalho ao vivo e em cores em palestras e treinamentos.

- Alô? Mario Persona? Recebi de um amigo um [texto, vídeo, áudio] de sua autoria. Você pode vir à minha empresa falar sobre aquele assunto?
 
É claro que vou. Só em 2008 enviei 535 propostas a solicitações assim sem fazer um único “cold call”, que é quando o vendedor toma a iniciativa de ligar ou visitar um possível comprador. Este número não inclui solicitações de curiosos, mas só de empresas realmente interessadas, e equivale a enviar uma proposta e meia por dia. Obviamente só envio as propostas inteiras.

Se fechei todas? Nem em sonho. Mas se considerar que não gastei um centavo com propaganda e a promoção foi feita no camelódromo web, posso me considerar um tecnobrega de carteirinha. Porém as semelhanças terminam aí. No mais, que me perdoem os amantes do gênero, eu ainda acho a música tecnobrega cara.

Para saber mais:
“Tecnobrega: O Pará reiventando o negócio da música” - Livro grátis para download.
“Free - The radical future of prices” - Audiobook grátis em inglês do livro de mesmo nome (veja no "Criado Mudo" abaixo a versão vendida). 
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Free: Grátis - O Futuro dos Preços
Chris Anderson
Com a maestria que lhe é peculiar, Anderson volta à cena com este livro único e inspirador, onde o leitor encontrará em texto embasado a tendência de zerar custos trazida pela era digital.

Anderson afirma com veemência que estamos entrando numa era em que a economia pode ser construída em torno do conceito de "gratuito" e como isso afetará a vida das pessoas. Segundo ele, a ideia partiu de um dos capítulos de A Cauda Longa, que trata da economia da abundância. Ele acabou percebendo que nunca havia acontecido de toda uma economia ser construída em torno do gratuito e resolveu, então, mostrar como as pessoas fazem dinheiro e quais são as implicações disso.

O futuro, segundo ele, reserva surpresas inimagináveis até bem pouco tempo para os negócios.


Autor do best seller A Cauda Longa, sucesso de crítica e de público, Anderson é conhecido e reconhecido pela mídia brasileira e um nome de grande representatividade no campo do pensamento futurista, da gestão e da inovação.

Editora: Campus
Autor: CHRIS ANDERSON
ISBN: 9788535230680
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 288
Acabamento: Brochura
Formato: Médio 



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E a gorjeta, doutor?

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05/08/09

Tres reais

O táxi que me levava ao aeroporto era dirigido pela tartaruga em pessoa. Não que o motorista fosse lento. Não era. Apelidei-o de 'tartaruga' só por ser enrugado e vivido.

E também por lembrar a tartaruga da fábula de Esopo, "A lebre e a tartaruga", recontada por La Fontaine, onde não é a autoconfiança que vence, mas a perseverança que vem do reconhecimento das próprias limitações. O motorista era assim. Velho e calejado de erros que não se preocupava em esconder.

De vez em quando faz bem encontrar alguém consciente de suas próprias falhas, de seus limites, e que não acredita tanto assim em si mesmo. Não, você não vai ouvir de mim a frase "acredite em si mesmo". Acreditar mesmo, só em Deus, que não pode falhar.

Todas as vezes que me empolguei e acreditei em mim mesmo descobri depois que eu estava mentindo para mim com o objetivo de me manipular. Acha estranho? Quando você se vir frente a frente consigo mesmo vai entender.

Depois de uma certa idade a gente começa a aprender o que é o ser humano -- e mais particularmente o 'eu humano'. Começa a entender que covardia, miopia, orgulho e mentira são acessórios que vêm de fábrica, prontos para usar. Qualquer pessoa tem potencial para falhar.

O problema é que tentamos nos convencer de que não falhamos e -- já que em todo crime sobra um corpo -- passamos a nos explicar e a procurar alguém para culpar, na tentativa de tirarmos o corpo fora.

Quando vira hábito passamos a vida procurando alguém pior para podermos nos comparar. Então o que bebe explica que não toma drogas, o viciado avisa que não rouba e o ladrão diz que não mata. Vai me dizer que você nunca se explicou assim?

Um pouco antes de entrar no táxi eu tinha trocado alguns minutos de prosa com alguém com o mesmo número de anos daquele motorista, mas que enxergava um mundo onde todos erravam, menos ele. Não que o motorista pensasse o contrário ou achasse todo mundo bom, menos ele. Na verdade ele não nutria ilusões acerca de pessoa alguma, ele incluso.

Ex-policial, contou do tempo em que era mandado participar, à paisana, de manifestações. Seu papel era distribuir bombinhas para assustar os cavalos da polícia e instigar manifestantes pacíficos a ficarem violentos. O objetivo? Fazer o pau comer para justificar o cassetete amplo, geral e irrestrito. Evidentemente ele saía antes.

Em outras ocasiões infiltrava-se em reuniões de manifestantes para descobrir quem estava patrocinando, só para descobrir o próprio governo por trás da manifestação daquele bando de manipulados que acreditava fazer oposição.

E foi depois de confessar que cumpria ordens das mais imorais, que contou ter transportado, no dia anterior, um passageiro costumeiro naquele trajeto até o aeroporto. Quando o passageiro -- um advogado do tipo lebre, apressado e autoconfiante -- reclamou da corrupção, o calejado motorista retrucou que corruptos todos somos.

Do alto de seus 26 anos de idade, o pequeno doutor se defendeu afirmando ser incorruptível, de reputação ilibada, lisura profissional imaculada, lhaneza no trato, e mais uma dúzia de adjetivos que mais se atribui quem menos tem.

Antes que o motorista pudesse explicar por que considerava todos -- inclusive a si próprio -- corruptíveis, tinham chegado ao destino. Depois de receber pela corrida, o motorista entregou ao advogado um cartão com uma sugestão:

-- Ao invés de chamar a Central de Rádio-Taxi, da próxima vez ligue direto para mim que vai economizar três reais, que é o que a central está levando nesta corrida. A gente faz o negócio por fora e a Central nem precisa saber.

-- Ótimo, vou fazer isso -- respondeu o advogado interessado -- É sempre bom economizar algum.
-- Bem, agora que já o convenci a chutar a Central para escanteio, como eu estava dizendo, que todos somos corruptos não resta dúvida. O que varia é o preço. No seu caso, três reais. Tá muito barato, doutor.

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O evangelho maltrapilho
Brennan Manning


Normalmente você vê aqui livros de negócios, comunicação e marketing, a maioria dos quais nunca li mas ouvi falar e copio o comentário do site da editora. Hoje vou abrir uma exceção para um livro cristão que li de um só gole. O autor é um ex-frade católico e alcoólico em recuperação. Pois é, um fracassado segundo os padrões de alguns. Mas é justamente disso que ele fala, que o céu é um lugar cheio de fracassados. Se está atrás de um livro motivacional para inflar seu ego, esqueça este.

Numa época de jactância, quando tanta gente quer ser "poderoso"; quando igrejas ficam cheias de gente atrás de milagres, dinheiro e poder; quando fiéis são contados em milhões e dízimos carregados em malões; quando fica essa rasgação de seda, de "reverendo" pra cá e "doutor em divindade" pra lá, alguém precisa lembrar que "graça" é favor imerecido, dado a quem não tem e não pode coisa alguma.

O livro é um banho de kryptonita, aquela pedra verde que drenava os poderes do Super-Homem, no ego e orgulho daqueles que pensam que vão conseguir o favor de Deus porque fizeram algo de bom. Pessoas que se esquecem de que o céu vai ficar cheio de pessoas vazias; que vai ser um sucesso porque vai estar cheio de fracassados. Como milhões de "madalenas prostitutas", "pedros negadores", "mateus publicanos", "ladrões da cruz ao lado" e "paulos guarda-objetos de apedrejadores de estêvãos" que já se mudaram para lá.

O livro lembra que não são crianças boazinhas que vão para o céu, mas crianças más que serão arrastadas para lá. Como o filho pródigo, que só voltou porque o estomago não agüentou, ou a mulher flagrada em adultério (já percebeu que, do flagrante, só levaram a mulher?), que só foi absolvida porque foi arrastada até a presença de Jesus por seus acusadores. E você, vai querer chegar lá por algo que fez ou vai se deixar arrastar pela graça de Deus? Ser pecador é a única condição exigível para a viagem e no passaporte o carimbo diz "Salvo por Graça", marcado com tinta-sangue do Cordeiro de Deus.

Mas, voltando ao livro, cabe um P.S. aqui na forma como a editora apresenta o autor: "o aclamado filósofo e teólogo cristão Brennan Manning". Pelo jeito quem escreveu o comentário não captou a mensagem do livro...



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03/08/09

Ter ou não ter, eis a questão.

"Mario, suas dicas de gestão me impressionam muito pela clareza e coesão. Mas, se você tem um conhecimento tão vasto sobre teorias empresariais, por que você não é um multimilionário?"

Sua pergunta é instigante, mas o que será que quis dizer por "multimilionário"? Seria alguém com uma fortuna medida em milhões de um dólar que não seja o do Zimbábue? Se for, eu realmente não pertenço ao clube. Mas se quis dizer simplesmente "rico", então sou rico. Mas quão rico sou?

É difícil definir quão rico alguém é. Quando perguntaram a John D. Rockefeller quanto dinheiro era suficiente, ele respondeu "mais um pouco". Quando perguntei à minha mãe o que ela gostaria que eu fosse quando crescesse, ela respondeu que preferia um filho balconista e feliz a um dono de indústria infeliz. Desde então procuro ser rico como um balconista feliz.

Em uma sociedade onde você é medido pelo que possui, pouca gente já parou para questionar se o dinheiro é a melhor régua para se medir o sucesso. Apesar de tantas celebridades que entram e saem das clínicas de reabilitação, continuamos a associar riqueza material à realização pessoal e profissional.

Uma pesquisa feita com os 400 mais ricos da lista da revista Forbes revelou que o índice de satisfação dos magnatas era o mesmo encontrado entre o povo Inuite da Groenlândia e os Masai do Quênia. Ambos vivem muito bem sem eletricidade e água encanada.

Eu sei que este meu papo está mais para desculpa de incompetente, e que você, se fosse curto e grosso, estaria querendo dizer simplesmente “Mario, walk the talk!”, como dizem os ianques. Mas você foi educado a ponto de rogar que eu não interpretasse sua pergunta como provocação. Então vou ser sincero: não sou multimilionário simplesmente por não enxergar razão para navegar para um Norte que não está em minha bússola. Além de, obviamente, gostar do porto atual.

Interprete isto como falta de ambição ou de perfil empreendedor, mas não é. Inventores, artistas e escritores empreendem o tempo todo, mas poucos fazem isso de olho no milhão. O que os move não é a ganância de ter, mas o prazer de ser e fazer. É neste clube que você vai me encontrar.

Mas não pense que pessoas assim têm motivos mais nobres e altruístas do que os do clube do milhão. Não têm. O orgulho de ser e o desejo utilitarista de fazer são tão egocêntricos e gananciosos quanto o apetite de possuir. No fundo tudo não passa de uma forma de justificarmos nossa existência e utilidade no mundo e na sociedade. O “mais um pouco” do Rockefeller também se aplica ao ser e fazer.

O problema é que estas coisas jamais levam à saciedade, já que o vazio que tentamos preencher com elas é do tamanho de Deus. Mas vou deixar estes assuntos mais estratosféricos para você acompanhar em meu blog www.3minutos.net.

Enquanto isso, para dar uma resposta objetiva à questão que levantou, vou traduzir sua pergunta assim: "Como é que uma pessoa que ensina a empreender não se tornou um grande empreendedor?"

John Nelson Darby responderia que “os olhos enxergam muito além do que os pés conseguem alcançar”. Isso mesmo. Pode apostar que muitos dos grandes autores e professores de gestão quebrariam a cara se tentassem administrar um negócio. Mas seus pupilos provavelmente não. Por que? Pela mesma razão que Pelé não é o melhor técnico de futebol do mundo e os melhores técnicos do mundo nunca foram Pelé.

Se um dia você me encontrar multimilionário foi por ter tropeçado num bilhete de loteria, e não por apostar nela ou num grande negócio. As duas coisas não estão em minha agenda. Meu prazer está em escrever e ensinar aquilo que consigo enxergar "sentado nos ombros de gigantes”, como diria Isaac Newton.

O comercial que vi na CNN talvez consiga traduzir melhor o que sinto. A cena mostra um garotinho e seu pai caminhando de mãos dadas e o menino dizendo ao pai que, quando crescer, quer ser professor. Mas o pai tenta convencê-lo a seguir outra carreira.

- Você não prefere ser médico? Médicos são mais admirados e respeitados, além de ganharem muito mais.

- Mas não são os professores que ensinam os médicos? - argumenta o garoto encerrando a conversa.

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Manual do Empreendedor - Jerônimo Mendes
Este livro é indispensável para todo empreendedor ou candidato a futuro empreendedor que deseja entender, fazer parte e ainda prosperar no universo extremamente competitivo dos negócios. Trata-se de um guia que expõe aos empreendedores, empresários e seus respectivos colaboradores as premissas básicas e avançadas desse fenômeno chamado empreendedorismo. Abrange desde os conceitos relacionados ao tema, os primeiros passos para quem deseja empreender, a necessidade de se construir uma visão e uma missão de negócio, as fases do processo empreendedor e o principal desafio a ser enfrentado a partir do momento em que o empreendimento "decola", o de equilibrar a vida pessoal e profissional.




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18/06/09

Café com o presidente e comigo

Ontem muita gente que não era nada acordou jornalista, inclusive eu. Bem, a verdade é que nos últimos anos já fui jornalista, ora sim, ora não, por ser detentor de um registro de jornalista a título precário no MTB. Tudo começou quando me preocupei com as colunas que escrevia para jornais e revistas sem ser jornalista formado, mas arquiteto e urbanista.

Uma consulta feita por uma amiga a um sindicato de jornalistas retornou assim:

"Você só poderia estar legalmente escrevendo sobre arquitetura ou assuntos relacionados com a sua área de conhecimento... Portanto, você não poderia estar escrevendo em nenhum veículo de comunicação. Assim, recomenda-se o curso de Jornalismo, ou seja, a graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, para futuramente requerer o seu registro no MTB." Minha amiga ainda perguntou se isso incluía a Internet e a advogada respondeu que sim.

Por isso quando em 2001 uma liminar suspendeu a exigência de diploma, corri entrar com um pedido de registro no MTB, anexando recortes de minhas colunas em jornais e revistas. Preocupava-me a possibilidade de algum sindicato decidir me amordaçar. Afinal de contas, se os concursos públicos utilizam meus textos na seleção de profissionais de diferentes profissões, não é só minha mãe que achava que eu levava jeito para a coisa.

O Google me ajudou a descobrir que meus textos já caíram em concursos para engenheiros, professores, enfermeiros e até médicos psiquiatras. Não me pergunte o que pediam as questões. Nem procurei saber, com medo de não conseguir respondê-las ou descobrir algo como "Encontre os erros no texto de Mario Persona".

Mas a partir de hoje já posso dizer que sou jornalista, pois se o Supremo Tribunal Federal diz que sou, acabou aquela história de ser ou não ser, e ninguém vai contestar a questão. É claro que o anúncio do Planalto feito na véspera, de que o presidente Lula escreverá uma coluna para os jornais a partir de julho, foi apenas coincidência. Agora eu e o presidente, que já atuava como radialista, somos colegas de profissão. Penso até em convidá-lo para uma parceria. Não se espante se o "Mario Persona Café" virar "Café com o presidente e comigo".

Teve jornalista que saiu da pauta com o presidente do Supremo Tribunal Federal, por este ter comparado jornalistas a chefes de cozinha. Eu jamais me intrometeria nessa discussão, mas já que sou jornalista sinto-me no dever de fazê-lo em defesa dos interesses da classe.

Quer saber? Também não gostei de ser comparado a um chefe de cozinha, porque chefe de cozinha pode ser qualquer um que manda o empregado da pastelaria fritar pastéis. Nada contra os pastéis.

Mas eu acho que o presidente do STF quis dizer "chef", em francês, um artista do sabor, desses que vejo na TV preparando pratos cinematográficos enquanto como meu miojo. Aí sim, adorei. Um chef e um jornalista têm muitas coisas em comum que não são aprendidas na escola, mas dependem de talento.

Ambos têm senso artístico para esculpir pratos e textos saborosos. Se o chef é capaz de discernir temperos apenas com o paladar, o cérebro do jornalista é dotado de papilas gustativas que discernem a informação. Os dois são capazes de depurar o que há de melhor na matéria bruta de cada profissão e servir apenas o que importa. A isto se dá o nome de poder de síntese. O jornalista está mais para chef, artista ou músico, do que para engenheiro, físico ou advogado.

- E a ética?! - gritará alguém. Você já viu diploma transformar picareta em caneta? Ética e responsabilidade têm mais a ver com berço do que com terço, portanto decorar Sócrates, Aristóteles e Platão não irá adiantar. De criatividade, então, nem preciso falar. O ensino cartesiano é um grande lobotomizador de hemisférios direitos.

Quem faz faculdade ou deu duro para terminá-la está agora chorando num canto da fila do emprego ou da Caixa Econômica Federal, onde fez um empréstimo para pagar o curso. Sei o que é isso, pois um dia também vi meu diploma virar fumaça, não por uma decisão do STF, mas pelas circunstâncias do mercado de trabalho. Quer saber? Hoje estou bem melhor trabalhando como consultor, palestrante e escritor.

Mas isto não significa que não possa mudar de profissão. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal e as declarações de seus ministros fiquei muito animado a tentar uma nova e lucrativa carreira. Vou abrir um restaurante.

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Arte de Escrever Bem: um Guia para Jornalistas e Profissionais do Texto - DAD SQUARISI & ARLETE SALVADOR
Escrever é fundamental. Afinal, quem, nos dias de hoje, não precisa mandar mensagens pelo correio eletrônico, escrever relatórios, fazer vestibular, ou produzir uma matéria jornalística? Este livro, inicialmente destinado a jornalistas e profissionais do texto, é o mais claro e bem humorado que qualquer um que precise escrever bem pode obter. Donas de texto impecável, agradável e atual, Dad Squarisi e Arlete Salvador mostram como é possível redigir de modo adequado e despretensioso.
Editora: Contexto
Autor: DAD SQUARISI & ARLETE SALVADOR
ISBN: 8572442790
Origem: Nacional
Ano: 2004
Edição: 1
Número de páginas: 112
Acabamento: Brochura
Formato: Médio


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15/06/09

Quem quer ser bilionário?

Bill Gates deu um conselho: doe seu dinheiro. Achei o conselho ótimo, apesar de não me enquadrar nem entre os que devem doar, nem entre os que devem receber. Na verdade é um conselho de bilionário para bilionário, nada a ver comigo.

Não que eu não pudesse ser um, até poderia. Afinal, eu e o Bill nascemos no mesmo ano de 1955, eu em fevereiro e ele em outubro, o que me dá uma vantagem de oito meses sobre ele. Só não estou bilionário porque isso não fazia parte de meu plano de carreira.

A verdade é que nunca quis ser bilionário e nem milionário. Centenário? Também não, eu me sentiria velho. Ser bilionário traria mais problemas do que soluções. Primeiro, eu nunca saberia quando parar de ganhar, e não acredito que algum bilionário saiba. Quando perguntaram a John D. Rockefeller quanto dinheiro era suficiente, ele respondeu: "Só mais um pouquinho".

Quem tem muito dinheiro precisa também aprender novos parâmetros. Quando meus filhos eram pequenos e pediam algum brinquedo, eu convertia o preço em revistas Veja para eles terem uma noção do valor. Hoje, já crescidos, a coisa virou piada e não raro eles brincam comigo: "Por que não compra essa camisa, pai? São só 10 Vejas". Caso eles estejam lendo, aqui vai: um bilionário pode comprar 112.359.550 revistas Veja.

Embora admire Bill Gates, eu não queria estar na pele dele, e isso não é por causa das sardas. O fato é que jamais serei como ele, o homem mais rico do mundo e dono da Microsoft, isso eu garanto. Se eu fosse ele, como iria explicar que desisti de usar o Windows Vista e voltei ao velho e bom Windows XP? Ou que escrevo esta crônica no BR-Office, porque meu Microsoft Word ainda não aprendeu a nova ortografia? Seria constrangedor.

Porém, o fato de eu ter decidido não ser bilionário não me impede de fazer doações. Por isso estou doando dois de meus livros esgotados, "Marketing de Gente" e "Marketing Tutti-Frutti", que agora podem ser baixados grátis em formato digital ou e-book. Se preferir ler em formato impresso, vai pagar pelo custo da produção sob demanda, no www.clubedeautores.com.br, www.lulu.com e em breve também em www.amazon.com.

Bilionários atraem a inveja das pessoas e até ameaças. Sabia que já fizeram dois filmes chamados "Kill Bill"? Outro problema que os bilionários têm, e eu não, é precisar fugir dos paparazzi, pedidos de doações e vendedores de rifa de Ferrari. Divulgar o telefone ou dizer onde moram, então, nem pensar!

Sir Paul McCartney, outro bilionário, ficou fulo quando soube que sua casa podia ser vista no Street View do Google Earth e Google Maps. Seus advogados exigiram que a Google tirasse a casa de lá. Paul mora em Londres e eu moro em Limeira, interior de São Paulo. Se eu exigir isso vão rir de mim.

Mesmo que eu decidisse falar com a Google, antes precisaria ter a permissão dos outros condôminos, pois moro em um prédio de apartamentos. Se você já participou de uma reunião de condomínio sabe que há mais chances do Bin Laden se casar com Tzipi Livni, a ministra das relações exteriores de Israel, do que os condôminos chegarem a um consenso.

Já posso até ver algum vizinho alegando que se o Google tirar o prédio do mapa seus amigos não encontrarão o caminho para visitá-lo. Outro, que usa GPS, vai achar que o mapa é o mesmo e aí nunca mais vai conseguir voltar para casa. É claro que terá também alguém dizendo que fazer o prédio sumir do mapa só vai deixar o meu endereço mais fácil de ser encontrado. Qualquer um que pedir informações vai receber a dica:

- O endereço do Mario Persona? Fácil! Entre no Google Maps, digite 'Limeira' e procure o prédio que está faltando.
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Nós Queremos que Você Fique Rico: Dois Bilionários: uma Só Mensagem - Donald Trump e Robert T. Kiyosaki
Este não é um livro de auto-ajuda financeira. Trump e Kiyosaki não dirão em que você deve investir, mas contarão o que pensam a respeito do dinheiro, dos negócios e dos investimentos. Segundo eles, uma das definições de liderança financeira é visão. Este livro fala exatamente sobre essa visão, observando o que a maioria das pessoas não consegue através dos olhos de dois vencedores (e por vezes perdedores também) no jogo do dinheiro. Nós Queremos que Você Fique Rico é um livro extraordinário, que, com um texto leve, trará novos insights sobre como melhorar seu futuro financeiro e tornar-se rico. É uma leitura esclarecedora.
Editora: Campus
Autor: DONALD TRUMP & ROBERT T. KIYOSAKI
ISBN: 9788535223729
Origem: Nacional
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 328
Acabamento: Brochura
Formato: Médio



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