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Sem legenda

Conhece alguém com pós-graduação e sem um segundo idioma? Conheço muitos assim, gente que só entende inglês com legenda. Erraram na prioridade. Antes até da pós-graduação, saber outro idioma é condição para se obter uma boa colocação.

Quem vai contratar alguém com MBA que não sabe traduzir "Master in Business Administration"? Isso só para falar do inglês que é para o mundo ver. Tem ainda o espanhol dos hermanos ao lado e o mandarim que chinês falava para vender pastel e hoje fala para vender até quibe para libanês.

Na Inglaterra já tem até escola fazendo do mandarim matéria obrigatória, enquanto a China caminha para se transformar na maior população falando inglês fora do império onde o sol nunca se põe. Shakespeare podia até aceitar que Julieta fosse interpretada por um homem no teatro da época, mas dificilmente engoliria isso.

Em 1972 comecei — e nunca mais parei — a aprender inglês graças a um programa que enviava jovens para estudar nos EUA e trazer calças Lee para parentes e amigos. Fui, mesmo sendo zero à esquerda em inglês. O programa era assim, você pagava, fazia um exame rigoroso para provar que sabia inglês e, se o cheque não voltasse, estava aprovado.

Quando cheguei lá procurei a legenda nos pés dos americanos e não encontrei. Como o espanhol ainda não era o idioma predominante lá, entrei em pânico. Passei a responder "Yes" ou "No" aleatoriamente para tudo que fosse parecido com pergunta e, dependendo da cara que a pessoa fazia, eu trocava "Yes" por "No" e vice-versa. E fui levando.

Meu maior vexame pedir para ir ao banheiro durante a aula. Achava que era só levantar a mão e dizer "WC", que era o que aparecia escrito nas portas daqui. Já tentou pronunciar "W" em inglês? A aula parou e passei uma eternidade tentando explicar para a professora o que eu queria fazer sem apelar para a linguagem corporal. Enquanto a classe ria a bexiga sofria.

Como detestava gramática decidi aprender inglês imitando. Até ganhei um concurso com uma poesia publicada no "1972 Anthology of Selected High School Essays". Voltei fluente no idioma e virei intérprete e tradutor. Em 1978 traduzi o primeiro livro, de graça, quando ainda era universitário.

O livro era sobre parto natural, publicado por uma comunidade hippie em Nashville. Felizmente a editora preferiu publicar a tradução de outro voluntário que era médico e conhecia melhor o vocabulário. Com minha pouca experiência existia o risco de alguma leitora-mãe jogar fora o bebê e criar a placenta.

Desde então traduzi vários artigos e livros, mas continuo aprendendo, porque no aprendizado não existe ponto final. "Desconfio do tradutor que se gaba de transportar qualquer texto de uma língua para outra à primeira vista, com facilidade igual, sem jamais recorrer aos dicionários. O máximo que ele deve aspirar não é saber de cor uma língua estrangeira (pois nunca se chega a conhecer a fundo nem sequer a materna) e sim a adquirir um sexto sentido, uma espécie de faro, que o advirta de estar na presença de uma acepção desconhecida de uma palavra, ou então de uma locução de elementos inseparáveis intraduzível ao pé da letra, idiomatismos que fazem parte do lastro de ouro de uma língua estrangeira", escreveu Paulo Rónai no livro "A Tradução Vivida".

A segunda coisa que aprendi nos EUA e me ajuda até hoje é digitação. Na época o nome era datilografia, praticada em um aparelho chamado "máquina de escrever", uma espécie de processador de textos com monitor de papel. Os mais velhos conhecem.

Como aconteceu com o inglês, saí de lá sem ter aprendido tudo de datilografia. Teclas de acentos, porque lá não existiam, e números, porque faltei à aula. Por isso até hoje olho para o teclado na hora de digitá-los. Mas pelo menos sei o que quer dizer MBA e não preciso olhar nos pés de quem fala inglês para procurar pela legenda.

Eu em aula de datilografia na McAuley High em Joplin, MO, 1972.



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Como Fazer uma Empresa Dar Certo em um País Incerto - INSTITUTO EMPREENDER ENDEAVOR

Como fazer empresas darem certo em um país incerto como o nosso? Esta é a questão que este livro responde, visando a atacar as raízes do mal que aflige o empreendedorismo brasileiro. Este livro faz uso de muitos exemplos de empreendedores, mesclando histórias de gente famosa com outras protagonizadas por pessoas desconhecidas do grande público, aproximando os relatos da realidade de quem está começando ou não conta ainda com uma empresa renomada.

Consolidando todo esse conhecimento acumulado, este livro serve como um verdadeiro guia para qualquer empreendedor, de qualquer área, pontuando os obstáculos que podem surgir ao longo de um caminho raramente fácil e mostrando formas e contorná-los. Os relatos foram organizados de forma a oferecer suas melhores contribuições nas áreas como gestão, pessoas, dinheiro, sociedade e comunicação, acompanhando o empreendedor desde a abertura da empresa até seu eventual, e por vezes necessário, fechamento.


E a gorjeta, doutor?

O lado sombrio do marketing

Marketing existe há milhares de anos. Foi à sombra de uma árvore, ancestral das que produziriam o papel dos livros de Philip Kotler, que transcorreu a primeira ação de marketing da história. Num Éden exuberante, onde nada faltava, os mesmos princípios que regem o marketing moderno foram aplicados pela primeira vez. Quais?

Descobrir, analisar e atender desejos ou estimulá-los pressionando as teclas motivacionais do cérebro que levam à ação. Não, Maslow não estava lá e nem sua teoria motivacional tinha sido inventada. Mas as teclas estavam e geravam três desejos primários: dinheiro, prazer e prestígio. Uma vez pressionadas, a resposta veio rápida.

"E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela." Gênesis 3:6

Como acontece hoje com o dinheiro, a oferta prometia garantir o sustento - boa para se comer -, gerava prazer estético - agradável aos olhos - e supria necessidades intelectuais de auto-estima e realização - desejável para dar entendimento. O que aconteceu depois é história.

Quando vemos o marketing se transformar na coqueluche de todo estudante e profissional, é bom saber que quem tem o marketing tem a força, inclusive o seu lado sombrio. O hedônico cérebro de nosso cliente ainda traz as teclas de nossos edênicos ancestrais. Há dois mil anos elas eram reeditadas pela pena do apóstolo João, com outros nomes, mas com efeitos iguais:

"Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo." I João 2:16

O desejo ardente pelo sustento físico - a concupiscência da carne -, pelo prazer sensorial - a concupiscência dos olhos - e pelo prazer intelectual - a soberba da vida - continuam sendo as teclas. Basta apertá-las e nada segura o ser humano. Nosso cérebro é hedonista por natureza e o atendimento a essas "concupiscências" ou desejos extremos é prioridade zero em nossa lista.

Por isso a foto de um moribundo na embalagem do cigarro não impede que seu dono o acenda, nem a Aids consegue ser curada com injeção de propaganda de preservativo. A razão perde fácil para o desejo.

Existe uma quarta tecla que o marketing explora, a de que as três teclas podem ser desfrutadas para sempre. É a tecla que chuta a velhice e a morte para escanteio. Se depender daquilo que um médico amigo chama de "medicina pop", Juan Ponce de León não precisava ter se embrenhado em selvas peçonhentas atrás da fonte da juventude. Bastava ir até a banca da esquina.

As capas recorrentes querem fazer crer que a medicina e a genética têm a cura para todos os males. Bem, para muitos, inclusive para a doença do sono causada pela mosca tsé-tsé que assola milhares de africanos. Mas, neste caso, a substância que cura vai para a fabricação de cosméticos. Dá mais dinheiro eliminar pêlos em rostos femininos no primeiro mundo do que evitar a morte de africanos.

É claro que o marketing está embarcando na onda de uma longevidade cosmética, se esquecendo de que as cãs sempre foram símbolo de sabedoria em todas as culturas. Hoje são tingidas de cores variadas. Perdemos o respeito pelo envelhecer e agora idolatramos as passarelas do adolescer. Panacéias mil são anunciadas prometendo dar a cada homem e mulher a aparência de Lênin no sarcófago.

Mas nascer, crescer, envelhecer e morrer são fases de uma mesma vida que deve ser vivida com dignidade. Antes que nosso corpo vire adubo para garantir que animais, plantas e bactérias vivam. Principalmente bactérias.

Enquanto escrevo, milhões delas aguardam - todas salivando - querendo me ver pelas costas. Hoje engoli alguns de seus parentes, amanhã pode ser a vez delas. Viver é um processo teimoso e não importa o quanto de cosméticos a gente aplique no processo, até hoje sempre deu verme no placar.

É, véio, o que a gente precisa mais é aprender a envelhecer, e não achar que o grisalho tingido de caju, a tatuagem camuflada pelas pintas das mãos ou o piercing em flácidas pelancas fará de nós adolescentes outra vez. O mais importante é se preparar para o que vem depois.

Equilíbrio no envelhecimento é o caminho do meio. É claro que o marketing vai continuar trabalhando as teclinhas, pois fazem parte da urdidura da própria civilização. Vai continuar apontando rumos para minimizar o envelhecimento, melhorar a saúde, aumentar o bem-estar. Isso se for ético.

Porque o lado sombrio da força do marketing continuará a insistir em atropelar a ética e o bom senso na avidez pelo lucro imediato. Aos estudantes e profissionais que descobriram agora essa força e já apresentam sinais de embriaguez, fica aqui o meu alerta: Aprecie com moderação.




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Marketing: Criando Valor para os Clientes - GILBERT A. CHURCHILL JR. e J. P. PETER


Para ser bem-sucedido e destacar-se no mundo do marketing, é necessário criar um valor superior para o cliente.

Marketing: Criando Valor Para os Clientes é a única obra no Brasil a enfatizar e integrar a questão da criação de valor como a meta primária do marketing ao longo de todo o texto, apresentando o estado da arte da área. Captando as mudanças dinâmicas que vêm ocorrendo no marketing e no mundo, aborda de forma clara e concisa temas como o impacto da globalização, diversidade e ética no marketing.

De autoria de dois dos mais conceituados e premiados autores em Marketing do mundo, é também o único livro brasileiro de marketing que tem as seguintes características:

• completamente adaptado à nossa realidade: traz situações únicas ocorridas no mercado brasileiro, como a decisão da MTV brasileira de alterar o mix entre o rock e o axé e a guerra dos acarajés na Bahia;
• ilustrado com propagandas de algumas das melhores agências de publicidade brasileiras e com tiras do Dorinho, o maior cartunista na área de marketing do país;
• casos e exemplos surpreendentes e atuais, tanto de companhias de grande porte - multinacionais, ocorridos em países tão diversos quanto Rússia, China e Estados Unidos, e brasileiras -, como de pequenas e médias empresas;
• projeto gráfico diferenciado: colorido, semi-couché e capa dura, por um preço incrivelmente competitivo.
O material de apoio à obra é um dos mais ricos no Brasil: os professores cadastrados podem ter acesso a recursos pedagógicos inéditos na área como:
• Manual do professor: com anotações de aula-padrão e suplementares, exercícios experimentais, perguntas/respostas para discussão, implicações do projeto de cada capítulo e sugestões para projetos adicionais, resumos dos quadros ("Na Prática", "Você Decide", "Agitadores de Marketing"), casos e minicasos adicionais e recursos externos recomendados;
• Apresentações: centenas de slides eletrônicos, com figuras, esquemas e tabelas;
• Banco de testes.
Enfim, Marketing - Criando Valor para os Clientes é o livro brasileiro que mais cria valor, tanto para professores como para alunos e profissionais. (Extraído do site da editora)


E a gorjeta, doutor?

Filhos nacionais

Detesto filme nacional. Verdade; fujo deles. Primeiro, porque a maior parte dos que assisti ou pintam a violência com todas as cores, ou exaltam a malandragem como patrimônio nacional, ou acreditam que audiência seja medida por centímetro quadrado de pele exposta. E sacanagem, muita sacanagem.

Há um bom tempo pornochanchadas de quinta categoria vêm sendo mascaradas de sétima arte e subsidiadas com dinheiro público. Tudo com a desculpa de mostrar a realidade brasileira. Mas, ao contrário do que querem nos fazer crer, o brasileiro médio não é traficante, não é vigarista e nem tira a roupa no primeiro encontro.

Outra razão de fugir do nacional é o som. Tenho uns dez por cento de redução auditiva e perco boa parte dos sons agudos. Não deixa de ser uma vantagem para quem escreve, por proporcionar igual porcentagem de silêncio em qualquer ambiente, ou na hora de ouvir rádio: para mim todas as estações pegam sem chiado. Como os filmes nacionais costumam ter som de péssima qualidade, perco a maior parte das falas. O que equivale dizer que não perco nada.

Para um filme nacional ocupar minha atenção, só mesmo se não tiver mais para onde olhar. Ou se estiver a 11 mil metros de altura, a 900 km/h e lá fora o termômetro estiver marcando 50 graus negativos, impedindo que eu saia. Por esta e outras razões decidi assistir um filme nacional. Voando.

Sim, é verdade que eu tinha outras opções no vôo de Natal a São Paulo. "Procura-se um Amor Que Goste de Cachorros" eu assisti na ida em uma aeronave na qual a tela era compulsória. Na volta, com uma telinha para cada um, "A Feiticeira" eu não vi por causa da cortina que me separava da primeira classe e "A Fantástica Fábrica de Chocolate" deixei para ver depois. Outros dois ou três do cardápio eram tão irrelevantes, que nem gastei memória para guardar os títulos.

E tinha o nacional "2 Filhos de Francisco". Relutei, mais pelo som do que pela curiosidade de ver o que todo mundo disse que viu. Quando percebi que tinha opção de legenda — mesmo sendo em inglês — decidi arriscar. E chorei.

Chorei o filme todo. Isso mesmo, esse cara aqui que você vê nas fotos com pinta de executivo e nervos de aço para enfrentar grandes platéias, chorou vendo um filme no avião. E não foi pouco. Sem ninguém na poltrona ao lado para me obrigar a manter a cara lavada, passada e engomada, deixei os sentimentos correrem soltos. E como escorreram! Quase me senti viajando de hidroavião.

O filme já tem o grande mérito de atrair multidões, mesmo com todos sabendo o que acontece no fim. Tem a vida humilde da roça, lindamente caracterizada sem apelar para estereótipos ou exageros, os sorrisos inocentes que os garotos sorriem, o gigantismo da mãe brasileira que carrega o piano do lar, a preocupação de tantos pais Franciscos com a educação, e a paixão que move os inconformados a mudarem aquilo que pode ser mudado, ao invés de passarem a vida criticando o que não podem mudar, como fazem os filósofos de bar.

Os três temas sempre presentes no cinema nacional — violência, malandragem e sensualidade — continuavam lá, mas muito mais vivos, reais e honestos. A violência das circunstâncias, dos acidentes, das derrotas que nos mutilam estava lá na forma como todos a conhecemos, e não apenas traficantes. A malandragem era do tipo que descobre que é melhor ser honesto, mesmo que seja só por malandragem. E a sensualidade? Não faltou.

Sem um centímetro quadrado de pele exposta, é difícil imaginar um momento mais cheio de arremedos de paixão do que o encontro dos jovens no baile. Ofegantes, só de olhar; extasiados, só de dançar; amantes, daquele amor-suspense que só um beijo roubado pode causar. Não falei da canção "É o amor", de um louco apaixonado de alma transparente, alucinado, meio inconseqüente, um caso complicado de se entender? Devia ter falado. Não vou negar.

Parece que alguém se lembrou de avisar o cinema nacional que cinema continua sendo contar histórias. E que contar histórias com maestria é um grande negócio, capaz de encantar e emocionar pessoas onde quer que estejam: no mar, na terra ou no ar. Eu já estava no ar, quando o filme tirou meus pés do chão e transformou meus olhos em mar. Enxugado com guardanapo de papel.

Sem efeitos especiais, tela 360 graus ou som espacial, a história me tocou. Telinha pequenininha de encosto de poltrona, som que mais li nas legendas em inglês do que ouvi, vôo de carreira em classe econômica e trivial, nem o avião era presidencial. Apenas uma boa história em um filme legal.



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2 Filhos de Francisco - ÂNGELO ANTÔNIO, MÁRCIO KIELING, PALOMA DUARTE, LIMA DUARTE

Incentivados pelo pai Francisco, lavrador do interior de Goiás cujo sonho aparentemente impossível é transformar dois de seus nove filhos numa famosa dupla sertaneja, Mirosmar aprendeu acordeão e Emival, violão. Para ajudar nas despesas, os meninos tocam na rodoviária, onde conhecem um empresário que consegue fazer deles um sucesso no interior do Brasil até um acidente interromper a carreira da dupla. Anos mais tarde, Mirosmar volta a cantar, vira Zezé Di Camargo, mas a fama só chega quando se junta ao irmão Welson (Luciano), o parceiro perfeito para concretizar a profecia de seu pai.


E a gorjeta, doutor?

Premio Mr. Bean de Comunicacao

Acabei de instituir. E o prêmio vai para.... (rufar de tambores)... o criador da comunicação do referendo sobre o comércio de armas de fogo no Brasil. Meu faro de comunicador revela que teve o dedo do Mr. Bean naquilo. Só pode ser. Sempre desconfiei. Por que? Oras, Mr. Bean faz tudo ao contrário daquilo que reza o bom senso. Ele é britânico, não é?

Ele é do país de "Alice Através do Espelho" de Lewis Carroll, onde tudo é invertido. Já tentou dirigir por lá? Siga pela contra-mão e ultrapasse pela direita. Se quiser comprar uma calça azul, esqueça. Só vendem azul calça, com o adjetivo antes. Até James Bond, se apresenta do fim para o começo: Bond, James Bond. E não duvido se encontrar por lá um conto de fadas que termine com a princesa morrendo e o príncipe se casando com a bruxa.

Mr. Bean deve ter sido chamado para ajudar no referendo brasileiro por sua experiência no desarmamento inverso da polícia britânica. A polícia de lá, que antes corria atrás de bandido apitando, passou a correr atrás de inocente atirando. Tudo invertido.

A comunicação do referendo, verdadeira coronhada de dissonância cognitiva, funcionava assim. Se você quiser comprar armas, diga "Não". Ou diga "Sim", se não quiser. É que a pergunta era: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no país?" Para a não venda das armas era preciso dizer "Sim" e para a venda era preciso dizer "Não". Simples, não? Simples sim.

Pelo sim, pelo não, conhecendo que o cérebro procura sempre caminhos mais curtos, o tiro corria o risco de sair pela culatra. O correto seria dizer "Sim" ou "Não" para o comércio de armas, e não "Sim" à proibição, por ser a afirmação de uma negação. O verbo "proibir" equivale a dizer "Não" e o verbo "permitir" equivale a dizer "Sim". Ou você interpreta a placa de trânsito com um "E" cortado como "É permitido não estacionar"?

É provável que Mr. Bean tenha sugerido que disséssemos "Sim" ao "Não" e "Não" ao "Sim" depois de estudar nosso idioma e descobrir que quando queremos dizer "Sim" dizemos "Pois não", e quando não concordamos dizemos "Pois sim!". Ou porque em alguns estados tem gente que, para dizer "Não quero", diz "Quero não", afirmando antes de negar.

Mas se acha que acaba aí esse monumental imbróglio de comunicação, viu a urna eletrônica? Sim ou não? Pois é, esta seria a ordem normal, mas lá a pergunta era "Não ou Sim?". Porque o número "1" é para "Não" e o número "2" para "Sim". A ordem era a inversa de toda a comunicação na mídia, que primeiro falava da opção "Sim", a número "2", para depois falar da "Não", a número "1". Uma dica para donos de bar: se Mr. Bean fizer um número "1" para pedir cerveja, sirva a outra. É assim que funciona.

Faltou avisar se o voto em branco valia para armas brancas ou só de fogo. Tenho pavor de arma de fogo, na frente ou atrás da mira. Antes mesmo da campanha eu já estava sentado na sala do escrivão de uma delegacia esperando para devolver um velho revólver de meu pai e um punhado de balas. Se demorou? Três horas! Estavam prendendo tanta gente que não tinha ninguém para me atender.

Fiquei ali, de arma em punho e diante de um punhado de balas espalhadas pela mesa, quase arrependido de ter martelado o cano. Brincadeira. Situações assim, como atrasos de vôos ou esperas para devolver armas, têm em mim um efeito inverso. Devo ser britânico. Ao invés de sair atirando, saio criando o que vou escrever a respeito. Mark Twain aconselhava nunca irritar "quem compra tinta em barris".

O ponteiro do relógio já mirava no meio-dia quando um delegado me viu de arma em punho. Enquanto ele engatilhava uma expressão de dúvida e espanto, disparei à queima roupa o primeiro pensamento que me ocorreu:

— Estou aqui há 3 horas tentando me entregar e ninguém apareceu para me prender.

E sorri um sorriso de grande calibre, para desarmar qualquer ideia de desacato na mente da autoridade.



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A Revolução do Lado Direito do Cerébro - DANIEL PINK

O mundo em breve não será mais o mesmo: com a era da informação e a otimização dos processos operacionais e científicos, o diferencial das pessoas estará em qualidades como a capacidade de inventar, ser criativo, ter empatia e criar significados. O lado artístico, associado ao lado direito do cérebro, será em breve muito mais valorizado que o lado esquerdo. Isso mudará radicalmente a realidade para quem procura sucesso pessoal e profissional no mundo do amanhã.

O livro explica as origens dessa mudança e revela as seis principais características necessárias para atingir o sucesso nessa nova realidade, oferecendo exercícios desenvolvidos por especialistas para ajudar as pessoas a cultivar essas habilidades. Com este livro o leitor estará mais bem preparado para o futuro, entendendo melhor as mudanças que estão por vir.


E a gorjeta, doutor?

Vou montar uma academia

Isso mesmo, dessas de ginástica, completinha, dentro de meu apartamento. Academia perto de casa? É claro que tem. Coisa de cinema, com piscina e aquele monte de equipamentos que transforma qualquer camundongo no Super-Mouse. Se não sabe quem era o Super-Mouse você deve ser bem mais novo do que eu. Se souber, então deve estar com uma barriga igual à minha.

E foi justamente por causa dela que visitei a dita academia em busca de um horário para praticar natação. Quem hoje vê não acredita, mas já ganhei medalhas neste esporte. A garota que me atendeu foi muito simpática e mostrou uma grade de horários à minha escolha. Era só me inscrever e pagar a mensalidade, o que não consigo deixar de considerar uma injustiça, considerando que o esforço seria só meu.

Sovina, lutei para me convencer de que não ser capaz de enxergar os pés é moléstia grave. Acho que sofro de obesidade mórbida localizada. Só pegou a barriga. E o medo de ser barrado pelo FBI em algum aeroporto nos EUA por suspeita de bomba? Sabe aquelas bombas, tipo bola preta com um pavio, que apareciam nos gibis do Super-Mouse? Não sabe? Então você não é da época quando videogame se chamava biblioquê, que é o bilboquê escrito errado.

Estava quase me inscrevendo na academia quando decidi perguntar se podia nadar no dia e horário que melhor se encaixasse em minha imprevisível agenda de palestrante itinerante. Não podia. Se escolhesse um horário o cartão magnético só abriria a catraca naquele horário. Coisa da catraca computadorizada. Adorei. Saí de lá satisfeitíssimo com a tal catraca computadorizada. Era a desculpa que queria.

Mas a barriga não parou de crescer e começou a incomodar. Sabe o que é tentar dormir de bruços e tombar de lado? As grávidas sabem, mas não é o meu caso. Gravidez, quero dizer. Decidido, saí a pé percorrendo todas as lojas de minha cidade que vendem esteiras rolantes. Na última descobri que o melhor preço era o da primeira e voltei lá, quase duas horas depois. Cheguei ofegante e revigorado, entrei, dei uma desculpa qualquer para o vendedor e voltei para casa. Quem precisa de esteira depois de andar duas horas em passo rápido?

Só que a barriga... bem, nem preciso falar. Não seria problema se as pessoas não começassem a me chamar de "Xuxu". Você até que gostaria, não é mesmo? Mas se tivesse pernas finas como as minhas, logo perceberia que não é elogio, mas analogia. Um chuchu com dois palitos fincados na base. É assim que me vejo na câmara dos horrores - o banheiro, que mais parece aquelas salas de espelhos distorcidos de parques de diversão, quando me contemplo só, vestido de pele.

Há alguns dias tive outro surto momentâneo de coragem e voltei a pesquisar preços de esteiras. Só que desta vez pela Internet, para não cansar. Não faz muito tempo eu tive uma esteira, mas me esqueci da razão de ter vendido. Foi por isso que acabei comprando outra na base do clique. Recebi a confirmação do tipo "você é muito importante para nós", "em breve estaremos atendendo seu pedido" e coisas assim. Excelente!

Adorei o atendimento da loja e principalmente seu sistema de entrega. Gostei tanto que decidi comprar mais lá. Estou pensando em uma bicicleta ergométrica, um daqueles equipamentos cheios de pesos e roldanas, uma daquelas coisas de pedalar, sacudir e remar que a gente vê nos canais de TV que ninguém vê... vou comprar uma academia completa!

E vai ser lá, em nenhum outro lugar, tudo naquela loja. É que já se passaram quinze dias desde minha compra e nada da esteira chegar, o que muito me alegrou. Foi por isso que decidi abrir minha academia particular. Não vejo risco algum.



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Alongue-se no Trabalho: Exercícios de Alongamento para Escritórios
BOB ANDERSON


Neste livro simples e prático, o autor de "Alongue-se" e "Entrando em Forma" apresenta exercícios de alongamento especialmente destinados às pessoas que trabalham sentadas em escritórios e, mais especialmente, diante do computador. Os exercícios visam reduzir os males causados por essa atividade. O livro é ilustrado, em formato 21 x 28 cm, e traz seqüências para braços, pescoço, dedos e mãos, pernas etc. O autor também faz recomendações sobre o "design" ergonômico adequado para escritórios.

Preparando os músculos para o movimento, os alongamentos reduzem a tensão muscular, melhoram a coordenação, aumentam a amplitude de nossos movimentos, estimula a circulação, desenvolvem nossa consciência corporal. São exercícios pacíficos, relaxantes, e se ajustam às necessidades individuais.


E a gorjeta, doutor?

Sola Pizza

Geraldo me aguardava no aeroporto no Rio. Falante, seria o motorista a me acompanhar a Cabo Frio para um negócio. Arrumado, colarinho branco e gravata, Geraldo podia ser confundido com um executivo ou deputado. No carro foi logo apresentando suas credenciais de malandro. Sabe como é, o típico malandrus brasiliensis. Nem ladrão, nem facínora, apenas malandro, como todo brasileiro se gaba de ser.

Conversado, sotaque carioca, Geraldo fez a viagem parecer breve e leve com suas histórias de jeitinhos, subornos e embromações. A típica biografia não-autorizada do típico brasileiro não-autorizado. No vocabulário, Geraldo se expressava bem politicamente, sem o obrigatório adjetivo "correto" para a palavra parecer verossímil.

Em Cabo Frio, convidei Geraldo para almoçar comigo um belo peixe num restaurante avarandado. Não quis. Disse que, não estava com fome, que comeria um salgado num boteco qualquer, que era assim que fazia. Desconfiei. Na mesa tinha linguado com alcaparras. Na desculpa tinha truta.

Já que a malandragem é unha e carne com a corrupção, vestir a primeira como a camisa listrada do patrimônio cultural de nosso povo inclui levar a segunda na cueca. É claro que malandragem tem em todo lugar, mas ninguém consegue cantá-la com a ginga nacional. Nem de perto. Porque exige jogo de cintura — dengo para requebrar princípios e sapatear convenções. Aqui honestidade acaba em samba-enredo e ética em carro alegórico. Sério! Sério?

Aí o brasileiro médio — e também o brasileiro grande e o pequeno — vai trabalhar numa empresa de grife e é amestrado em coisas como visão, missão, valores, crenças, atitude... A princípio fica contente, porque foi isso que aprendeu da mãe que carregava o lar nas costas enquanto o pai bebia o bar, ou da professorinha que lecionava mais por missão do que por remuneração.

Até que um belo dia o chefe pede para lançar algo no caixa dois, levar o cliente ao bordel, conluiar o loteamento da licitação. É aí que dá "tilt" na cabeça do sujeito que descobre que em tudo — governos e empresas — há dois pesos, duas medidas e duas bocas. Quem não leva mala é mala. É a maneira fácil, a porta larga, o caminho espaçoso que ninguém se importa para onde conduz. Em casa liga a TV e o presidente diz: "É o que é feito no Brasil sistematicamente". Naturalmente.

Sim, corrupção é o caminho natural das coisas. Tudo se corrompe, naturalmente. A carne sem sal amanhã é carniça. Esqueça a banana na fruteira e vai virar lixo. Corrupção é o destino natural e fácil de tudo, a menos que haja uma intervenção ativa. Corrupção é um processo passivo. Ser diferente é ser ativo.

Quando Jesus chamou seus discípulos de sal do mundo o sentido era do sabor, mas também da conservação da integridade. O sal evita que a carne se deteriore. Mas até Suas palavras foram corrompidas na boca dos homens. Alguém definiu o cristianismo divino como a neve pura do céu e a cristandade humana como a lama em que se transforma a neve quando pisada na terra.

Numa época quando as estrelas caem — quando os poderes governantes se corrompem — o que resta de Norte para a bússola humana senão Deus? Quando a responsabilidade coletiva se enlameia, o que fazer da responsabilidade pessoal? Preservá-la, mesmo porque a prestação de contas é individual. Salgá-la, para que não se corrompa. Temperá-la, para que outros vejam que honestidade tem mais sabor.

O Livro de Provérbios diz que "suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de pedrinhas" (Provérbios 20:17). Eu estava para ver o quanto isso tem de verdade na viagem de volta de Cabo Frio. Descobri que enquanto eu almoçava o linguado, Geraldo tramava uma truta que acabaria virando traíra.

— Nem almoçou, Geraldo? — perguntei, no carro na viagem de volta.

— Que nada, fiz melhor. Comi uma fatia de pizza num boteco e peguei uma nota de refeição bem maior. A empresa reembolsa e saio ganhando. — riu ele da própria esperteza.

— Posso ver a nota? — pedi.

A letra trêmula dizia "Despeza de refeissão", seguida do valor. No alto da nota fiscal, a razão social e descrição da empresa: "Sapataria do Aníbal - Meia-sola, Salto e Consertos em Geral".

— Estava dura a pizza? — perguntei, rindo e apontando para o detalhe que Geraldo não tinha percebido.

A viagem de volta foi tranqüila e silenciosa. Apenas ocasionalmente Geraldo abria a boca para xingar o dono do boteco clandestino, cuja nota fiscal jamais se atreveria a apresentar para reembolso.



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Administrador Ético, O
KEN BLANCHARD, MICHAEL O´CONNOR


O autor de "Gerente Minuto" e um pesquisador comportamental mostram um plano realista para determinar as principais crenças da empresa e colocá-las em prática na busca de satisfação real, dentro e fora da companhia. Os autores mostram como empresas de todos os tipos podem alcançar um novo patamar organizacional sem desprezar valores básicos. Um livro que defende a idéia de que as grandes organizações podem adotar práticas capazes de beneficiar a todos. A integridade compensa, não é preciso roubar para vencer, é o que ensina este livro sobre a importância das responsabilidades morais e sociais na administração. O estilo é o mesmo de "Gerente Minuto" e dos outros livros de Ken Blanchard, o que faz do livro uma leitura fácil. Um livro escrito para CEOs e pessoas da alta gerência.


E a gorjeta, doutor?

Conversa de telefone

— Alô, gostaria de falar com algum especialista do ensino.
— Sim, pode falar comigo.
— Seu nome?
— Máximo Escolástico Cursino.
— Ok, seu Máximo Esco... Xiii... já esqueci...
— Pode me chamar pelo apelido, Mec.

— Está bem, seu Mec, o assunto é o seguinte. Eu lecionava marketing para uma turma de Administração de Empresas e agora...
— Não vai poder mais lecionar. É isso?
— Puxa, você está por dentro mesmo, hein? É verdade o que estão dizendo por aí?
— É. Você não é administrador formado e registrado no conselho?
— Não, minha formação não é em administração. Arquitetura e urbanismo, tipo descobrir necessidades das pessoas e dos habitantes das cidades, criar ambientes, ter visão espacial, coisas assim... Mas minha atuação profissional é em marketing, faço palestras, leciono em MBA, tenho alguns livros publicados, artigos...
— Não importa. O que vale é ser administrador se quiser ensinar administrador em cursos de graduação. Cabe ao administrador exercer o magistério das matérias técnicas dos campos da administração nos cursos de graduação.
— Rapaz, você sabe de cor, hein? Todas as disciplinas?
— As profissionalizantes, relacionadas com as áreas específicas e que envolvam teorias da administração e das organizações e a administração de recursos humanos, mercadologia e marketing, materiais, produção e logística, administração financeira e orçamentária, sistemas de informações, planejamento estratégico e serviços.
— Entendi... isso ainda deixa espaço para muitas disciplinas, né? E se tiver experiência de mercado, puder trazer conhecimento de primeira mão de como é no mundo real...
— A norma é clara.
— É, a norma... Humm... Estava pensando em convidar alguns conhecidos para lecionar em meu lugar, mas não sei não...
— Quem são?
— Bem, tem o Peter, sabe qual é? O sobrenome é Drucker, que escreveu um montão de livros de administração, muitos deles usados nas faculdades.
— É administrador de empresas?
— Não, é advogado e estatístico.
— Não pode.
— Hummm... tenho outros aqui numa lista que peguei na Internet, não tenho certeza, mas acho que nenhum deles está qualificado para ensinar em nossas faculdades de administração. Seus livros são usados nas faculdades de administração...
— Sem diploma de administrador em uma instituição reconhecida, nada feito.
— Deixe-me ver... Antonio Hermírio é brasileiro, mas é engenheiro civil... outros grandes empresários que conheço, mas nenhum... pensei ainda no Bill Gates, mas nem faculdade tem.
— Sabe por que foi tomada essa decisão?
— Não, mas gostaria de saber.
— Para melhorar a qualidade do ensino nas faculdades de administração. Apenas administradores formados têm capacidade e competência para ensinar disciplinas que são críticas para a boa administração de uma empresa.
— Entendi... então o Bill não serve. Vou ter que pensar em outro.
— Você compreendeu bem a razão?
— Claro, se você diz que isso vai melhorar a qualidade dos profissionais que sairão de nossas faculdades, quem sou eu para contestar? Além disso reserva mercado de trabalho para administradores que não poderiam lecionar se o critério fosse apenas de experiência, né? Só estou pensando em quem poderia indicar para lecionar marketing em meu lugar... Acho que só resta eu indicar um ex-aluno meu. Pode ser?
— Pode, desde que seja graduado.
— Então está resolvido! Vou indicar um ex-aluno que acabou de se formar. Rapaz inteligente, comunicativo, gente boa.
— Tenho certeza de que ele tem muito a agregar para a melhoria do ensino.
— Certamente. Você está coberto de razão. Isso deve dar prestígio à profissão. E estou até pensando em voltar a lecionar daqui a algum tempo. Será que se eu prestar vestibular e cursar administração posso voltar a lecionar?
— Claro, nada impede, desde que tenha também o registro no conselho.
— Ótimo! Então é isso que vou fazer! Acho que consigo eliminar algumas disciplinas pelo curso que fiz quando estudei. Daqui a quatro anos eu... Êpa! Surgiu uma dúvida. Posso eliminar marketing, já que era eu o professor?
— Não, se não cursou a disciplina quando esteve na faculdade.
— Não, não cursei.
— Então vai precisar fazer a disciplina, como todos os alunos.
— Quer dizer que vou ser aluno de meu aluno e ele vai ser professor de seu professor? Quando eu tiver dúvidas na aula, devo perguntar para quem? Para ele ou para mim?
— Não entendi.
— É, acho que você não vai conseguir entender. A situação vai ser estranha e perigosa. Já pensou se meu aluno me reprova? Como poderia me considerar inapto, se o que sabe é o que ensinei a ele?
— Continuo sem entender...
— E nem esperaria que entendesse, estou pensando em voz alta e... hummm... acho que não, não vou cursar administração não.
— Por que?
— Porque não confio na qualidade do ensino. Veja bem, vou ser aluno de meu aluno para aprender o que ensinei a ele, não é?
— É.
— Que confiança posso ter no que vou aprender, se ele aprendeu com quem não tinha capacidade para ensinar? Vamos deixar assim. Vou continuar com minhas outras atividades. Obrigado pelas informações e pela paciência em ouvir.
— Não tem de quê.
— Até logo.
— Até logo.



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Monge e o Executivo: uma História sobre a Essência da Liderança, O
JAMES C. HUNTER


Você está convidado a juntar-se a um grupo que durante uma semana vai estudar com um dos maiores especialistas em liderança dos Estados Unidos.
Leonard Hoffman, um famoso empresário que abandonou sua brilhante carreira para se tornar monge em um mosteiro beneditino, é o personagem central desta envolvente história criada por James C. Hunter para ensinar de forma clara e agradável os princípios fundamentais dos verdadeiros líderes.
Se você tem dificuldade em fazer com que sua equipe dê o melhor de si no trabalho e gostaria de se relacionar melhor com sua família e seus amigos, vai encontrar neste livro personagens, idéias e discussões que vão abrir um novo horizonte em sua forma de lidar com os outros. É impossível ler este livro sem sair transformado. O Monge e o Executivo é, sobretudo, uma lição sobre como se tornar uma pessoa melhor.


E a gorjeta, doutor?

Eu sei que vou a Marte

Na década de sessenta meus amigos formaram uma banda. Naquele tempo a gente dizia "conjunto", porque banda mesmo só a que tocava no coreto. E conjunto não era para "fazer um som", mas para tocar "iê-iê-iê". Acho que a expressão vinha da música "Chiló-viziú, iê, iê, iê...", dos "Bitous".

Não ria. Era assim que a letra aparecia no caderno do grupo que se apresentava no "Nosso Clube" todos os domingos, às dez da manhã, assim que terminava a missa das nove. Que podia terminar antes, se o Palmeiras jogasse de manhã. O cônego era palmeirense.

Naquele tempo nenhum adolescente sabia inglês, portanto não tinha importância alguma o que estava no caderno — nem para quem cantava, nem para quem ouvia. O que valia mesmo era o som parecido com o da vitrola que tocava os compactos simples de 45 rpm.

"Rpm" significava "rotações por minuto" e "vitrola" era o CD player que usávamos então. Um "compacto simples" tinha apenas duas músicas, uma de cada lado, o "duplo" vinha com um total de quatro. LP ou Long-Play, só no Natal ou no aniversário, porque era caro. Não existia download.

E o que Marte tem a ver com isso? Que Marte? Ah, sim! Já ia me esquecendo do título. O que você ouviu — não o que leu — é como o nome de "Eu sei que vou te amar" teria soado se o Vinícius de Moraes não ligasse a mínima para seu cliente-ouvinte. Pois a forma correta desse monumento poético musicado por Tom Jobim é "Eu sei que vou amar-te".

Vinícius e Jobim eram bons conhecedores do português, portanto não erraram sem querer. Foi sem querer querendo. Acredito até que tenham cantado uma primeira versão correta e perceberam que até o planeta ficou vermelho. Decidiram errar, deliberadamente, para deixar o cliente contente.

Num treinamento, dei uma dinâmica na qual cada grupo fingia ser uma empresa vendendo e eu fingia ser o cliente comprando. Uma das equipes se deu mal. Indagados de onde estaria o problema, foram categóricos: "No cliente, que não soube se expressar!". Sugeri que eliminassem o problema. É o que alguns têm feito.

Se perguntar quem paga seu salário, é provável que a maioria das pessoas responda que é o patrão ou empresa. Pouca gente percebe que, numa empresa, só existe uma porta de entrada para o dinheiro. Exatamente, o cliente. Há muitas saídas, mas só uma entrada. Se não entrar por ali, não entra.

Alguém dirá que o dinheiro vem também dos investidores, mas não conte com esse. É empréstimo. Sócios emprestam até o cliente fazer entrar dinheiro suficiente para pegarem de volta o que emprestaram e algo mais. Ou você acha que investem por hobby?

Olhe ao seu redor. Tudo o que vê foi pago pelo cliente, inclusive o que está em seu estômago. Ah, você não está na empresa? Está em casa? Também vale, se trabalhar por conta própria. E vale também se trabalhar para uma empresa. Não veio do cliente?

E justo quando o cliente mais precisa de amor, quem o atende vai a Marte. Já viu aqueles quadros bonitos na recepção das empresas com a Visão, Missão e Valores? Morro de rir com alguns. Será que alguém entende aquele palavreado? Cabral deve ter recebido um texto assim quando partiu para as Índias e acabou indo parar na Bahia.

Quer uma sugestão para Visão? Escreva lá: "Cliente". Missão? "Cliente". Valores? "Clientes". Pronto. Seu quadro vai ficar menor e mais barato na hora de emoldurar. E cada marinheiro irá entender para onde está apontada a proa do navio, o objetivo da viagem e o tipo de vento que deve impulsionar suas velas.

O quadro vai ficar lá sempre igual, mas a maneira como as pessoas irão ler "Cliente" vai mudar, porque o cliente muda. Vai ficando mais sofisticado, mais exigente. Já não está atrás de alguém que atenda apenas suas necessidades, suas expectativas ou exigências. Quer também significado.

Isso aconteceu numa daquelas matinês quando chegou o primeiro americano que a maioria de nós teve a oportunidade de ver, mas não de entender, já que não veio legendado. A dublagem era feita pelo brasileiro que ficara em sua casa nos EUA. Enquanto isso, o vocalista mandava ver mais uma dos "Bitous":

Réupi! Ai nidi sam bódi! Réupi! Nójãs enibódi!
Réupi! Iú nôu ai nidi samuam! Réééupi!

O americano ouviu por um tempo e perguntou para o rapaz ao lado: "Is that Portuguese?"



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Serviço ao Cliente: a Reinvenção da Gestão do Atendimento ao Cliente - KARL ALBRECHT; RON ZEMKE

As inovações tecnológicas de hoje - lançadas com a promessa de dinamizar e simplificar as interações entre clientes e empresas - estão, em vez disso, ameaçando os próprios fundamentos dos serviços genuínos.
Em Serviço ao Cliente, Karl Albrecht e Ron Zemke, verdadeiros ícones do gerenciamento de serviços, fazem mais do que apenas alertar para a realidade. Eles enfatizam estratégias de êxito comprovado que mais uma vez reposicionam o valor para os clientes no centro do palco dos negócios.
Preservando os conceitos básicos de seu predecessor paradigmático - Service America! - esta edição oferece novas idéias e atualiza os exemplos do anterior, além de acrescentar inovações inteiramente inéditas às técnicas já conhecidas, para conquistar e reter os clientes na economia global com base na tecnologia. Como uma nova safra de renovação, a obra prepara qualquer negócio para inovações ainda mais ousadas.
Conheça algumas dicas que você encontra no livro:

- Se você não estiver servindo aos clientes, é melhor servir a alguém que esteja servindo aos clientes
= Será que amanhã os serviços serão um componente tão importante da economia quanto hoje? Não. Serão mais importantes
= A melhor estratégia de serviços é a que constantemente questiona, desafia, refina e melhora
- A maneira como seus empregados se sentem é em última instância a maneira como se sentirão os seus clientes.


E a gorjeta, doutor?

Criatividade no ensino

What is this, what is that?
It’s a table, it’s a chair;
What is that Mister Payne?
It’s a big airplane.

What is that, what is this?
It’s a book, it’s a kiss;
What is that silver chain?
It’s a subway train.


Era assim que eu começava minhas aulas de inglês no Colégio Estadual Moisés Nunes Bandeira, em Alto Paraíso, Goiás. O ano? 1979. A razão de estar ali? Mudar o mundo. Era só isso que me propunha a fazer quando mal tinha completado 24 anos de vida, menos da metade dos que já colecionei até aqui.

Uma espécie de Projeto Rondon privado e acalentado fizera com que eu engavetasse um diploma de arquiteto ainda fresco — o diploma — e partisse paitrocinado para o sertão de Goiás numa Kombi repleta de tralhas e sonhos. Lá eu aprenderia que o mundo é muito grande para ser mudado, mas as pessoas não. Mesmo sendo maiores que o mundo.

Meu primeiro desafio era fazer aquela garotada — a maioria nascida e criada virgem de TV — aprender a falar Inglês. Além de soletrar Matemática, viajar de Ciências e discutir Organização Social e Política Brasileira, quando ainda era proibido colocá-la em discussão no ano em que Geisel saía e Figueiredo entrava.

Adotei um método audiovisual — eu cantava ao som de meu violão de doze cordas enquanto duas dúzias de olhos me viam gingar — após perceber que nada no mundo iria fazê-los acreditar que seria preciso aprender inglês. Se aprenderam eu não sei, mas poderia apostar que hoje, mais de vinte anos depois, deve ter algum pai ou mãe lá no meio de Goiás cantando "What is this, what is that?" para seu filho dormir.

A receita da aderência da mensagem ficava por conta dos ingredientes que inconscientemente eu usava naquele método improvisado: idealismo, bom-humor, ousadia e paixão. As notas vibrando no ar tinham o efeito de destruir barreiras e despertar o apetite da garotada pelo novo. Sim, eles cantavam juntos. E como cantavam!

Só muito tempo depois eu iria aprender o poder da criatividade na educação — na demolição dos feudos de resistência psicológica criados por nada menos que a própria educação. Pablo Picasso dizia que toda criação começa com um ato de destruição, mas é o professor vivido por Robin Williams no filme "Sociedade dos Poetas Mortos" quem pincela isso na tela e em cores. Lá os alunos da Welton Academy são incentivados a arrancar as páginas quadradas de um livro retangular e a subir nas mesas em busca de uma visão alternativa do lugar.

Em um e-book intitulado "Sly as a Fox", Mark L. Fox, que deve ser parente do título, informa que "A criatividade de uma criança diminui 90% dos 5 aos 7 anos. Aos 40 sua criatividade equivale a apenas 2% da que tinha". Se ele disse isso com base em alguma pesquisa científica ou em sua criatividade não vem ao caso aqui. O que importa saber é que a educação convencional vai entupindo nossa capacidade de criar por estimular demasiadamente a razão.

Na escola aprendemos que saber responder é mais importante do que saber perguntar. Que errar é errado, não aprendizado. Que quem copia não aprende. Que estudar é para se fazer sozinho. Que concentração é importante e a interrupção, irritante. Que devemos ser especialistas. Que tira a melhor nota quem souber escrever. Que a precisão é a deusa da educação. Só depois — muito depois — vamos descobrir que fora da redoma acadêmica as coisas nem sempre são assim.

Já que estamos falando de criatividade, não é com um mundo de dados precisos que precisamos lidar quando saímos da escola, mas com um oceano de ambigüidades. Onde somos obrigados a ser generalistas o suficiente para sobreviver às mudanças, e onde não é quem escreve bem que tira a melhor nota, mas quem fala melhor. Ou quem copia.

Espere, não arranque os cabelos ainda. Não falo da cópia copy-paste, mas da cópia que empresta o criado de alguém para ajudar a dar a primeira volta na roda de uma nova criação. Numa cena do filme "Encontrando Forrester" — aquele em que James Bond recebe a difícil missão de ser escritor — Sean "Forrester" Connery ensina seu pupilo a escapar da cela que aterroriza todo escritor: a folha em branco. O primeiro parágrafo é copiado apenas para estimular Tico e Teco a encontrarem seu próprio caminho numa aventura toda original.

Ambos — Tico e Teco — trabalham nos resultados, mas não é Tico, o advogado, o criativo. Tico mora na toca esquerda de nossos hemisférios cerebrais, e cuida de tudo o que tem razão. Ele é viciado em ordem, análise e literalidade. Seu televisor é preto e branco, seus rascunhos são grifados a régua, detesta interrupções e não sai de sua agenda nem para morrer.

Na toca ao lado mora Teco, o artista. Ele descobre o contexto, vive em emoção e é hábil na síntese. Teco não se prende a padrões e nem tem TV — o que tem é uma bolha, dentro da qual flutua enquanto assiste a tudo de sua poltrona giroscópica numa tela multidimensional com som polifônico. Teco — pode até chamá-lo de Teté se preferir — é intuitivo e faz mais de uma coisa ao mesmo tempo, todas elas novas. Não tem hora nem agenda, vê nas interrupções oportunidades e só viaja de Hellman's Airlines.

Teco, o artista, só tem um problema. Tudo o que cria e faz só sai da árvore neurológica passando pela toca de Tico, o advogado. Este é o filtro que transforma a criação de Teco em comunicação legível e inteligível para os outros Ticos e Tecos que habitam a floresta da humanidade. Muita criatividade é filtrada aí, na toca da razão, onde não há lugar para o devaneio, o sonho ou a imprecisão.

O mesmo acontece no sentido inverso. Toda informação que chega à árvore de nossos esquilos cerebrais passa primeiro pelo dr. Tico. Ele verifica tudo sentado em sua escrivaninha iluminada pela lâmpada da razão, antes de destinar o que sobrar — não muito, diga-se de passagem — aos arquivos memoriais. Enquanto isso Teco ouve música, se encanta com poesia ou mergulha nas cores de uma obra de arte. Coisas sem qualquer importância ou significado para o dr. Tico.

Numa classe habituada às rudezas da vida no campo e à falta de perspectivas que ultrapassassem seu curral e arraial, aprender inglês nada tinha de lógico ou racional. Era caso de expulsão sumária da mente, perpetrada pelo dr. Tico, por absoluta falta de lógica. Pois era aí que eu entrava em campo para driblar o doutor. Com criatividade, arte e emoção. Tudo o que vem revestido de arte, rima e compasso entra pela porta ao lado do escrutínio da razão.

Em seu livro "A Whole New Mind - Moving from the Information Age to the Conceptual Age" Dan Pink escreve: "A era do predomínio do 'hemisfério esquerdo' — e a Era da Informação que este criou — está dando lugar a um novo mundo onde as qualidades do 'hemisfério direito' — criatividade, empatia, significado — governarão". E completa: "O MFA", ou Master of Fine Arts, "é o novo MBA", ao apontar para um mundo onde as pessoas buscarão cada vez mais significado, conceitos e experiências.

É claro que eu não sabia tudo isso na minha juventude, quando cantava e dançava despreocupadamente para aquelas duas dúzias de alunos com meu violão de doze cordas preso a uma alça colorida pendurada no pescoço:

What is that, what is this?
It's a book, it's a kiss;
What is that silver chain?
It's a subway train.


Mas lá eu entendi que nem tudo podia ser só festa e que Tico e Teco precisariam trabalhar em parceria se quisessem ter uma criatividade operacional. Vi isso quando um aluno perguntou:

— Professor, o que é subway train?

Expliquei que subway train significa metrô, um trem que anda por túneis sob a terra. O silêncio que se seguiu mostrou que ainda faltava algo. Então uma aluna sincera e ousada levantou a mão. Sua pergunta me fez ver o quanto de trabalho de base eu ainda precisaria fazer naquelas mentes que nunca tinham estado em paragens abaixo daquele Alto Paraíso:

— Professor, o que é trem?



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Cultura-Poder-Comunicação e Imagem: Fundamentos da Nova Empresa - GAUDENCIO TORQUATO

Questões relativas a cultura, poder, comunicação e imagem fundamentam as bases da empresa moderna. Analisar essas questões, compreender e avaliar sua natureza e suas implicações no desenvolvimento organizacional são tarefas da maior importância para os profissionais que desejam estar em sintonia com a modernidade.


E a gorjeta, doutor?

Estamos contratando Bob Esponja

Não só Bob, mas Zeca Esponja, Maria Esponja e Dito Esponja. As empresas só deviam contratar Esponjas, porque são profissionais assim que fazem a organização brilhar. Não importa se é de bucha, borracha ou aço, desde que tenha mil e uma utilidades.

Não sei se o Bob Esponja do desenho tem algo a ver com o que vou escrever. Só o vi numa escala de um de meus vôos intercanais. Tudo o que sei é que o Bob Esponja da TV mora num abacaxi e trabalha em um fast-food submarino que deixa os clientes literalmente com água na boca.

Então esqueça o Bob da TV e vamos ficar só com o Esponja profissional. Se é amarelo como o Bob? Eu disse para esquecer o desenho, mas já que perguntou, não importa. Aliás, essa é uma das qualidades do Esponja. Pode ser de qualquer cor e conviver bem com todo mundo porque sabe respeitar a diversidade de um mundo globalizado. Quer mais?

Ele não precisa de cartilha para ser politicamente correto, e nem do IBGE para saber a porcentagem de melanina necessária para ser brasileiro. Tampouco olha com dó ou asco para portadores de necessidades especiais, pois sabe que há flores com mais ou menos pétalas, todas belas. Tenho dois filhos brancos e um negro, com diferentes números de pétalas, portanto entendo do assunto. Só não me preocupo em contar pétalas. Todas são "bem-me-quer".

De volta ao Esponja, ele tem outras qualidades. Uma é sua capacidade de absorver, principalmente na hora do aperto. Como em qualquer empresa tem a hora do aperto, do sabão e do esfregão, o Esponja se dá bem no pedaço. As circunstâncias que espremem são as mesmas que permitem ao Esponja sair crescido da adversidade. Ele é flexível, ou como diriam os eruditos de Talentos Humanos, resiliente.

Resiliência é a capacidade elástica de voltar ao estado original após sofrer uma deformação. Há quem goste de usar o termo no sentido de pessoas capazes de suportar a carga de três que foram dispensados para reduzir custos. Não é bem isso. É flexibilidade, para se adaptar rapidamente às situações, mas também é memória do estado original para conseguir voltar.

Memória do estado original é importante, para o profissional não abrir mão de seus valores essenciais. Quando, aos dezesseis anos, fui morar nos EUA via programa de intercâmbio cultural, no aeroporto perguntei à minha mãe o que ela queria que eu lhe trouxesse de presente na volta.

— O mesmo que está levando na ida — respondeu.

Antigamente o Esponja Furta-cor era bem-vindo no quadro de algumas empresas, mas hoje não. O Furta-cor — tipo tecido que muda conforme o ponto de vista — foi dispensado quando perceberam que quem furta, furta dos dois lados. Groucho Marx imitava esse tipo, quando dizia: "Tenho meus princípios. Se não gostar, tenho outros".

Como reconhecer um Esponja legítimo? Fácil, ele é o anti-herói. É frágil, flexível, cede sob pressão, se amolda, adaptando-se aos diferentes ambientes e atividades, não faz estardalhaço quando cai, é leve de levar e não gosta de sujeira. Por que não falei de conhecimento? Oras, ele sabe, mas não tudo. Está cheio de espaços vazios, ou não seria Esponja. Se souber tudo, como vai absorver o novo?

Agora, prefira o Esponja com duas texturas, uma para enfrentar a sujeira pesada e outra mais macia e suave ao toque. Tipo 2M — Motivado e Moderado. Porque se for motivado demais, pode riscar a imagem da empresa com sua inconseqüência. Moderado de menos é medroso, foge do risco. Então, aprecie a motivação com moderação.

Faltou alguma qualidade? Sim, inteligência é essencial. Falei de formação moral, agora falo de formação intelectual, capacidade de aprender, de discernir. Não é sinônimo de formação acadêmica. As melhores empresas foram criadas e são mantidas pelas pessoas mais inteligentes, não necessariamente pelas que têm mais diplomas.

Se tenho dados para afirmar isso? Bem, ouvi dizer que morre mais gente em acidentes causados por burros do que por aviões, mas acho que não é a estatística que você esperava. Basta um pouco de inteligência para entender que sem ela não há liderança.

A falta de inteligência leva à subserviência — não aquela de um serviço consciente, desinteressado e humilde, própria dos grandes líderes que lideram pelo exemplo. Falo da submissão pelega, sem caráter e medrosa, dos ratos que seguem o flautista de Hamelin até o afogamento. Que pessoas assim são exploradas, até o dito popular sabe e diz: "Enquanto existir cavalgadura São Jorge não compra motocicleta".



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O Poder da Camisa Branca®
Antonio Guerreiro Filho

Se você procura por um livro de gestão participativa e uma forma de fazer seus colaboradores vestirem a camisa, então não pode deixar de ler este livro: "O Poder da Camisa Branca® - Uma nova filosofia de gestão participativa", escrito por meu amigo Antonio Guerreiro Filho, que convidou-me para escrever o prefácio (infelizmente não fui rápido o bastante e a editora colocou um texto do próprio Guerreiro no lugar). Trata-se de um bem-sucedido caso de gestão participativa que transformou uma indústria de rodas do interior paulista em referência mundial.

Guerreiro foi um dos criadores da Fumagalli, a indústria de rodas que depois se transformou em Rockwell, depois Meritor e é atualmente Arvin-Meritor. Ele foi diretor de operações e diretor superintendente, antes de passar a viajar pelo mundo como consultor da Meritor para divulgar a Camisa Branca nas plantas desta indústria em todo o mundo.


Para quem já desconfia que nem tudo o que vem escrito em inglês é verdade, é bom conhecer uma filosofia de gestão participativa criada e implementada por brasileiros com sucesso e copiada pelo resto do mundo. O livro é da Editora Futura a organização e desenvolvimento do texto é da filha de Guerreiro, Márcia Guerreiro, editorialista do Estadão.

Camisa Branca® é marca registrada da ArvinMeritor.

E a gorjeta, doutor?

O umbigo de Adão

Adão tinha umbigo? Depende. Considerando que não nasceu de mulher, então não. Porém, considerando que foi criado pronto, como um protótipo adulto, então tinha. É simples assim. Mas alguns têm dificuldade na hora de lidar com o ambíguo de Adão. Digo, umbigo.

O Houaiss define "ambíguo" como algo que desperta dúvida, incerteza. É vago, obscuro, indefinido, admite interpretações diversas e até sentidos contrários. Algo cuja resposta pode não ser nem sim, nem não, muito pelo contrário. Entendeu? Nem vai.

Há, todavia, um lado menos nefasto da ambigüidade. Quando crianças, brincávamos de enxergar carneiros nas nuvens. Para a escola racional, não passavam de nuvens e nos mandaram parar de ver nuvens passar para prestar atenção na equação.

Hitler tinha dificuldade em lidar com a ambigüidade. Para ele nada podia ser menos do que perfeito, ao seu próprio jeito. Para deixar as coisas assim, eliminava imperfeições na marra. Na arquitetura nazista, bastava incluir uma janela na fachada esquerda, simétrica à da direita, e tudo ficava lindo.

O mesmo fez com as artes. Como não podia eliminar as nuvens, eliminou quem pintasse, escrevesse ou fizesse filmes que dessem margem a mais de uma interpretação. Tentou fazer o mesmo com as imperfeições humanas.

Das circunstâncias, Aristóteles dizia que "é provável que o improvável acontecerá". Nos negócios, então, nem se fala. Mas vou falar um pouquinho. Saber trabalhar em ambientes de incerteza e ambigüidade é vital. Nada é 100% previsível nem 100% controlável. Em tudo há risco, para tudo há de se ter intuição e criatividade.

Devemos nos adaptar às circunstâncias que não podemos mudar e administrar as que pensamos poder. Com cuidado, com as ferramentas certas para abordar as ambigüidades e o mau tempo do clima organizacional.

Costumo estimular o pensamento criativo e a tolerância para com a ambigüidade em ambientes de incerteza e risco, mas nem sempre consigo. Há quem não seja capaz de enxergar além dos padrões arraigados em seu cérebro. Foi o que ocorreu quando usei um filme em um workshop para engenheiros.

A cena de "A Lista de Schindler" mostrava o personagem na conquista de seu futuro mercado, a oficialidade nazista em um bar. Ele dá generosas gorjetas ao garçom para aproximar as dançarinas dos oficiais menores e servir bom vinho aos de alto escalão. Minha intenção era mostrar que devemos identificar e atender necessidades e desejos dos clientes, tipificadas por dinheiro, prazer e prestígio. Era minha versão light de Maslow. Um dos presentes levantou a mão.

- Não concordo que precise subornar alguém, incitar a prostituição ou embriagar o cliente para vender - disse com firmeza. Fiquei esperando que criticasse também o ambiente nazista da cena, mas pelo jeito não tinha nada contra.

Saí horrorizado só de pensar na interpretação que alguns conseguem dar ao que ensino. Pessoas que nunca brincaram de enxergar carneiros nas nuvens por só pensar com o hemisfério esquerdo da razão. Gente que só acreditará em Adão se um dia o Discovery Channel mostrar um fóssil sem umbigo.

Imediatamente lembrei de outro workshop e gelei! É que lá ensinei estratégia usando a cena da batalha de "Coração Valente". E se amanhã eu abrir o jornal e a manchete gritar: "GERENTE PROMOVE BANHO DE SANGUE EM EMPRESA"? Vou preso como mentor intelectual do crime. Eu e o Mel Gibson.



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Coração Valente (Braveheart) - CATHERINE MCCORMACK, MEL GIBSON, PATRICK MCGOOHAN, SOPHIE MARCEAU


Dirigido e estrelado por Mel Gibson, este épico narra a audaciosa saga sobre a brutal batalha pela independência da Escócia no Século XIII. Quando a esposa de William Walace (Mel Gibson) é brutalizada e assassinada pelas tropas inglesas, sua busca por vingança rapidamente transforma-se em uma apaixonada luta pela liberdade de seu país. As lendas que contam a bravura de Walace inspiram os cidadãos comuns a pegarem em armas contra os ingleses e transformam sua cruzada em uma guerra de grandes proporções. Coração Valente é um épico histórico carregado de emoções como paixão, traição e coragem, uma verdadeira conquista na história do cinema.

E a gorjeta, doutor?

Uau, virei guru! Ou não?

O título da matéria no Correio Popular gritava: "Gurus cobram altos cachês em palestras". Um pouco antes eu dera uma entrevista à repórter que perguntou a quantas andava o mercado de palestras, compartilhando minhas impressões de aprendiz de guru.

De repente me vejo ombro a ombro com gurus de verdade como Tom Peters, Jack Welch, Fernando Henrique e Ricardo Semler. Ombro a ombro só no jornal, porque na vida real ainda não vi os 50 mil dólares que a matéria diz que o FHC cobra para falar.

Sob o subtítulo "Palestrante já lançou cinco livros" a matéria diz que "do time de 120 gurus cadastrados na Palestrarte, Mario Persona é dos mais solicitados e está permanentemente com a agenda cheia". Dos mais solicitados eu não sei, mas que a agenda vive cheia, "that's true" (devo falar inglês se quiser ser guru). Aguarde um pouco; preciso levar o lixo para fora.

Onde eu estava? Ah, sim, agenda cheia. Lá diz que recebo em média duas solicitações de propostas por dia. "True again". No Google meu nome aparece em milhares de páginas e se você buscar por "palestrante", dentre mais de um milhão de resultados meu site aparece... bem, descubra você. É claro que isso gera muitas propostas, mas a maioria não vinga. Nem em sonho. Só se eu fosse guru de verdade.

Um dia eu chego lá. Estou até me preparando. Por exemplo, o cabelo. Guru mente a idade — para mais — e tem cabelo branco — quando tem. Com meio século de vida, estou deixando o meu ficar. Peço ao barbeiro que corte apenas os fios pretos, mas ele nem sempre consegue, talvez por ser barbeiro. Quando for guru, terei cabeleireiro particular.

Quando for guru, vou dar um jeito na barriga, no papo, nas peles. Fazer lift-botox-lipo total. É isso aí, cabelo cor prata-ancião, corpo maneco, abdome tanquinho e pele ouro-iate. Bronzeada num iate particular ancorado ao lado de um heliporto numa marina do Caribe. Um dia chego lá. Enquanto isso pego meu bronze passeando de pedalinho.

O guru deve deixar logo a modéstia de lado e ensinar "Como Mover o Monte Fuji", como faz William Poundstone, ou criar um projeto de embasbacar, como o "Wow!" de Tom Peters!, cujo nome no site termina com um ponto de exclamação. O importante é ser original, mesmo que use o velho truque editorial do título que começa com números, como "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes", de Stephen Covey ou "Os 100 Segredos das Pessoas Felizes", de David Niven.

Eu, original? Até para escrever esta crônica precisei me inspirar no artigo "If I Were A Guru", de John R. Brandt que saiu na Industry Week. Eu lia no banheiro quando, entre outras coisas, surgiu a idéia. Um guru de verdade não faria isso. Newton, humilde, confessava: "Se enxerguei um pouco mais foi por estar sentado em ombros de gigantes". Eu, na privada.

Gurus também ganham destaque na mídia. A matéria abre com a frase: "Clube restrito conta com medalhões como FHC...", mas eu estou na que vem depois: "...mas também tem espaço para pessoas não tão conhecidas". Sou eu. Stephen Covey está nas páginas amarelas da Veja. Eu, nas da lista telefônica.

Bem, uma vez a revista Exame me entrevistou. Pediu minha opinião sobre uma empresa que conseguiu vencer uma crise em seu mercado. Uma hora de conversa com o repórter e eu mal podia esperar para ler. Corri para a banca — um guru jamais faria isso — para ver se saiu. Saiu. Uma hora inteira de minha sapiência condensada no comentário: "'É de admirar que a empresa tenha se mantido de pé', diz o consultor de gestão Mario Persona."



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O Guia dos Gurus

JIMMIE BOYETT e JOSEPH BOYETT

Os autores pesquisaram as diretrizes dos 70 empreendedores mais bem-sucedidos do mundo e organizaram seus ensinamentos em tópicos que vão desde como desenvolver um projeto a exploração de novas tecnologias. Entre eles, estão Bill Gates, Soichiro Honda e David Packard.

E a gorjeta, doutor?

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